18/12/2013

desejo (s) aos poucos para 2014

Fico todo final de ano desejando, emanando pra minha mente o que espero realizar. Tem dado certo. Olhando anos atrás, dificilmente algo viável eu não tenha realizado. Fica sempre de fora, ganhar na mega sena, comprar uma cobertura no Upper East Side com vista para o Central Park e fazer todas as viagens de primeira classe, mas tudo bem, não desisto. Agora esse ano, quero pedir diferente, aos poucos, conforme for sentindo as verdadeiras necessidades ou apenas singelas vontades. Começo com uma importantíssima.

Quero ser mais tolerante.

Não espero de mim mesma um doce de coco, mas verdadeiramente espero entender melhor o tempo do outro, mesmo que seja de uma morosidade 'ranca cabelos'. Não quero estragar minha cútis com a ira de limites alheios. Quero paz no meu coração quando falar com banco, telefonia, atendentes de qualquer espécie, ou ainda e mais, presidentes de empresas, donos de sobrenomes cheios de erres e esses, gentes, de fora ou mesmo de casa. Tolerância pra aguentar o ano da Copa, o ano das eleições, o ano de final 14.

Tenho pra mim que será um ano bem bom e desafiador. A contar desse meu primeiro desejo.

28/11/2013

reticências

Às vezes aqui, às vezes lá, eu tenho ameaçado as linhas. Coitadas, aguentando minhas histórias, minhas escritas. Tento acarinhá-las com boas verdades, mas nem sempre as tenho e aí ouço verdades alheias, assim eu penso, e me aproprio para adocicar os textos, ou salgá-los. Certeza que mentiras muitas também estão por aí. Mas a verdade da verdade é que tenho sorte, porque tenho repertório. Bons amigos, intensidade na vida, altos e baixos que criam romances, aventuras, terror e suspense que quase sempre terminam em comédia. Tenho ouvido muito, escreva um livro. Acho que começo a pensar no caso. Já plantei árvore e tive filhos. Queria mesmo era ter sido amiga da Nara Leão sem perder nada do que fui, fiz ou de onde vim. Até hoje.

20/10/2013

Extra, Extra!

Como hoje é domingo, uso meu espaço para uma crítica a um assunto desenhado para esse dia.
Há um bom tempo eu não lia mais jornal, aquele do papel - que deixava (ainda deixa) tinta nas mãos. Parei de ler um pouco por causa da tecnologia, já que consigo acessá-los do meu Ipad ou do computador a qualquer hora e exatamente o assunto que me atrai, mas muito porque tenho preferido as expressões de amigos ou pessoas que se colocam à sua maneira, sem pretensão de induzir alguma opinião. É, e ao meu ver isso acontece porque hoje a notícia não está mais instigante, ao contrário, está numa mesmice sem fim. Acontece que de duas semanas pra cá o ESTADÃO - de novo (no passado, quase que como o seu astrólogo Quiroga, eles já previam a derrocada) numa tentativa de livrar-se do afogamento, tem mandado jornais para o César gratuitamente. E aí, eu leio. E lendo eu vou assim, manchete absurda, economia eu pulo, jornal do carro e de imóveis o mais grossos cadernos nem abro; até o meu amado Caderno 2 de antes, hoje vem com sofridos espaços que são de fato interessantes. A notícia anda chata demais. Fiquei pensando o que fez mudar tanto o prazer que o papai tinha em se sentar aos domingos, muitas vezes com mais de um título de jornal e lê-los atenciosamente. Tirando o fato da tecnologia, até porque antigamente a TV competia, cheguei numa conclusão minha, mas óbvia: todo mundo conta a mesma coisa. Onde você for agora por exemplo, você lê sobre o movimento Procure Saber, e a polêmica das biografias não autorizadas. Gente, que porre isso. Primeiro, porque até um simpático jargão dos baianos caiu nesse "mundo cani" do como vamos fazer pra ganhar dinheiro, plantado por uns mercenários iludindo uma galera que foi bacana mas agora anda senil. Olha, juro, minha decepção com o Chico Buarque é de um tanto, que pra mim os olhos dele são castanhos. O resto passa, mas ele... De qualquer forma não estou escrevendo sobre isso, mas sobre a notícia. Será que os nossos gloriosos grupos de comunicação impressa não percebem que a salvação da lavoura está no passado? Em gerar a notícia e não apenas retransmití-la, e pior ainda querendo colocar uma "pitada original"  deixando o feio ficar horrível?  Porque não se noticia corajosamente as inúmeras Malalas antes que elas sejam indicadas ao Nobel da Paz, fazendo uma luta conjunta? Porque a imprensa, toda, ficou assim, medrosa, besta, e ouso aqui dizer, mentirosa!? Até eu, que sempre li jornal de ontem pensando que as notícias ruins se já passaram não podiam ser tão ruins assim, hoje leio sem nenhum ânimo ou receio o jornal de hoje, chato à beça. Então, meus caros e respeitosos jornais ESTADÃO, FOLHA, enfim... passem a encorajar-se novamente. Coloquem enviados especiais atrás do que mudar, do que fazer para o bem, das denúncias com atitude, para depois noticiar. Na transmissão de mensagens apenas, inspirem-se nos modelos de seus leitores, sejam honestos, não tenham rabo preso e voltem a fazer as impressoras orgulharem-se dos furos de reportagem nas madrugadas. As revistas nesse ponto ainda estão com uma bóia inflável nesse rio de lama, ao meu ver. E quanto a mim, de verdade, abro o jornal leio o Calvin, o Snoopy e fecho as folhas pra usá-las nas gaiolas, que não temos em casa.

