28/11/2007

catapora

Hoje em dia, nesse mundo moderno cheio de vacinas que te imunizam até de dor de cotovelo, quem pegaria uma simples catapora? Pois é, mas aqui em casa a Bia pegou.

Fraquinha, umas bolhinhas aqui, outras lá, indefesas praticamente perto das que eu, por exemplo, me marquei de tanto coçar quando pequena. Acho que todos nós tivemos a tal da catapora e tantas outras. Lembro da Lu com rubéola, do Flávio com caxumba, de rotineiras doenças de criança perambulando lá em casa, de tempos em tempos.

Mas mesmo com toda essa leveza cataporense dos anos de 2007, a Bia está o máximo, dizendo que não pode ir na escola porque tem uma catapora que o Dr. Mário achou nela. Aí o Pedro olha e diz, mas tem outra aqui, não é só uma!, e a Julia corrige dizendo, mas é que só essa que coça, né Bia?

Além dessas interpretações, O Pedro e a Julia querem estar encataporados também, mas não pegaram. O Pedro porque gostou da idéia de ficar em casa e não ter que ir na escola, e a Julia porque já que todo mundo vai ter, talvez fosse importante ela ter também pra sentir o que os irmãos estão sentindo...

Só sei que tá um barato a tal da catapora, assunto pras avós, pra eles, pros amigos e pro c de jaboticaba, que registra mais isso da vida. Da boa vida.

E viva a coceira.

27/11/2007

te agradecerei por todos os meus dias. até a eternidade

ESTADO DE GRAÇA**
(De Clarice para Cice)

"Só quem já tivesse estado em graça, poderia reconhecer o que ela sentia. Não se tratava de uma inspiração, que era uma graça especial que tantas vezes acontecia aos que lidavam com arte. O estado de graça em que estava não era usado para nada. Era como se viesse apenas para que se soubesse que realmente se existia. Nesse estado, além da tranqüila felicidade que se irrairradia de pessoas lembradas e de coisas, havia uma lucidez que ela só chamava de leve porque na graça tudo era tão, tão leve. Era uma lucidez de quem não adivinha mais: sem esforço, sabe. Apenas isto: sabe. Que não lhe perguntassem o que, pois só poderia responder do mesmo modo infantil: sem esforço, sabe-se."


** Uma das provas de amor mais lindas que recebi. Da Ana, a Ana Paula, minha cartilha pra vida e minha amiga. Que bom meu Deus... e minha amiga!

dela: singelices.blogspot.com

25/11/2007

antagonismo

Ando de tão feliz o próprio tema da tristeza.

Choro ao ouvir pedaços de canções, frases de poemas, filmes e tangos, ditados da vida. E eu que um dia tão jovem, jurei que não choraria...

Me emocionam as capacidades, quaisquer que sejam, mais as simples, como dobrar uma folha de papel num barquinho que correu pela guia da rua no domingo, como lá atrás. De ver o feito sair de uma geração que só teve isso pra brincar e hoje ensina tal volta em meio a tanta, e fácil, beleza nova.

Me emociona a capacidade de cuidar do corpo, de saber rezar.
Choro porque fui lembrada, porque revi pessoas, porque mergulhei em textos que me fizeram reviver, tudo.

Choro de tanta alegria que me dá um certo medo de exagerar. Mas acontece que minhas pupilas dilataram como a dos gatos, e eu tenho podido enxergar melhor durante a noite, onde não é tão claro. É lá que vejo quanta beleza tá escondidinha pelos vãos preciosos dos detalhes.

Onde a maioria vê escuro eu vejo claro.

Tenho com isso, me aproximado do medo como se fosse o último suspiro, como quem ouve o passado numa canção que diz é tarde e eu já vou indo preciso ir embora, até amanhã, mamãe quando eu saí disse, meu filho não demore. Em Braçanã...*

Choro hoje por essa saudade. De tempos que não quero que voltem, mas quero muito que permaneçam. Resgato partes e dedico aos meus.

