28/12/2008

fim

Ela andava com saudade da caneta e do papel, aqueles que envelheciam em sua escrivaninha de carvalho desde a nova era. Este tempo em que precisara usar a tinta novamente fez com que ela visse o quanto gostava ainda da sua caligrafia. Por isso, e porque não conseguiria mais deixar de escrever suas sensações e desejos, resolveu de um único impulso que a partir daquele momento retornaria às páginas solitárias. Tinha necessidade de aquietar-se um pouco, apesar de desejar que um dia todos aqueles registros pudessem ser interessantes para outros. Mas isso não lhe importava agora, não seria capaz de assistir, quem sabe um dia sentiria de alguma dimensão o quanto valeu a pena. Então, na transparência de sua razão, despediu-se de si mesma naquela forma. O hábito porém lhe trazia um método, de que talvez brincaria um pouco a partir dali, e sob essa expectativa sorriu. Finalizou então o rito e seguiu pra si, que era a única que saberia ao certo os pesos e as medidas.

26/12/2008

7 ondas

saúde pros filhos, familiares e amigos
proteção
sucesso profissional
grana no bolso
paz na mente
amor de sempre
nenhum tombo

16/12/2008

crepúsculo

Intensa minha alegria ao ver o dia chegar ao fim, porque afinal estou viva e os meus também.

E mesmo recorrendo um pouco além, o que tenho me basta, e eu sei.

Mas se a propulsão do crescer é querer, também não polemizo minha mente e desejo sim.

Sempre e mais.

O bom é que sigo, e envolvo-me, e às vezes sofro, e por regra divirto-me.

E assim serei. Serei assim.

12/12/2008

agenda

Hoje tem festa
Amanhã também
Domingo é break, mas vamos ter amigos em casa

Segunda tá lotada de reuniões
Terça tem jantar com Patty e Basque
Quarta é a festa da eii!
Quinta Show da Madonna com Raul e Kátia, bjsssss.
Sexta é o último dia para as férias
Sábadão é churrasco com o pessoal do Discere

Aí viagem, e festa Zelinda Gomes recebe, e mais festa
Depois, um dia antes do ano novo, aniver do Papai
Reveillon
Ressaca

e o batente só dia 5. Eeeeeeeeeee!!!!!!!

08/12/2008

queridos amigos






Final de semana marcado pela melhor manifestação da vida, a amizade. Primeiro fui ao encontro de amigos de tempos, que estiveram comigo pela estrada da infância, a estrada colorida dos momentos de descobertas, risos escondidos e amores ingênuos. A turma do colégio, que estudou junta desde o pré até a 8a série, hoje na sua maioria com 40 anos e muitas histórias e lembranças. Depois revi amigos recentes, conquistados por conta dos nossos filhos, da agora fase de escola deles. Lá ainda fiz amizade nova, querida, que lê o c de jabuticaba sem saber que um dia nos conheceríamos.

Aí, lá se vai meu menino junto de seu amigo pra um final de semana emancipado. Pelo amigo ele ficou feliz, mesmo dividindo saudade das irmãs, e porque não do papai e de mim? Pedro e Luis Guilherme, uma amizade que iniciou e se mantém à distância, percebida na alegria quando os vemos juntos por alguma ocasião, e que faz o Zé, a Cibele,o César e eu nos alegrar também.

Hoje tudo voltou aos seus lugares, aos seus momentos, às suas casas e às suas rotinas, mas com uma leveza diferente, embalada pela boa dose de alegria que a vida nos oferece. A de ter amigos. Bons amigos. Queridos amigos. Sempre, e por todo nosso caminho.

02/12/2008

consciência

Porque insiste em me perseguir? Porque se já te dei minha carne, e carne da minha carne e até minha alma vacila ao teu lado. Será um tipo de doença, de mal? Às vezes vejo claramente onde mexe tua peça, mas no exato instante curvo-me e imploro um perdão como se conseguisses ver através de mim, mesmo sem estar por perto. Sinto-me um santo em vigília. Não quis dizer que não provoco, mas parece que tenho vigia o tempo todo, nos passos do meu pensamento, e nem na solidão do direito que possuo, posso sequer imaginar. Aí persegue-me a culpa, o medo, a angústia de estar certa. Pára, pára por favor. O motivo é tão pequeno e futil, talvez um desagrado?
Liberta-me, porque afinal de contas decidi há tempos. Serei tua, mas preciso de mim.

26/11/2008

lembrança

Nessa época do ano sempre vinha pra ela a imagem da Véva colocando as bolinhas no pinheiro verdinho. Aquele esticar de braços fazia os ossinhos estalarem num alongamento perfeito. Bendita estrela que fazia o sentido de tudo. E depois da árvore pronta, permitia-se meias e os enfeites pela casa. Andando lentamente agora, e podendo ouvir seus passos solitários naquela imensidão de pequenezas, ela sentiu o movimento da época. Ouviu, podendo jurar, as portas baterem fortes e as três crianças correrem afoitas pra olhar em cada canto onde estariam os seus agrados, e por onde o papai noel poderia querer surpreender dessa vez. Por meio às lágrimas foi até a cozinha, viu empoeirado o armário que guardava a bacia do capim pras renas, e nessa hora, como uma ilusionista, pode ver seu próprio corpo pequenininho preparando o tacho, na ponta dos pés, ao lado de seu irmão mais velho. Quanta saudade. Por fim, virou-se, sorriu um adeus e caminhou até a porta. Agradeceu ao vento e foi feliz em seus 90 anos embora, sabendo ao certo quanto tempo restava, e que seu melhor presente ela havia recebido deste instante.

25/11/2008

brigar e coçar é só começar

Coça aqui... não, não, mais pra cá, vai... coça. Ae, é mais pro meio, isso, aí, coça... não caramba, cê saiu do lugar, é mais pra direita, esquerda, esquerda quer dizer. Porra, custa você coçar direito? Claro que você não quer... isso é pura má vontade. Deixa deixa, vou me coçar no batente da porta mesmo. Brigado tá? Cê vai pedir alguma coisa hoje ainda...

23/11/2008

família + feriado + ficar em casa = felicidade






Ficar em casa no feriado é: brincar de escorregar com papelão, jogar futebol, mico e memória. Correr de bicicleta, lavar a garagem. Piscina, churrasco, uma saída até a Tia Lu. Ver filmes, pedir pizza, fazer bolo de cenoura. Queimar calorias no saco de box. Ler o jornal, jogar carta, brincar de cabana em baixo do edredon, dar beijo, abraço e amasso. Acordar cedo pra ficar até mais tarde na cama, ir pegar pão na padaria. Descansar de pernas pra cima, ouvir boa música, dançar na sala. Abrir um vinho, ir pé ante pé pra cama. Ver a chuva rápida, o sol voltar. Ir no parque, na quadra, rir, fazer amigos, fazer poses pra fotos. Ser feliz.

18/11/2008

da preta




e a Pri me escreveu....
segue fotos, mas não veio com o cheiro de casa da cice, o cheiro gostoso do cangote da bia, as histórias contadas, os risos, os gritos, as brigas pelo fred, o cheiro de chuva, o som do passarinho e do jardineiro cortando a grama (que eu jurava ser das gostas que caiam da telha), o cheiro do pão de queijo, a vontade de te abraçar e não largar mais, a vontade de dormir na cama das meninas e me transformar nelas, a vontade de deixar tudo pra traz e ficar no seu chateau, como se não estivesse em Sampa, com uma energia maravilhosa, simplicidade, alegria nos olhos de todos, risadas, enfim, tudo o que qq médico pode prescrever.
Adorei o dia.
te amo

13/11/2008

12/11/2008

dor de rir

Virei o pé, caí na ladeira da escola dos picutas. Bia colocou as duas mãos no rosto e ficou com cara de lâmpada. Julia e Pedro nem viram porque levantei que nem the flash, só que tá doendo... piorando. Dor de rir. Ô saco!

10/11/2008

quem lembrou, quem ligou

Gordo às 0h00, Bia com um elástico de cabelo dizendo ser uma pulseira, Julia com uma gaita do saquinho surpresa do aniversário de um amiguinho e Pedro com um boneco de neve que vem no panetone Bauducco (os melhores presentes). Neninha, depois nova mensagem do meu amor César. Laís, professora dos picutas. Mamãe e papai e dinheiro no envelope, dá pra crer?? que lindos... Gri, Flá, Paula com um lindo sapato. Zélia, Renato e um gostoso café da manhã, Bruno e a caixa de DVD dos Trapalhões,Carol e uma caixa de filmes do Woody Allen uhu, Raul e uma declaração de amizade linda e gérberas amarelas, a Kátia do Raul, Minha Lu com a corujinha e o Matheus lá em casa, Dé Barreiro mais um sapato e amor, Pri e risadas, Xavier, Carol do João delicada como sempre, Bicho Nica, Tin, Lolô e Manu e flores belíssimas e outra declaração pra toda vida, Lê Gerlova minha grega, Baca, Giló fofa da vida e uma bolsa fofa da vida too, Giovaninha do meu coração, Roger, Sr Av, Dani, Rubens meu dentista, Angélica e todo pessoal da Misasi, Micaela loira, Cris com homenagens de Araça, o simpático Rachid, Luis da garagem da eii!, Flavinha Jamelli, Carlos Paludo, Dona Regina fofa, Ana Lucia, Laís bonita, Lélo, Pri Bottoni, Flá de novo, Lu de novo,César de novo, Didico, Renato de Araça, Dalila e Luizinho cunhados queridos, Fernando Murad, Dona Madalena, querida da vida Dani Padilha logo cedo, meu amigo violeiro Tó, Márcio Reiff e Penélope também do dia 10 os dois, Alex lá do Maranhão, Lenita e Seu João, Cida pela mama, o César de novo, madrinha Rosa e padrinho José, Cybelle do Espírito Santo que também fez 40 ou tá perto, Pri Barreiro, Juju Fregona meu anjo, Lu Cotrim minha parceira, Van Guedes e seu bom humor, meus sogros Seu Luis e Dona Nena,O Marcelo da Ponto, o Marcelo da turma, o Marcelo do colégio, o Marcelo da Nestlé, o Matheus meu cunhadinho e a Lu linda de novo, a Cris ou Elaine doce de pessoa, o Matungo, O Fernando de Recife, Todo mundo de Recife, o Renato da Nestlé, a Camylla, a Jose, a Samira, minha Toty da Silva e gargalhadas e mensagens trocadas... e por fim: muito amor.

40 motivos para agradecer a Deus

1.Os meus saudáveis filhos
2.O meu doce marido
3.Os meus maravilhosos pais
4.A cumplicidade dos meus irmãos
5.Toda a minha grande família
6.Os amigos que me querem bem
7.O que escolhi fazer
8.A eii!
9.O que escolhi ser
10.A alegria
11.A chuva
12.O sol e a lua
13.Dançar qualquer ritmo
14.Borboletas
15.Escorpiões
16.Livros e Sabedoria
17.O mar
18.Minha conta no banco
19.O "Sem parar" no pedágio
20.Meu país
21.O Rio Tietê em Araçatuba, que é limpíssimo
22.O mundo
23.Uma casa na Granja
24.Pequenas Gentilezas
25.Grandes Limites
26.O primeiro carro zero
27.Meu Karman Ghia conversível vermelho
28.Meu carro de hoje
29.O travesseiro que me espera
30.TV no quarto
31.Escuro
32.Cheiro de flor de laranjeira
33.Jasmim
34.Jabuticaba
35.Poucas e boas
36.Saúde
37.Os que me ensinam
38.Eu, Vocês e Nós
39.Nossa Senhora
40.Poder viver tudo isso há 40 anos.