02/09/2013

uma década

Quando o mês de setembro começa, começa uma alegria dentro de mim. Sempre foi assim, eu sei, mas de 10 anos pra cá meus motivos - 3 deles, se multiplicaram um tanto. Eu sempre digo o quanto é mágico o anteceder do dia do aniversário, um amadurecimento instantâneo que parece que vem a galope, de um dia para o outro, outras conversas, outro olhar, outras descobertas. Esse ano mais ainda, ao ver o corpo mudando também, os gostos por sabores cítricos chegando ao paladar, o pedido de gel de cabelo na lista de compras, porque o topete tem que ficar perfeito, perfumes, os "isso" não gostei, os "aquilo" são bacana. Eu ontem rezei na missa. Rezei de joelhos e olhos fechados porque apesar de cada fase ter a sua magia e os seus desafios, agora começa uma troca maior, eu confio e tu confias, nós confiamos. Um no outro. Pedi a Nossa Senhora que é mãe e confiou até o fim, que me ajudasse nessa guia, nessa estrada onde andam tantos outros, tantas novidades, expectativas, frustrações, tentações. Que Ela me ajude nessa arte da confiança, onde as palavras devem vir acompanhadas de atitudes, onde os exemplos, mais do que nunca, encaminham os passos certos, onde a presença deve ser equilibrada com o cuidado entre os espaços necessários. Engraçado, toda vez que vou ao salão tingir a raiz, eu penso: meus filhos estão crescendo como meus cabelos brancos, rápido demais. Mas eu saio do salão satisfeita porque pelo inevitável, a gente se propõe a ser mais bonita, faz uma hidratação, um cuidado na pele que não faria se não tivesse que sentar e esperar naquela cadeira. E é assim. A vida se faz mais bonita com o crescimento, mesmo se a vontade fosse que os bebês ainda estivessem jogando biscoitos dentro do video cassete ou fazendo gracinhas pela casa com as novas e poucas palavras. Hoje, as graças pela casa são grandes parceiros, de corpos lindos, vaidades e incômodos, livros de cabeceira que mudaram os títulos, espaços na pia do banheiro para gloss, gel, perguntas rodeadas, curiosidades disfarçadas, vontades de voar mais alto. E a nós, Cesar e eu, resta ver essas vidas sendo vividas, o apego aos bons ventos, a torcida. A nossa parte de métricas e rédeas se mantendo, mas cada dia mais amparada pela sabedoria que a nós não pertence, aquela que não está nas escritas mas na certeza do amor, aquela que sabe crescer mas não deixa a infância nunca. Rogo a humildade de entregar a Deus os nossos maiores amores e a nossa eterna realização, que vai se perpetuando com o contínuo crescimento que a vida nos dá, assim, de graça, numa tremenda prova de generosidade.

Beatriz, Pedro e Julia, bem-vindos aos 10 anos! Bem-vindos a uma fase onde as bonecas e os legos ainda são realidade em meio aos novos gostos, onde a infância chega um pouquinho pra lá pra dar lugar para um despertar de jovialidade, onde a ingenuidade ainda reina, mas encontra com um sei lá eu... tô ficando diferente! onde o Papai Noel e a Fada do Dente não combinam mais e já fazem parte das histórias que vocês vão contar para os mais pequenos. Mas a verdade é que mesmo assim, se valer uma escapadinha para a imaginação, abre-se um sorrisão, porque ainda é bem bom ser surpreendido.

Bem-vindos filhos a toda a vida que vocês tem pela frente.

