31/12/2009

mas que vai vai, mas que vai vem

O gordo César é engraçado. Hoje 09h58 ele olhou pra mim e falou sobre um tal de empurrãozinho pra 2010. Não vou contar aqui detalhes porque o empurrãozinho é coisa nossa, o empurrãzinho é coisa nossa... ahahahah, mas demos tanta risada com isso. Eita gostosura!

hoje é festa lá no meu ap

Final de ano em casa é sempre muito festejado. Das festas de empresas, Natal em Araça, aniversário do papai dia 30, até hoje - 31 de dezembro na virada, e amanhã no big almoço do primeiro dia do ano.
Eu to na maior expectativa para 2010. Virada de milênio, ano de colher. Eu começo de perna firme, sem quebra dessa vez, nada de muletas, tudo como tem que ser. Decidida a ser mais enérgica, mais firme, mais cara de pau e mais magra também.
Hoje eu to me sentindo esperançosa, diferente dos outros anos, vedadeiramente deixando pra trás um ano difícil, de braçadas longas e folêgo no limite. Mas foi-se, xô, acabou. Agradeço por ele ter me ensinado, mas deixo tudo partir sem saudade dessa vez. Já to com o pé no novo, pronta pra festejar, dançar, cantar. Remexer, sacolejar, gargalhar, brindar, cantar. É festa meu povo, é festa! Amém.

28/12/2009

com sono, mas...

Escrever de madrugada é um vício. Talvez o único tempo. Mas que é bom é, o silêncio pleno e só as teclas tec, tec. Nadal tá aqui dentro até agora, deitadinho em cima do meu pé de saudade. Os pequenos acamparam num quarto só, férias... César ta decansando ha um bom tempo, o meu amor. E eu aqui, escrevo, olho pra minha árvore de Natal que ficou bonita que só esse ano, e ela pisca, pisca. A luz só a de cima da mesa do computador, esse chato e grande amigo. Tá chovendo e escuto os pingos saindo das nuvens na mudez da Granja Viana. Aqui em casa. Depois do Natal quente de Araça e de tanta coisa boa que por lá fizemos. Tô de volta. Gostoso. Falei já com mama umas 3vezes. Domingo que é segunda, e nela eu não vou trabalhar. Fico assim, esperando o dia pra chegar a noite e se der, eu correr aqui.

17/12/2009

novena

Lá em casa esse ano estreamos nossa novena de Natal. Sempre convivi com elas, porque mamãe sempre valorizou tais momentos e tais doações ao espírito e não só nessa época, mas em casa com minha família - de 7, somando nós 5, Neninha e Nadal, rezamos por todos. Agradecemos e também pedimos sem vergonha nenhuma. Todo mundo foi lembrado, cuidadosamente citado nas doces boquinhas das crianças, que recordam de pessoas que vimos uma única vez até. Pedimos proteção, saúde, dinheiro e desejos realizados, os nossos e os que sabemos que são de alguns. Agradecemos por estarmos podendo pedir. As crianças foram um espetáculo a parte, tão respeitosas e curiosas, engraçadas, rezando em seus tercinhos de contas feitas de pequenos pézinhos, a Ave Maria tão direito. Tinha graça, teve Graça. Bia achou no primeiro dia que seria bom se filmássemos aquele evento, Julia ajoelhava e fechava os olhinhos de mãos postas, abrindo a cada segundo pra ver se eu mantinha os meus fechados, Pedro misturava o som do Pai Nosso com barulhos de monstros espaciais descendo na terra naquela voz rouca e baixinha que fazia. Nos unimos, demos as mãos, ajoelhamos e cumprimos uma obrigação com Deus que terminou essa manhã, as 7h, com uma sensação tão boa e uma promessa de manter esses encontros por mais vezes ao longo do ano. Sem cobrança, mas sem esquecer o que de verdade vale na vida.

Obrigada meu Deus, por tudo e mais um pouco! Amém.

salve! salve!

Na euforia de pular o abismo corri pra trás. Todo mundo achou que foi um erro, mas eu sabia que era um impulso pra chegar do outro lado.

10/12/2009

decidiu?

Sabe de uma coisa? gosto mesmo é de ficar assim. Metade sorriso, metade indeciso. Porque se é inteiro uma delas só, haveria de ser chato a beça. Pense a agonia profunda não ter escolha. Eu que escolho roupas com dificuldade e prazer, morreria se não pudesse escolher igual a vida. Hoje por exemplo, saio de branco.

07/12/2009

por onde vou

Eu ando por aqui mesmo. Aguardando mais esse final de ano, no balanço da época. Pensando sim, pensando não, agradecida pelos meus, na expectativa de sempre.

Analisando de perto tudo o que tenho, mais o que quero, e o que nem sei, o resultado da equação é sempre o mesmo, só falta mais grana. Não que falte a ponto de sair pedindo, quase... mas a ponto de não ser o que eu desejo. Talvez o que esteja errado são os desejos, quem sabe?

Mas se o resultado dessa conta no final é negativo só na grana, e é, paro pra dizer que assim seja.

O que celebro é que esse ano os pequenos filhotes foram amadurecendo ao meu lado. Mais contato, sem dúvida, a gente manteve com nossas rotinas. Eu em casa mais cedo, eles na agência, finais de semana curtidos de ponta a ponta, programas, passeios e brincadeiras valiosas. Esse ano foi o ano de ter cachorro, de ver passarinhos, de ir pra Suiça, de viver a formatura escolar, de correr atrás da recuperação da minha perna.

Ano de provação e provocação, e eu caguei pra ambas.

Por causa da grana, faltou trocar o sofá. Mas em compensação não lembro do que não se resolveu que precisava ter seguido.

Sairam as almas, os pesos, a saúde voltou, a força foi retomada. Nessa altura do campeonato você procura o fôlego, mas ele logo aparece quando você olha em casa, e aí ve feliz papai, mamãe, 1 ano de Sofia, trio de sobrinhos e seus rumos, irmãos por perto, e dando certo. Marido, que é o mesmo. Minhas ajudantes, meus ritos, meus amados amigos. Sorte por ser assim.

Então o saldo é azul, apesar do vermelho. E eu digo amém, porque tenho o ano que vem todinho pra buscar o que faltou. E lá vou eu.

12/11/2009

Swiss - 41 - parte 2

Enquanto Vevey, Montreux e Lausanne são o Rio de Janeiro, Genebra é sem dúvida São Paulo pra gente. Cidade grande, teatros, feiras como a do automóvel, grandes óperas, pessoas de negócios andando pelas ruas elegantemente apressadas. Apesar de maior mistura ainda não achei diferencas gritantes entre as pessoas e suas classes sociais. Existe em Genebra sim quem tem mais e quem tem menos, mas menos aqui nao deixa de ser um mais pra gente. Todo mundo por aqui fala no mínimo tres idiomas. É o mestre de obras que ta decorando as ruas pro natal, falo dele sim. Dos garcons, recepcionistas, policiais, caixas de farmácia... por aqui frances, ingles e espanhol são básicos. Todo o jovem tem tenis puma, camisa armani e óculos gucci, todos. Então o que se precisa é do que a gente aí na América tem a rodo: diversão.