05/11/2008

agora sobre Obama

Tô feliz. Torci pelos Democratas, pela Hilary e por ele depois. Torci pra sairmos dessa página Republicana chata, apesar do livro não ser nosso, e talvez nem podermos participar da leitura. Torci por mim junto da torcida que fervorosamente dei a ele em silêncio. Tô feliz e mantenho agora meus olhos na continuidade dessas novas escritas, torcendo ainda como torci até agora, para que sobretudo, a partir de hoje, eu confirme meu estado de espírito. Amém e que tudo caminhe bem pra o mundo todo. Boa sorte Obama, bons ventos.

dia 04 de novembro

Volto no tempo e escrevo por ontem. Um dia fundamental pra mim, um marco histórico, um momento que o mundo parou e respirou diferente. Uma nova luz, uma esperança. Um ser entregue, honesto, sensato, que viria pra fazer tanta coisa e carregar tudo de tantos. Ah, dia 04 de novembro, você será sempre pra mim o dia mais importante do calendário, afinal nele, nasceu minha mãe. Parabéns mama. Teu aniversário é a minha redenção. te amo. Cice.

03/11/2008

40 anos em sete dias

Daqui exatamente uma semana, em 10 de novembro, emplaco 40 anos. Confesso que uma coisa me agonia com essa chegada ao novo dígito: tenho que renovar a carta de motorista... ô Pai!

02/11/2008

partida e chegada

Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.
O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.
Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.
Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclama: “já se foi”.
Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.
O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver. Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que alguém diz “já se foi”, haverá outras vozes, mais além, a afirmar: “lá vem o veleiro”!!!
Assim é a morte.
Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: “já se foi”.
Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.
O ser que amamos continua o mesmo, suas conquistas persistem dentro do mistério divino. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: “já se foi”, no além, outro alguém dirá: “já está chegando”. Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a vida.
Na vida, cada um leva a sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.
A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas.
E o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.
Assim, um dia, todos nós partimos como seres imortais que somos, todos nós ao encontro daquele que nos criou.

Henry Sobel

30/10/2008

corujinha



Coisa mais linda essa minha corujinha. Saudade porque ela mora em Sorocaba com a mamãe Lu e o papai Matheus. Mas olhem bem, vê se dá pra ficar longe desse tico-tico de um mês e meio de vida....

28/10/2008

pelo eu absoluto (inspirado no sarau da van)

Demorei muito tempo pra perceber na minha pele qual era a sensação mais difícil de ser ultrapassada. É que eu nunca fui lá uma pessoa muito fácil. Alterava meu humor a cada menção de ameaça, vivia perseguida de risos ou lágrimas e sempre tensa. A balança da minha espécie ora ia ora vinha, e com ela os meus amores e as minhas dores. Fui sempre de chorar alto e dar gargalhadas de ecos. Expus às escondidas meus medos e meus algozes. Tive ódio, inveja, paixão derradeira, amor que dói o peito. Pude levitar, voar pelas imagens, alcançar a sublime sensação de felicidade. Lembro dela e sinto gosto de pera doce na boca. Fiz discurso, calei e saí sem explicar. Fiquei envergonhada, nua, drasticamente paralisada. Atacava mamona pra acertar a cara dos outros. Chutei pedra, bati porta, dei no peito de alguns. Forte de doer, mas dor mesmo foram ditas. Soltei amargas, duras, bravas. Palavras também livres, ternas, românticas e solidárias. Enfrentei mundos e fundos por aquilo que tinha no dia e virei as costas depois. Esqueci e Lembrei. Vivi.

Agora me resta a espera. O saldo. Perdões e Desculpas. Não tenho nenhum nem outro, mas temo os dois. Compaixão pra quem viveu e assim foi.

desopilando

Adoro correr no frio, o vento que te corta o rosto, corta também o mal pela raíz.

27/10/2008

mãos ao alto

Detesto ser refém, mas quem não é? Há quem pense ficar imune a qualquer comando, só que essa sensação não passa de um segundo. Tenho ultimamente olhado tudo em volta, os olhos dos outros, um ir e vir preocupado com qualquer coisa. Será que tá certo, errado, saudável, doente? falo bem?, bonito?, vão gostar, odiar? e as calças? tão largas demais? curtas, no clima? assustam? Eu gosto mesmo? na moda? fazem parte do mundo dos "formadores de opinião"? Ah, essa é boa... os formadores de opinião. Quer coisa mais triste pra disparar reféns por aí? Fico tão de saco cheio de mim e dos outros por conta disso, que chego a pensar em sair de venda nos olhos, pra resistir bravamente não ficar vendida. Num momento ilustre de aptdão para refém, comprei revista famosa, procurando ali imune e neutra, olha que loucura. Aí, nem nada mas tudo do mundo bailavam por aquelas páginas escritas por formadores de opinião, que te informam do que sequer você saberá pra quê, e que final, se tem. Meramente te informam de coisas. Porque pra toda aquela informação de uns, ali simplesmente divulgada, os muitos vão no curso, e solução mesmo? Aliás, divulgar é fácil. Maldita hora que desisti da faculdade de jornalismo. Tem sim linhas que se salvam e te salvam. Mas no final da leitura caí na gargalhada, ri da minha própria cara e da cara de mais um milhão e meio de negos. Só que amanhã volto na banca, fazer o quê? Reféns uni-vos. Por fim descobri uma nova à beira dos 40 anos: saco cheio mesmo eu tenho de quem tem certeza que não é atingido, que dispara frases chiques, tiradas de notas de esclarecimentos e leva pela vida toda os outros no bico. Xô pra lá. Sai de mim, a vida dá o troco em alguma hora, e que cada um consiga rir da sua própria cara.

23/10/2008

gente boa

Gosto de ficar ouvindo coisa boa. Fico horas num bom papo, um tempão admirando quem respeita aquilo que tem que fazer. Meu maior gosto nem é o conteúdo dos assuntos, mas sim como eles vão chegando na boca das pessoas, o comportamento físico por conta disso, os passos que dão, o quanto perceberam antes quem estará ouvindo, a maneira de lidar com os imprevistos, o jeito de lidar com a informação, a inserção de quem não está sendo visto, mas também faz parte do jogo. Os meandros.
Oratória na minha simples visão é isso. Chegar aonde se quer pelo respeito. Tirar risos das pessoas durante a conversa com elas, e assobios depois.

Ontem assisti o Rodrigo Leão num evento. Fui lá pra isso nesse dia. Sabia que vinha coisa boa porque do jeito que ele é chato e crítico (pensa que ele passa gel de limpeza na mão pra pegar a bisnaguinha com requeijão no parque) nunca iria fazer alguma coisa qualquer nota. Depois o Rodrigo emana respeito pela inteligência. Lê, estuda, fuça, escreve, arrisca, opina, se expõe. E ainda por cima, sabe transformar tudo isso num bom discurso. Fórmula perfeita. Apesar do Sesc, que cá pra nós acho que foi jogada de mestre em início de palestra, o nego mandou bem. O Paulinho ajudou e muito na prosa, e com eles tivemos sem dúvida a melhor exposição do dia, vencendo no meu ponto de vista a maestria Almapiana e suas Havaianas que viraram bolsa (genial).

Bom, pra terminar digo aqui ao amigo Leão que hoje comprei minha Melissa, engasgada ha um tempão por causa dos meus 40 anos - Rodrigo, conta pro Paulinho que ele vai entender... E que gosto de saber que tenho com ele um relacionamento um pouco maior do que ouvinte de palestras. Valeu Nica e Gigi por essa situação.

Vai então um beijo especial e votos sinceros de bons ventos pra esse moço comprido, e pra toda a turma da Casa Darwin.

22/10/2008

ai, ai

Se suspira aliviado a noite na cama, e é bom que só essa sensação de encher o pulmão de ar e soltar os bichos depois. A gente se vê mais leve. Suspiro também vem sem que exista ar, às vezes na falta dele de tanto que a gente fala, quando pára, tá no mesmo alívio. Também é um pouco de suspirar encostar a cabeça num ombro doce. Amigo, amante, querido, distante, não importa muito tudo isso, importa que dá um alívio gostoso. Suspiro de raiva ou de alegria abre os poros e limpa o dia. Tem também o suspiro que engasga, assusta e depois aos pouquinhos vai dando espaço pro alívio. Esse vale menos, mas vale ainda. De verdade o suspiro é uma reação, uma necessidade que você tem por enxergar-se tão bem, mas ainda não saber de que jeito tira todos os proveitos. Bom, um dia depois do outro.

20/10/2008

santa paciência

Ontem na missa eu pedi o que certamente mais me falta: paciência. Só quero isso agora. Paciência Senhor, paciência. Sempre fui intolerante com muitas coisas, só que antes, até pela idade, não ligava muito pras grosserias que fazia, ao contrário queria é mais. Adorava ver que havia atingido o que queria, mesmo que isso não resolvesse nada. Só que agora mais madura, eu quero mesmo são as soluções, as respostas afirmativas. Sofro por isso, e dessa maneira não adianta esbravejar, chutar a porta, o melhor é silenciar. Rir por dentro enquanto os outros te vêem chorando por fora. Juro que me exercito. Dia-a-dia eu percebo minhas escorregadas, e sei que isso já é um grande passo. Só que é duro porque não há ajuda, é você por você mesmo. Parece que há cócegas no mundo pra te provocar a perder o passo. Há de se ter um autocontrole budista. Ô Deus, tô longe ainda, tô longe, mas juro que vou até lá.

15/10/2008

luis, teu nome é gentileza

O Luis é o motorista aqui da garagem da eii!, ele manobra os carros e nos recebe todo dia pela manhã, ou tarde, ou noite, não importa. Tá sempre com um sorriso no rosto e atento. Antes de abrir a porta pra gente descer, assim que ele vê o carro apontar na rampa vai lá e chama o elevador, desse jeito quando você sair não precisa esperar pra ir pro seu andar. O Luis pergunta todos os dias se meus filhos, e o César estão bem, comenta que o carro precisa lavar e cuida disso pra gente. Informa se está trânsito, se é melhor esperar um pouco ainda pra ir embora. Fica contente quando vê que foi possível sair mais cedo e ir curtir em casa antes dos horários costumeiros. Reconforta a gente se, ao contrário, já tá bem tarde. Ele assimila os carros, as placas, se liga nos detalhes pra não perguntar o que já sabe a resposta. Facilita, não complica nunca. É pequenininho e fala sempre da sua esposa, uma baiana que deve cozinhar um bocado, mas fala somente se você der brecha. Como é bom saber a hora das coisas. Um dia o Luis foi embora, decidiu que iria ficar só com um outro trabalho de manobrista que tem à noite depois que sai daqui, e a gente, ou pelo menos eu, ficamos órfãos de gentileza. Ai que triste. Só que pra nossa sorte, há duas semanas o Luis voltou. Foram buscar ele. Me vi tão feliz na hora que olhei o Luis na garagem, e ele continuava igualzinho, parecia que nem tinha ficado ausente. E nem pensem num Luis humilde, coitado... o Luis é estiloso e firme. Só sei que tá ele aqui de novo, trouxeram ele de volta porque uma coisa é clara, o mundo tá carente de gentileza, e quem tem uma por perto, não deixa escapar. Então, segurem seus luises e permitam também que eles venham à tona. Certamente vai ser muito melhor assim.

