29/12/2011

De tudo que é bom

E na mesma toada, mudando o eixo, indo pro lado do que é bom, bem, alegria, simpatia, boa fé, esperança, coragem e tantos outros atributos do lado branco do tabuleiro, hoje é uma véspera... né, pá?

azedume

Tenho um misto de raiva e dó de quem é azedo. Mais raiva do que dó, confesso. Não gosto de jeito nenhum de ficar olhando pra cara de quem não solta um risinho e fica com aqueles olhos muchos meio um pra lá outro pra cá, querendo expressar tristeza, mas que pra mim soam como ares de prisão de ventre. Também detesto atribuir a isso, idade, compreensão, tudo que a vida lhe causou, essas baboseiras de quem prefere dar uma desculpa. Gente pra mim tem que ter sangue nas veias, pulso que ainda pulsa, expressão de tudo: ódio, amor, compaixão, alegria. Essas coisinhas que Deus quer de nós, sabe? Pior ainda é querer pagar de bondade. Pra cima de moi? ah tá...

12/12/2011

Susto

E assim, de repente, de um minuto a outro, a vida dá uma virada. A saúde, no mais fofucho dos clichés, é mesmo a nossa maior dádiva. Porque sem ela, tudo vira relativo, dá mais ou menos pra fazer, derramam receios, dores, apreensões. E não adianta falar, mas é igual e seguido de outro bom cliché, que só se sabe um filho quando se tem. Nesta sexta-feira, dia 09 o Cesar acordou, em casa, ótimo e dormiu (modo de falar com aquela tamanha dor) mal à beça num hospital, numa véspera de cirurgia que ele sequer imaginaria que iria se submeter, tão pouco eu. Num segundinho o telefone toca e te pedem pra ir urgente a um hospital ver o que está acontecendo com o seu marido. Graças a Deus a história do Cesar termina bem, quer dizer, ainda temos alguns pontos em aberto, mas a verdade é que mais uma vez fomos agraciados por descobrirmos tudo a tempo. Uma crise renal, gerada por uma dupla obstrução dos canais que levam a urina à bexiga, e um trisco pra perder as funções do rim e viver dependente de diálise. É, mole? Pois é, assim, sem mais nem menos. E sem sequer ter sentido durante 51 anos uma única cólica que pudesse explicar esse desfecho. Enfim, a proposta é que nos cuidemos, que vigiemos nosso corpo, nossa mente, nossos organismos. Que respeitemos os limites, e sobretudo que deixemos uma permissão assinada na cabeceira da nossa cama, todos os dias cedinho: ser livre, leve e feliz. A vida é mesmo e muito, feita dos pequenos momentos. Oxalá, meu gordo tenha muitos deles ainda pela frente.

25/11/2011

Do entendimento

De repente, mesmo depois de 43 anos, de um jeito que não sei explicar como, a vida foi ficando simples. As angústias se dispersaram ou simplesmente passaram a desinteressar tanto.

Não que as crises ou problemas deixam de se apresentar, uma ou outra dúvida... mas agora, pelo menos, são sólidas e importantes.

Quero dizer com isso que as perguntas típicas, as banalidades e as futilidades começaram a buscar um espaço que não existe mais, e mesmo que queiram fincar o pé, elas desgrudam do meu pensamento.

Por exemplo, eu vejo ou ouço tantas coisas desnecessárias, que antes me pareciam fundamentais ou no mínimo estorvavam minha existência. Hoje me divertem, e melhor ainda, na maioria das vezes nem se quer me levam atenção. No trabalho muitas, na vida - mais ainda.

Importante agora pra mim é, profundamente, a minha família, a minha casa, a flor que eu vou comprar de sexta, a carona que eu posso dar para uma gravidinha de 8 meses que eu nunca tinha visto antes, a sacola reciclável cheia de frutas, a saída da escola, o que dá para ter, qual o sermão do domingo, as pessoas que tem os olhos do bem, a saúde.

Discutir forma, não mais. Conteúdo, se de fato, conter algo.
Perder tempo, não. Ganhá-lo sem fazer nada, aí sim.

Eu ando desse jeito nesse final de 2011, desbravando a tranquilidade. Espontâneamente. Que veio até mim, sem que eu percebesse buscá-la ha tanto tempo.

Entendendo que não precisamos entender nada, que apenas estarmos bem, é mesmo suficiente para sermos felizes.

06/10/2011

Off


Um homem que marcou uma geração, mudou comportamentos. A partir do seu.
Uma vida iniciada de um jeito que muitos considerariam quase o fim, fez dele a necessidade de buscar novos começos.
Um cara duro, grosso, mas apaixonado e com fé.
Porque a fé é a crença em perseguição de algo melhor, e isso ele sempre quis.

Foi até onde deu, sem jogar a toalha. Quando despediu-se, fez direito, quase despercebidamente não fosse sua tamanha visibilidade, escondida ultimamente num corpo tão frágil, mas que não conseguiu destruir sua inteligência.

Tinha grandes defeitos e gigantescas qualidades, mas tinha um princípio que o fez chegar onde chegou e resolvia tudo isso.

Tinha amor. Antes, de tudo.

Mr. Jobs, rest in peace.