Por aqui entendi o que é um pais de primeiro mundo, e portanto fiquei puta da cara com o Brasil, apesar de ama-lo sobretudo. Mas olha só, um pais pequeno feito esse, aproveita cada centimetro de terra, preserva sua cultura a ferro e fogo, ensina seus poucos jovens a manter as origens, respeita seu povo, permite que os estudantes andem por todo o lado sem pagar um centavo de nada, alegra-se com o turismo, apesar da falta de sorrisos, porque assim que vc chega é recebido com um passaporte para andar de graca por todo lugar e receber 50% de desconto em qq local que voce visitar.

Um país que tem pouco, por isso solicita que voce não desperdice, que seja gentil com o outro e não toque nos alimentos expostos, que tem uma rede ferroviária confortável, inteligente. Que mantem regras boas e saudáveis em prol do coletivo. Que em cada pedacinho de verde cuida de um parquinho pra suas criancas de forma tão doce. Que le, le e le em onibus, trens, ruas.

Aí eu fico pensando, já pensou se o Brasil tivesse só uma dessas coisas citadas acima, uma só... não ia ter pra ninguém meus amores, pra ninguém. Mas cada qual com seu igual, e por aí eu penso que pelos sorrisos, diversão e ie, ie ie, os Suicos correm ao Brasil quando precisarem, e nós Deus amado, seguimos vivendo de amor.

E por assim, volto correndo aos bracos do meu Brasil judiadinho, porque lá deixei meus tesouros, meus filhos, família, amigos, os meus. Volto saudosa mas desejando que com essa minha viagem eu consiga contribuir um pouco mais com o que pode melhorar pra gente, afinal vou feliz por tudo que já disse, mas desejosa de encontrar pelo menos um pouco mais de limpeza, de ajuda coletiva, de respeito pela pátria nas atitudes, e não apenas no discurso que nos é tão fácil.

Que bom seria.

Au Revoir Switzerland, merci. Merci beaucoup.

11/11/2009

Swiss - 41 - parte um

De malas prontas pra Suiça, às vésperas dos 41 anos, sentada na sala vip da Air France pensei comigo como a vida é feita de suposições. Por ali, parecendo magnata, estávamos nós, Cesar e eu aproveitando milhagens depois de um ano bastante apertado de grana. Olhei em volta e fiquei imaginando se por ali passava alguém do mesmo jeito e percebi que muito provavelmente sim, afinal a maioria tinha cara de viagem de negócios, sobrenomes de suas empresas. De um jeito ou outro, eu também era uma boa suposição, e dessa forma todos mantivemos nossos segredos.

Saí do Brasil sem muita grana, com o nó na garganta por deixar os pequenos, na crise pré aniversário, mas contudo decidida a fazer dar tudo certo. E quando se decide, bingo, está feito.

A sala vip durou até que o embarque foi anunciado. De um lado lá se foi o gordo pra business degustar de entrada foie grass e champagne, e de outro eu e o povo da arquibancada AIR FRANCE de amendoim e coca. Explico: Cesar que viajou a trabalho tem direito a certas regalias que eu pobre mortal não tive, mas não fiquem com raiva dele não, o combinado é na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na business e na econômica. A volta lhe está reservada.

Mas vejam bem a decisão, fui em paz, feliz, sem xingar as gerações de Santos Dumont, e portanto lá na econômica sentei em frente a um amigo do Brasil, e ao lado de ninguém, ou seja, fiquei no papo até decidir dormir literalmente de pernas pra cima.

Viagem excelente, sem turbulências. 11h que de fato voaram pra mim.

Chegamos na França. Aeroporto Charles de Gaule, mega, plega, trega. Gigante. Por ali apenas 3h pra conexão, mas não pude deixar de colocar meus pés do lado de fora. Lá fui eu em homenagem ao bicho Ana. Pisei na França e voltei correndo pro aeroporto por conta do frio de 2 graus que fazia por lá.

Saldo do que vi:
Aeroporto: beleza 8,5 / limpeza 5,75 / infra 9,9
Povo: beleza 7,0 / simpatia dos franceses 3,25
Idioma: 10 (lindo, lindo, lindo)

Da França, 1h de avião até Genebra. Chegamos na Suiça e comecei a entender qual o verdadeiro significado de "funcionar".

Na Suiça tudo funciona, de torneiras a portas giratórias. Absolutamente tudo funciona. Desembarcamos em Genebra e por lá sequer existe alfândega. Pra quê alfandega se em todos os lugares que vc estiver, passar ou imaginar, o suiço sabe que por lá vc esteve. A ordem da Suiça impressiona. Tudo está certo por aqui. As ruas estreitas vão e vem corretamente, há lugar de carros onde vão os carros... de pedestres, onde incrivelmente andam os pedestres, de bicicletas, onde não se ve outra coisa a não ser bicicletas, dos ônibus (que pra mim são atração a parte) onde andam os ônibus solenes, dos cadeirantes - visto que por aqui há muitas pessoas de idade, dos cachorros - visto que por aqui (de novo) ha muitas pessoas de idade.

Há ordem pra você descer e subir dos trens, uma ordem maluca de horários onde 1 min é tão válido quanto 1 hora. Ordem pra te orientar nas compras, nos passeios, nas informações, em tudo.

Um pais comprido, cercado por água de um lado e montanha de outro. Se não fosse o mar e as favelas, diria que parece bem geograficamente com a cidade do Rio... mas só aí mesmo. Por aqui preconceituosamente, discriminadamente não existe pobre, sério... não existe pobre nem se você procurar algum. Nem o Cesar e eu somos pobres por aqui. Você cai aqui e vira rico, é automático.

Não dá pra ser pobre na Suíça, não dá!

Fazer a mão por aqui custa 40 CHF, no real 60 mangos. Sério, 60 reais pra nem tirarem suas cutículas. Qualquer ímã de geladeira custa 12 CHF, média de 23 reais. Lacoste neste lugar é igual a Hering no Brasil, cada 3 quadras uma loja. Tissot, Rolex, Gucci, Ferragamo, Prada, RR, Audi, Armani, Swarovsky... são marcas que enchem os pacovás de tanto que você vê nas vitrines. Lojinha, lojona, lajota... qualquer canto tem.

As montanhas... as montanhas são os nossos morros, algúem se deu conta disso? As casas das montanhas construídas umas acima das outras com auto estradas cortando os níveis. Casas não, casa é a minha, sei lá o que são aquilo... mansões? castelos? que doido... E o mais engraçado é que não há diferenças, superioridade, antipatia. É assim, naturalmente assim milionário, fazer o que?

O Suiço não sorri muito, aliás europeu nenhum precisava ter os dentes. Também não é de cumprimentar a toa, falar a toa, mas percebi que é cortês. As árvores são lindas e coloridas, as ruas limpézimas, a educação dá até raiva. Bote o pé na faixa de pedestres e todos os carros param. Toooodddddoooooossssss. Apesar dessa educação ser mais comum fora do Brasil, aqui na Suiça é muito mais impressionante, é plena.