13/10/2008

com costura

Saia rodada, de baixo do joelho. A barra era bem feita, nada de pé de galinha ou pontinhos aparecendo. Ela fazia concentrada as cianinhas pela volta toda. Costurando deixava-se levar pelos pensamentos, igual pescar, que não adianta querer pensar em outra coisa. E lá no vai e vem da fininha agulha que resistia ao brim, ela passeava por jardins enormes, por castelos e por vilas. Gostava das coisas imensas, mas as vilas tinham charme então podiam entrar ali. Cada curva da cianinha verde era um lugar diferente, e ela andava de charrete, corria pelas praias, é tinham praias também. Faltava um grande amor, um homem com a beleza máscula que importa. O rosto? não vinha, não vinha de jeito nenhum. Então ela picava o dedo, que raiva que tinha. Tava tudo tranquilo com as paisagens até ele entrar, ou melhor, não entrar na história. Aí ela olhava a saia que começava a ficar torta. Puxava a linha e voltava um bom pedaço, se desconcentrava pra se concentrar de novo e nem conhecia Yoga. De novo a barra, de novos os lugares mágicos e quietinha ela torcia pra pensar no seu amor mais tarde, porque a encomenda tinha que ficar pronta até às seis horas, e sua reputação não podia ser riscada, já que era a costureira mais caprichosa dos sete quarteirões que conhecia.
Pronto, final de saia, final do carretel das cianinhas, nada do grande amor mas o começo de mais uma esperança, afinal haviam mais três encomendas.

10/10/2008

som dos tempos

Que barulheira! era uma bateção durante todo o dia. O povo que andava apressado nem percebia, mas ele que montara sua tenda ali ao lado, escutava todas as marteladas, e elas eram malvadas, não tinham dó não, estremeciam as linhas da caderneta que ele anotava quem ia pagar depois. Engraçado isso, tanta gente bonita, bem aprumada e sem dinheiro? Ele tava sempre com uns trocados. Sempre. Afinal de contas, era o trem, o suco de laranja e o livro coquetel, que era seu único vicio. Um dia até fez troco para o homem da lotérica, dá pra crer? Mas o barulhão começou a atormentar os fregueses porque ele andava se atormentando, e aí pimba. Se você tá atormentado atormenta os outros mesmo. E porque não mudava de lugar?... boa idéia, mas e o povo que sabia que dia sim outro também, era lá que ele tava? Ela tava antes dessa barulhada toda, ele tava lá faz tanto tempo... não! ele queria crescer, e queria que tudo crescesse também, mas desse jeito as coisas em volta estavem ficando maiores e ele começava a diminuir. Injusto. Mas??? o jeito é comprar um daqueles tampões de orelha. Ouvido ou orelha? ah sei lá... mas o amigo que vendia tinha ido ha um tempo já. Diminuiram ele bem antes, e talvez ele nem esteja dormindo mais com um barulho desses...

09/10/2008

para o meu amor passar

Gente boa. Luz. Paz e despreendimento. É bom encontrar gente assim. Aqui na eii! a gente dá uma sorte danada. Agora, pra um trabalho que vamos fazer, cruzamos com pedrinhas de brilhantes, almas leves, e estamos tropecendo em energia boa. Vai uma dica: Se você está urucado passa por aqui e vem buscar um bocado de aura lilás.

08/10/2008

chocolate com pimenta

Meu dia começou meio frio. Frio de friaca mesmo, e também porque eu tava sonsa, mas aí cheguei na agência e tudo mudou, deu uma esquentada das boas. Ainda bem.

07/10/2008

das frutas

Morder as frutas tem mais do que o gosto delas, tem a dentada molhada que faz escorrer pelo lado um caldo bom, pelos dedos também. Ah, comprei caju outro dia e deu suco, deu doce, deu castanha. Manga é sobretudo uma gostosura aveludada. Aquela que se solta em pedaços e não desfia. Tangerina dá água na boca, umas gordinhas, suculentas e doces como o melaço. Amora por aqui tem aos montes, tingem de sabor vermelho a nossa vida. E agora chegou a vez das jabuticabas. Pés lotados, pretinhos...e eu feliz.

06/10/2008

das flores

Ah e como é bom esse cheiro pela casa. Sobe uma alegria quando chega a primavera porque as flores de laranjeira são muito generosas. Perfume que tem gosto. Você sente na língua já quando tá chegando, bem lá de longe. Perfume que guia. Você fecha os olhos e flutua até a porta que é bem do lado da árvore.

Uhmm, que cheiro gostoso.

01/10/2008

a saga do Unibanco

Descobri onde concentram-se as pessoas rola bosta mais bem treinadas do universo. Estão absolutamente todas no Unibanco. Em qualquer agência, em qualquer serviço (daqueles que os gerentes te empurram pra bater metas) em qualquer cargo, em qualquer circustância.

O slogan nem parece banco é muito adequado, aliás aquilo não parece nada.

Faz um saco de tempo que tô tentando me livrar deles e não consigo, senhores é verdade, eu não consigo!! Já tô no estágio do cara que se vestiu de palhaço e fez um blog pra FIAT - do fui iludido agora é tarde, aliás taí uma boa ideiia, vou ver se acho ele e contrato pra irmos juntos até qualquer lugar berrar que o Unibanco além das maiores taxas do mercado ainda é um banco de merda, de gente de merda, de tudo de merda.

Venho escutando pelas manhãs todo dia no carro a CBN, e nos breaks o tal do Carlos Ximenes de Mello, que deve ser diretor superintendente professor assessor treinador boxeador vereador e enrolador da área de cartões de crédito por lá, dá dicas de como usar melhor seu cartão de crédito, como é que é mesmo??? cartão de crédito use-o ao seu favor... é é isso. Minha vontade é de cuspir no rádio, ô ódio desse povinho que eu tô.

Meu ódio nem é mais pelo problema que eles estão me causando há tempos com suas faltas de profissionalismo e treinamento correto de equipe e pessoas, mas da necessidade de eu ter que me relacionar com isso. Tenho nojo. Coceira quando falo com qq um por lá, vale em todos os lugares, no telemarketing então a coceira vira escarlatina.

Vê se dá pra vocês? Há um problema, você não consegue resolver com ninguém, cada um fala uma coisa. Você tá certa, os filhos da puta são como telefone sem fio, vc não tem pra onde correr, fala com aqueles malditos que se escondem atrás de suas plaquinhas de nome e cargo em cima das mesas, eles se acham demais. Você tem vontade de chorar. Passa um tempão, continua tudo na mesma. Os caras prometem de novo tudo que já prometeram ha pelo menos um ano, não cumprem. Você tem vontade de rir. E a bosta rola....

Então apelo aos céus.
Ai Deus, ai Senhor amado, livrai-me desse cálice de urina. Manda esses caras arderem no fogo do inferno, mas não deixa sobrar nenhum tá? Nem os seguranças com cara de cu que ficam naquelas portas achando que são do FBI.

Socooorrrroooooo!

27/09/2008

?

Muita gente boa tem nos deixado por aqui esse ano. Hoje foi a vez de Paul Newman. O problema não é quem vai, mas quem vem? quem anda substituindo os talentos, as gentilezas, as fidelidades entre casais, o amor, a beleza nesses nossos tempos. Ai, ai, às vezes sinto que estamos ficando muito carentes.

23/09/2008

no tempo da delicadeza

Ando decidindo tudo. Já vai pra dois anos que tomei à minha frente. E é bom que só. Cada dia decido mais uma parada que não ia nem vinha, e agora - ticado. Sinto que tenho ficado sem medo de certos mitos e também mais respeitosa com os fatos. Leveza é a palavra que li hoje pela manhã e tenho conseguido buscar. Aprendi nesse capítulo que os dias não são leves, mas as noites devem ser.

21/09/2008

da inspiração

Cai-me uma gota bem na ponta do nariz. Faz cócegas a danada, mas fazer o quê? com as mãos cheias de pacotes fico mesmo é contorcendo a face desesperadamente. Sem perceber que tal gesto estivesse tão engraçado, páro ao lado de uma árvore cheinha de flores amarelas e vejo o pequeno a deleitar-se em tanto riso. Que posso fazer, lhe pergunto, e ele no meio dos estalos da gargalhada pede que eu faça mais. Fiz sem querer. Agora fazer mais? só se outra gota tocada pela cena decidir voltar no mesmo ponto. Só sei que os pacotes quase desfizeram nas minhas mãos, porque depois a gota virou chuva, e eu saí correndo pela rua ao som de muita alegria.

17/09/2008

os tais super poderooososs

Ando me divertindo até com os poderosos. Chego a sentar no chão de tanto rir com as imagens criadas à volta do tal poder. O poder que hoje é tudo, e amanhã te chuta a bunda. Fico com certa pena de imaginar a hora que tudo irá por água a baixo. É que pra mim tá claro a bela bosta de como você está hoje, o ponto é o que de fato você é. Não aguento mais e corro a léguas de quem se acha maior do que sua sombra. Que misterioso veneno é esse que transforma lagartixas em jacarés? Um ronronado chato a bailar pelos passos que querem ser elegantes mas são mesmo é um bom tropeço.
Em compensação, que gostoso assitir a discrição de alguns. Que zelo, que apreço com a vida lembrar que ser feliz é melhor que ser paparicado. Fico quieta olhando os aprendizes da valsa, já vi muito pisão de pé. De gente que era tudo e ficou normal, e por causa disso ficou doente. Engraçado adoecer por ser normal, não é? Já vi reis virarem súditos de uma hora pra outra porque tinha um mais poderoso ainda. E sempre terá. O cara da cobertura do teu prédio tá de olho na cobertura do prédio que fica na rua em frente à copa das árvores. Ah, isso é tão chato!
Eu tô vacinada. Não me curvo a mais nada desse tipo. De jeito nenhum, pode ser o papa. Prefiro guardar meus joelhos perante a descrição, a sabedoria verdadeira, de quem lê os clássicos e os sabem, sem viver berrando isso. As surpresas agradáveis de perceber alguém que se senta ao seu lado e olha no seus olhos. Num guento os olhos inquietos que ficam passeando aflitos pelo salão, procurando por todos e se achando melhores. Saio correndo, tenho dó, mas saio correndo.
E pra terminar, vale que eu aponte que também detesto os levantamentos de bandeiras, a justiça a qualquer preço pela lente do discurso vão e inflamado. Isso além de chato é entediante.
De verdade eu aprendi a gostar mesmo é dos quietinhos, esses sim. Os quietinhos.

