26/09/2007

poder

O vaga-lume brilha no escuro, quer melhor que isso? Que super-heróis, que nada! Queria mesmo é ser um vaga-lume.

24/09/2007

seu claudionor

Como é maravilhoso saber olhar a vida pela boa lente. Hoje fui ver uma casa que estava à venda, sentado lá dentro estava o seu Claudionor, o plantonista.

Muita gente no lugar dele poderia estar praguejando a falta de sorte, ou ainda, entregue à sorte, sentindo-se uma pessoa pequena, ou ainda e pior de tudo, desafiando a sorte, na preguiça e desdém dos momentos. Sei disso porque já cruzei muitos plantonistas na busca desenfreada de um lugar pra eu morar.

Mas dessa vez estava lá o seu Claudionor, sutil, sabedor da sua missão, orgulhoso por ser o plantonista. Me deixou à vontade mas estava presente. Fez questão de abrir todas as janelas da casa, as portas.. uma casa grande. Eu dizia que não precisava e ele dizia precisa sim, esse é meu trabalho e esse é seu interesse, ver bem a casa. Então porque não? Porque depois o senhor precisa voltar tudo e fechar. Mas essa é a minha responsabilidade, abrir e fechar as casas para os clientes. É por isso que recebo meu dia lá da Kaufmann, boa empresa viu?. E eu então comecei a admirar aqueles gestos simples.

Seu Claudionor abria as janelas e enaltecia a vista, mas sem mentiras. Ele dizia, olha dessa janela a senhora vai ver os telhados da outra rua, mas o bom é que a casa fica no alto, por isso a senhora vê os telhados sabe? e casa no alto é boa porque é mais segura. Ele ia me dando o lado bom das coisas sem nem perceber, porque ele é assim. Otimismo é nato, ninguém consegue ensinar alguém a ser otimista e bem humorado.

Durante a visita, seu Claudionor me contou a vida dele, elegantemente. Sem encher o saco, sem ser intruso. Ele me disse que a coisa mais importante que fez na vida foi comprar sua casa própria. Foram 40 anos de trabalho para receber da empresa 90 mil. Achou uma casa por 82 e nunca ficou tão feliz. Enalteceu também a empresa que lhe proporcionara essa condição sem fazer a conta que 90 mil dividido por 40 anos deu pra ele apenas 2 mil duzentos e cinquenta reais por ano. Ele não fez essa conta porque pra ele isso não interessa, só interessa o que é bom.

Ele me disse envaidecido que tem dois filhos, homens feitos já, e que agora o mais velho de 24 anos não tem mais assistência médica porque acabou a carência do convênio, mas ele se preparou desde os 20 anos e em quatro guardou um pouqinho por ano pra agora ter um bom plano, e o mais novo que fez 20 vai fazer o mesmo. Fiquei pensando nisso, e minha vontade era de ir até a casa do seu Claudionor com ele injetar mais alegria na minha vida.

Por fim, seu Claudionor me falou da esposa e do quanto ela sempre acreditou e esperou com ele a hora certa das coisas. Aí, me desejou sorte ao falar que eu tô no rumo certo, que a melhor coisa na vida da gente é a nossa casa e a nossa família, e fechou dizendo, não tenha pressa, tenha apenas certeza.

Seu Claudionor, obrigada. Aprendi muito com o senhor hoje. Um plantonista da vida.

17/09/2007

era uma vez...

Lá em casa a contadora de histórias oficial da família chama-se Beatriz. A pequenina Bia, que tem peso de bebê mas sabedoria de gente grande.

Desde bem pequenininha ela não apenas falava palavrinhas mas concluía assuntos. Por muitas vezes nos deixou de boca aberta, sem nossas palavras à frente de suas tantas que ela diz e ninguém sabe de onde aprendeu, como por exemplo, estou ansiosa, desse jeito eu vou ficar chateada, é muita humilhação, que esplêndido, adoro vestidos brilhantes, essa vida é um paraíso, e por aí vai..
Lembro os 4 aninhos dessa articuladora de enredos.