Fui a festa de San Martin, andei pelas lindas ruas de Montreux, visitei museu, castelo, boate e tenho muito mais histórias pra contar.

Vou descrever na próxima parte os detalhes, que nas viagens sempre me impressionam mais, e por aí espero registrar todas as minhas impressões. Paro agora porque Cesar já está se mexendo na cama, enquanto á luz de abajur eu escrevo (são 3h da manhã aqui). O que posso dizer é que por enquanto não deu nenhum crepe, até porque se desse iria ser suiço e dessa forma, bom também.

Merci. Au revoir. Até mais.

03/11/2009

o pó

O que pedir quando se quer apenas que o convívio seja o maior possível. Porque tanta agonia em cima de situações que se resolvem. Dinheiro eu quero e gosto e preciso, mas depois de tantos e muitas outras importantes escolhas. Rezo, oro, suplico para que facilitadores se aproximem. Nada de facilidades, f-a-c-i-l-i-t-a-d-o-r-e-s é o desejo, sinônimo de simplificadores.
Canso tem dias. Mereço, pelo menos agora, pensar apenas no que desejo. Tem momentos que a gente quer apenas jogar com o regulamento em baixo do braço, a nosso favor. Só isso.

falta de ar

Um pouco de água, mesmo que seja no fundo do copo. O pouco que vira muito nem sempre é bom. Viver pelo cuidado de não extrapolar e pelo desejo de ver mais um dia. Mesmo sem ver, mesmo sem conseguir os prazeres de sempre, mas descobrindo novos prazeres que muitas vezes estão apenas em dormir bem. Respirar leve. Inspirar e expirar, livre, solto. A falta de ar é de todos nós, acredite. Sem água no copo, e tanta água no corpo, loucura parecida com morrer de sede em frente ao mar. Tão triste, mas só por hoje. Sai, xô pensamento pequeno, que venha o presente, a oportunidade de mais esses minutos tão preciosos. Ser duro na queda. Ser duro, sem a queda. Eu desejo, com todo o meu maior amor. Amém.

29/10/2009

esconde-esconde

Pula bolinha, pequena, sapeca.
Bate ali e aqui que nem perereca.

Te vi, te achei no cantinho batendo baixinho no chão.

Peguei você.
Ops, escapa não.

E lá vai ela, correndo, rodando, voando esconder.
Igual no dia que caiu leite do copo, e eu dei um jeito pra ningúem ver.

Mas mamãe não perde nada, e eu desconfiada ganhei um paninho.
Limpei feliz aquilo que fiz.

Foi só aprender e um beijo ganhar.
Você também vai, se em mim confiar.

Vem cá bolinha, não fique com medo.
Te conto um segredo.

Vem cá no meu dedo.
Quero muito brincar com você.

26/10/2009

dupla interpretação

Quente e ardido igual molho de pimenta, sol no dia seguinte, sem bronzeador.
Ohar de rapina, de lado, de cima. Feito desconfiado, traquina, enrolado.
Não sei se gosto, desgosto ou descaso. Melhor assim.
Mas lá ou cá, frente ou verso, de costas nunca. A lâmina afiada corta doída e eu han, han.
Eu quero é mais!

24/10/2009

trava

Amar não me custa. Custa-me pedir o teu amor.
De implorar endureço, e imagino que pude esquecer-te. Aí saio às ruas feliz por cinco minutos, porque na esquina já procuro meu dilema. É te chamo de dilema quando não és meu grande amor, quando teimas em ser meu santuário.
Ajoelho em ti. Esmago nossos afetos, mas por mais ou menos cinco novos minutos, logo te quero esmagando meus lábios com força.
Não te entendo, mas posso entender que meu mal está mesmo em mim.

23/10/2009

imbecilidade

Caiu de cara e não aprendeu, esborrachou-se, ficou que nem ameixa pisada, mas adiantou? ahn, nadinha. Teima de novo na mesma levada. Sobe até o terceiro degrau, e no mesmo falcete escapa o pé e lá se vai tombo abaixo que hoje já tem até platéia. Coitado dizem uns, outros viram pra lá pra rir mais alto. O duro é a rima nessa escolha toda. Anta, anta, anta porque és e não levanta?

22/10/2009

gira mundo

Ela saía, e rodopiava a saia. Pra lá e pra cá. Feliz vendo a sombra pelas ruas, que num balanço faziam o vento acompanhá-las.Ia ela, a saia, a sombra e o vento. Junto deles as flores do cabelo solto, esvoaçante, corriam para o campo, teimavam em estarem sós. Só que ela insistia, e corria atrás das pétalas num baile onde ningúem deixava de dançar. Tchurururu. Delícia de dia, de passeio, de tudo.E a cada hora novidades nos campos e nos cantos, onde o vento soprava que dava arrepio.

19/10/2009

voou voou voou

E lá se foram, ganhar o céu. Ficou ali sozinho o ninhozinho, a casa, que agora ficou pequena pra tantos sonhos.

12/10/2009

no ninho

Entre as telhas da varanda e a viga que sustenta a cobertura, dia-a-dia a dona passarinha ia lá, voando, galhinho por galhinho. A gente vê um dia e depois esquece, e quando nota de novo, toma um susto. O ninho, feitinho que só. Redondo, cheinho. As crianças foram vendo essa construção maravilhadas com a sabedoria da passarinha cinza e amarela. Tem terra, gravetos, folhas, tudo entrelaçado, e o esforço amarra aquilo de um jeito que nem chuva nem vento dão cabo não.
Aí, dias passam e ela sentadinha por lá. Mamãe tem ovinho ali. A gente não pode ver porque ela fica brava, voa baixo. O Nadal fica maluco com isso, mas a gente ta cuidando pra ela não achar que ele é malvado, é que ele gosta de correr atrás dos passarinhos de casa, todos eles. A gente já explicou. E os dias foram passando e de repente lá estavam eles, tres passariquinhos. Tres mamãe, acredita? Igual a gente! E comem bastante também. O dia todo a passarinha amarela e o papai cinzento que apareceu na hora de dar o que comer, passam pra lá e pra cá, trazendo minhoca, folhinha, bichinhos. E mastigam e mastigam e depois dão nos biquinhos esticados e abertos a comida pra ficarem fortes. A gente come assim né mamãe?
E lá em casa, que tem macaquinho, pato, tartaruga, pica pau, perereca quando chove, calango verde, agora tem os três bicudos, quase prontos pra sair voando sozinhos. Mais uns dias e nossos hóspedes vão ganhar o mundo. E três deles. Bonitos que só, presentes de Deus pros nossos filhos que estão crescendo perto disso tudo.
To aqui de olho pela janela enquanto escrevo. Estão lá encolhidinhos, parece até que sabem que falo deles. Os seis. Os meus, e os da dona passarinha amarela.