16/09/2008

a lenda do leite derramado

Todo dia era aquele ritual cansativo. Arrastando os pés depois de sair da cama escorregando pelas cobertas, Jandira ia até o fogão e acendia a boca da esquerda porque a chama ainda era a mais forte. Lá em cima ficava a leiteira, que ainda nova assoviava alto quando estava na hora do leite derramar, mas agora nem mais isso. E assim como a leiteira velha, Jandira também deixava todo dia o leite derramar. Ela xingava, mas não fazia nada diferente. Nem no chuveiro. Ensaboava as costas pelo mesmo lugar há 15 anos. Nesse tempo, podia contar quantas vezes trocara a esponja que vivia aos pedaços. Depois vestida de roupas sem graça ela ia até o espelho e escovava o cabelo com um desdém, esquecendo que o cabelo era dela mesma.
Na hora de sair aí sim, surgia junto com um baton vermelho uma certa vontade de ver novidades e ela estava certa que aquilo era o suficiente, que o mundo haveria de contribuir-lhe com esse pedaço ridículo de desejo.
Mas que novidades podem ser vistas por alguém que faz tudo ser velho, que gosta de atribuir ao outro a sua própria sem gracisse. Mas cega de um olho só, ela ia todo dia dizendo viu?, sabia!, ai ai, nossa! credo, inventado histórias e fadas, imaginando o mundo perfeito e dando justificativas pra ele existir aos olhos dos outros, assim como a grama que ela preferia a do vizinho... e assim vinha a noite, e outro dia que o leite ali se encontrava caidão.
O leite foi derramando pela vida de Jandira. Ela foi perdendo oportunidades. Ora porque estva acostumada com aquela chatice viciante, ora porque tinha preguiça de fazer diferente. É porque no fundo no fundo, faltava coragem pra enfrentar a louça. Pra lavar a leiteira, pra arrumar seu assovio e até para ouví-lo evitando assim que tudo derramasse. Então que seja assim, ué!
A lenda do leite derramado. Não adianta chorar o leite derramado, não é isso? Mas a verdade é que não se lamenta porque ele já caiu, mas porque já fazia um bom tempo que se sabia que um dia haveria de se ter que limpar o fogão.
Jandira querida, vai chorar no ombro de outro.

11/09/2008

o dia em que nascemos


Pirulitos aniversariando. Eita mês cheio de notícia boa.
Hoje pela manhã 6h45 todo mundo acordou embalado pela música da vida. O parabéns por ter nascido e vivido até aqui tão lindamente. 5 anos. Três vezes cinco anos. Ah, que gostosura.
Vovó Ivani e vovô Pedro ligaram logo,cantaram no telefone. Depois foi o tio Flávio e a galera da escola. Na eii! todo mundo lembrou. Até o final do dia vai chão.
O César costuma ensinar que o dia que a gente nasceu é muito especial, não só por conta de ser convencionada a data que a gente é lembrado e amadurece um pouco mais, mas certamente porque foi aí que tudo se fez. Que a gente mostrou desse jeito daqui a nossa existência, que a energia pra isso foi intensa e vibrante.
Não pode ser um dia comum. De jeito nenhum.
Então, isso é assim sentido e assim eles passaram os dias na espera de hoje.
Dia 11 de setembro de 2008 - Desde 2003 até agora a gente está impregnado de amor e felicidade por ter recebido a honra da escolha de vocês por nossa família.


Filhos queridos, Bia, Pedro e Julia, entregamos a Nossa Senhora vossas mentes e corações. Que vossos anjinhos, hoje vibrando as cordas das harpas, fiquem ao vosso lado em todos os instantes da longa vida que os espera.

Amém. Feliz aniversário.

papai e mamãe.

09/09/2008

09/09


O primeiro ato de coragem. Nascer, enfrentar o mundo, botar a boca no trombone e encher os pulmões pra todo mundo ouvir. Os que ficam aguardando estreitos do lado de fora, apertados os corações, quando ouvem o grito da coragem relaxam as preces e se abraçam. Os 4 avós juntos e sós, aos prantos aguardaram na madrugada a chegada tão esperada.

Nasceu hoje a Sofia. A corajosa virginiana do dia 09/09 às 9h06.

Nasceu naturalmente, na sala de pré-parto ainda porque tava muito pronta pra isso. Em meio a música clássica e luzes inspiradoras. Nasceu corajosamente e gritou alto: eu cheguei, alegrem-se.

Nós nos alegramos querida Sofia. Eu me alegrei por demais ao te ver cabeluda, como um veludo pretinho deitada no peito da pequena grande mãe de hoje, e agora de todo o sempre. Alegrou nosso dia ver-te corada, vermelhinha, mamando. Fazendo bico e dizendo a que veio. Entendida e amada.

Hoje é um dia bom.
Hoje você chegou.
Que a coragem te acompanhe por toda a tua linda vida.

Te amo,
Tia Cice.

28/08/2008

o que se quer

Saber-se. Esse é o mantra. Tudo bem se nem tudo é ótimo ou prateado, mas perceber a tempo é a regra do bem.

O passo seguinte é permitir que os outros te saibam também, porque não tem problema, não faz mal, todo mundo passa pelos mesmos pontos.

E seguindo, quando se sabe e se permite, se tem tudo.

Ah, como é bom saber o que se quer!!!!!

27/08/2008

te amo

Eu te perdôo por não me perdoar. Entendo porque dificilmente sou entendida. Percebo que você jamais perceberá o quanto te amo. Então, me deixa pra lá. Faz com que eu espere os dias na esperança de em algum momento perder tudo, e talvez encontrar a única coisa que vale a pena. Porque se eu me perder, sei que te acho. Saltará pelas minhas lágrimas o teu sorriso. Bom, eu vou. Tô saindo pra depois tentar chegar, retornar o caminho, fazer a volta. Se puder fique observando. É, por ali mesmo, pela porta que rangeu até agora todas as vezes que se fechou entre nós. Faz assim, não que eu queira te ensinar, mas tente fechá-la de vez, só assim, quem sabe, abrirá o mundo pra nós dois.

25/08/2008

pau no c + u do jaburu

Pensa bem, ia ser muito chato saber tudo que ainda não aconteceu. Pior ainda seria saber disso tudo e também do tempo de cada coisa. É como poder ser invisível, deve ser gostoso só um pouquinho. Porque do que adianta você pousar de invisível? Ninguém vê... Melhor é ver e ser visto, melhor é deixar de ser guerreiro só debaixo das cobertas. Corra pra coragem de viver cada experiência na hora que ela tem que se prestar. Bom é ficar hoje na agonia do que sempre na mesmice.
Vale muito a pena sofrer de amor, de raiva, de saco cheio. Fazer o que, se é preciso frustrar-se, ver os injustos e ter que esperar. Antes assim do que ser um deles. É que no final não tem segredo, ou tem? Mas se tiver, a pista está em baixo dos travesseiros de quem dorme bem. E aí não tem milagre. Basta comemorar.

19/08/2008

de 2003 para 2008






Falta menos de um mês para os 5 anos. Passou rápido demais. Meus pequenos tão ficando grandes, independentes e aprendendo a gostosura de ser livre. A responsabilidade parece que dobra, porque não é fácil ensinar o despreendimento, dar corda, incentivar a liberdade dos atos. Eu fico tensa, esperando as dicas da vida, buscando ser eu mesma cada dia um pouco melhor (o que é lasca!), pra poder doar exemplo em vez de palavras. Sigo tentando, mas acima de tudo sigo amando, cada dia mais também, e isso é bem mais fácil.

5 anos... tempo de troca, de conversas longas, de perguntas curtas, de grandes descobertas. Eu sou eternamente grata por isso, por eles e pela graça de tê-los.

Saúde é o que peço. Pra eles sempre, e pra mim também. Para poder acompanhá-los por longa data.

18/08/2008

das coisas simples


Ah eu adoro almoçar num lugar gostoso e conversar. Adoro companhia. Adoro trocar energia boa, dar abraço apertado, matar saudade. Adoro rir e pensar na vida. Adoro receber dicas, conselhos e verdades. Adoro também poder dizer, e perceber estar sendo ouvida. Adoro contar segredos, dividir medos, falar dos filhos. Adoro sair de um assunto e ir pro outro, saber das coisas, contar os fatos. Adoro saltar deste pra outro ponto, lembrar o ontem, imaginar o futuro. Adoro pedir a conta, esperar o café clarinho, rir porque ele não chegou, e brindar do mesmo jeito. Adoro saber que temos mais amigos em comum e cada vez mais outros tudos em comum. Adoro adorar tudo isso. É por isso que eu adoro a amizade. E é por isso esse texto de hoje, que eu dedico a ela.

Adoro você bicho Nica.

14/08/2008

gripe em filhos, você ainda vai passar por isso

Tosse, tosse, tosse. Febre, 38.6, 37.9, 38.4. Primeiro um, aí puxa a fila e as noites interrompidas, geralmente três delas também. Estamos indo pra terceira da primeira, segunda da segunda e primeira do terceiro. Hum, deixa eu ver.. bom foi-se a semana. Nariz que escorre, pequenos incomodados. Ô dó! Infecção dá febre, mesmo a viral que pode, e vai, evoluir pra bacteriana. Gripe forte é viral. Antibiótico ainda não, ainda bem. Então tá, fazzzer o quê? é o sono esses zzz. Dá muita dó e muito sono. Mas eu velo por você meu bem, meus. Fecho os olhos porque são teimosos a essa hora da madrugada, mas respiradas mais fortes abrem eles só com o vento. Durmam anjos, mamãe tá de guarda. O anjinho também.

11/08/2008

hino nacional


Medalha é medalha. Dois bronzes e um 13 lugar até agora. Tá bom ué, afinal de contas que incentivo se têm, ou se dá para o esporte sem ser nessas épocas?

Lá em casa Olimpíada é solene, só perde pra Copa do Mundo. César assiste aos jogos de pé, torcendo. Comenta, vive os passos, os saltos. O Brasil vai bem.. mal, a gente sabe, mas há de quem fale isso perto dele. Não pode. Nosso papel é torcer e admirar cada feito. Só o fato de terem ido já merece respeito, e eu admiro o César por isso.

Ele foi atleta. Campeão Sul Americano dos 100 m rasos em corrida. Um corisco. Corria no interior de São Paulo até chegar na capital e depois na Venezuela, onde colocou pela primeira vez uma sapatilha no pé, e voou. Medalha de ouro e recorde Sul Americano. 10 segundos cravados pra deixar o treinador dele com cara de chulé, porque o tal do Primo, só apostava no japonês que corria como primeiro atleta.

Depois disso só medalhas e medalhas, até o brilhante convite para ser o quarto homem do revezamento 4 X 100 nas Olimpíadas de Montreal. Não ele não foi. A vida reservou outras medalhas, um caminho diferente e sem arrependimento. Só, que eu sei que se o César estivesse naquela raia, ele tinha feito suas rápidas passadas com respeito e concentração. Bonito, leve e dedicado como tudo o que ele fez e faz depois de todo o seu talento ter migrado pra outro lado. Eu sei que ele voltaria com uma medalha no pescoço.

Gordo, te ver assistir as Olimpíadas, esperar a abertura dos jogos, cantar o hino, defender os atletas, amar nosso país por mais chinfrin que a gente seja, ensinar nossos filhos a disciplina do esporte, e perceber nos teus olhos o brilho de quem já sentiu o que é representar sua pátria e seus valores, me dão tanta alegria... Sou melhor assim e te agradeço.

Meu eterno campeão!

08/08/2008

terra molhada

Chove chuva, chove sem parar. Aiiii que delícia.