Com todo nosso amor,
Papai e Mamãe.

13/07/2013

dia do rock

Passei o dia hoje sabendo que era Dia do Rock, vendo os amigos e suas comemorações sem muita inspiração pra dizer o que sentia a respeito desse estilo musical. Aí, cheguei em casa com 5 crianças pilhadas e dois adolescentes à flor da pele, e minha memória foi trazendo lentamente uma fase da minha vida. Lembranças que se formaram, tão boas... algumas até consegui, num fechar de olhos, ver bem na minha frente exatamente como naquele tempo. A coleção de discos de vinil, por exemplo, que o Flávio tinha de tantos grupos de rock. Nomes que na época eu mal sabia pronunciar, como Black Sabbath, Pink Floyd e seu triângulo que me dava medo, Judas Priest que eu associava com o Judas de Jesus. As fitas cassete gravadas, escritas à mão do AC/DC com um raio no meio eu também vi. O Flávio desenhava bem e vivia desenhando caveiras e raios do AC/DC pelos cadernos, blusas e tudo mais. Eu tinha 10 anos. Vivi isso no meio daquela barulheira, aquelas roupas meio sujas, sério, que ele usava. Dos amigos cabeludos, do casaco preto longo e do crânio que parecia de osso mesmo, que ele deixava em cima da cômoda do quarto que dividimos por todo o tempo. Éra isso e o rockeiro lá de casa.
Junto dessas lembranças me veio um sentimento tão terno, tão bom, tão ingênuo, totalmente diferente do que o rock propõe, eu acho. Fraternal. E eu descobri que é isso que essa música carrega em mim, uma época onde o Flávio, que é meu irmão, e eu, estávamos sempre juntos apesar das diferenças de idade ou gostos. Num tempo onde ainda não tínhamos feito tantas coisas, certas e erradas das quais, talvez, nos arrependemos ou, bem provavelmente, viemos a celebrar. Numa fase onde a vida podia tudo, onde sonhávamos com o que iríamos ser, ter ou fazer. Onde devotamente a melhor música era aquela que nos fazia voar, pensar e subir - a nossa escada para o céu...

Flá, obrigada por me mostrar o rock e o seu amor. Te amo.



17/06/2013

consciência é valor, o resto é preço (que se paga aqui mesmo)

Semana passada foi marcada por um fato bem no dia dos namorados. Enquanto eu batia  perna em busca de duas sainhas para minhas meninas dançarem na festa junina da escola, em SP jovens batiam perna correndo da polícia porque reinvindicavam direitos. Só nesse parágrafo tem assunto à beça: escola, jovens, direito, consumo, polícia, crença... dá um livro. Mas no meio de tanta coisa que li, inclusive por conta do dia seguinte - 13 de junho, onde a manifestação ganhou grandes proporções -  quero aproveitar pra escrever também um pouco do que me atormenta. A verdade é que eu nas minhas andanças procurei os locais mais econômicos, duas filhas, roupa junina, inverno, eu queria gastar pouco, comprar em conta. Fui no centro de Cotia. Lotado. Nas lojas, as barraquinhas apontam "a partir de" (bem pequenininho) 9,90 (bem grandão), e mexendo no cesto só o que você encontra são peças de 29,90, 49,90 e tantos 0,90 enganosos que ficam suaves pela voz daqueles montes de Darksons e seus microfones. Saí de lá e fui para as grandes magazines, C&A, Renner, Marisa... e ó, de novo! produtos frágeis, de qualidade duvidosa, custando caro e se dizendo barato. E o povo cheio de sacolas. As filas dos caixas eram minhas cúmplices. Mulheres e homens cheios de pacotes de ilusão para iludidos.

Corta pros manifestantes de SP, brigando pelo estupim dos 20 centavos a mais no transporte público.

Claro que não é só isso que gerou tal comoção que se estende até hoje, num manifesto de formadores de opinião, pessoas com grana e todas as outras. Ouvi um dos caras que mais falaram nesse país representando a imprensa, errar grave quando criticou a classe média frente a essa indignação. Vi também a polícia ser xingada até, como se a forma como ela age fosse novidade para algum brasileiro. Nada público funciona no Brasil, a polícia seria diferente? como bem disse Dimenstein. Enfim, a minha percepção de tudo isso é que realmente estamos à deriva. As pessoas precisam sair às ruas sim, e o primeiro passo é mesmo ir sem saber porque e depois irem se aculturando do que estão fazendo. Quando eu fui para a Paulista no Diretas Já em 84, eu tinha 16 anos e depois como cara pintada no Collor com 24, eu já entendia mais, mas ainda não tinha a noção da intensidade daquilo, que tenho melhor hoje, mas fui e fiz alguma coisa. Talvez agora seja o mesmo com os jovens que estão gritando o movimento #vemprasruas. Eles, certamente, sabem menos do que saberão deles mesmos no futuro.