18/09/2009

pula menina

Rola feito um caracol toda manhã, de um lado pra outro na cama que nem é tão grande assim, mas o suficiente pra segurar a vontade de levantar bem presinha. Depois começam os chamamentos, parecidos com lamúrias de almas Levanta... Levanta..., mas que o que, mais uma roladinha pra lá. Sobe o braço direito, estica a perna esquerda, vira mais um tico. Levanta os dois pés, mexe e remexe. Mas a sombra se aproxima, e quando ela vem, já vai logo escancarando a janela pra luz entrar. Gosta da luz, mas prefere as cobertas naquela hora. E toda manhã é assim. Rolo, rola, risos e por final um salto. Fazer o que?

09/09/2009

o segredo

A gente veio aqui pra ser gente.

Não foi pra ser rico, nem pobre. Não foi pra ser famoso, nem desconhecido.
Não foi pra ser amado, nem odiado.

A gente veio aqui pra ser gente.

Porque se quer ser rico ou pobre, e daí?
Famoso, solitário, amado, odiado, seja o que for

é preciso ser gente antes.

Senão não se é nada, se está apenas. E essa sensação de estar tudo e não ser nada, é que incomoda a alma.

Ser gente! esse ó o segredo.

02/09/2009

Cansada de tanta informação e de correr atrás de mais um monte, ela sentou na janela e resolveu não ouvir, pelo menos um mesmo tipo e naquele dia, mais nada. Desligou o rádio, a TV, os fios conectores que invadem a vida de pé no peito. O telefone, enterrou lá fora num lugar que nem o vibrar pudesse ser percebido. Micros, macros, tudo encerrado e foi-se ela ter com outras boas dicas e deixas.

Parou pra ser informada das notícias vindas da terra, do cheiro, da luz. Do som dos passarinhos, dos bichinhos. O choro das crianças, os risos. O barulho da corda, do grilo. A moda de viola, o sossego. A informação dela pra ela mesma, que fazia tempo que não ouvia, preocupada em tanta informação de outros.

Um alívio de paz, misturado com medo de não ser mais parte de algo. Mas de que?
Ela também riu naquela hora, e percebeu que grande tolice representar. Que a vida muda, passa, evolui, mas que você é assim, mesmo que queira ser diferente. E isso não tem nova resposta, porque no final das contas, mesmo com tanta cordilheira em volta, a neve da tua cabeça é a única que gela ou embeleza a sua alma.

27/08/2009

seja

Faça do vento teu par e carregue bons pensamentos através do mundo.
Afaste-se dos erros, mas mais das culpas.
Abra bem os olhos porque não é o sol que te cega, nem a chuva, mas as ilusões.
Deixe de lado o que estiver na frente.
Olhe pra trás apenas pra ver como hoje é melhor que ontem.
Esqueça muitas coisas pra lembrar do que não importa.
Sorria.
Sorria.
Sorria.
E divirta-se com a tolice.
De todos sobretudo.

03/08/2009

Festa pra Lolô



cerca viva

Bom encontrar gente boa. Cercar-se delas. Querendo a gente não consegue, mas a boa fé ajuda. Tenho pra mim que meu anjo vive a cuidar disso, e nas horas vagas cuida pra que eu não bata o carro, seja assaltada, essas coisas idiotas que a gente pede. Porque o propósito é ter em sua volta as boas energias, os que te querem bem porque assim também se querem. O querer.
Sem peso, sem medida, sem cercas. Livre. Tudo de ruim assim se afasta. Naturalmente.
Leia aqui uma reverência de gratidão.

30/07/2009

picutas





Faz tempo que não mostro meus bichinhos aqui. A pedidos... lá vão eles.

27/07/2009

ponto de vista

Olha de cima pra baixo e depois de baixo pra cima, frente, trás, lado esquerdo primeiro, e ao contrário? Engraçado que a mesma coisa parece sempre outra. De um jeito ou de outro o mais importante é a imagem projetada pelos olhos, aquela que tá por dentro do pensamento e não da íris.

Se quero ver grande, assim vejo. Pequeno também. Alto. Baixo.

As pessoas falam mas é baixo, e eu insito em dizer mas eu tô vendo alto.

Na maior parte das vezes, as pessoas sempre veem com dificuldade, turvo. É que isso não vem dos olhos vem da mente. Do cansaço, do desgaste, da mesmice, da chatice, da falta de coragem. Ver diferente é complicado, mas vale a pena.

Eu vejo ultimamente o que os meus olhos nem imaginaram. Vejo longe por conta dos bons anos vividos. E vejo alternativas, e assumo esses novos ângulos e tem sido bom.

Ponto de vista.
Vista de um outro ponto a sua alma e o seu dia.
Dá pra ver coisas bem melhores. Eu garanto.

15/07/2009

duim

Tem gente que nasceu pra torrar o saco dos outros. Tem dom. São os amendoins da vida, torrados e moídos.

13/07/2009

simples

Final de semana prolongado, com frio, chuva torrencial, lareira, filhos, cachorro limpinho, marido trazendo chá com bolo de cenoura. Uma semana que se foi e levou com ela um monte de indecisões. Uma ida ao parque, uma volta na montanha russa, pizza na sexta com todos os Galoros juntos, vinho e brinde. Precisa mais o quê?

06/07/2009

mineirinho

Quando eu abri a eii! busquei ajuda com alguns amigos. Quase todos deram-me a mão,o que agradeço fortemente. Alguns porém deixaram transparecer, da maneira mais natural, que a ajuda era de fato a mim e ao meu sonho apenas. Não pediram, nem sequer cogitaram algo em troca, mesmo que fosse somente um "no futuro...". O Elias está entre eles.

Deu-me experiência, contatos preciosos, disponibilidade. Sem medo. Dicas e desejo de boa sorte sem ser só pelas palavras, pela atitude. Além disso, deu ainda pra todos nós humor irônico e inteligente, e o maior exemplo de que a tecnologia pode ser útil, mas a sabedoria é suprema.

Elias querido, hoje que sua aposentadoria realmente começa, meu desejo pra você é: Aproveite! você merece esse descanso.

Meu eterno carinho e meu muito obrigada.

Cice

26/06/2009

26 de junho

Outro dia com uma máscara no rosto por conta do exame H1N1, eu olhava aqueles olhos e eles pareciam sorrir pra mim.

Resultado negativo, mesmo tendo estado no Chile e na Argentina, meu amor estava livre da tal epidemia. Ele tirou a máscara e estava sério, mas meu olhar permaneceu no seus olhos e mantinha-se o ar sorridente.

De um momento nada inspirador eu parei e lembrei:
É, o César tem sorriso no olhar.

Desde que o conheci, falo do seus olhos. Cor de mel, de mesma expressão de quando era criança. Olhos de quem enxerga longe, mas fala muito pouco sobre isso. Olhar ingênuo muitas vezes pra fatos nada amadores.

Olhar de cuidado enquanto pai. De amigo e de responsabilidade.
Olhar às vezes cansado, mas quem não os tem não é?

Hoje o César faz 49 anos. Vim olhando pra ele.
Viemos conversando no carro sobre os seus 48, uma retrospectiva. Ele foi firme, coerente, preciso nas lembranças. Apontou o melhor e o pior deste ano e o saldo, que apesar de apertado, foi positivo.