09/09/2011

Setembro

Setembro é um mês bom!
Bom no sentido de "do bem". Um mês com flores, não poderia ser diferente.

Eu sempre escrevo sobre setembro. Sempre falo que tudo melhora nele, que o ano se confirma, se ameniza, fica respeitoso e generoso.

Meus filhos nasceram em setembro num dia triste pro mês e pra humanidade. No dia 11 de setembro. Mas isso não mudou nem um pouco meu sentimento com esse momento do ano.

Lembro bem, dois anos antes deles nascerem, que fiquei congelada em frente a tela da TV da agência que eu trabalhava vendo um avião entrar na Torre 1, depois ver a outra em chamas e aquela imensidão vir abaixo. Eu tinha estado em NY e visitado as Torres Gêmeas. Não dava pra acreditar que, um dia, alguma coisa, abalaria aquela grandiosidade.

Dois anos depois, no mesmo dia, tava eu congelada de novo, mas por conta da maior das minhas alegrias. No dia 11 de setembro de 2003, chegaram faceiros meus trigêmeos, destinados a serem cidadãos do mundo e do bem. Tenho certeza disso.

Voltando ao presente, hoje - dia 09 é aniversário da Sofia, minha sobrinha que complementa a nossa alegria de viver nesse mês.

Acordei pensando em tudo isso e bem cedo neste 9 de festa, ouvi um sociólogo dizer que o 11 de setembro mudou a maior potência mundial, ruiu com uma série de propostas de liberdade que o ocidente propunha, mas que também trouxe um lado muito bom, o de democratizar o mundo. A necessidade de abrir as portas da igualdade de forças e sentidos. A concreta visão que ninguém é mais ou maior que ninguém.

Pra mim, fica claro que cada vez mais as potências precisam estar nas pessoas, no coração delas. Na formação dos homens de bem. Eu confio que sim.

De nossa parte, peço humildemente que no nosso micro cosmo da família, saibamos ensinar e educar essa galera pra isso. Tudo indica que teremos 4 almas boas pela frente, cuidando pra que a vida seja mais justa e digna para todos.

Parabéns hoje à Sofia pelos seus 3 anos, e no dia 11, o beijo vai aos meus queridos Beatriz, Pedro e Julia que erguerão seus 8 anos com muita amizade e amor.

Setembro, valeu!

23/08/2011

O sermão de domingo

Domingo a missa foi do padre Renato. 84 anos dedicados à palavra. Uma benção de padre, porque de homem ele deve ter lá suas cascas grossas. Mas a missa que ele reza é especialmente confortadora, esclarecedora e generosa. Domingo, padre Renato falou sobre Nossa Senhora, comemorando a festa da Assunção de Maria ao céu. Ele explicou tanta coisa que eu não sabia, e que me fez mais ainda ficar de joelhos por essa mulher forte na carne e humilde na alma. A gente fala rotineiramente sobre o sofrimento de Nossa Senhora, mas tenho pra mim que a maioria de nós não parou pra entender como foi isso. Vivemos o sofrimento da Mãe soberana como rezamos a Ave Maria, numa correnteza de frases até o "agora e na hora de nossa morte amém". Padre Renato contou que a vida de Maria foi muito doída, uma provação atrás da outra, a começar por ser a Escolhida. Imaginem-se, mulheres que me lêem, que vcs recebessem hoje a incumbência de carregar no ventre o filho de alguém, que só vc sabe e crê. Fazer seu companheiro acreditar nisso e todos os demais. Depois ter seu filho e conviver com o enfrentamento dele com o que não é justo. Imaginem hoje, seu filho de 13 anos, confrontando o líder do Senado Brasileiro - pra não irmos tão longe... Fora isso, Maria viveu todo o tempo em total solidão. José, que ela amava tanto, que era seu companheirão nessa parada, morreu cedo, largou-a por aqui com a dor da perda e à frente das responsabilidades de viver sua cruz e a cruz de Jesus. Esse por sinal, danado que era, foi peregrinar e levar a palavra, as atitudes, as razões de mudança por aí e deixou Maria à espera aflita de toda a mãe. Pense: nosso filho vai a uma festa e já não vemos a hora dele voltar ... Depois, ainda só, Maria acompanhou a olhos nus a dor de Jesus. Seu julgamento, sua crucifixação. Estava ela ali, sozinha, porque na hora H os apóstolos deram de se pirulitar com medo do mesmo destino. Mas Maria era mãe, trocaria de lugar com seu filho na maior alegria para aquela dor. Depois, oba! boa nova - Jesus ressucitou e aí Maria o viu subir aos céus. Despediu-se novamente de seu querido filho, como fazemos na morte, vendo ele sumir ali diante dos seus olhos sem saber o que viria dali em diante. Disse adeus ao seu filho, sei lá por que vez... Padre Renato disse que ninguém sabe, que não há registros históricos de quanto tempo ainda Maria permaneceu viva, sozinha, cumprindo seu tempo terreno depois da ressureição de Jesus. Ficou aqui saudosa, dolorida, só, como nós ficamos ao perdermos alguém muito querido.

No dia de sua morte porém, Maria recebeu a graça de Ascender ao céu, em corpo e alma. Padre Renato ficou dizendo pra gente imaginar a alegria que ela teve ao reencontrar Jesus e saber que finalmente não estaria só.