06/08/2008

a casa que eu morei

Foi naquela casa que muita coisa aconteceu. Boas coisas. Ótimas coisas. Foi lá que brinquei durante toda minha infância. Brinquei feliz ao lado do meu irmão, depois da minha irmã, do nosso ingênuo vira-lata que viveu até 18 anos e morreu lá em frente. Dos nossos gatos que ficavam mais pelos telhados. É de lá as lembranças da boa vizinhança, mesmo que isso fosse um pouco de fofoquices, e daí? Foi naquela casa que viveram vovô e vovó, junto da gente. A casa que foi construída pelas mãos da nossa própria família, com erros de engenharia, e daí? A casa 8, com árvore no portão na rua entre duas pracinhas. A árvore que a gente plantou e viu crescer. A casa 8 lá no Tatuapé, e daí? Em frente à rua da igreja e de fundos com o Vasquinho. A casa que ouviu o piano da mamãe, o dedilhar do violão do papai e tantos ensaios e encontros, musicados ou não. É a minha casa de todo o tempo, onde eu vivi até formar um novo canto. O lugar bagunçado, descabelado, cheio de reformas pra acomodar nosso crescimento, marcado mês a mês à lápis sob a barra verde. Dos armários da cozinha feitos na parede. A cozinha dos bolos de coco, dos toddys com aveia, das gargalhadas, de tantos almoços. Os dois quartos com o corredor no meio, do alçapão e do porão, do terraço e dos caquinhos vermelhos. Do olho mágico tampado com moeda e que trazia o vento de fora, o vento bom.

Hoje, dia 06 de agosto de 2008 ela deixa de ser nossa, vai pra outras mãos que a querem, e a gente segue. Passando daqui pra diante só pela sua frente sem poder entrar ou correr pelo quintal, o quintal que teve o xadrez de portão, até ele virar de vidro. Que acomodou em sua garagem um monte de fuscas azuis. Que teve tanto de nós e de tudo.

Então vai minha casa de infância... passa pra novas mãos e faça seus novos donos felizes como nós fomos. Proteja-os como você nos protegeu, de qualquer infortúnio ou ameaça. Leve pra eles a nossa união que tanto você abrigou.

Serás eterna. Teremos a boa saudade.

01/08/2008

eu sou livre!!!!




Correr de braços abertos, gritar bem alto em cima do sofá estendendo os braços pra o lado, pra cima. Pular e chacoalhar os cabelos. Ouvindo uma música bem alta. A que você gosta muito. Bem alto. Eu ensinei meus filhos a fazerem isso tudo, e ainda por cima gritarem: eu sou livre!!!

É uma sensação tão boa.

Melhor é ver eles replicando isso sozinhos, sem a gente pedir. Ontem eles se matavam de dar risada um com outro, com os braços abertos gritando alto, eu sou livre!! eu sou livre mamãe!

Vixe, libertaram minha alma junto.

28/07/2008

paciência de jó

Essa vida tem que ser mais simples, pombas! bufou ela amoada. É que na sua visão era fácil, mas as pessoas teimavam em complicar.

Tinha dias que era assim... Bom dia!
Mas bom dia porque?
Então mal dia pra você também. Afinal de contas ninguém é obrigado a desejar o bem de quem não se quer assim.

Ô porre, todo dia ter que buscar argumentos.

O que acontece é que é muito difícil ser gentil primeiro. Só que no fundo no fundo vale o contrário pra essa história, é muito mais fácil do que se pensa... filtro é a palavra.

Mas quem não escuta nada vai filtrar o que?

Então com tudo isso ela tinha o direito de ficar amoada pelos 15 segundos que conseguia tal façanha. Certamente é mil vezes mais desgastante ser chato do que feliz, mas a maioria acha o contrário, e assim vamos.

Um dia cá outro lá e tudo certo. Porque no final tudo acaba bem, e se não está bem é porque ainda não acabou.

22/07/2008

mas e se...

Puxa a corda pra cá e eu puxo pra lá. Cabo de guerra. Mesmo querendo ganhar, se a força é lógica, o lado mais forte vence a parada. Então o que eu faço? Exercício meu anjo, exercício. Exercite a quebra, a ruptura, o ganhar e o perder. Porque pode parecer o seu lado mais fraco o que no final é o mais forte. Espere. Eu sei que é duro.., mais ou menos o quê? 150 flexões de braço? Sei não se isso pode ser equivalente a alguma coisa assim, mas a dor física é parecida. E eu sei que você tenta, que você corre e na mente vão as imagens ideais, como milagrosamente ganhar na corda mesmo sendo menos forte. Mas há um jeito. Quer que eu conte? Eu conto. O segredo é o exercício da distração. Só nessa hora não há lógica. Num piscar de olhos você ganha. Então aquiete-se. Apenas seja firme e finque os pés no chão. Espere a hora certa que só chega quando a gente não a percebe. No cabo de guerra, contra a força só a distração. Fique de olho nas distrações do que você não quer e dê o troco. Ganhe do tempo e do forte estando ao seu lado sendo pequeno e brilhante. O teu tempo é hoje. Esqueça depois e tudo será bem. Presenteie-se. Eu te prometo, tudo será bem.

21/07/2008

quintal

Casa nova!! Confesso que tive certa melancolia que foi dando espaço pra certeza quando fui vendo tudo se encaixando de novo, percebendo que a casa é só a carcaça e a vida é que conta. Tem sempre vida na(s) minha(s) casa(s). Dessa vez as crianças ajudaram um bocado a alegria chegar logo. Eles correm o dia todo pela casa, pelo jardim. Outro dia gritei pra eles, onde vocês estão? e a resposta veio bonita: No quintal...
Quintal de casa é mil vezes melhor que a sala ou qualquer outro cômodo. Apesar das roupas que não dão conta, ver eles sujinhos e sorridentes, escondidinhos pelos cantos, descobrindo os espaços entre as árvores, falando sozinhos concentrados na vida, atrás das borboletas e boquiabertos com os novos amigos passarinhos que voam sem cerimônia por ali, é demais. Fizemos uma horta. Engraçado, mas a primeira coisa que organizamos foi o quintal. Eles estão aguardando as sementes brotarem e ainda ficam pensando como será comer o que sairá de lá. O Condomínio que a gente esolheu é muito bonito, e como um grande quintal também, tem espaço até. Sábado almoçamos e fomos andar por ele (um bosque). Passeamos e paramos no parque de areia. Eles fizeram bolos, escorregaram, fizeram uma amiga nova. Subiram na árvore e vieram dizer que estão felizes na casa nova. César e eu nos olhamos e pensamos sem falar nada: Valeu a pena. De novo, valeu a pena.
A gente tá feliz! Agora falta pouca coisa e o principal também. Amigos por lá. Serão todos muito bem vindos na nossa casa da Alameda dos Jatobás, 602. Bem vindos ao quintal das nossas vidas, aos espaços abrangentes e ensolarados da nossa alma, às nossas árvores, onde nos reuniremos pra celebrar e sermos felizes juntos.
Bem vindos a nossa nova vida.

14/07/2008

mudando

Dentro das caixas seguem as coisas, seguem os sonhos, que vão junto até mais rápidos. Seguem as energias daqui. Segue tudo. É caixa que não acaba mais. Caixa até o teto do mundo com cheiro de papelão e novidade. Caixa grande e pequena, comprida e baixinha. Caixas e caixas. Engraçado como a vida cabe dentro delas, cabe fácil e bem. Cabe alegremente. Do lado de fora vai tudo escrito, cada papelzinho que lá está, como se a gente se perdesse da gente mesmo. Que jeito? Amanhã vamos juntos, as caixas e nós que formamos tantas delas. Hoje estamos num cubo mágico.

11/07/2008

Coronado

Grande texto.

Grande Toty.
Adorei. Dramática e bela. Infalível.
Tempo todo em cena, demais!

Tá todo mundo bem, mas te ver basta.
Você arrasa.

Tá tudo escrito. Tudo.

Não percam.
Tuca Arena. 4as e 5as às 21h.

08/07/2008

adiante

E lá vou eu, de novo e sempre. Vou mesmo porque sigo e não cego. Me alcance se precisar de açúcar, sal só pego no mar. Mas mesmo assim, querendo eu volto; por instantes eu volto, e vou de novo, porque ganho mais força desse jeito, como os carrinhos de brinquedo. De qualquer forma te espero, pacientemente espero já que não há problema nisso. Faço um chá quentinho e fico aguardando bem calmamente. Viu que fácil? Chegamos. Juntos.

eu quero

Pra que tudo dê certo você tem que pedir. Não precisa se preocupar se pede certo ou não, porque se você quer de verdade saberá como, e um único pedido depois os encaixes vão virando perfeitos, lógicos, milagrosos. Se teme é porque não quer, pensa querer. É simples meu amigo, é muito simples.

07/07/2008

ária aos seus e aos meus

Tolos pobres de alma. Tanto e nada é o que têm. Uma impressão. Soltam-se numa agonia íntima ao saber que tudo podem, mas nada conseguem. Cada dia é uma imensa corrida para a solidão. Ficam sós. Livrai-os é o que deves pedir, porque o pior é que eles não percebem e apenas imaginam que são, ou que fazem, fazendo você perder tempo. E é sempre assim, o mesmo, o de sempre, o que não tem a menor diferença. Diferença apenas aos que acham junto. Ah, esses então, nem dó. Será que cabe soltar umas gargalhadas no meio de tantos?
Se sim, vá e gargalhe bem alto. AHAHAHAHAH. Se não, então assiste. Mesmo sabendo que acabará em tragédia, e que a gritaria e a correria fazem parte da cena, porque em tudo se aprende quando se senta num bom lugar. É daí, de onde estás que se vê fácil as coisas que saem no meio de tudo,e que não combinam com nada. A música alta? As interrupções não entendidas? só acrobacias pros coitados. Olhe pro lado e veja, o povo chora. Chora o que não entende. Talvez você não deveria ter vindo, mas já que ganhou a entrada, pergunte-se. Deuses do tempo, quanta tralha hei de varrer para um pouquinho de graça?

04/07/2008

bendito seja

A porta abriu. Sem nenhum problema aparente ela entrou, mas a dificuldade era grande. Aquelas sombras de plástico vinham pra cima dela. Todo o santo dia a mesma ladainha, dava pra ouvir cada amém, mesmo mudo, das mentes abatidas. A reza era a penúltima chance. O trajeto era pequeno, o do corredor e o do percurso, só que naquela situação era infinito. Um caos. Caos maior era o desejo dele, mas fazer o que? Enquanto ela empurrava tudo a sua frente ia pensando porque os sujeitos dividiam esse espaço com tanto conformismo. Até que não precisaria ser tão ruim, bastasse que olhos se cruzassem, quem sabe até um desejo mundano poderia correr solto naquele aperto, mas democraticamente os personagens preferiam aquilo mesmo. Sempre a mesma coisa. A ladainha. De repente, num dia qualquer alguém decidiu mudar, pelo menos misturar tudo. Sombras, fios, coisas, medos, umas alegrias escondidas. Chacoalhou a rotina e o amém saiu bem alto, aos gritos. Santo Deus um milagre. Notaram-se, viram-se e depois cairam na gargalhada. Depois daquela freada nunca mais a vida foi a mesma. Nem dentro, nem fora do onibus 407-C que seguia para a Zona Sul.

30/06/2008

Porque há o direito ao grito.
então eu grito.
Clarice Lispector

cara de quê?

De sorrisos a vida dela era lotada, mas as pessoas sorriam apenas pra constar a abertura de lábios. Que triste esse tipo de risada, a que nem soa. Ela sabia ao certo cada cor amarela que lhe aparecia na frente, e aos poucos foi desenvolvendo a maneira de não ligar pra isso. Então, vivia dizendo o que muitos não entendiam sobre o mais importante ser o humor, o bom humor. Que dureza conviver com as sobrancelhas fechadas e rugas formadas. Caras de bosta. E na maioria das vezes isso é o que servem todo dia. Mas mesmo assim, determinada aos bons ventos, ela insistia no verdadeiro riso e seguia, e o bom humor ia onde ela ia, enquanto as caras de sal continuavam ali, achando, fingindo, perdendo tempo. Coitadas.