Ontem estivemos na praia em casa de amigos e foram horas à escuta de histórias fantásticas, inventadas ou não, histórias mágicas que a Bia conta. Pára todo mundo pra ouví-la, os irmãos, o pai e eu, os amigos que acabaram de conhecê-la. As novas babás então ficam pensando, aonde vou aprender a contar histórias melhor que ela? E ela, perspicaz e atenta, sabe desse dom e explora nossas admirações. Faz caras, bocas, vozes.. é mais que contar histórias, Beatriz gosta de interpretar.

Pra ajudar ela se cerca de amigos imaginários assumidos, que também ganharam nomes que só ela mesmo podia ter dado, o Edi e a Sarina. E ela convence tanto, que todo mundo tem vontade de ter amigos iguais.

Mas o melhor da Bia é que ela é dona da sua imaginação. Não é o contrário. Ela sabe bem a hora de parar, bem dizendo, a hora que quer parar e fincar pé no chão. Geralmente isso acontece quando tá todo mundo na viagem de seus sonhos mágicos, aí ela levanta e diz, agora chega que o Edi e a Sarina, ou o pato listrado que ela batizou em uma nova história, ou ainda a pequena princesa, não importa quem, acabaram de voltar pros livros e agora nós vamos fazer outra coisa...

Às vezes fico pensando e tentando descobrir um jeito de fazê-la nunca perder esse dom. Sei lá, colocá-la no teatro desde cedo, levá-la a todas as livrarias do universo, ler em casa a toda hora pra que ela continue tendo exemplos, mas no fim páro e percebo que cada um ensina a vida com alguma coisa nata, e aprende com ela outras que não sabe bem.

Então relaxo, porque tenho certeza que com mais intensidade ou menos, a Bia sempre vai ter grandes histórias pra contar das suas interessantes experiências, e eu vou ter o enorme privilégio e prazer de ouví-las.

E junto da nossa (be) atriz seremos felizes para sempre.

obs: vejo hoje que não haveria outro nome pra minha filhota.

14/09/2007

quando casar sara..

Cresci em meio ao enfrentamento da dor sem medo dele. Qualquer que seja a dor, aprendi que dá pra administrar. A dor de perder algo é doída demais, a de perder alguém é quase insuportável. A dor da espera é tão dolorida que passa, a dor da alegria estimula. Porque alegria dói também, dói aquilo que você tem e o outro, que você quer tão bem, não tem. A dor comum, aquelas das doenças, doem menos que aquilo que fez você se atribuir a esse sofrimento, então que mudem as regras da sua vida agora, porque você suportará melhor, e às vezes, até o milagre da cura se fará. Sim, há dor, e daí? A dor mais bonita é a de parir, então se é assim e eu sei que é, dor é estigma pra mente que não sabe enfrentar. O lutador apanha, isso é um fato, mas o que importa pra ele é o quanto suporta, mesmo em dor e sangue, ficar em pé. Os Galloro vão para o ringue. Não sabia disso até uma amiga na dor e na alegria me dizer isso. E o Rocky Balboa também.

07/09/2007

véspera de aniversário

Na véspera do aniversário da gente tudo parece que demora. Você espera o ano todo pela festa, pelos amigos, pelo bolo com velinhas, e aí quando tá bem pertinho, a sensação é que não chega nunca. Será que dá tempo de acontecer essa festa? E se alguém não for, e se chover demais, e se não chover nem um pouco, e se eu quebrar o braço? e o nariz? ai Deus, chega logo esse dia enquanto eu ainda tô bem...

Apesar dos meus filhinhos se prepararem pra fazer apenas quatro aninhos eles se sentem assim. Estão preocupados, ansiosos e radiantes. Roem unhas e ficam perguntando a cada minuto quem mesmo dos amigos que vão estar lá, e a gente repete nome a nome como locutor da tele-sena.