O aprendizado é que a fé nos mantém frente a todas as dificuldades, só ela nos mantém. E devemos reconhecer que a vida é um exílio e nosso papel é aceitar o sofrimento com luta.
Eu tirei pra mim a seguinte mensagem, precisa de algo? peça a Nossa Senhora com fé, Ela sabe sua aflição porque viveu esse sentimento. Ela vai sempre te amparar.

Linda, querida, Mãe de Deus e minha. Maria, Nossa Senhora. Te amo. Amém.

22/08/2011

dos mestres

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado


19/08/2011

Nesses tempos

Ando meio indignada, decepcionada, chateada com os tempos de hoje. As pessoas estão deixando a vida passar de qualquer jeito. Os pais têm desistido de educar os filhos. Ficam jogando essa tarefa pra escola, pra aula de equitação, de golf, de peteca, de línguas e filosofia para crianças de 3 anos, como se isso fosse mais importante pra eles ao longo da vida, do que apenas ficarem juntos, quietos, sem fazer aula de nada, mas com suas famílias e com amor...
Os profissionais não respeitam mais os seus juramentos, é um tanto faz tão catastrófico que nada mais importa, a não ser viver discutindo o indiscutível, o mais do mesmo, a punheta egocêntrica do eu entendo o mundo, e sei melhor do outro do que ele mesmo. A pergunta que faço é como se entende algo que nem se enxerga. Que os olhos nem desejam. Que o egoísmo nem permite? As pessoas passam umas em cima das outras nesses tempos, com seus narizes empinados, seus peitos inflados, seus sobrenomes de empresa ou seus cús nas mãos, por medo de perderem seus salários, ou poses. Achando-se poderosos no meio do lixo.
A lei é apenas pensar em si mesmo. É verdade que para amar o outro você deve primeiro saber amar-se, mas isso aí tem um porque, que atualmente ninguém sequer imagina. Você aprende a amar a si mesmo para conseguir entender e retribuir amor. Mas hoje o tal do eu é tão maior que o outro, ninguém tá nem aí com ninguém. Às vezes eu penso que deve ter sempre sido assim, eu acho... mas agora é tão naturalmente assim. Faltam respostas às perguntas, e então tá. Mesmo as mais singelas, como: tudo bem?- não há resposta e pronto. Displicência com a vida alheia, com o respeito ao próximo, mascarada de modernidade, novos tempos e heroísmo. De verdade ando bem cansada de aturar esses heróis. Chuto o saco deles, ou a boca, e mantenho a minha vida sem graça - de educar meus filhos, responder bom dia, dirigir-me ao outro com respeito e acreditar que as pessoas são mais importantes do que coisinhas ou coisonas. Prefiro! Falei e disse.

06/07/2011

O quereres

Querer alguma coisa é mesmo um poder. Mas querer de verdade, não apenas desejar. Porque quando se quer se transforma a água em vinho, o pouco em muito, o invisivel às claras e por aí vai. Eu agora quero duas coisas, simples mas que exigem certos recursos, e eu não tenho tais recursos pra tê-las. Mas como eu quero mesmo, não é papo, eu não tinha, agora já tenho. Em um segundo, o de piscar os olhos, meu cérebro criou um jeito. E, claro haverá alguns sacrifícios, mas o jeito está feito. Eu vou guardar os meus quereres aqui pra mim, andam por aí muitos hackers pra saber deles antes que eu os realize, mas aos amigos que me lêem, comecem a torcida. Lá vou eu, ou melhor, lá iremos nós!