Então meu anjo, que venham os 49 e que se realize suas expectativa e desejos.

Sáude, longa.
Estabilidade.

Te amo, com olhar de paixão.
Cice.

18/06/2009

minha vida, minha tíbia

Acordo por esses dias e vem aquela dor doída e doida, porque ela vai passando e voltando dependendo de mim, de como passo também.

A base que me segura ou carrega, esqueceu-me. Me deixou e tá voltando, mas aos poucos, que é pra eu lembrar quem é que manda. Eu tô entendendo ainda, faltam centímetros pra isso, e aí nessa hora me levantarei de forma triunfal.

Foi Nicola quem disse. Eu eu sei que acredito.
E não vejo a hora.

05/06/2009

pingos nos is, em 4 línguas

- CLOTILDE?
- Que,ee EEE!
- Veja menina, não grite não, estamos num atraso da peste.
- Ah é? e que é que cé.
- Que? É que cé? O que ce qué? Tá desmaiando?
- É francês, significa que é que eu tenho com isso?
- Se é francês eu sei lá, mas que deve de tá errado, isso tá. Porque ocê num sabe nem dizer o apelido da gente.
- Chega Zoê, num ve que tô nervosa? ai, queria meu painho aqui, ele não ia ficar no meu pé desse jeito nessa hora. Ô Deus amado vous levê meu pai antes dos dias.
- Vous levê? vixe maria, se apresse que eu tenho que levê você, e o carro não tá bom não.
- Diga agora pra ajudar, que tenho que empurrar essa jabiraca de vestido longo.
- Ué, tinha jeito? Porque ce num chamô o motorista da funerária, pelo menos o carro dele é novo.
- Diu Miu. Pra você que é ruim feito esse ferro velho aí de fora, to dizendo Meu Deus que nem os italiano.
- Eita Clotilde, vai logo. Nunca vi noivo que espera essas tramóias da fala não.

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- Nossa Zoê, nem tem lugar na porta da capela.
- E cê qué que eu faço o que.
- O que divia ter feito ontem, botasse os cone aqui.
- Não deixam eu tirar os cone da auto-escola, pra pegar esse carro já foi o ó.
- Tá chovendo, Jesus.
- Ó, cê tá com coisa mesmo. Sabe que eu não gosto que ninguém me chame de Jesus. Fico constrangido com Ele lá em cima. Maldita hora que mãe foi achá que podia ser santo igual ele, gosto de ser meio diabo...
- Não falei Jesus pro cê, falei Jesus pra Ele mesmo. Chamei Jesus, entende?
- Ah... e chamou com berro porque ele tá mandando chuva agora.
- Chuva? mas e o longo?
- Arrasta.
- Vou chegar na igreja descabelada.
- Num tem problema se é por isso.
- Tá dizendo que tô feia?
- Não, que tu tá descabelada.
- Mas a Clarinda disse que tinha posto a coroa bem bonita. Sabia que o espelho ia fazer falta hoje.
- Quebrou?
- ahan
- 7 anos de azar.
- Aute com isso.
- Aute?
- Significa sai pra lá, em Inglês. E depois azar o teu também que nunca casou antes. Nem a Dé te quis.
- Eu que num quis ela.
- Té parece beibinho.
- Nunca bebi uma gota na presença dela.
- Vixe, beibinho é neném em inglês tu.
- Afe, vamo logo, desce.
- Ai, a poça
- Já foi
- Ai o buraco agora
- Já foi
- Ai o sinaleiro vai abrir
- É, já foi... mas e daí num tem carro, tá a cidade toda no casamento, menos ocê, e eu tambem.
- Então vamo Zoê.
- Tô indo, agora que tu corre?

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- O disco não vai tocar, tá sem energia.
- santo Padre!
- O padre tá aí...
- Não é isso, santo Padre é uma reclamação em espanhol, num sabe disso?.
- Sei olé, que meu pai que ensinô nóis de pequeno.
- Vamo assim mesmo.
- O povo veio.
- Claro, e a vaca que tá virando lá no espeto? O povo veio ver a vaca, não ocê.
- Dexa num ligo.
- Nem eu. Também tô numa fome só. Aquela bicha deve tá estalando.
- Stop agora. Ergue o queixo que Valtão tá batendo as foto.
- Ri pra Valtão que eu te capo.
- Cê acha Zoê!...

************************

- Então, se tiver alguém aqui que saiba de algun impedimento.
- Xiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.
- safado...
- Podem pegar as alianças.
- Saiu?
- Num sai.
- Falei pra tu tirar no banho.
- A culpa é tua, que fez eu usá isso faz um tempão.
- Eu os declaro marido e mulher.
- É mesmo?

****************************

- Zoê, cade ocê home de Deus?
- Tô aqui ué.
- Tá triste?
- Claro que não. Tô feliz demais.
- Vai se livrar de mim né?
- Que jeito?
- Ué! num sou mais aquela que chegou aqui avec iou.
- Parece que é a mesminha nessa falação esquisita que tu gosta.
- Sou não, agora sou mulher casada.
- E é.
- Casadíssima
- Num tem problema não. Tô acostumado contigo no meu pé.
- ê Zoê...tu é danado, mas eu te je teme. Tô feliz demais pondo os pingos nos is, marido no papel passado, mas desde o dia que decidimo mora junto ha 27 anos, né? eu te je teme.
- Teme mesmo, muié bonita! Teme, porque essa noite promete.
- ahahahahahahahahaha

28/05/2009

sonhos

Sonhar é como prever ou rever, sem garantias.

Vai uma mistura boa e às vezes de amedrontar, passeando pela nossa memória.
Algumas vezes é tão real que a gente passa o dia depois sem saber ao certo o que se dá e que tempo estamos.

Sonhos proibidos são uma delícia, porque são só seus e com quem você quiser, onde, como e quando. Aí, ao levantar vale até uma olhadinha no espelho porque a cara denuncia.

Tem sonhos comédias, surreais, doidos de pedra.
Cheiros podem ser sentidos. Frio, calor, sustos.

Hoje eu sonhei com tensão. Nem ruim nem bom. Por conta de problemas que nem são meus mas que eu absorvi.

Acordei com discurso pronto. Vai pra prática, assim garanto o meu lado. Ai, ai.

27/05/2009

escolhas

Pra dar certo tem que se estar certo.

Deixar ontem e nem lembrar que amanhã é sexta.
Sair. Manter.

Continuar sem debater.

Por que se há debate, tem impasse.
E assim não vai. Fica e sai.

O certo é simples.
Sozinho.
Certinho.

Fácil.

Difícil, não tá certo ainda.
Tá enrolado, enroscado e a culpa é sua

Nua.

Nem dá pra esconder.
Não tem o que dizer.

Se estas certo, certo está.
E nada pode dar errado.