Hoje chorei de novo ao ouvir: Vou te dizer uma coisa, olha pra mim, a vida é boa.. reza mamãe, não chora, reza.
Rezo minha filha, todos os dias.

Rezo para agradecer em meio às boas lágrimas.

*Menino de Braçanã - Luiz Vieira

24/11/2007

porque?

Pergunta muitas vezes ingrata, a acontecer nas horas erradas ou pelo menos pensadas assim. Que faz escorrer lágrimas, doer o peito, levar a imaginação ao limite do fim de tudo, dos sentimentos injustos. Viaja nos acontecimentos, que seriam mesmo que tudo não fosse. Em desmaios sofridos e dolorosos, porém acompanhados, em batidas malvadas e despreparadas mas também salvadoras, e é aí o inverso. Curioso que a resposta vem da própria raiz da palavra. A verdade é que muitos dos temidos momentos são o fio para a grande oportunidade da virada da alma.

Chora, não tem problema, mas chora de felicidade, porque certamente a resposta é outra.
Confia em mim.

16/11/2007

parece que foi ontem

Reencontrar amigos é uma gostosura. De uns tempos pra cá, não sei o que deu, mas tô revendo um monte de gente boa, relembrando bons tempos e as fases que passamos.

Primeiro foi o Baca e a esposa que também era da turma do Ascendino Reis, e dele já falei novamente com o Mortão, que tá com uma filha de 15 anos. Passei quando ele me disse a idade dela... 15 anos meu Deus!! O Baca também tem dois filhinhos, um casal.

Aí revi o Lélo, vixe quanto aprontamos juntos, o Lelo era meu grande amigo de dançar nos sambas, aqueles bravos, sambão mesmo. Foi namorado da Andrea, minha melhor amiga, por 8 anos e juntos passamos ótimas histórias. O Lelo casou, separou e tem uma filhinha.

Depois foi a vez da Lili. A Lili era minha companheira de andar de karman-guia vermelho conversível, meu carro da época. Vestidas de mamãe noel, lá íamos nós trabalhar pra Nestlé no antigo Mappin Itaim. A Lili tá ótima, tem uma clínica de estética chiquérrima. Também casou, também separou e tem a Isabella, que já está com 11 anos.

Colado na Lili veio a Gauchinha, outra grande amiga da Nestlé, que viu e viveu comigo cenas de filme. De antigos namorados até o César a Gá passeou comigo pelos anos.

Também falei mais com a Andrea esses dias, por conta do meu aniversário, ela não esquece, e ainda me ligaram a Carmen, a Lerão e a Wil. Tá todo mundo com filhos e casadas, e de bem com a vida.

Fico feliz com isso, em rever as pessoas que viveram comigo épocas importantes, saudosas. E fico mais feliz ainda de saber que hoje tá todo mundo bem e que estamos diferentes, mas continuamos os mesmos. Sei disso por causa das gargalhadas que invariavelmente surgem quando batemos os olhos uns nos outros. Bons tempos...

13/11/2007

onomatopéico

Corre.........................................
Vruuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuum
Zaaaaaaassssssssssssssssssssssssss
Huuaammmmmmmmmmnnnnnnn
Tantantantantantantantantantannn
Pssssssssssssssssssssssssssssssssss
Zooooooooooooooooooooooooommm
Tutututututututututututututututuu

Ri...............................................
quauauauauauquauauauauauquauau
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
ahahahahahahahahahahahahahahaha
uhuhuhuhuhuhuhuhuhuhuhuhuhuhuh
uahahahahaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
ririririririririririririririririririririririririi
hummmmmmmmmmmmmmmmmm


Pára...........................................
Ihhhhhh
Plá
Xsssssss
Tum
Chiiiiiiiiu
Vaãm
Bum

Tchau!..........................................

08/11/2007

o grafite e o diamante..a mesma jóia!

Hoje eu ganhei um presente.

Bem, um presente é modéstia minha, um presentão. Não, também é pouco ainda, um presentaço. Uma caixa preta, discreta, enorme e absolutamente responsável pelo que trazia, envolta em laço e veludo. Abri de pé numa cena de dar inveja a qualquer pessoa do lugar.