28/06/2011

megafones

Desde pequena não gosto de quem aumenta o volume das coisas. Não me refiro aqui ao som, tipo da boa música que tem horas que é bom ouvir alto (mesmo assim confesso que prefiro os decibéis certos). Me refiro ao som das coisas chatas que fazem barulho primeiro e razão depois. Ultimamente percebo uma fanfarrice em volta de vários assuntos. Gente querendo provar, berrar direitos iguais pra todos os lados. Uma falação sem rumo certo sobre protestos e caras e bocas. Tem marcha de tudo quanto é jeito, que acaba, não levam a lugar nenhum. As pessoas, sobretudo as que gostam da bandeira tremulando, não sabem que pra marchar bem é preciso regras e ordem, marcações e fim. Com isso, consegue-se alguma mudança, mobilização, sei lá, mas se não, fica um monte de tudo junto e misturado que não resolve nada, só atrapalha. Outro dia um amigo escreveu sobre esse assunto e perguntou se quem fica pondo a boca no trombone, teria coragem de por a cara à tapa. Eu digo sem titubear que não. Se fosse desse jeito o mundo seria novo e a gente teria muito mais pessoas iluminadas espalhadas por aí. A sorte é que mesmo assim, há os corajosos. Gente boa, que trabalha calada, no volume certo e que faz toda a diferença no meio de tanto blá, blá, blá. O que torna o bem maioria, não os bons, como quer dizer a prezada Coca-Cola usando isso pra vender refrigerante. Preconceito meu chapa, é velho, é jeca. Jesus já dizia o quanto isso é ridículo quando ficou ao lado de Maria Madalena, a prostituta e não tava nem aí com a profissão dos apóstolos, ou sua classe social (tinha nego lá que era rico e outros que não tinham nem um gato pra pegar pelo rabo) ou com a doença dos leprosos, as escolhas sexuais dos reis de Roma e por aí vai. Homossexualismo, racismo, pobreza, e outros tantos carregam preconceito na origem da palavra porque precisam ser caracterizados, mas e daí? Ficar discutindo isso é um saco, assim como é uma baboseira forçar o entendimento de todos pra um assunto específico. É o movimento da inquisição ao contrário: engulam os gays, os casamentos modernos, os pobres do morro, os assasinos, os japas, os negões, os alemães, pô, sei lá mais quem... Essa atitude seja nas ruas, na sua casa, na TV, nas passeatas, nos posts, nos cartazes não valem de nada se a marcha não for de um só. Se o indivíduo não tiver espontâneamente o seu entendimento e a sua escolha. Porque todo ser humano é coerente - depois que eu descobri isso, tudo ficou mais fácil. Inconscientemente todo mundo sabe o porque age e reage, mas a consciência reprime. Eu tenho pra mim, e procuro praticar, que dois movimentos deveriam de fato existir. Fortes, mobilizadores, bravos, guerreiros, com regras e rumo: O da Boa Educação, solene, efusiva, cultural, curiosa, esclarecedora, provocante, atrás da consciência. E o da Solidariedade, atrás do fim da violência, do desperdício, da banalidade, das ofensas, do desrespeito, do egoísmo. Se todo mundo, junto, pusesse volume aqui, aí sim, cada decisão particular seria respeitada e teríamos pessoas e escolhas mais puras. Porque as boas almas não precisam de megafones, como se direitos iguais não fossem um fato. Meu povo, é! Todo indivíduo tem o seu direito dentro do seu coração, da sua cabeça e da sua coragem de se enxergar e de se expressar. Não precisamos de gritos para essa verdade, ao contrário, é preciso silêncio pra conseguir se ouvir e se entender. E de uma única vez aceitarmos que o direito que recebemos quando nascemos não tem como ser de outro, não tem como ser tirado de você. Mesmo que sua história seja uma luta diária, de sobrevivência e vida. Meu desejo é menos barulho pra nós.

25/06/2011

em busca da felicidade.

E pelos dias eu sigo, me olhando em espelhos hora ainda como a menina que me acompanha, mas na maior parte do tempo como a mulher que me tornei. Tem coisas que mudam a gente, que nos obrigam lembrar que, mesmo quando tudo está bem, a tristeza serve pra te emocionar e fazer você seguir pelo caminho novo. O tempo vai te trazendo tristezas pra te ajudar nisso, na escolha certeira do lugar que você precisa estar pra encontrar alegria. Cheguei mesmo numa conclusão que, cada vez menos, questiono se é justa - junto da tristeza se escreve um caminho feliz. Entendo, agora, os mestres da escrita, tão solitários, agoniados em seus poemas, espremidos em suas rimas e textos. E que bela felicidade devem ter encontrado. Então, parei de discutir com a criança. Hoje aprendo com ela e deixo-a vir, mas faço também ela ir. Ir além dos meus simples desejos de canções de roda. Ando em par com um amadurecimento voluntário, que decidiu tomar posse do meu rosto pela saudade doída, pelas decepções de cá e lá, pelas sombras de minha alma adulta, e só assim consigo fazer construir o que de verdade tem me permitido enxergar alegrias. Choro o sofrimento do tempo, que sabe fazer-me feliz.

21/06/2011

Pai, começa o começo!

Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para o meu pai e pedia: - "pai, começa o começo!. O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para minhas pequenas mãos. Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim. Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele tinha feito.

Meu pai faleceu há muito tempo e há anos, muitos aliás, não sou mais criança. Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, "começar o começo" de tantas cascas duras que encontro pelo caminho. Hoje, minhas tangerinas são outras. Preciso descascar as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria na imensa arte de criar filhos realizados e felizes, ou então, o enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios.

Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis...

Lembro-me, então, que a segurança de ser atendido pelo meu pai quando lhe pedia para "começar o começo" era o que me dava a certeza que conseguiria chegar até o último pedacinho da casca e saborear a fruta. O carinho e a atenção que eu recebia do meu pai me levaram a pedir ajuda a Deus, meu Pai do Céu, que nunca morre e sempre está ao meu lado. Meu pai terreno me ensinou que Deus é eterno e que seu amor é garantia das nossas vitórias.

Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a Deus:

"Pai, começa o começo!".

Ele não só "começará o começo", mas resolverá toda a situação pra você.
Não sei que tipo de dificuldade eu e você estamos enfrentando ou encontraremos pela frente. Sei apenas que vou me garantir no amor eterno de Deus para pedir, sempre que for preciso: "Pai, começa o começo!"

(Autor desconhecido)

De um amigo do César, pra ele.

17/05/2011

querida Cecilia, obrigada!

Cântico I
de Cecília Meireles

Não queiras ter Pátria.
Não dividas a terra.
Não dividas o céu.
Não arranques pedaços ao mar.
Não queiras ter.
Nasce bem alto.
Que as coisas todas são tuas.
Que alcançará todos os horizontes.
Que o teu olhar, estando em toda parte
Te ponhas em tudo,
Como Deus.

06/05/2011

Dona Ivani, que é minha. Mãe.