25/05/2009

latitude

E lá fomos nós. Passa terceira e quarta na pista expressa que andava melhor. Primeiro uma parada estratégica na escolinha. Caderninho de vivência e registros de um tempo bem pequenininho perto do tempo que já se passou na espera desse momento. Aí seguimos. De longe já se vê, alto imponente, cheirando novo. Pela rua de cima a entrada, um giro pra baixo, mais um e uma garagem grandona, sem pilastras pelo meio. Depósito com porta e tranca e um elevador bem chique. Lá no térreo a melhor vista, uma pequenucha balançando no parquinho. Feliz. De casa nova e espaço lá em baixo. Piscina de clube, salão de festas de dar inveja no Torres, academia pra CIA nenhuma botar defeito, e um nó na garganta de ver tudo ali, pronto, cheio de coqueirinhos novos e iluminados rodeados de flores coloridas. Aí a gente subiu, dois ou três andares e parou, parou só pra gente. Três tons de azul e uma escolha. O lugar da luminária e a porta de entrada. Lá fui eu de pé direito e descalço. Sabia que eu ia ver o que vi. Mais que a beleza de como tudo foi pensado e do bom gosto que ali virá, a luz. Clarinho, iluminado, ventilado, grandão. Gostoso como café na cozinha.
O melhor também foi a única cor por enquanto, e ela era rosa. Escolhida, esperada, faladeira e sorridente cor-de-rosa.
Eu saí de lá vendo a hora de voltar. Sentar nas belas cabeceiras de crochêt, emprestando uma blusa que vai estar guardadinha no seu devido lugar, vendo nossos cinco pequenos no teatro daquela casa. Linda.

Deus abençoe essa espera válida e certa. Vínculos inesquecíveis do que importa na vida. O lar.

Tinco e Nica, parabéns!

20/05/2009

desentendida

Vivia de hans? Incrível era o poder de passar pelos assuntos, pelas pessoas e seguir sem retoques. Uma palavra dada, um choro chorado, um desespero que lá se ia em segundos.

Rebolava ou andava firme dependendo do dia. Nem horóscopo lia porque tanto fazia.

Nem tava aí. E o mundo tinha que estar.

Desentendia no fundo da vida porque não há prazo pra essa validade.

E foi perdendo.
Amigos, casos, senhores, poderes.

Perdendo achando que ganhava. Pelos minutos de esperteza uma vida toda.

Que pena.
Pena o cacete!

18/05/2009

pentecostes

O fogo do Espírito Santo. Espera e vê. Pede que ele atende.
Tem força.Tem tudo.
É simples.

Mas pede com fé, e sabe.

Certo é que muitas vezes Tal Luz chega antes, pra quem tem pai e tem mãe, certamente.
E esses que te amam sabem antes de ti.

Eu nem sei o quanto sou de Deus por conta deles.
Mais que eu mesma, muito mais, eles crêem.

Envergonho-me, mas cresço a cada palavra, a cada oração.
E peço a Luz que os fez tão sábios, e bons.

E vivos.

Sou forte hoje.
E humilde.Por conta disso.
É o que basta.

Amém

14/05/2009

poeira

Era de cagar. Todo dia tinha ele que fingir não saber as intenções escondidas embaixo daquela plataforma de plástico pintado, que imitava o couro. Começava daí, da verdadeira altura que também era uma mentira. E ele, com o saco de jó que Deus lhe tinha dado, ia levando.

Que palhaçada essa mulher tinha feito? Até desconfiavam de coisa esquisita, macumba mesmo nas encruzilhadas, e tudo. Mas ele ia deixando sei não porque. Talvez de um certo modo precisava ser usado, ué, vai que tinha sido Calígula na encarnação de antes...

Ninguém se conformava porque era claro feito holofote na quadra, só que o medo, parecia, deixava o dedo do home longe do botão de desliga.

Só que eu, e a vizinhança também, fomos percebendo um olho meio de esguio, um bufar de canto de boca que ele vinha dando pra cada palavra a toa que ela soltava, e como eram muitas, o nego foi alargando, ficando igual urso saindo de hibernar.

Um dia foi a conta.

Cê pensa que ele fez estardalhaço? fez não. Levantou, sacudiu a poeira, e até hoje ela não deu a volta por cima.

12/05/2009

bem mais que o tempo

Recebi um e-mail sobre a teoria de que nos dias de hoje o tempo é mais curto do que antigamente.
Interessante pensar nisso, já que tempo pode ser considerado uma ilusão. De qualquer forma, há sentido no desequilíbrio de como as coisas funcionam hoje e de como os seres humanos não funcionam mais. Está tudo descompassado e isso é fato.

Eu sempre me perguntei qual era a lógica do tempo, apesar do pragmatismo de um relógio. Veja, a gente sempre acha que as coisas poderiam ter acontecido num tempo maior ou menor. Se falamos de ficar com nosso amor: maior, de ganhar dinheiro: menor. E não muda o tempo, independente da nossa justiça.

Também nunca tive muito tempo e nem aptdão para esperar ele passar. Vivo correndo atrasada, mas não aguento a demora da entrega de móveis pronta entrega, por exemplo.

Só sei que esse meu descompasso não era nocivo, mas hoje há algo que faz isso parecer um turbilhão.

Portanto desse e-mail eu concordo com uma coisa, há de se ter equilíbrio entre os homens e a natureza. Há de se ter tempo pra esse novo tempo preciso. Não podemos mais permitir que a cada dois dias outro amigo tenha síndrome do pânico ou tenha deixado suas casas e famílias desfeitas.

Hoje ninguém tem tempo pra analisar ou esperar passar a raiva, mas sobra tempo pra insegurança e impulsividade.

Não é o fato de ser cartesiano, apenas uma maneira de promover um ajuste, daqui, do meu pouco tempo livre pra pensar.

11/05/2009

desilusão

Declínio de crenças
Abrir de olhos
Areia finda na ampulheta

Não se trata de solidão nem tristeza
Mas de hoje
De estalido alto e sonoro

Valha-me Deus os porquês
Venha a mim

Enxergar-se e permitir-se pra amanhã
Assim, desilusão acaba pra início de uma nova caminhada

07/05/2009

do amor e da dor

É quando a gente se depara com a perna quebrada, com o tempo longo de recuperação, com as dores de nossos amores, com os horrores, os medos, é que tudo cria forma.

É aqui, nesse vale estreito que se enxerga o espaço entre o errado e o certo.

Se não fosse assim seria como?
Eu desejaria nem perguntar por isso, mas me vem a dúvida.

É do choro que o riso se cria, e eu e minha cria vamos nos sorrindo, nos permitindo porque assim se tira a obra. Obra divina que alcança os sustos, o óbvio escondido, as decisões.

É do amor e da dor o giro da roda, o andar em frente, o jogo do contente.

É do amor e da dor.
É sim.

04/05/2009

uma andorinha só não faz verão

Naquela praça ela esperava a hora das andorinhas. E elas vinham muitas, altas, voavam em partituras. Um canto. Ela de baixo olhava e sentia-se no espaço, única hora de lucidez. Arrepiava-se com o bater daquelas milhares de asas. Era um zigue-zague frenético, enlouquecedor. Vinham de vários cantos e juntavam-se frente a frente sem se bater. Enlouquecidamente virando, voltando, vindo, zuando. Uns 20 minutos todos os dias do verão. Num rasante elas desapareciam como areia descendo pelo funil. Areia escura e densa num funil estreito. E acabava. Tudo.