25/06/2008

somos todos iguais

Hoje pela manhã de sobressalto li o quadrado em destaque do Estado de São Paulo que dizia MORRE RUTH CARDOSO. Nunca escondi minha admiração ao FHC, do qual admiro como político e ser humano. Hoje com essa notícia senti o breve futuro, acabou-se também o nosso ex-presidente. Depois de 55 anos juntos ele ficará muito só sem sua Ruth, a companheira que ele descreveu em sua biografia como par, pra tudo e por tudo. Imagino o que se passa hoje na sua cabeça lá na Sala São Paulo, o que se passará amanhã em seu apartamento em Higienópolis e o que será daqui pra frente. Sim, é Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente, o PSDbista que alguns detestam (eu não) o homem público, mas também simplesmente um marido que fica viúvo e só, sem sua grande companhia da vida. Aécio Neves disse aos repórteres hoje sobre o relacionamento dos dois: Se conversavam sem precisar de palavras.

Eu sinto que era de fato assim.

E lá se vai mais uma grande realizadora. RUTH CARDOSO, virginiana de 19 de setembro.
* 1930
t 2008.

22/06/2008

vaquejada




Na Festa Junina desse ano meus picutas dançaram mais bonitos do que nunca. Cavaleiros e damas, domadores dos bons, cavalgadas e muito laço. Virgem Mãe, derreter de orgulho foi pouco.

19/06/2008

cantoria

Enquanto corro canta o vento, e ouvir seu desembaraço embaraçando meu cabelo faz cócegas em minha alma. Aí eu canto junto.

16/06/2008

nos braços do povo

..."Jamelão é uma frutinha preta. No começo da minha carreira fui a uma gafieira e o dono me botou pra cantar. Ele foi para o microfone e anunciou: Vou chamar aquele pretinho, o Jamelão. O apelido pegou".

.....................................................................................

Lembro de pequeninha do meu pai lá em casa cantando Exaltação à Mangueira: Mangueira teu cenário é uma beleza, que a natureza criou... . Todo carnaval a gente ficava acordados, assistindo aos desfiles que pareciam mais nossos. Pela TV o grande momento sempre era a hora da Mangueira desfilar. Aprendi a ter adoração pela Mangueira e respeitar a tradicionalíssima Portela e ainda a bateria de Padre Miguel, porque papai falava que no Rio de Janeiro tinham 3 coisas a se reverenciar além da beleza natural e do Cristo Redentor: essas 3 escolas de samba e de vida e seus maiores diferenciais. O da Estação Primeira de Mangueira, era Jamelão.

Sábado de madrugada ele se foi. Viveu até onde quis e ainda no último caranaval esteve lá na passarela. De voz forte e gênio idem, brigava nos tempos áureos pela notas e sempre ganhava 10. Era vascaino e um dia numa entrevista que ouvi ele dar, disse que perdeu seu grande amor para o samba, mas não fazia mal, paciência. Foi considerado o maior intérprete brasileiro não só de sambas-enredo, mas também das músicas de Ari Barroso e Lupicínio Rodrigues.

Eu vi Jamelão cantar e pude com ele torcer pela Verde e Rosa.

Vai mestre Jamelão, sei que agora cada trovão que der em dias de chuva, certamente vão estar mais afinados por causa da tua voz no céu.

decisões


Decisões são quase sempre difíceis de se tomar. Isso porque por mais que sejam boas, há sempre a dúvida do que você ainda não viveu, é, pois se já tivesse vivido, não estaria tomando nova decisão. Parei pra pensar assim outro dia depois de tantas dúvidas. Porque a decisão nem sempre é pra mudar algo ruim, muitas vezes inclusive é pra trazer algo muito melhor, mas você sabe disso? Até desconfia, quase tem certeza, mas no fundo recea. E é aí que o que pode ser mais, vira menos. O que é menos, cria uma intensidade pra tantos mais, na maioria das vezes desnecessários, e as energias esgotam.
Por exemplo, pra eu decidir alguma coisa,levo pouquíssimo tempo. Pra ter coragem de assumir minha decisão uma pá. É que geralmente quero decidir muita coisa junta. É uma decisão que puxa outra, que traz mais uma que ainda nem se pensava em decidir. Acaba que isso interrompe a clareza e por consequência a firmeza. O raciocínio também é meu inimigo nessa hora, e irmão do receio, lota minha caixa mental de serás? E esse engano de querer a resposta, te leva pra mais longe ainda do que já se sabe há muito.
No fim depois de tantas idas e vindas, descobre-se o óbvio de que não há outro jeito de saber a não ser viver a decisão. Passar para o outro lado da pergunta, ser a própria resposta. Portanto Cice, hoje dia 15 de junho você já sabe, por mais pontos que possam existir a decisão está tomada. Siga. Vá em frente e carregue com isso tudo o que você quer levar. Irá tudo, e todos, e será assim porque está escrito. Vá ser feliz. Como sempre foi até aqui.

13/06/2008

Santo Antonio

Santo Antonio é o santo que a minha mãe mais gosta. É até esquisito dizer isso porque ela adora Santa Terezinha também e São José e Frei Galvão.., pode parecer contrário, mas acreditem minha mãe não é uma carola, é que ela tem o telefone vermelho com o céu, ela tem fé.
Mas voltando a Santo Antonio, apesar de ser famoso por ser o Santo casamenteiro, Santo Antonio tem uma força muito maior do que achar pares, ele é um grande intercessor porque também foi um dos que abriu mão de tudo pra ficar com Deus. Nascido em 15 de agosto de 1195, de nome verdadeiro Fernando, tornou-se padre por ter no espelho da família uma grande devoção. Antonio sempre procurou as missões, foi pra África, mas adoeceu e voltou, caiu na Sicilia, conheceu Franciso (é, esse mesmo, São Francisco), ficaram chapas. Sua maior característica que era a introspecção e a quietude, foi também o grande canal de sua santidade, porque quando Antonio falava, ele mobilizava totalmente a multidão. O mais legal de Santo Antonio é que ele foi primeiro Antonio "o santo", e isso o deu a canonização praticamente imediata num processo tão complexo. Ele realizava como qualquer um de nós podemos realizar. Ia à frente das batalhas, arrumava as injustiças, produzia críticas no povo e colocava a mão literalmente na massa. Com os dons da bilocação e levitação, rarííiissimos, um dia salvou seu pai numa cidade equanto pregava em outra, isso mesmo, ele estava de corpo presente nos dois lugares ao mesmo tempo, e não raro muitos sempre o viam com os pés sem tocar no chão. Antonio o santo, além de milagres, arrumava, enfrentava e produzia nos padrões terrenos.

Ainda novo ele se foi. Em 13 de junho de 1231.

Decidiu despedir-se da humanidade em Pádua na Itália, o que faz até hoje Lisboa brigar pelo seu "sobrenome". Ele chegou na cidade e disse, vou me despedir de vocês por aqui, e assim foi. Assim morreu. Na mesma hora crianças que estavam brincando e nem sabiam da existência daquele homem e tão pouco o seu nome, sairam correndo gritando: Santo Antonio morreu hoje, Santo Antonio morreu.

Curiosidade: sua língua está até hoje intacta, viva, com sangue. Isso pelo poder de proclamação desse homem que virou santo. Essa relíquia fica lá em Pádua pra quem quiser ver, na igreja de Santo Antonio, onde minha mãe, aos prantos, chegou um dia bem na hora da comunhão.

Santo Antonio, um beijo pro cê. Espero ter contado direitinho a tua história.

12/06/2008

declaração de amor





Gordo querido. Meu grande amor. Ter você me assegura de acertar mais. De recorrer aos teus braços quando me canso e saber que eles sempre me suportarão. De confiar que tua voz me diz serenamente sim e não, e que de qualquer forma me diz o melhor. Ter você é poder agradecer a cada dia a nossa história, nosso encontro de amor e nossos filhos. Ter você também é divergir, destoar e com isso completar as mandalas que se formam. Ter você é me ter igualmente serena. Te amo. Feliz dia dos Namorados.

08/06/2008

generosidade

Conversando com o meu irmão ele falou uma coisa que não sai mais da minha cabeça. Por mais que pareça óbvio vale a pena gravar: PRESTE ATENÇÃO NO QUE AS CRIANÇAS GOSTAM DE BRINCAR. Falávamos de futuro no presente. Enxergar realmente o que nossos filhos mais gostam de fazer através da brincadeira é o segredo para empurrá-los pra felicidade. Fui uma criança livre, papai e mamãe nos deixavam ser. Fui pro caminho que mais gostava, apesar de lembrar com água na boca das revistas de moda que eu recortava e das modelos que eu mesma criava. Unia roupas de uma com os sapatos de outra e redesenhava figurinos. Ficava ali horas e horas, transformando. E até hoje gosto disso. É, talvez eu pudesse ser uma estilista, porque até costurar eu tinha vontade, mas sou publicitária. Analisando meu grau de satisfação, concluo que o que sou hoje não deixa de ser uma fonte de criatividade.

Sobre meus filhos, Bia adora ler e interpretar, inventar histórias e fatos. Julia leva o maior jeito com desenho e pintura, um capricho. Pedro já é minucioso e adora montar quebra-cabeças difíceis para sua idade. Junto com isso eles gostam de jogar bola, dançar e correr por tudo. Eu, desde essa conversa, fico olhando os detalhes das brincadeiras e procuro deixar eles serem o que querem ser. Estimular é meu papel. Só esse. E por mais que pareça óbvio, a gente escorrega muito e no fundo no fundo faz uma forcinha pra eles serem a nossa vontade, a nossa imagem da inteligência e do sucesso, aquilo que queremos que os outros achem deles.

Aí erramos feio, e muitas vezes erramos por eles o que eles ainda nem saberiam se estava certo. Então, prestem atenção no que as crianças gostam de brincar e nos seus sorrisos com as brincadeiras. E ponto final.

05/06/2008

Coleções

Adoro coleções. Colecionar gosto também. Gosto na verdade das coleções que já foram perseguidas, desejadas e já ficam formadinhas pra todo mundo ver. Adorava a coleção de maço de cigarro do Flávio, a de selos do meu pai, a de chaveiros do Géjo. A de papel de carta da Patricia gostava mas não muito, era muito bege... Cheguei a colecionar figurinhas, livros do Garfield, botons pra mochilas e revistas de moda, mas minha especialidade sempre foi colecionar pessoas. Namorados (bela coleção) e amigos, tios dos outros que passavam a ser meus. Causas e propósitos. Hoje muitas coleções se foram. Os maços sumiram, os papéis amarelaram, mas uma delas, minha, se mantém, intacta e eterna. A melhor coleção que fiz. De gente boa e soluções. Essa fica nova a cada dia, cresce ao invés de apenas marcar lembrança. Acertei na mosca. Colecionei certo.

todo o tempo do mundo

Puxa tava com saudade desse cantinho. Fazia dias que eu nem apontava o nariz nessa janela. Não, não era por causa da chuva, nem do frio porque adoro os dois, era por causa do tempo que insiste em querer que eu o queira, mas eu não quero assim. Só o quero por conta de entendê-lo. E como hoje eu sei, cá estou novamente, com todo o tempo do mundo.

