28/05/2009

sonhos

Sonhar é como prever ou rever, sem garantias.

Vai uma mistura boa e às vezes de amedrontar, passeando pela nossa memória.
Algumas vezes é tão real que a gente passa o dia depois sem saber ao certo o que se dá e que tempo estamos.

Sonhos proibidos são uma delícia, porque são só seus e com quem você quiser, onde, como e quando. Aí, ao levantar vale até uma olhadinha no espelho porque a cara denuncia.

Tem sonhos comédias, surreais, doidos de pedra.
Cheiros podem ser sentidos. Frio, calor, sustos.

Hoje eu sonhei com tensão. Nem ruim nem bom. Por conta de problemas que nem são meus mas que eu absorvi.

Acordei com discurso pronto. Vai pra prática, assim garanto o meu lado. Ai, ai.

27/05/2009

escolhas

Pra dar certo tem que se estar certo.

Deixar ontem e nem lembrar que amanhã é sexta.
Sair. Manter.

Continuar sem debater.

Por que se há debate, tem impasse.
E assim não vai. Fica e sai.

O certo é simples.
Sozinho.
Certinho.

Fácil.

Difícil, não tá certo ainda.
Tá enrolado, enroscado e a culpa é sua

Nua.

Nem dá pra esconder.
Não tem o que dizer.

Se estas certo, certo está.
E nada pode dar errado.

25/05/2009

latitude

E lá fomos nós. Passa terceira e quarta na pista expressa que andava melhor. Primeiro uma parada estratégica na escolinha. Caderninho de vivência e registros de um tempo bem pequenininho perto do tempo que já se passou na espera desse momento. Aí seguimos. De longe já se vê, alto imponente, cheirando novo. Pela rua de cima a entrada, um giro pra baixo, mais um e uma garagem grandona, sem pilastras pelo meio. Depósito com porta e tranca e um elevador bem chique. Lá no térreo a melhor vista, uma pequenucha balançando no parquinho. Feliz. De casa nova e espaço lá em baixo. Piscina de clube, salão de festas de dar inveja no Torres, academia pra CIA nenhuma botar defeito, e um nó na garganta de ver tudo ali, pronto, cheio de coqueirinhos novos e iluminados rodeados de flores coloridas. Aí a gente subiu, dois ou três andares e parou, parou só pra gente. Três tons de azul e uma escolha. O lugar da luminária e a porta de entrada. Lá fui eu de pé direito e descalço. Sabia que eu ia ver o que vi. Mais que a beleza de como tudo foi pensado e do bom gosto que ali virá, a luz. Clarinho, iluminado, ventilado, grandão. Gostoso como café na cozinha.
O melhor também foi a única cor por enquanto, e ela era rosa. Escolhida, esperada, faladeira e sorridente cor-de-rosa.
Eu saí de lá vendo a hora de voltar. Sentar nas belas cabeceiras de crochêt, emprestando uma blusa que vai estar guardadinha no seu devido lugar, vendo nossos cinco pequenos no teatro daquela casa. Linda.

Deus abençoe essa espera válida e certa. Vínculos inesquecíveis do que importa na vida. O lar.

Tinco e Nica, parabéns!

20/05/2009

desentendida

Vivia de hans? Incrível era o poder de passar pelos assuntos, pelas pessoas e seguir sem retoques. Uma palavra dada, um choro chorado, um desespero que lá se ia em segundos.

Rebolava ou andava firme dependendo do dia. Nem horóscopo lia porque tanto fazia.

Nem tava aí. E o mundo tinha que estar.

Desentendia no fundo da vida porque não há prazo pra essa validade.

E foi perdendo.
Amigos, casos, senhores, poderes.

Perdendo achando que ganhava. Pelos minutos de esperteza uma vida toda.

Que pena.
Pena o cacete!

18/05/2009

pentecostes

O fogo do Espírito Santo. Espera e vê. Pede que ele atende.
Tem força.Tem tudo.
É simples.

Mas pede com fé, e sabe.

Certo é que muitas vezes Tal Luz chega antes, pra quem tem pai e tem mãe, certamente.
E esses que te amam sabem antes de ti.

Eu nem sei o quanto sou de Deus por conta deles.
Mais que eu mesma, muito mais, eles crêem.

Envergonho-me, mas cresço a cada palavra, a cada oração.
E peço a Luz que os fez tão sábios, e bons.

E vivos.

Sou forte hoje.
E humilde.Por conta disso.
É o que basta.

Amém

14/05/2009

poeira

Era de cagar. Todo dia tinha ele que fingir não saber as intenções escondidas embaixo daquela plataforma de plástico pintado, que imitava o couro. Começava daí, da verdadeira altura que também era uma mentira. E ele, com o saco de jó que Deus lhe tinha dado, ia levando.