Mas o que tem a ver a primeira parte do texto com a segunda?

Enquanto batia perna e ombros com aquele monte de gente consumindo produto ruim a preço de ouro (porque era dia dos namorados) eu percebi que a classe que precisa dos 20 centavos tá gastando esse dinheiro com compras, sem sequer perceber que sim é um direito, mas não, se o fizerem sem crítica. Veja, eu to ensaiando um mês para comprar uma bota da marca "Selo" que é bacana, tem qualidade (eu tenho uma outra há 7 anos, juro) porque custa 349,00. Mas me deparei com um monte de moçoilas levando botas da marca "Sola" - acabamento péssimo por 299,90 na loja da banca que tem o Darkson berrando. Sério, a tal da "Sola" não dura um inverno...  De verdade não é pelos 0,20 que temos que ir às ruas, mas pela consciência. Não podemos ser pedintes nem apenas ouvintes, temos que lutar pelo direito de sabermos o que fazer. Dinheiro aqui é o de menos, classe social idem. Ou acreditamos que somos iguais ou vamos continuar cuspindo fogo pra quem tem carro importado e do outro lado maldizendo quem anda de metrô. Eu quero ambos, cada um com a sua vez e valor.

Portanto: primeiro ESCOLA, reivindiquemos nas ruas o direito à educação, por favor! O direito a que todos tenham as mesmos oportunidades. Depois SAÚDE. Ninguém vive pra levantar um palito de sorvete sequer sem ela, quanto mais uma bandeira verde, amarela, azul e branca.

Fora quem nos quer mudos e cegos! Fora quem nos quer sem aulas, sem hospitais ou comprando produtos que valem metade do que custam. Fora!

Minhas filhas dançaram lindas com saias que eu comprei em uma loja de marca no shopping pelo preço das porcarias que eu vi por aí. Estavam lindas e souberam que foi uma boa compra porque irão usar em outras ocasiões também. Paguei 80, 00 em uma e 45, 00 na outra versus os 85,00 em cada vestidinho caipira horroroso que queriam me empurrar. Isso vai de exemplo quando elas tiverem que lutar pelos seus direitos - sejam eles quais forem.

A mudança parte de cada um de nós.

24/05/2013

ópus6

Tem gente que imita a gente.

Ô gente chata!

No fim do mundo,

sobram elas e as baratas.

20/05/2013

livrai-nos

É quando o que te estorvava, implicava assim a toda hora, cutucava o seu sossego, enrolava o seu caldo, se desmancha, some como sopro no ar, é que você sente mesmo o que é liberdade.

Aquele peso com papéis em baixo, que não serve pra nada, que se ganhou quando se perdeu como prêmio de consolação, que você finalmente manda embora, te alivia as costas, sapeca o ranço, desempaca a carroça.

Ô coisa boa, ô delícia de sensação. Tipo, a mosca caiu na sua sopa e para celebrar então, você vai traçar um bom bife de picanha.

06/05/2013

O "i" de Maria*

Ah, ainda bem que ela está por aqui, doando seu riso solto, que aprendeu a ser, meio que aos solavancos de tanta rigidez e egoísmo que sempre a cercaram. Ah, ainda bem que ela resistiu e sorriu mesmo assim, sem supor que tanto doía, e que aprendeu também alguma defesa para se assegurar de esperança, embora sem saber como iria se equilibrar na bicicleta da vida. Ah, ainda bem que ela é assim, tão dedicada, concentrada, resignada. Estudiosa e teimosa, fuçadora, persistente. Filha de quem é. Aquela que termina as tarefas, que não sabe o que é preguiça. Ah, ainda bem que ela foi mãe, e soube ser. E me fez ver o quanto é transparente o verbo amar. Ah, ainda bem que ela é minha, que quando eu grito seu querer, já está comigo há tempos. Que sabe de tudo, de olhar no guia de ruas até recorrer às duras penas da vida. Ah, que bom que ela toca, canta, tem música na alma. Que bom que é morena, que tem pele de índia, que força a caminhada nos pés que lhe avisam a hora de parar. Que sabe esperar, que supera, que ama o mar. Ah, que bom que eu sou dela, que bom que sempre fui. Que bom que eu me encosto no seu colo, e ganho carinho e posso contar tudo e ouvir tudo também. Que bom que ela é lutadora, é amiga da fé, é um anjo que lê para todos os ouvidos e que também cuida com seus olhos atentos. Que bom que tem raiva às vezes, gênio forte, olhar de fera. Ah, ainda bem que ela protege, convive, ora, pede, recebe. Que bom que é assim. Mãe e avó. Que bom o seu piano, o seu acordeon, a cor do seu batom que todas às vezes some da boca, e o seu cabelo curto, preto, que já foi mais, e já foi longo no corpo violão que encantou tantos, sobretudo um. Que bom que eu sei disso tudo. Que bom que a ouço todos os dias, e que bom que ela fala desse jeito, e escreve, e é culta, amiga, querida. Que bom que o "i" de Maria começa e termina seu nome. Ah, ainda bem que ela é minha. Ainda bem que ela é Mãe.