Naquela praça em que tantas vezes se escondia, hoje aparecia. Mas só pras andorinhas.

Pra ela, um fio de vida só recomeçaria no dia seguinte, e enquanto fosse verão.

Depois tudo se ia, e com tudo, sua capacidade de admirar e ver qualquer coisa, mesmo que fosse por 20 minutos apenas.

Ela amava as andorinhas, mas odiava a pena dos homens.

23/04/2009

cão sem dono

Esbarrando em todos aqueles ombros eu passei com pressa. Nem olhei quem é que vinha ou ia porque não me interessava ninguém. Corri tanto que o suor escorreu pelas minhas lágrimas. Eu chorava sem importar o que todos estavam pensando de mim. Sentei no canto e fiquei por um tempo, que nem sei qual. Só sei que mudavam as cores das camisas porque, como luzes da TV no escuro, eu sentia as cores pelos meus olhos baixos. Louca solidão em meio a tantos. Percebia vez ou outra reações de aproximação, e eu reagia também em mente, um não querer tamanho que fez com que eu permanecesse ali, estática, muda de mim mesma, amedrontada de gente. De repente levantei com dores pelo corpo todo. O medo que me deixara encolhida por horas, agora doía em cada pedaço, em cada junta de um corpo que eu nem mais reconhecia nos espelhos da estação. Uma confusão mental perguntava se era mesmo aquela menina que um dia usou nos cabelos fita vermelha, se era a mesma que chegou a rir diversas vezes acompanhada, que entrou em bailes e bailou feliz. Será que era mesmo? Onde que aquele eu me perdeu? Porque peguei o caminho que fizera esse momento? Que será que passou pra que agora, quase nem mais as lembranças, conseguissem nascer desse lodo. Uma saudade triste e enraivecida apontou bem na frente dos meus olhos cansados, e eu usei o pouco de forças que me restava pra expulsá-la dali, e permitir que o mesmo desconsolo fosse o meu companheiro. Incrivelmente era mais fácil assim. Sem resposta. Fugitiva. Pelos cantos, pela vida.

26/03/2009

só no visa vale

Prato feito moço...custa caro?
Aqui amigo, se tu achá coisa mais barata que isso, num come porque é lixo.
Tá então vai.Hunnnn como faço pra acertar?
Eita, mas é o único ser que se preocupa com isso. É ali ó.
Vou indo então.
Senta primeiro, come, e aí paga.
Vô então.

E sentou olhando de lado, meio que desconfiando que alguém ia perguntar o que ele não sabe responder.
Na vida foi isso, decidiu e veio. Chegou sem saber o que esperar e não tinha nada esperando por ele mesmo. Nada.

Num golpe de misericórdia, encontrou um homem que queria se livrar das coisas e entregou pra ele um cartão amarelo.

Pra comer dá isso aqui e aperta numa máquina 7070.

E se foi. Duas quadras depois tava no noticiário da noite pelo pulo que deu na frente do ônibus.
Mas ele nem desconfiou. Nada sabia, a não ser que tinha fome, e o tal 7070.

Toma aí amigo. Come.
Como moço. Tô numa fome só.

E comeu.
E sentia em cada colherada que dava até pra conseguir o que nem sabia o que era.
Foi lá na fila.

Vai pagar como?
Com isso aqui.
Tonhão, cadê a máquina?
Tem outra coisa não? A máquina tá lá longe.
Tenho não, só isso aqui.
eita...TonHÃO!!!

Foi de 7070. Saiu um papel e ele tava livre.
Foi fácil então, não ia ser dificil mais nada.
Pro outro tinha sido tudo dfícil até lá, mas pra ele tava fácil, porque comer que era mesmo o que ele queria lá no fundo, ele já sabia: 7070.

E assim foi, até o final do saldo.

09/03/2009

cacife

Eu desço do salto mesmo, desço sem dó, adoro. Tropeço se preciso. Já, quando eu vou virando a esquina, começa um sobe e desce que a sensação é a qualquer segundo gritar de prazer. Vem vindo, vem vindo... Aí, eu aperto o passo e começa o desequilíbrio. Ô porra de calçada torta que eu passo. Qual? Todas.
Então eu enfio a chave na porta e viro bem devagar. Aquilo faz dum jeito que tremo toda, como se tivesse uma platéia só no espio.
E dái pra frente, vem gente.
Não é de hoje e nem é segredo, sempre gostei e assumi uma fechadura. Gostoso botar os olhos lá e ver o que não pode, ou o que não deve, porque poder pode, vamos combinar, eu vejo! E vejo porque tem quem mostra.
A Dulce que me ensinou, e de pequena, ela procurava os vãos, e botava o olho lá, e enfiava o nariz pra sentir os cheiros também, e quantas vezes o copo nas paredes foi o bom companheiro junto do susto, quando de relance chegava alguém.
Agora a pergunta é, tá espiando? Tô. Quer fazer junto? mando assim mesmo, sem pudor, de bate pronto, goela abaixo. Então fico aqui de novo. De joelhos e desse lado, porque do outro não sei bem, fica sempre uma sombra pela frente. Mas isso é bom. Aparece e não aparece. Fica no quase.
Quer melhor que quase? Fica, fica, fica e não chega, até que eu queira.
Que nem, agora eu tô aqui, você bem que tá gostando de saber. Quer que eu conte exatamente o que rola lá não quer? eu conto porque quanto mais eu mostro o que não tá amostra, mais eu gosto e você também.
Olha, dá pra espiar, a visão tá nítida como lente de óculos pra míope. O cara tá concentrado, quieto até, mas tá arfando. Sei porque peguei o copo e tô de olho no peixe e ouvido no gato.
Escuto agora a respiração que acelera, não, não a dele, a minha. Não dá pra ver ainda quem tá quase em cima. Não sei se é homem, mulher, padre, não dá pra ver. Péra, opa, vi agora e vem chumbo grosso. Cacete, isso é hora de cair esse copo? Aí, agora sim, e de novo. Esse cara é bom mesmo, já faz um tempo que ele tá aí e sempre armado, não deixa uma, uminha sequer sem pelo menos uma passada boa de mão, e enche, enche as duas gostoso, e leva pra caixa.
Han, depois o povo fala que eu, tão assim, não devia ficar perto disso. Espiar é tudo. Eu sei o que ninguém sabe. Eu daqui vejo mais do que os olhos lá de dentro. Nossa, eu adoro uma fechadura. Adoro ficar desse lado. Adoro enfiar a menina dos olhos bem dentro desse buraco. Quê? tá chocado? que é isso.. todo mundo gosta dessa história, e eu espio que só. Espio todo dia antes. Espio o proibido.
É proibido mas tem sempre um montão de gente fazendo, e a mesma hora inclusive, porque já espiei em um monte de lugar e de um monte de jeito. Num sei, de um tempo pra cá virou vício.
Então eu meto o olho mesmo, lá no fundo, e além de espiar eu aprendo tudo e repito depois.
Uhm que delícia. Bom também é esse vizinho que dá margem, e joga bem, e depois porque sabe que eu dou uma olhada, me convida depois.
Se eu vou? Vou, e você quer ir também porque eu já saquei. Então comece espiando.