Passei! ao ver a jóia. Linda, elegante, um conjunto que não tive coragem de imaginar o valor.

Fiquei olhando e naquela hora eu ganhei outra coisa junto. Meu novo amigo me deu a jóia, e minha doce preta me entregou na caixa o cuidado de pensar aonde estava o anel que eu havia gostado, e de ir atrás dele, parar meio mundo pra isso porque era importante, e de fazer questão de entregar hoje porque amanhã a gente não se vê e o aniversário é sábado, e de esperar eu abrir pra olhar nos meus olhos se eu gostei, e de se preocupar se eu não queria fazer festa porque ela preparava, e de prestar atenção em mim, e de dizer que isso não era nada porque eu significava e merecia o triplo daquele símbolo do que é caro, no sentido de cuidado, na vida.

Eu vim embora chorando no carro sozinha. Absorvendo tudo que sempre recebi.

Feliz pelo fato de estar satisfeita e por isso chamar pra perto a alegria nas suas muitas formas. Por saber hoje o que está por trás das conquistas materiais, e quanta ajuda se dá por aí pra poder merecer o que se tem. Que o mundo não é só de quem não serve, que nele tem gente boa, que divide e aproveita, que eu tenho exemplos e estímulos de que posso e vou fazer mais. Que minha vida sempre vai pra frente e que sou abençoada em todos os sentidos.

Quero dizer aqui o quanto é bom saber que eu tenho vocês, e vocês têm a mim.

Deixo o meu agradecimento em forma de beijo ao meu novo amigo que corre à beça pra poder oferecer mais a muitos. E sobretudo, um beijo pra minha eterna menina, que me encanta e emociona dividindo comigo as suas conquistas na vida.

Obrigada.

06/11/2007

saúde!!!

E eu que adorava vinho, agora gosto ainda mais. Nem tanto pela safra, cor, aroma, que continuam à margem do meu próprio paladar apenas, mas sim por causa das histórias que envolvem essa bebida.

As histórias que se eu não vivi, viverei um dia, eu sei. As histórias do passado, de reis e de tempos intuitivos, das superstições elegantes, vitorianas, dos vestidos engomados e claros que desfilavam por belíssimas casas que eram assim mesmo sendo de barro.

Aprendi nesses dias que tudo deve ser simples mas rigorosamente soberano. O melhor.

Hoje sei que uma boa terra para produção de uvas tem que ter três coisas: árvores de espécies do mundo todo, boa água corrente, melhor que se tenha nascente em torno, e rosas de todas as cores.

Parte disso, que vem da sabedoria que voa, se entrelaça com o que é mesmo estudado. Em meio a tantas rosas, duas são as escolhidas para o ofício, as vermelhas que apontam as uvas rubras, e as brancas demonstrando a parreira das uvas da mesma cor. E assim se formam filas de rosas e de uvas.

Mais ainda, o aroma te carrega, o cheiro da terra arenosa com muitas pedras e das frutas de todas as árvores. O carvalho europeu envelhece melhor a boa safra porque seus póros são estreitos, diferente dos novos, bons também, americanos. Um barril se presta a cinco vezes, depois disso volta ao seu destino.

Quanto a intuição, a boa uva não é a uva boa aos olhos, mas ao saber. Tem que ser pequena e suficiente.

Proteção também faz-se presente, a cordilheira de um lado, o oceano do outro e o deserto à volta, isola o bom vinho de presas comuns, e também uma boa história aproveitando-se do diabo, afasta os que roubam a jóia.

Por fim, não mais que dois quilos de uva por planta e uma pitada de atenção ao que te torna sensitivo, a escuridão.

Então, agora na hora de beber vinho, abrirei a garrafa por uma hora antes e viajarei por todos esses lados, e cantos, e vidas, e sabedorias, e respeitos. E de braço dado com a elegância, brindarei os motivos.

Saúde!!

guardadinho

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do sabor colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.