19/05/2008

claridade

Saber-te no escuro encanta-me. Não é preciso lamparina pra que eu desvende a tua história, e isso me torna grande. Deve ser assim ler em braile. A luz fica apenas uma boa invenção.

16/05/2008

fácil


Hoje o dia foi muito especial, deu tudo certo, tudo funcionou, eu revi pessoas queridas e o universo anda conspirando muito a meu favor.
Se não há problema? Claro que sim. Tem sempre alguns pelo meio. Mas eu tenho tanta energia, sorte e força, que fica no meio que não conta.
No almoço, eu e as queridas Jus e Dani, falamos de fé. Do quanto é bom você acreditar e andar em retidão. E aí eu entendi porque ando rindo mesmo se tenho certa tristeza, porque é que a Nica acha que eu vivo sem melancolia, porque no balanço da minha vida, incontestavelmente eu sou tão abençoada. É que a fé me interessa mais do que quanto de incoerência existe por aí. É a parte que nos cabe na vida. Aliás é apenas essa. Por um instante agora, lembrei da minha mãe me dizendo na época do colégio..,mas filha tua única obrigação é ir bem na escola. Na hora parecia muito, mas hoje eu vejo que ela tinha razão. Hoje também entendo porque papai ultrapassa seus sustos, e um homem que é diabético, cego e sofre do coração, recebe dos médicos as palavras, Seu Pedro o senhor tem uma saúde de ferro. Putz, ainda bem que sei o que é fé mama, te devo isso, e ao papai devo a saúde de ferro...

Tô tão feliz!!

15/05/2008

tri-frases


Assistindo aos trapezistas do Circo du Soleil...

Mamãe você sabe fazer isso?
Isso o quê?
Isso que eles tão fazendo?
Não filha, não sei.
Porque não?
Bom, porque cada um nasceu com um dom, e o meu não é esse...
Ah, e qual é o seu dom?
O meu? Trabalhar na eii!
Ah entendi, então o meu é brincar né? (Bia Galloro)

E o meu é guardar os brinquedos (Julia Galloro)

E o meu é ser chutador de futebol (Pedro Galloro)

**********

Jogando Imagem e Ação...

Pedro, você vai ser o marcador ou o desenhor? (Julia Galloro)

Ninguém vai pegar mais papel do meu caderno, entenderam? (Bia Galloro)

E ninguém vai mais adivinhar o que você vai fazer, entendia? (Pedro Galloro)


***********

Brincando de O que é pra você....

Coração? Amor
Luz? De apagar e acender
Desejo? Pra o gênio ficar com a gente na lâmpada
Medo? Medo de fantasma, de monstro, de aranha, de susto e múmia e de escuro.
Morte? Fazer amigos, ficar com os amigos e com a família, não tirar a plantinha senão ela morre.
Vida? A família toda, fazer amigos e fazer um lindo arco-íris.
Zebra? De andar de costas e frente.
(Bia Galloro)

Cadeira? De sentar
Apaixonado? Quando você está apaixonado é de namorar.
Mundo? É do Brasil
Verdade? Não pode falar mentira, nem palavrão e nem fofoca.
Alegria? Rir
Saudade? Pular de saudade
Morte? Saudade
Vida? É ficar junto
Joaninha? Voa e encontra amigos
(Julia Galloro)

Carro? De andar
Verde? De pintar
Sentimento? De abraçar
Céu? Que tem nuvem e sol
Cinema? De assistir e ficar quieto
Morte? Porque morte de novo? Pode ser bicho?
Bicho? de vida de bicho, de touro, um tigre, uma onça.
Macaco? De pendurar e coçar e ah, o dinossauro é de andar
(Pedro Galloro)

sabedoria

Domingo passado foi dia das mães e dia do Espírito Santo. Mamãe Ivani foi à missa, como sempre, e trouxe de lá um dom do Espírito Santo pra cada um de nós lá de casa. Até as crianças tiveram direito. Cheguei com minha trupe primeiro na casa dela, porque estávamos todos reunidos para o almoço de domingo especial, a família inteira, e ela foi logo me dizendo, vá lá na estante e puxe um dom do Espírito Santo, escolha o seu. Fui, olhei, olhei e puxei, saiu SABEDORIA. Isso significa que terei força na SABEDORIA, seja para aprender a ter, ou a usar. Olhei pro céu e agradeci a ele. Meu divino Espírito Santo não podia ter puxado dom melhor pra você me acompanhar. Depois de domingo já senti por algumas vezes o quanto estou coberta nesse ponto. Amém.

08/05/2008

eu sou mãe



Ontem fui na festa do dia das Mães da escola. Vi meus três filhos cantarem pra mim. Ouvi nas frases da canção palavras que constroem a emoção. E no rostinho deles, um orgulho que eu não mereço.

Eles me olham com tanto amor, meu Deus.. como posso ser tudo isso pra três almas tão puras? É, sem dúvida, o milagre da vida.

No meio de tanta mãe e de tanto filho, o objetivo de todos é comum. Os olhos me procuravam e os meus os procuravam, e na hora que se encontraram, não tem jeito, vieram as boas lágrimas e três verdadeiros sorrisos.

Ah Deus, obrigada! obrigada mil vezes!

30/04/2008

caretas






Eu adoro fazer caretas, vivo fazendo. Fazia careta de pequena no espelho e me divertia horas, eu e eu mesma. Fotos tem que ter uma caretinha, senão fica tudo muito do mesmo. Passei isso aos meus filhos, os bichinhos são careteiros que só. Outro dia nós quatro morremos de rir juntos fazendo caretas um pro outro e pela costas do César, que acha que isso não tem a menor graça, e por isso a brincadeira ficou ainda mais divertida. O melhor é que careta é que nem gargalhada e bocejo, pega. Você começa a fazer careta e daqui a pouco todo mundo tá fazendo. É uma expressão bem humorada e autêntica, uma nunca sai igual a outra. Gosto mesmo de careta, e careta em grupo é melhor ainda.

24/04/2008

tudo tem dois lados

Hoje fui pro blog da Nicola, já fazia uns dias que não ia lá e nem aqui, e li muitas coisas bonitas. Li sobre rótulos, passeios e crianças e ainda sobre cachorros e pessoas. Trouxe comigo o quanto tudo tem dois lados. Quem não leu talvez não entenda, mas é verdade, concordo que rotular não é nada bom, mas somos humanos e rotular também apenas acertos, que jeito? Li ali, que a Nicola tinha uma folha de sulfite pra ler todos os dias.. se desarrumar - arrume, sa sair - apague, se sujar - limpe, e que isso marcou um monte de ordens na sua cabeça, mas tô aqui pensando em adotar o sulfite em casa, porque a Ana virou uma pessoa de se admirar demais.
Li do Simba Safári, e apesar de detestar ir naquele lugar, amo ver meus filhos colados com o rosto no vidro do carro olhando aqueles bichos requenguelos. Li sobre o Bernardo e lembro do meu pai dizendo - cachorro é lá fora - e não esqueço ele aos prantos como se perdesse um de nós, quando o Nick morreu depois de 18 anos no quintal. É, tudo tem dois lados. A gente é que precisa sempre tocar no lado A.

22/04/2008

adicionar imagem

Todo mundo me pergunta porque eu não ponho fotos no meu blog. Meu amigo Raul disse que nem me lê porque não tem imagem, vê se pode um amigo assim. Mas a verdade é que eu não sabia inserir essas cacetas dessas imagens. Não, eu sei que tem o bagulhinho na barra de ferramentas e é so clicar ali, mas é que muitas vezes as imagens estão muito grandes e aí vem pro texto e enchem a tela como se só isso bastasse o mundo.

Confesso que sou medíocre frente a tecnologia, mas o que me faz desistir mesmo é que o que tem que ser fácil - ó é só clicar no option n e aparece o til, vê se pode, ou ainda, é simples é só ir no ícone xpto e você vai ver logo o que é pra fazer... e nunca aparece o que é pra fazer, incrível - é mais do que complicado, e me deixa irritada.

Seja como for, assim como me submeti ao celular, apesar da alegria que me deu quando me roubaram ele duas vezes, ou ainda ao próprio blog, que insisti por tempos que não entendia como podemos ser tão íntimos com quem sei lá eu quem é que nos lê por aí, eu vou de fotos agora.

Pra provar, ontem organizei os nomes das imagens que tenho nos meus computadores (o de casa e o da eii!) porque tem isso ainda, você pede a imagem, acha o lugar que ela se encontra e depois o arquivo não tem nome e você não sabe se era essa foto que queria postar? afe...

Mas depois dessa faxina física e mental, vou abusar de fotos, imagens e graças. Porque afinal de contas a vida é colorida, e eu sou visual.

Ah detalhe, não achei imagem pra ilustrar esse post, fica pra próxima..

15/04/2008

TV a cabo pra quê?



Bia:
Carolina (boneca), você tá com dor de quê?

Carolina (na voz de Bia):
Dor de bochecha.

Bia:
Ah, sei... dor de bochecha. Que mais?

Carolina:
Dor de testa.

Bia:
Dor de testa também? Nossa!

Carolina:
E também uma dor na ponta do meu joelho..

Pedro:
Bia!! Não é dor de testa nem de bochecha e nem de joelho que fala..

Bia:
Ah, é? entào é dor de quê, hein?

Pedro:
Dor de dentro da boca e de dentro da orelha.

Bia:
humpf!

Julia:
Mamãe, não é que não pode falar que tem dor?? Não é que você não gosta que tem dor?? Bia e Pedro, podem ir acabando com essa brincadeira agorinha...

12/04/2008

eu já sabia..

Descobri que decepção nada mais é do que alguma coisa que você já sabia como seria, mas insistiu em achar que poderia ser diferente. A decepção na verdade é entender que você permitiu, que fez-se de "troxa".É de antes, não de agora.
A vida não tem segredo, há apenas fatos. As suposições nós criamos e normalmente nos decepcionamos com elas depois. Lutar por uma causa é utópico, as pessoas lutam pela sobrevivência e só, por atos egoístas, mesmo que sejam bem intencionados.
Às vezes, nessa fase em que me encontro, queria poder supor mais e não ter tão claro os fatos e as certezas. Era bom poder não saber. Mas agora eu sei. E saber na maioria das vezes decepciona. Fazer o quê?

10/04/2008

rewind

Almocei hoje com pessoas queridas e foi gostoso demais. Cheguei, sentei, fiquei olhando a carinha de todo mundo, o jeito como eles davam risada do que está acontecendo e do que já foi, a maneira como eles trocavam assuntos e como vivem hoje cada um num canto novo. Fiquei ali, percebendo os gestos, as escolhas, os rostos. Lembrei que tinha isso tão perto todos os dias e me deu, não sei se era tristeza, não, tristeza não foi. Foi um sei lá. Na hora de ir embora... ainda bem que eu trouxe dois do meu lado.