Se te olho me vejo em imagem e também num pouco de jeito. Falo igual, penso diferente e minha esperança é conseguir chegar perto da tua sabedoria. Um dia, talvez...

Enche meu peito de alegria e segurança, saber que você tá do outro lado da rua, na hora que eu preciso, no portão da minha casa, no camarim da peça que é a minha vida.

Que me alerta, apoia como todo o sempre, e ainda aperta os meus pés sem que eu te peça, depois de um dia cheio (pra nós duas...)

Me encanta a tua curiosidade, a tua falta de preguiça, a tua cultura disciplinada, estudada e que corre pelos assuntos de forma tão humilde, buscando entendê-los a cada instante.

Acalma a minha alma ter o teu ouvido e a tua espera, as horas certas do teu relógio de tempo e passar pelo teu portal escancarado e lotado de experiências importantes, felizes e infelizes, e igualmente superadas pela próxima.

E gosto também das tuas bravezas, que terminam em bravura. Sei o quanto me fez bem sentí-las, mesmo quando mostraram-me, ou mostram-me o peso das palavras e da correção.

Eu vou aqui, minúscula do teu lado, pequeniníssima perto da tua fé em mim mesma, incrédula às vezes de tanta confiança. Mas vou, por isso, em frente. Num orgulho só, mirando teus olhos, atenta ao teu sorriso, que suportam as minhas decisões e guiam os meus passos.

Mã, eu te acho genial, sem confetes, sem rodeios.
Te agradeço por me dar o mundo ao teu lado.

O Dia das Mães é bacana pra mim por tua causa, Dona Ivani!

Com todo meu amor, obrigada!

05/05/2011

simples

A vida fica mais bacana quando você está cercado pela natureza.

28/04/2011

Eu concordo e gostaria de já saber como...

Extraído do livro O Ócio Criativo, de Domenico de Masi

Domenico De Masi: O que você pode esperar do futuro, na vida, na carreira e no mundo ?

Para os próximos 20 anos, vislumbro dez tendências relacionadas ao trabalho e à vida. Por que dez? Porque precisamos de modelos. E que modelo melhor que Deus e seus dez mandamentos?

1. Longevidade: A Aids, o analfabetismo e boa parte dos tipos de câncer serão debelados. A inseminação artificial estará na ordem do dia. O dióxido de carbono na atmosfera será mínimo. Os cegos verão através de aparelhos. Transplantes de órgãos, naturais e artificiais, permitirão viver mais. Passaremos dos 100 anos, e com boa saúde.

2. Tecnologia: Um único chip será mais potente do que todos os computadores juntos do Vale do Silício de hoje, terá o mesmo tamanho que um neurônio e custará 1 centavo. Todo o trabalho intelectual repetitivo será executado por máquinas, como ocorreu com o trabalho manual neste século.

3. Trabalho e formação: Será cada vez mais difícil fazer uma distinção precisa entre trabalho, estudo e tempo livre. A educação, intensa e permanente, ocupará boa parte da vida. Os horários perderão importância. O que contará no trabalho serão os resultados, não o tempo para fazê-los. A remuneração será calculada de acordo com o valor agregado e as metas atingidas. Haverá, decerto, um novo pacto social para redistribuir a riqueza, o trabalho, o conhecimento e o poder. Uma guerra sem cartel será travada entre a criatividade e a burocracia. Ninguém vai fazer trabalho braçal por mais de cinco anos. Donas de casa e estudantes devem ser remunerados, assim como os desempregados. Trabalhos voluntários e obras sociais estarão por toda parte.

4. Onipresença: Estaremos em contato com qualquer um, em qualquer lugar, por celular e Internet. À distância, aprenderemos, trabalharemos, amaremos e nos divertiremos. Corremos o risco de nos tornarmos virtuais demais, por falta de contato direto com outras pessoas. O sedentarismo desse modo de vida pode nos tornar obesos. Mas a cirurgia plástica resolverá isso – modificaremos o corpo e a fisionomia a bel-prazer. Graças a novos remédios, controlaremos ou melhoraremos nossos sentimentos.

5. Tempo livre: A maior longevidade e o apoio da tecnologia aumentarão as horas de ócio. Ironicamente, o problema do próximo século será como ocupar o tempo livre de forma a evitar o tédio. Cresceremos intelectualmente? Tenderemos à criatividade ou à dispersão? Prevalecerá a violência ou a harmonia? São perguntas ainda sem resposta. O que se pode afirmar é que teremos de nos preparar para ocupar o tempo livre da mesma forma que nos preparamos hoje para trabalhar.

6. Androginia: As mulheres estarão no centro da sociedade. Valores considerados femininos (emotividade, subjetividade, flexibilidade) serão incorporados pelos homens. No estilo de vida, prevalecerá a androginia.

7. Estética: Como a perfeição técnica deve ser um requisito, o que vai fazer a diferença são as qualidades formais. Ou seja, forma vai ser tão ou mais importante que conteúdo. Daí as atividades estéticas virem a ser valorizadíssimas – assim como ocorre hoje com as científicas.