Só sei que depois que mudei pra cá, faz duas semanas inteiras que não perco mais no jogo de poquer.

03/03/2009

o próximo

Sabe o batuque tímido das teclas? Aquele que a gente fica ouvindo o dia todo e aí num trisco, de vez em quando, pára e cruza olhares? Eu fico só de esguio por aqui e presto atenção porque não faço parte, tô só sem querer. Bateção sem fim de tanta coisa que nem precisava ser escrita. É porque dá mais coragem, prazer ou preguiça mesmo? Tic Tic Tic. De vez em quando outros barulhos incomodam esse, tipo cadeira que lembra a porta do castelo num nheque treque de doer, significa que o cara da contabilidade levantou. Vixe, se ele levantou é coisa, porque o nego fica só no tic tic o dia todo. Diz que sempre tem diferença naqueles números. Mas matemática não é exata? Bundão! a coitada da cadeira que o diga. De repente outro barulho intrometido, é parecido mas não é o mesmo, ah.. o toc toc do sapato da menina do almoxarifado. Muitas vezes já desejei que ela enfiasse as canetas azuis bem no centro, regulada duma figa, e vem com esse sapato chato que nem a cara que Deus lhe deu. Puta que pariu e eu aqui. Nossa, sempre tem isso, barulhão de matar, todo santo dia, nessa santa mesma hora, o santo cristo das procurações derruba o santo guarda lápis lotado de nada. Só tem lixo ali. Clipes enferrujados e abertos, lápis apontado dos dois lados que ficam sem ponta desde sempre, borracha que suja o papel, canetas, muitas, todas, sem uma puta duma tinta. Pra que guardar isso? e pra que deixar ali esse cão? bem perto do braço gordo que todo dia esbarra nos mesmos santos pontos. Mas eu tô quase indo já, é questão de dias, já falei isso antes, mas ainda tá na validade. Tic, Tic. Fico pensando que antes, com as máquinas pesadonas devia ser mais bacana isso tudo, o barulho era maior, mais animadão pá, pá, e muita coisa que eu enxergo talvez nem desse pra perceber. Porra devia ter tentado outro lugar. Tic, tic, toc toc, pá, pá, bando de barulho de merda, e eu aqui... ó lá, lá vem aquele papel que eu já conheço passando de mão em mão, quer ver? ele pára na última mesa, a do velhote de bigode fino, que tá assim porque ele não tira aquele dedão grosso de cima dele, pára ali e ali fica pra ajudar a acabar com o barulho que todo mundo gosta, porque o do bigode, é o chefe da gangue de xinfrins, fica num pega e solta, num amassa mas não lê, até a hora do relógio bater. E eu?
Eu aqui nessa fila do cacete, e ninguém pra vim me atender.

24/02/2009

região noroeste

Aqui em Araçatuba, cidade do César, faz tanto calor, mas tanto calor, que até o computador fica suando. É um sol de fritar miolos num céu tão azul que dói os olhos. Os olhos ainda ardem com o cloro da piscina, porque desse jeito só dentro da água o dia inteiro. Eu tô feliz aqui, apesar de derreter. Depois do incidente do Natal que me fez voltar a 200 Km pra São Paulo, agora vim e chegamos sem nenhum imprevisto. E aí, tudo igual. Os cunhados gritam no jogo de baralho, minha sogra que não vê a hora dos netos pequenos em trio chegarem pra espalhar pra eles um monte de brinquedos novos, meu sogro que enche a geladeira de tudo que a gente gosta, as brincadeiras que não acabam arrastadas nos erres caipiras, poRta, toRta... e um entra e sai na casa deles sem parar, que agora diferente das outras vezes, vêm pra ver ainda minha perna quebrada. É, Araçatuba é longe de São Paulo pra dedéu, uma viagem longa e cansativa, uma cidade que muitas vezes eu desejei que fosse pelo menos 300 Km mais perto de mim, mas hoje eu tô muito mais feliz de ter vindo, mais do que todas as vezes. É que quando eu cheguei percebi que sou querida por aqui demais. Tava todo mundo esperando muito esse momento, e em pleno carnaval a gente comemorou o Natal de 2008. Num brinde eu agradeci por estar nesta terra quente e comer castanha e nozes em pleno mês de fevereiro assistindo a Portela, e o melhor, cercada da família Sousa Lima. Que é bem minha também.

20/02/2009

alegria meu povo, alegria

Talvez pelo motivo do momento, acordei hoje uma alegria só. Puta, como gosto de estar feliz. Não tem jeito, nasci mais pra sorrir mesmo. Tava com saudade dessa sensação, de ficar leve, de me sentir eu.

Pra se ter uma idéiia fui lá na Emilia Borges e encarei a depilação, até na perna quebrada. Ficou ótimo.

Ah, tô assim, feliz da vida!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

12/02/2009

demora mas vai

As vezes parece que ficamos esquecidos, que a rebimboca da parfuseta encrencou de vez e nem as ave marias darão jeito. Só que passa, com firmeza passa. Firme como prego na areia...
Vai, demora mas vai!

01/02/2009

milho pra bode

Barulho maldito.

Masca de boca aberta porque é fartura demais. Nojice misturada com raiva de tanto desperdício. Tá fácil assim, fácil demais e agora não tem jeito de ficar de outro jeito. O barulho da boca estalando irrita, entra nos tímpanos, ensurdece.

Ensurdece.

Inferno,tanto milho assim pra bode. Bode gosta de capim.

E aquele nhan, nhan vai dando náuseas, fúria. Nem o berro dos mais agudos abafa o estalido daquela boca, que come e baba o que nem sabe o que é.

Sai de mim bode de araque. Voltei do pasto e nem quero mais ver tua fuça. Vou te jogar feno agora, e do pior. Agora você engorda, porque é só capim que você conhece.

Sai de mim tempo perdido, sai de mim.

28/01/2009

fisioterapia

Coisas se quebram, despedaçam, trincam, racham. Cada coisa e suas quebras são só entendidas pela dor, antes eram suposições de entendimento. Tudo tem um pouco disso, mesmo quando não se enxerga por radiografia a desconexão.

Desconexão dói tanto quanto dor física, é igualzinho.

E que bom que seja, porque se dói passa, e quando quebra também conserta. Passo-a passo, dia-a-dia, mas vai.

Cria-se uma possibilidade nova, algo que surge onde ali ficou um espaço, só que sabendo chegar, reconhecendo que ocupa o que antes era o primeiro, o original.

É, renascimento. Dói, mas não é tal mal assim.

16/01/2009

mas...

De repente, por trás da pedra apareceu dois olhos grandes, desconfiados ainda, amedrontados melhor dizendo. Pretinhos como a jabuticaba eles espiaram de lado o movimento. Quase não havia. Pairava pelo ar a sensação de ir, sair da toca, correr pra fora, mas...

guardadinho

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do sabor colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.