Reparei que essa carga de energia é tão grande que invariavelmente as crianças,principalmente, tem sempre alguma coisinha na tal da véspera, tosse, febre, um olhinho inflamado.. mas no dia da festa tudo passa e os presentes do dia seguinte ficam imunes a qualquer probleminha de saúde.

Eu tô animada e ansiosa também, por eles. Fico pensando se tá tudo providenciado, se eles realmente estão representados na festa que escolhi, mas acredito que sim. Procurei um lugar que tivesse o que eles gostam para brincar, chamei as crianças que eles falam e convivem intensamente. Nossa família que não falha e muito carinho.

Vou de jeans pra me esbaldar ao lado dos três. Correr, pular, me divertir com a diversão que eles aguardam. Lembro do meu casamento e entendo que os momentos onde somos protagonistas na vida nos deixam numa vulnerabilidade boa, amadurecem a gente.

Por falar nisso, a chegada do aniversário também te escancara o ano todo que passou. De um dia pro outro aflora tudo o que se viveu em 364 dias anteriores a ele. Como se de repente, alguém ligasse um botão novo da tua trilha. Hoje acordei com eles me chamando, e enquanto declamava pela nona vez em meia hora os amigos que eles convidaram, fiquei perplexa ao ver como meus filhos cresceram, estão lindos, firmes, inteligentes e surpreendentemente grandes perto de mim.

Quatro anos dia 11. Acabaram-se os meus bebês. Ganho agora 3 mocinhos.

03/09/2007

chega!

Comecei o ano de 2007 decidida a mudar, mudar tudo, quebrar o passado, romper. E como mágica e aceite, os anjos à sua volta dizem amém aos seus pedidos, e cá estou eu cumprindo minha decisão.

Primeiro decidi romper com as pequenas discussões que transformam nossas vidas em grandes desastres, e a começar do meu casamento tudo se abriu e voltou à paz (às vezes o rompimento não é com pessoas mas com hábitos).

Depois virei a página profissional. Disse adeus a dez anos e dez mil reais. Que alívio... era preciso! e mais uma vez abriu-se o mar pra eu passar.

Aí, a eii! que é o fruto do rompimento anterior está quebrando recordes de tempo e de alegria de muitos, além de quebrar paradigmas tipo bellow e above, e sociedade por objetivos comuns. (Minha sócia e eu somos muito diferentes, em estilo e pensamento, mas quando se está disposto a dar certo "alguém" que não importa quem ou da onde, decide junto e tudo segue). De novo a mágica e os anjos.

Na semana passada rompi com meu Dobló, que eu adorava porque era grande, prático, diferente, além de ser o primeiro carro que levou meus filhotes pra passear, e parti pra novíssima Zafira, clássica, menos prática, mas mais confortável. E terminei um desejo que deu lugar pra outro, mostrando meus ciclos da vida.

E agora, novo rompimento. Depois de 3 anos, quase 4, lá se vão as babás que acompanharam meus pequenos. Triste eu? Definitivamente não. E nem elas e também não eles, as opiniões mais importantes nesse fim. Simplesmente acabou e já parece aos meus olhos que tudo será bem melhor.

Sentindo tudo isso acontecer e a vida continuar muito bem, acredito mesmo que temos, de vez em quando, que ter coragem de acabar, de romper, de mudar. Quebrar vícios ou até mesmo coisas que te levam pra trás, pra busca de um começo que já foi. É o tempo e o movimento. Às vezes a gente anda, mas na verdade tá parado, passa os dias só que não evolui, corre atrás do rabo.

Ah, eu tô tão aliviada com minhas mudanças que nem sinto tudo que estou precisando fazer pra construir novamente o que já era seguro. E acho que é isso que te faz adiar os finais. Medo ou preguiça de recomeçar.

Mas eu garanto, basta decidir pra perceber que o difícil era apenas a própria decisão de ser ou fazer diferente, porque na prática, depois que você parte pro abraço, é que realmente sente a alegria de ter feito o gol.

Acho que amanhã vou começar o dia quebrando o pires no café da manhã, como os gregos... será que tem alguma coisa a ver?

Fim.

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do sabor colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.