12/11/2009

Swiss - 41 - parte 2

Enquanto Vevey, Montreux e Lausanne são o Rio de Janeiro, Genebra é sem dúvida São Paulo pra gente. Cidade grande, teatros, feiras como a do automóvel, grandes óperas, pessoas de negócios andando pelas ruas elegantemente apressadas. Apesar de maior mistura ainda não achei diferencas gritantes entre as pessoas e suas classes sociais. Existe em Genebra sim quem tem mais e quem tem menos, mas menos aqui nao deixa de ser um mais pra gente. Todo mundo por aqui fala no mínimo tres idiomas. É o mestre de obras que ta decorando as ruas pro natal, falo dele sim. Dos garcons, recepcionistas, policiais, caixas de farmácia... por aqui frances, ingles e espanhol são básicos. Todo o jovem tem tenis puma, camisa armani e óculos gucci, todos. Então o que se precisa é do que a gente aí na América tem a rodo: diversão.

Por aqui entendi o que é um pais de primeiro mundo, e portanto fiquei puta da cara com o Brasil, apesar de ama-lo sobretudo. Mas olha só, um pais pequeno feito esse, aproveita cada centimetro de terra, preserva sua cultura a ferro e fogo, ensina seus poucos jovens a manter as origens, respeita seu povo, permite que os estudantes andem por todo o lado sem pagar um centavo de nada, alegra-se com o turismo, apesar da falta de sorrisos, porque assim que vc chega é recebido com um passaporte para andar de graca por todo lugar e receber 50% de desconto em qq local que voce visitar.

Um país que tem pouco, por isso solicita que voce não desperdice, que seja gentil com o outro e não toque nos alimentos expostos, que tem uma rede ferroviária confortável, inteligente. Que mantem regras boas e saudáveis em prol do coletivo. Que em cada pedacinho de verde cuida de um parquinho pra suas criancas de forma tão doce. Que le, le e le em onibus, trens, ruas.

Aí eu fico pensando, já pensou se o Brasil tivesse só uma dessas coisas citadas acima, uma só... não ia ter pra ninguém meus amores, pra ninguém. Mas cada qual com seu igual, e por aí eu penso que pelos sorrisos, diversão e ie, ie ie, os Suicos correm ao Brasil quando precisarem, e nós Deus amado, seguimos vivendo de amor.

E por assim, volto correndo aos bracos do meu Brasil judiadinho, porque lá deixei meus tesouros, meus filhos, família, amigos, os meus. Volto saudosa mas desejando que com essa minha viagem eu consiga contribuir um pouco mais com o que pode melhorar pra gente, afinal vou feliz por tudo que já disse, mas desejosa de encontrar pelo menos um pouco mais de limpeza, de ajuda coletiva, de respeito pela pátria nas atitudes, e não apenas no discurso que nos é tão fácil.

Que bom seria.

Au Revoir Switzerland, merci. Merci beaucoup.

11/11/2009

Swiss - 41 - parte um

De malas prontas pra Suiça, às vésperas dos 41 anos, sentada na sala vip da Air France pensei comigo como a vida é feita de suposições. Por ali, parecendo magnata, estávamos nós, Cesar e eu aproveitando milhagens depois de um ano bastante apertado de grana. Olhei em volta e fiquei imaginando se por ali passava alguém do mesmo jeito e percebi que muito provavelmente sim, afinal a maioria tinha cara de viagem de negócios, sobrenomes de suas empresas. De um jeito ou outro, eu também era uma boa suposição, e dessa forma todos mantivemos nossos segredos.

Saí do Brasil sem muita grana, com o nó na garganta por deixar os pequenos, na crise pré aniversário, mas contudo decidida a fazer dar tudo certo. E quando se decide, bingo, está feito.

A sala vip durou até que o embarque foi anunciado. De um lado lá se foi o gordo pra business degustar de entrada foie grass e champagne, e de outro eu e o povo da arquibancada AIR FRANCE de amendoim e coca. Explico: Cesar que viajou a trabalho tem direito a certas regalias que eu pobre mortal não tive, mas não fiquem com raiva dele não, o combinado é na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na business e na econômica. A volta lhe está reservada.

Mas vejam bem a decisão, fui em paz, feliz, sem xingar as gerações de Santos Dumont, e portanto lá na econômica sentei em frente a um amigo do Brasil, e ao lado de ninguém, ou seja, fiquei no papo até decidir dormir literalmente de pernas pra cima.

Viagem excelente, sem turbulências. 11h que de fato voaram pra mim.

Chegamos na França. Aeroporto Charles de Gaule, mega, plega, trega. Gigante. Por ali apenas 3h pra conexão, mas não pude deixar de colocar meus pés do lado de fora. Lá fui eu em homenagem ao bicho Ana. Pisei na França e voltei correndo pro aeroporto por conta do frio de 2 graus que fazia por lá.