07/04/2008

ioio

Entramos numa fase de ir e vir. Nos relacionamentos alguns estão indo e outros vindo, muitos inclusive nem indo nem vindo, voltando... o que de uma certa forma é bom.. ou não. No trabalho, saem uns entram outros, e aí acredito sempre que seja melhor dessa maneira. Na vida, se foram alguns muito cedo, mas despertam novos com enorme vitalidade. O fato é que vivemos num enorme ioio. Que pode ser colorido e forte ou de papel fuleiro com aquele elástico que quebra fácil. Às vezes esse ir e vir fica mais intenso, mas sempre existe. Ah, eu gosto dessa brincadeira, por mais que encha o saco enrolar a corda quando se erra.

tri-frases


mamãe, sabe que eu sou média agora?
média filha?! como é isso?
é que quando eu tinha 3 anos eu era pequena, agora eu tenho 4 e sou média, e quando eu fizer 5 eu vou ser grande... (Bia Galloro)

mã, onde nós vamos passear amanhã?
nós vamos pra Aparecida do Norte, agradecer, pedir algumas coisas...
ah, é perto do Pólo Norte onde mora o Papai Noel? quero pedir coisas pra ele também... (Pedro Galloro)

mamãe a Bia tá chorando porque eu tive que bater na boca dela porque o Pedro tava indo bater nela antes de mim. (Julia Galloro)

31/03/2008

feira do livro

Sábado teve uma manhã especial, foi dia de feira do livro no Discere. Levar os picutas pra escolherem livros, lerem juntos e nós juntos deles. Conviverem com a leitura em grupo, com os amigos, com os mais velhos e com os mais novos, foi bom demais.

Fiquei em meio aos tantos livros que na escola ganharam um apreço diferente do que na livraria, pelo menos naquele contexto, vendo meus filhotes amarem as histórias, preocupados em viajar pra todos os lugares que eles viveram nas páginas. Amigos das linhas. Foi tão bacana!

O hábito da leitura é natural e a gente deve ter cuidado para não tirá-lo da frente ao longo da vida. Toda criança adora livros, é incontestável. Cheguei determinada a aproveitar o que aprendi por ali, ganhei motivação pra tirar da minha cabeceira 3 leituras que havia começado ha um tempo e ainda enrolava toda a noite. Li domingo quase o dia todo, só parei pra brincar com eles, e eles quando me viam com o livro iam pegar os deles e assim passamos a tarde como anjos. Quietos e felizes, em companhia de muitas histórias e registros imortais.

escolha certa

Pra que ter dúvida ou fingir que não entendeu. Escolha pela verdade, assuma que não foi bom, que poderia ter dado uma reposta melhor, que foi um pastel de vento, que apareceram na hora que você não queria. Que tinha outra possibilidade mas teve preguiça, que virou na rua travada por causa de um único carro, que falou merda, que berrou o nome da música de outro cantor e por aí vai. Só por reconhecer, a escolha de errada passa a certa, e o dia seguinte amanhece claro e cheio de fatos impossíveis pro dia anterior.

Seja fraco com a sua força. Deixe ela vencer.
Eu garanto.

27/03/2008

prescrição médica



Cheirar filho é melhor que qualquer remédio. Acalma, renova, anima e alegra. Ah, cheiro de filho não tem igual, é tão bom! Eu cheiro meus filhotes desde que eles nasceram e não tem erro, eu revivo depois. Cheiro a orelhinha, os pézinhos, bem o alto da cabeça, nariz com nariz é ótimo. Cheiro do olhar é matador. Tomei dose tripla essa noite, tô dopada deles. Vou dormir como um anjo. Filhotes da minha vida, a mamãe agradece o receituário.

doce de mal bocados

Faz tempo que eu não passo por aqui, e hoje mesmo com saudade, faço uma visita rápida porque carreguei um dia esquisito. Sem ser ruim ele não foi bom, mas bom foi quando aproveitei e enxerguei a tempo que poderia começar a ser. E pelo sim pelo não abro a porta branca. Espero que outros a abram também, porque se todo mal fosse o que o dia de hoje trouxe, que bom seriam os mal bocados.

12/03/2008

reencontros

Ela saltou da pequena mesa em que se encontrava lendo um clássico que esquecera, quando ali dentro, amassado mas ainda colorido, reencontrou aquele bilhete. De verdade tinha saudade do que estava escrito ali, virava e mexia ela lembrava fechando os olhos naqueles dizeres de letras desenhadas uma de cada cor. Imaginava que tudo havia ido embora pra não sei onde, e sonhava. Mas agora.. nossa! voltara a sua mão o que lhe fizera tão bem, tão feminina, tão capaz. Abriu trêmula e sorriu já na primeira linha. Incrível como depois de tantos anos o efeito foi o mesmo. Era o que estava faltando, que bom, com certeza era o que estava faltando. Leu tudo por mais muitas vezes, e fez questão de perder novamente seu destino. Lançou o bilhete alegre pela janela e voltou para o seu livro como uma brisa no verão. Pra sempre, o futuro haveria de lhe trazer a mesma esperança.

08/03/2008

passa anel

Aqui em casa agora estamos na fase das brincadeiras da minha infância, que passaram pra mim pela minha mãe, e provavelmente também eram da minha avó. As brincadeiras eternas. As verdadeiras.

É só eu chegar da agência para que Bia, Pedro e Julia corram pegar os saquinhos de areia pra gente brincar de jogar pro alto e pegar com a outra mão. Escravos de jó também está na lista das mais pedidas e assim segue com, Barra manteiga (imaginem correr dentro do apartamento..) Beijo, abraço aperto de mão, Bom dia minha senhoria, Quente e frio, Deu pango surupango, Trava línguas e muito mais.

Também trouxe de lá da minha infância para os meus pequenos, os poemas que mamãe recitava e pedia pra eu decorar e recitar com ela depois. Gostava tanto disso que repito agora.
Nesse bloco temos: Na cozinha o tio João, Cetim o gatinho, Pequenina do papai, Lá em cima do piano, Plutão, Dolin Dolê...

é gostoso demais.

Pra ilustrar então essa passagem dos anéis, deixo aqui um poeminha que eles adoram e já decoraram..tão lindos, e que de tanta ingenuidade, até dá vontade de terminar o texto e ir pra rua brincar. Como nos velhos tempos.
Aproveitem!

Cetim, o gatinho

Eu tenho um gatinho
chamado Cetim
Alegre, mansinho
Que gosta de mim

Vai cedo pra cama
vai ele, miau!
e tanto me chama
que até fica mal

Inventa brinquedos
e pula no chão
Eu fico com medo
Não tenho razão?

Cetim é bonzinho
ferir-me não vai
Se eu fosse um ratinho
então, ai, ai, ai

Tem quatro patinhas
Com unhas assim
curvadas, fininhas
são garras, enfim

Cetim não merece castigo
isso não
Cetim me obedece
de bom coração.

03/03/2008

montreux

Veio a lua pela noite e me deixou ver que eu ainda te amo tanto... que por você estar longe são tão vagos os meus passos, e que os teus faltam por aqui. Vi no claro brilho que tua risada me conforta e até pude enxergar teus olhos sorrindo.
No meio da pena saudade, surgiu a alegria de perceber que o tempo amadurece mas não cala, que acalma mas não esconde, e basta reviver um pouco pra tudo lembrar.
Quanto demora você voltar? Vem logo. Vem daí, do lugar belo em que te encontras pra caminhar aqui comigo. Espero então esses dias, e quando a lua começar a ir, mansa e nova, estarei lá a tua espera.

27/02/2008

dra. lu


Se tem algo que me orgulha é falar da minha irmã. A Lu é como um talismã, dá sorte ficar do lado dela.

Lembro da gorda (é assim que a gente se chama) em frames, cada detalhe... Dentro da manta rosa, já a cara do papai e ainda tão pequenininha, no berço no quarto da mamãe, brigando com o Nick, sentada no capô da variant azul quando era gorda mesmo, lavando paninhos no tanque em cima da cadeira verde de madeira, chorando porque ouvira um não, gravando sua voz pra documentar os dias, indo pra escola, caprichando nos cadernos, nas apostilas, nos livros, na vida.

Lembro de quando entrou na faculdade, de quando saiu.. uma das maiores emoções da minha vida, certamente a segunda, seguida do nascimento dos meus filhos. E por falar neles, a Lu acompanhou cada respiração minha nessa fase, rezou, controlou, sofreu o que nem eu saberia sofrer, por mim, calada e devota por conta do risco de uma gravidez trigemelar. E estava lá, lá mesmo, dentro da sala de parto, do meu lado, do lado do César e também do lado dos picutas, querendo ver a cara dos bebês e se certificar que tudo estava bem. Sorte a nossa.

Vejo a Lu indo pra Santos durante 6 anos, a cada final de semana, de carona, imitando o bedel da FCMS, cuidadosa com sua escolha, responsável em todos os minutos. Fazendo careta, graça que fazem os sobrinhos perderem o fôlego de tanto rir. Vejo a Lu com seu vestido lindo branco com as costas cruzadas em fitas... corrigidas por tramas, tramas e não fitas, e ela caindo na risada.

Simples.

A Lu não ostenta, não se impressiona com nada material, apesar de gostar de ter. Pra Lu o ser é tão claro, tão tangível, que se ela tem ou não tem alguma coisa, é o de menos, mesmo. É difícil explicar, mas ela é feliz com o que conquista e não precisa de nada que não seja da sua conta, ou mais do que o necessário.

Domingo a gente tava na mamãe almoçando, ela toda feliz me contou que vai trocar o carro no mês que vem - Gorda, vixe, no mês que vem vou pegar um Idea, vc gosta? Eu.. Pô Lu que bacana.. gosto, claro, mas porque vc não pega um idea adventure?
Porque é dez mangos mais caro...
Lu, pelo amor, agora vc tem grana.. e olha o adventure tem mais coisa, é esportivo, mais bonito, chama mais a atenção, tem as barras laterais, o pneu lá atrás... e ela me olhando?!
mas eu só quero um carro pra andar e ter conforto, por dentro eles são iguais..cê acha que eu preciso de um pneu lá atrás? Nem sou eu que troco o bicho se furar,é a seguradora...

A Lu sabe o que quer, é segura, consistente e leve por conta disso. Se é sim é sim e se é não é não.

Com a sua profissão ela só faz a gente a admirar mais. Uma excelente médica geriatra. Disputada a tapa na equipe por todos os mega médicos com os quais já trabalhou. Ela conta dos seus pacientes com um carinho disciplinador. Com eles, ela prova que o amor também diz não, e tem que dar espaço pra novas etapas. Que trabalho é disciplina e limites, senão vira confusão e ineficiência. Mesmo assim, ela se diverte com eles, chora por eles, luta com eles, briga com eles, com famílias e também com outros médicos se preciso for. Ela sabe.
Seus diagnósticos são precisos e sua responsabilidade um exemplo. Um dia dedico um post aos casos que ela conta do hospital, aliás um único post vai ser impossível.

É da Lu a frase: "Esse homem tem um rosto sem sorriso", quando tinha 5 anos, referindo-se a um vendedor lá perto de casa que era simpático mas ninguém definia porque ele não agradava as pessoas apesar de seu esforço. É dela também o maior zelo e dedicação já vistos nesta Terra, quando se trata dos meus pais. São dela ainda, as decisões assertivas, sóbrias e únicas. Sinto que ela enxerga com a alma. E por isso, é dela também todo o meu encanto e admiração.

Agora, casada com o Matheus há três anos, construindo a vida a dois, eles seguem. Estão lá longe, firmando suas carreiras e seus futuros, apoiando um ao outro, mas a gente foi junto pelo coração. Esse ano fala-se de crescimento na família... Eu torço. Que venha um espírito iLUminado como o que há 29 anos Nossa Senhora mandou lá pra casa. Que venham novos seres, novas Lus, pra dar à vida continuidade do bem, e a verdadeira razão de se viver nesta e em outras dimensões.

Gorda, quero todos os teus autógrafos.

guardadinho

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do sabor colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.