8. Ética: Numa sociedade voltada à prestação de serviços, a fidelidade do cliente será a maior vantagem competitiva. A ética de um profissional será seu mais alto patrimônio. Apenas os homens de caráter vencerão nesse mundo. Da mesma forma que a sociedade industrial é relativamente menos violenta do que foi a medieval, a sociedade pós-industrial será menos violenta do que a industrial.

9. Subjetividade: Mais do que hoje, o que diferenciará profissionalmente uma pessoa da outra serão seus gostos e seu comportamento. As pessoas devem fazer só as coisas pelas quais se apaixonem e só trabalharão em áreas que as motivem. A motivação será um fator muito competitivo.

10. Qualidade de vida: As pessoas não aceitarão trabalhos que as impeçam de viver bem. Uma vez que viver mais será fato consumado, a preocupação será como viver e não o quanto viver. Estarão em alta a disponibilidade de tempo, de espaço, de autonomia, de silêncio, de segurança e de convivência.

Fonte de consulta: www.ronaud.com/empreendedorismo/livro-o-ocio-criativo-domenico-de-masi/

25/04/2011

entrelinhas

Admiro as pessoas que navegam pelas entrelinhas.

Que não precisam de explicações diretas. Que retiram palavras ou as colocam, dando sentido ao sentimento.

Aqueles que percebem um olhar, um gesto, uma situação e que por ela interferem, sem precisar serem notados.

Ou ainda fazem-se notar para que o que não se resolve, passe a ter um destino.

Tão boa ajuda a da sutileza. Tão rica a habilidade de perceber mais do que o óbvio.

São poucos os que possuem tal requinte, viram mestres, boas almas e certamente, incompreendidos.

Melhor assim.

20/04/2011

...

"Segue teu destino, rega tuas plantas, ama as tuas rosas. O resto é sombra de árvores alheias".
(Fernando Pessoa)

semente

É à vontade que se passeia pela infância. De pé descalço, saia rodada, calça curta. Cara suja e lambusada também vale, uma bagunça no quarto, lousa cheia de pó de giz e muito rabisco. Bronca de mãe é um presente igual aprender a "entrar" no pular corda. Lição de casa faz parte, e uma briga com o melhor amigo também, mas depois as pazes. É assim, de pernas para o ar e cambalhota, girando, girando no currupio, até tudo rodar ao contrário, é que a gente cresce sem erro e sem medo, sabendo lidar com os desajustes que a vida, vista aqui do alto dos olhos adultos, teima em trazer.

05/04/2011

pensando sobre educação

Dos mestres

"Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes"

origem: A Alegria de Ensinar de Rubem Alves – http://pt.shvoong.com/books/1924034-alegria-ensinar-rubem-alves/#ixzz1Ifj4xeT5

24/03/2011

de olho no lance



Orai e Vigiai. Jesus mesmo já deu a letra. Não adianta só pedir, viver sendo bonzinho sem tirar a bunda da cadeira. É preciso ação em conjunto. A oração fortalece o espírito para que ele saiba e consiga fazer o corpo agir, é assim que, pra mim, significam as palavras do nosso amigão. Então, indo na dele, e em tudo que aprendi pelo exemplo dos meus pais e também do César, começo a exercitar com as crianças essa sabedoria.

Todas as noites e dias, eu peço a Na. Sa. proteção ao Pedro, Bia e Juju. Coloco eles no colo dela e deixo que sigam, porque apesar da minha cara lavada, no fundo eu tenho um monte de medos de que algo aconteça. Eu detesto excursões, não curto eles dormirem fora de casa, gosto que brinquem por perto dos meus olhos, em viagem prefiro todo mundo junto. Essas coisas de mesmo balaio, sabe? Mas apesar disso, eu deixo, e penso que sei gerenciar esses meus limites, e lá se vão eles para o mundo.

Agora com sete para oito anos que farão em setembro, na segunda série (antiga primeira) a escola começa a ter um papel bem diferente, onde se aprende a teoria e se ensina a prática, onde o convívio com a disciplina e o coletivo é prioridade. Onde se enxerga a olhos nus, as consequências de uma atitude boa, ou ruim. Onde é preciso se defender, se expor, se recolher, onde começa a ser exercitado o bom senso.

Eu tô de olho no bom senso dos meus filhos. Quero entender e contribuir pra que eles saibam bem seus lugares, o respeito, as regras, e que esses pontos sejam deles para os outros e muito bem também, vice-versa.

É bom senso identificar a hora certa de ser firme.

E o meu "to de olho" traz as palavras que começaram esse post. Eu oro, mas vigio. É o meu bom senso.

Hoje deixei eles no colégio, como todos os dias. Eles desceram as escadas, viraram, fizeram tchau, como todos os dias. Mas aí, ao invés de eu ir embora como todos os dias, esperei um pouco e desci atrás, escondida, na encosta, na miúda. Fui olhar o que rolava por ali, no páteo, na classe antes do sinal bater.

As minhas meninas, Bia e Julia, de rabo de cavalo alto (essa é a moda lá em casa) porque hoje é dia de Ed. Física, mostravam às amigas os desenhos do caderno, separadas, mas sempre por perto uma da outra. Depois correram com a corda para fora da sala, num desejo de aproveitar o tiquinho de tempo na brincadeira de pular rasteiro (uma segura e gira a corda no chão, e as outras pulam sem poder pisar quando ela passa).