Saldo do que vi:
Aeroporto: beleza 8,5 / limpeza 5,75 / infra 9,9
Povo: beleza 7,0 / simpatia dos franceses 3,25
Idioma: 10 (lindo, lindo, lindo)

Da França, 1h de avião até Genebra. Chegamos na Suiça e comecei a entender qual o verdadeiro significado de "funcionar".

Na Suiça tudo funciona, de torneiras a portas giratórias. Absolutamente tudo funciona. Desembarcamos em Genebra e por lá sequer existe alfândega. Pra quê alfandega se em todos os lugares que vc estiver, passar ou imaginar, o suiço sabe que por lá vc esteve. A ordem da Suiça impressiona. Tudo está certo por aqui. As ruas estreitas vão e vem corretamente, há lugar de carros onde vão os carros... de pedestres, onde incrivelmente andam os pedestres, de bicicletas, onde não se ve outra coisa a não ser bicicletas, dos ônibus (que pra mim são atração a parte) onde andam os ônibus solenes, dos cadeirantes - visto que por aqui há muitas pessoas de idade, dos cachorros - visto que por aqui (de novo) ha muitas pessoas de idade.

Há ordem pra você descer e subir dos trens, uma ordem maluca de horários onde 1 min é tão válido quanto 1 hora. Ordem pra te orientar nas compras, nos passeios, nas informações, em tudo.

Um pais comprido, cercado por água de um lado e montanha de outro. Se não fosse o mar e as favelas, diria que parece bem geograficamente com a cidade do Rio... mas só aí mesmo. Por aqui preconceituosamente, discriminadamente não existe pobre, sério... não existe pobre nem se você procurar algum. Nem o Cesar e eu somos pobres por aqui. Você cai aqui e vira rico, é automático.

Não dá pra ser pobre na Suíça, não dá!

Fazer a mão por aqui custa 40 CHF, no real 60 mangos. Sério, 60 reais pra nem tirarem suas cutículas. Qualquer ímã de geladeira custa 12 CHF, média de 23 reais. Lacoste neste lugar é igual a Hering no Brasil, cada 3 quadras uma loja. Tissot, Rolex, Gucci, Ferragamo, Prada, RR, Audi, Armani, Swarovsky... são marcas que enchem os pacovás de tanto que você vê nas vitrines. Lojinha, lojona, lajota... qualquer canto tem.

As montanhas... as montanhas são os nossos morros, algúem se deu conta disso? As casas das montanhas construídas umas acima das outras com auto estradas cortando os níveis. Casas não, casa é a minha, sei lá o que são aquilo... mansões? castelos? que doido... E o mais engraçado é que não há diferenças, superioridade, antipatia. É assim, naturalmente assim milionário, fazer o que?

O Suiço não sorri muito, aliás europeu nenhum precisava ter os dentes. Também não é de cumprimentar a toa, falar a toa, mas percebi que é cortês. As árvores são lindas e coloridas, as ruas limpézimas, a educação dá até raiva. Bote o pé na faixa de pedestres e todos os carros param. Toooodddddoooooossssss. Apesar dessa educação ser mais comum fora do Brasil, aqui na Suiça é muito mais impressionante, é plena.

Fui a festa de San Martin, andei pelas lindas ruas de Montreux, visitei museu, castelo, boate e tenho muito mais histórias pra contar.

Vou descrever na próxima parte os detalhes, que nas viagens sempre me impressionam mais, e por aí espero registrar todas as minhas impressões. Paro agora porque Cesar já está se mexendo na cama, enquanto á luz de abajur eu escrevo (são 3h da manhã aqui). O que posso dizer é que por enquanto não deu nenhum crepe, até porque se desse iria ser suiço e dessa forma, bom também.

Merci. Au revoir. Até mais.

03/11/2009

o pó

O que pedir quando se quer apenas que o convívio seja o maior possível. Porque tanta agonia em cima de situações que se resolvem. Dinheiro eu quero e gosto e preciso, mas depois de tantos e muitas outras importantes escolhas. Rezo, oro, suplico para que facilitadores se aproximem. Nada de facilidades, f-a-c-i-l-i-t-a-d-o-r-e-s é o desejo, sinônimo de simplificadores.
Canso tem dias. Mereço, pelo menos agora, pensar apenas no que desejo. Tem momentos que a gente quer apenas jogar com o regulamento em baixo do braço, a nosso favor. Só isso.

falta de ar

Um pouco de água, mesmo que seja no fundo do copo. O pouco que vira muito nem sempre é bom. Viver pelo cuidado de não extrapolar e pelo desejo de ver mais um dia. Mesmo sem ver, mesmo sem conseguir os prazeres de sempre, mas descobrindo novos prazeres que muitas vezes estão apenas em dormir bem. Respirar leve. Inspirar e expirar, livre, solto. A falta de ar é de todos nós, acredite. Sem água no copo, e tanta água no corpo, loucura parecida com morrer de sede em frente ao mar. Tão triste, mas só por hoje. Sai, xô pensamento pequeno, que venha o presente, a oportunidade de mais esses minutos tão preciosos. Ser duro na queda. Ser duro, sem a queda. Eu desejo, com todo o meu maior amor. Amém.

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do sabor colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.