24/09/2012

os sons do amor

Bem no portão de casa saía ele assoviando quando a hora já chegara. Fiuuuuuu, era um chamado longo e alto, pra que a gente não dissesse depois que não ouvira. Era meio que um relógio do tempo, escurecia um pouco e os ouvidos se preparavam, lá vem. E vinha. O assovio era uma fala, dizia: entra que agora está na hora das casas se fecharem, dos filhos lavarem as mãos e sentarem à mesa. Entra que esfriou, que quero saber se já fez a lição. Entra que tem hora pra brincar e hora pra estar bem quieto no sofá. Entra que eu mando no tempo. Entra. E a gente mal conseguia negociar, porque o assovio não explicava nada, já dizia tudo num sopro. Eu não me atreveria a deixar de ir na hora. O assovio vinha acompanhado, quase sempre, do arrastar dos chinelos e do bater do portão, e se assim fosse, correr era bom, porque a impaciência ia se juntar ao clube. Melhor que não, que o som ficasse mesmo no aconchego de quem quer os seus bem perto, em baixo das asas, ao alcance dos olhos. E a gente vinha, no máximo na segunda assoviada que nem andorinhas de volta no verão. Felizes. E quando entrava, um carinhoso tapinha na cabeça completava aquele dia. Tuc. Os sons do amor.

17/09/2012

retorno

Olho na estrada o retorno e fico em dúvida, volto ou arrisco? Talvez por lá onde eu chegar, mesmo não sendo o final, pode ser que seja o destino e ali encontre muitas coisas das quais vou gostar. Mas e se não, e se for o contrário? se chegar e perceber que nem deveria ter ido? E se não tiver ninguém pra me receber, se não tiver iluminação e a estrada ficar escura bem no meio do caminho?... mas eu tenho o que a perder? Desta vida só sabemos o que explicamos e só explicamos o que conhecemos. Meio sem graça isso. Quero mais é não saber mesmo, nem ter ideia do que vem pela frente, de onde vai dar esse seguir. Vou mais é correr riscos, ao menos assim, poderei ter histórias pra contar e o prazer de saber, enfim, que ter feito meia volta poderia ter sido melhor. Se isso for, aí retorno, pois seguramente já conheço o caminho.

06/09/2012

Prova dos 9

Em época de prova de filhos a gente estuda o que já estudou. Descobre o que aprendeu, o que nem se lembrava, entende, agora, umas e outras coisas e fica atrás dos livros e linhas como se fossem amigos antigos, querendo meio que passar assim, um ar de intimidade que na época, onde os livros eram nossos, não era lá muito sincero. Olhando por tudo e percebendo o descobrir dos meus pequenos, vejo que poucas diferenças existem num mundo tão mudado. Para aprender o novo é preciso saber do velho, dos bondes operários, dos trens maria-fumaças, das velhas "manhas" da tabuada, dos quadros de Tarsila e das crônicas de Zélia Gattai.
Mesmo com tanta informação, velocidade, internets e nets todas de hoje, não há nada que tenha mudado tanto que fizesse nos esquecer do que foi, é e sempre será bom. E assim vamos para novas páginas de um mesmo livro chamado, vida! Voilà!

três vezes três

Um ano atrás estávamos nós comemorando os 8 anos de vida desses filhotes amados. Num trisco, e cá estamos novamente a beirinha dos 9. Às vezes eu paro e penso que corre-corre esse tempo quer comigo, onde ele quer me levar, com meus três amores já tão moços?

Cada um com seu jeito, sua forma de ver as coisas, seus gostos e belezas. Três raridades.

De vez em quando, não entendo muito porque, justo eu, recebi tamanha graça. É... porque devo confessar, não sou a mais paciente das mães, do tipo que deita no chão pra brincar horas a fio. Também não me vejo defendendo meus filhos como uma leoa, como o ditado diz, porque pra mim pão, pão, queijo, queijo, caso eles estejam errados, vão precisar assumir isso. Claro que o contrário também é verdadeiro, e não admito que eles estejam certos e os outros não reconheçam, nesse caso, viro gueopardo.

Mas de tudo, nessa fase, vejo pessoinhas à minha volta, que eu amo tanto, e reconheço neles tantos eus e tantos meus, e vejo o Cesar neles, e vejo meus pais, os pais dele, e é tudo tão bacana, porque no meio de tantos nós, eles são tão eles mesmos.

Digital (e) mente eles mesmos.

E eu aprendo isso a cada nova palavra, a cada nova postura, novas descobertas, decisões, dentes crescendo grandes para aquelas boquinhas, olhos curiosos, sabidinhos, contas de divisão, cartinhas de amor, sapatos que não servem mais, gostos novos, músicas escolhidas, dribles de bola, cenas de filmes, livros lidos, braçadas na água, jogadas, desenhos e teatros, pedidos de amigos, sorrisos de canto, coragem, medo, excursões do colégio, companheirismo, briguinhas, tiaras, chuteiras. Vida que cresce.

9 anos da mais pura Graça e Saúde. Amém.






Filhos meus, Beatriz, Pedro e Julia, amo vocês do tamanho do mar.

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do sabor colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.