O Pedro eu não achava. Procurei futebol, que certamente era onde ele estaria, mas a essa hora da manhã o Bedel disse que não tem. Então procurei qualquer bola, qualquer jogo, qualquer esporte, e aí vi no páteo do lado, a mesa de ping-pong, han, e claro lá estava ele, junto dos maiores, esperando sua vez, mas sem timidez. Percebi que meu moleque se vira bem. Fiquei de longe olhando, e na vez dele jogar, o bicho tirou o maior (pelo que entendi a regra é errou saiu, porque tem muita galera pra jogar de uma só vez). Juro, sem corujice materna, o Pedro mandou o da 4a série pra fila, e depois o outro e o outro e o outro até o sinal tocar. Ele tem mesmo a manha do esporte, qualquer um, aptdão que puxou do pai.

Depois do sinal, corri pra eles não me verem por ali espionando, mas não deu. Me pegaram com a boca na botija. Meio sem graça mas firme eu respondi a tripla pergunta sobre o que eu fazia ali.

Vim olhar o que vocês fazem por aqui.
Porque vc não falou que ia olhar?
Porque eu queria ver se vocês ficam bem, e se comportam.
E a gente fica?
Fica! e eu tô orgulhosa por agora.
Só por agora?
Ué, só... toda vez que eu ver vocês se comportando e sabendo mostrar que são bacanas para os outros, eu vou sempre ficar orgulhosa.
Ah, tá. Então vc tem que vir mais vezes ver a gente mã.
Eu sempre tô de olho, é que vocês não sabem. E vou sempre estar.
Até quando a gente crescer?
Até.
Até quando a gente casar?
Até.
Nooosssa....

E assim, me despedi com um beijo estalado e sai de lá rezando em agradecimento.

22/03/2011

Cacos

Fico olhando as pessoas, reparando nelas. Vendo seus gestos, suas maneiras de responderem aos outros, entendendo as ordens que lhe foram dadas ao longo da vida e como são cumpridas, ou não. Percebendo suas culpas, seus limites, seus largos espaços, invasivos ou ainda suas recusas e receios. Faço isso pra buscar meus próprios reconhecimentos, os bons e maus hábitos, o que gosto e não gosto naquilo que sou. É um bom exercício. Destas observações tenho retirado um saldo interessante, que segue demonstrado pela minha forma de agir, rara, num grau de boa educação que recebi e assimilei. O bom senso, que na maioria das pessoas não existe. E bom senso é coisa séria, porque não escolhe raça, grana, idade... O bom senso serve na verdade pra saber o lugar de cada um em prol da ordem, vale para respeitar os outros e também fazer-se respeitado, pois também é bom senso demonstrar que não se concorda com as suposições baratas ou a falta de argumentos. É o princípio do reconhecer que limites não são amarras e se assim for, tudo que vai, vem. Essa observação vale em qualquer situação que seja, como se quebrássemos a vida e nossa rotina em pequenininhos pedaços de dias, e deles, pedacinhos de momentos. Bom senso em cada um deles. Falta isso por aí, tá duro encontrar os cacos.

17/03/2011

dos mestres, para esses tempos ...

O Fim do Mundo

Cecília Meireles


A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.

Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.

Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.

Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste - mas que importância tem a tristeza das crianças?

Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.

Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.

O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos - além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.

Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.

Em muitos pontos da terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus - dono de todos os mundos - que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos - segundo leio - que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.

Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos - insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.

Ainda há uns dias a reflexão e o arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...

14/03/2011

Sousa Lima


A morte anda me rondando ultimamente. Bruuu, que sinistra afirmação... Sabe que não?

Tenho entendido a morte, e entendido com ela também os seus "antes" e os seus "depois". Claro tem ficado pra mim, que nós escolhemos a forma, e as dores ou as não dores, e Deus apenas ampara essas escolhas.

Sábado passado perdi seu Luis, um companheiro, um querido que me acolheu quando me deu seu filho mais parecido com ele, um anjo que sempre esteve perto pra ajudar a gente. A gente e "tantas gentes" que descobrimos ou foram descobertas por ele para serem melhores. Meu sogro.

Quase um ano depois do papai lá se vai nova estrela pro céu. Rápido, em uma semana, de uma queda e pronto.

Um homem demais organizado, um ser humano que soube dar, dividir, que não tinha medo de ficar sem. Um exemplo em vida e confuso quanto a morte. Meio temeroso, meio sabedor, mas que confiou mesmo assim.

E mesmo enquanto dói ainda o conhecimento do que virá em forma de saudade, o conforto só fortalece. Porque eu sei, e acredito plenamente, que sua escolha foi mesmo amparada, pois começava a seguir para um sofrimento que ele achava que merecia, só que Deus sabia que não.

Então lá se foi seu Luis, seguir, ir adiante, caminhar. Agora rápido, andando sem o rastejar daquele início da morte causado há 20 anos, provando mais uma vez que o tempo é mesmo um piscar de olhos. Lá se foi Seu Luis em direção da paz.

Dele levo o sorriso disponível, peço o seu desapego material e dou minha fé. Certa de que agora, em estrelas vizinhas, terei dois pais zelando pela minha sorte.

03/03/2011

divã

Não que o desequilíbrio seja ruim de tudo, um certo grito engasgado, um porre algumas vezezinhas, um esquecimento que gera um trabalho doido depois, uma esnobada com o cabelo enfim, valem a pena também.