Que palhaçada essa mulher tinha feito? Até desconfiavam de coisa esquisita, macumba mesmo nas encruzilhadas, e tudo. Mas ele ia deixando sei não porque. Talvez de um certo modo precisava ser usado, ué, vai que tinha sido Calígula na encarnação de antes...

Ninguém se conformava porque era claro feito holofote na quadra, só que o medo, parecia, deixava o dedo do home longe do botão de desliga.

Só que eu, e a vizinhança também, fomos percebendo um olho meio de esguio, um bufar de canto de boca que ele vinha dando pra cada palavra a toa que ela soltava, e como eram muitas, o nego foi alargando, ficando igual urso saindo de hibernar.

Um dia foi a conta.

Cê pensa que ele fez estardalhaço? fez não. Levantou, sacudiu a poeira, e até hoje ela não deu a volta por cima.

12/05/2009

bem mais que o tempo

Recebi um e-mail sobre a teoria de que nos dias de hoje o tempo é mais curto do que antigamente.
Interessante pensar nisso, já que tempo pode ser considerado uma ilusão. De qualquer forma, há sentido no desequilíbrio de como as coisas funcionam hoje e de como os seres humanos não funcionam mais. Está tudo descompassado e isso é fato.

Eu sempre me perguntei qual era a lógica do tempo, apesar do pragmatismo de um relógio. Veja, a gente sempre acha que as coisas poderiam ter acontecido num tempo maior ou menor. Se falamos de ficar com nosso amor: maior, de ganhar dinheiro: menor. E não muda o tempo, independente da nossa justiça.

Também nunca tive muito tempo e nem aptdão para esperar ele passar. Vivo correndo atrasada, mas não aguento a demora da entrega de móveis pronta entrega, por exemplo.

Só sei que esse meu descompasso não era nocivo, mas hoje há algo que faz isso parecer um turbilhão.

Portanto desse e-mail eu concordo com uma coisa, há de se ter equilíbrio entre os homens e a natureza. Há de se ter tempo pra esse novo tempo preciso. Não podemos mais permitir que a cada dois dias outro amigo tenha síndrome do pânico ou tenha deixado suas casas e famílias desfeitas.

Hoje ninguém tem tempo pra analisar ou esperar passar a raiva, mas sobra tempo pra insegurança e impulsividade.

Não é o fato de ser cartesiano, apenas uma maneira de promover um ajuste, daqui, do meu pouco tempo livre pra pensar.

11/05/2009

desilusão

Declínio de crenças
Abrir de olhos
Areia finda na ampulheta

Não se trata de solidão nem tristeza
Mas de hoje
De estalido alto e sonoro

Valha-me Deus os porquês
Venha a mim

Enxergar-se e permitir-se pra amanhã
Assim, desilusão acaba pra início de uma nova caminhada

07/05/2009

do amor e da dor

É quando a gente se depara com a perna quebrada, com o tempo longo de recuperação, com as dores de nossos amores, com os horrores, os medos, é que tudo cria forma.

É aqui, nesse vale estreito que se enxerga o espaço entre o errado e o certo.

Se não fosse assim seria como?
Eu desejaria nem perguntar por isso, mas me vem a dúvida.

É do choro que o riso se cria, e eu e minha cria vamos nos sorrindo, nos permitindo porque assim se tira a obra. Obra divina que alcança os sustos, o óbvio escondido, as decisões.

É do amor e da dor o giro da roda, o andar em frente, o jogo do contente.

É do amor e da dor.
É sim.

04/05/2009

uma andorinha só não faz verão

Naquela praça ela esperava a hora das andorinhas. E elas vinham muitas, altas, voavam em partituras. Um canto. Ela de baixo olhava e sentia-se no espaço, única hora de lucidez. Arrepiava-se com o bater daquelas milhares de asas. Era um zigue-zague frenético, enlouquecedor. Vinham de vários cantos e juntavam-se frente a frente sem se bater. Enlouquecidamente virando, voltando, vindo, zuando. Uns 20 minutos todos os dias do verão. Num rasante elas desapareciam como areia descendo pelo funil. Areia escura e densa num funil estreito. E acabava. Tudo.

Naquela praça em que tantas vezes se escondia, hoje aparecia. Mas só pras andorinhas.

Pra ela, um fio de vida só recomeçaria no dia seguinte, e enquanto fosse verão.

Depois tudo se ia, e com tudo, sua capacidade de admirar e ver qualquer coisa, mesmo que fosse por 20 minutos apenas.

Ela amava as andorinhas, mas odiava a pena dos homens.

guardadinho

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do sabor colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.