O problema hoje é que o desequilíbrio está muito equilibrado.

As pessoas estão loucas regularmente, todo dia, toda hora, a todo instante. E ainda, tranquilas nas suas loucuras. Equilibradíssimas com elas.

É mesmo certo que sempre existiu um sacristão ou outro, pinel, que matou o pai e a mãe, fez vítimas em série, bebeu ácido... sempre teve, mas atualmente ninguém liga muito pra isso, entende? virou outro caso, não o caso. As pessoas estão sórdidas, sendo ensinadas a gostarem de quem não tem caráter. Crianças são levadas nas escolas ou em casa, a pensarem que as suas mentiras são eternas, e por isso tornam-se verdades.

Há um desrespeito gigante pelas pequenas coisas. Pelo bom dia, pelo obrigada, pela resposta a uma pergunta, pelo adeus. Ninguém mais diz adeus, somem apenas.

E em torno disso tudo, pra piorar de vez, o equilíbrio do desequilíbrio faz com que tudo fique certinho pra isso, todo mundo conformado, amedrontado em seus empregos, em suas casas, em suas bonitas ou feias verdades.

A régua de hoje mede o mais difícil e destrói o fácil. Por medo de negar ao chefe eu minto sobre você, por alegria de estar no topo eu esqueço de quem tá no chão, por vaidade (que pode subir pra primeira linha) eu simplesmente crio novos padrões de educação.

Outro dia falei um pouco sobre isso com minha analista que cobra a consulta mais barata que eu conheço - um almoço divertido com mais leite que café, e a gente concluiu que a única saída é cada um cuidar de si, estabelecer os laços do que importa para que o todo, possa ser beneficiado. É, só assim mesmo. Só cada um buscando nos seus baús as peças boas, que foram usadas e fizeram sucesso lá atrás, e daí adaptá-las, costurá-las para serem usadas hoje. Mesmo que isso te custe muita grana no analista mesmo.

22/02/2011

Discernimento

Se tem algo mais valioso ninguém me disse ainda. Saber entender, perceber. Separar o joio do trigo, esperar. Conseguir levar ao outro um valor, uma pergunta simples, mas decisiva. Viver sem impulsos e impulsionado pela sabedoria, pela soberania de estar em paz.

Peço a graça para conseguir, todos os dias, ir atrás desse tesouro.

16/02/2011

finquei o pé


Luzinhas, são corações!
Cada casa iluminada
tem dentro almas, ilusões
de adultos e criançada.

O tempo e o vento


Andei sem tempo de tanto tempo que tive.

Tive tempo de deixar pra trás um tempo que não volta mais.

Em tão pouco e tão muito espaço de tempo, perdi alguém que o meu tempo nunca irá esquecer, e ainda sem entender um tempo cruel, reconheço que era o tempo certo.

Nesse tanto tempo ainda, tive tempo de me encontrar. E encontrar belas respostas que há tanto tempo procurava. A casa, a maior procura de todos os tempos. A ocupação, a companhia, a razão, a tristeza e a alegria, que não têm um tempo, têm pra si os seus próprios tempos.

Demorou um bom tempo, mas eu entendi.
Hoje eu vou no tempo que posso, e deixo o vento soprar no meu rosto.

Ganho assim todo o tempo do mundo.
Tempo e vento de vida. Até o tempo que for preciso.

31/01/2011

um presente que ganhei

Bom abrir os laços vermelhos que abraçam a grande caixa do viver. Tirar a tampa e encontrar ali novas alegrias, trocas de impressões e sentimentos de gente do bem, de gente muito gente. De uns dias pra cá, a sorte me deu de presente uma amiga nova, de muitos anos, afirmando que o tempo decide-se por si só. Alguém que sempre me lembro de braços dados com sua mãe, caminhando simplesmente as duas, contemplativas da vida. Alguém que fechando os olhos posso ouvir aquela voz linda, leve, afinada pelos anjos, que muitas vezes me elevou o espírito em seu canto solo, meio solitário e meio do mundo, do qual tive o privilégio de conviver. Alguém que, com uma surpresa maior, talvez sem saber, tirou de dentro da caixa outro presente, tão oportuno, que compartilho agora recebendo no exato momento em que me procuro da forma como Rubem Alves divinamente soube registrar. Alguém que se chama Tereza. Alguém que se chama Maria. Alguém a quem agradeço por isso, e por todo seu carinho.

"O tempo e as jabuticabas

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.(...)

(...) Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão-somente andar ao lado do que é justo.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena." (Rubem Alves)

07/01/2011

Juju desenha e encanta

em 2011

Exercitarei a gentileza. Vou criar um padrão de atitude em volta do bem.
Aproveito o motivo de uma grande notícia logo no começo desse ano que, parece, será bondoso.
O desafio é mostrar-se bem, pra todos, em frente de tudo, e fazer assim não só na mostra aparente, mas na amostra entregue em cada caminho que escolher.
Espero não derrubar os dominós da santa paz num esbarrãozinho de leve.
Vou contando se é verdade a tal da lei "ação e reação" vista assim, dessa maneira, do outro lado da força.

guardadinho

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do sabor colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.