Ah, meu Deus, ainda bem!

*para Ivani, minha mãe. Com todo o meu amor.

03/05/2013

descarrego

Me deixe aquele que sopra em meus ouvidos, que não me encara ou cala. Que ao menos finja um disfarce, emudeça, entrelace. Me deixe o covarde, o fujão, aquele com alma perdida, encostado nas esquinas do pensamento, vago, atolado em pranto enlamaçado. Me deixe o médio, o tédio, o morno, o rosto de olheiras fundas, a cara de bunda. Prefiro que não me prefira, que ignore minha existência, que corra em círculos e caia por aí e eu nem veja. Me deixe o que deseja o meu não rir. Prefiro o só do que viver na obrigação de um senão, com tudo, em vão. Prefiro assumir, resumir. Que se esvai assim, o pobre de mim.

gangorra

Uns dias a gente tá assim, em outros meio assado, um dia feliz, outro chateado.

27/04/2013

se houver inverno

Pela fresta da janela ele entra meio que sem vergonha. Acorda a gente pela ilusão de que as cobertas quentinhas não estarão à sua altura. Um sábio, porque percebe muito bem o poder de sedução que cortam seus raios coloridos e confundem nossa visão. Ali, onde ele pousa, a gente senta buscando o aconchego que vem acompanhado de uma xícara de café. Seu calor nem é assim assim, mas o efeito que produz estar embascado com seus reflexos, acomoda os pensamentos que vão longe e se misturam em meio a bolas coloridas, lilases, brancas também, quando o piscar dos olhos se fecham. O sol de inverno, o solzinho, que assim como a vida, em meio ao gélido tormento que todos temos que passar um dia, vem acalorar um pouco o movimento que a terra faz. E desse jeitinho nos dá uma luz literal, uma cena boa, de que sempre haverá algum lugar mais quente. Sim, é sim, porque mesmo que os trópicos fiquem no mesmo ponto, teimosos nas suas estações, basta que a gente levante, que o movimento seja feito e que sigamos para outros cantos, ao encontro de novos calores e outras xícaras de café.

02/04/2013

emaranhado

"Haja hoje para tanto ontem", disse Ana Paula redizendo Leminski. Ana parecia querer expressar sua alegria por um feriado em família naquele dia de branco, e Leminski devia ter seu propósito que eu posso até imaginar, mas não ouso. Eu aproveito a frase tão rica pra dizer que, sempre tive dificuldade em desenroscar cordões de ouro, achar o começo do nó, parar para me concentrar nesse emaranhado. E é assim que ainda sinto, quando hoje, leio, acho, pesquiso e às vezes até não encontro algo. Tanta coisa ao meu bel prazer que nem sei por onde começo. Entro em livrarias e em livros, olho pelas bancas das lojas de atacado, das chiques, clico em sites, em blogs, em redes e dali sempre tem outro ponto, outro item e nele algum hífen que te leva para um caminho anterior, que puxa um antes e outro assim, antes do antes ainda, e tanto e tanto, que nem lembro mais o que realmente eu queria saber. Ao mesmo tempo que isso sufoca, intriga e abastece a mente e a alma de novidades atrás do que se, na verdade, são velhas conhecidas que demoramos 44 anos para entender. De poemas a imagens, de homens que marcaram uma época a mulheres frutas, de penicilinas a pornochanchadas, de que nada é tão novidade assim e nem tudo já tão sabido. De sins e nãos e talvez.

08/03/2013

Maria Luiza Capassi Padula

A bivó na minha infância, vivia sentada numa cadeira de balanço, com um sueter azul royal, cabelos brancos penteados de lado, portadora de cegueira pela idade e mãos trêmulas pelo parkinson. Mesmo sob essa figura, eu com meus 6 ou 7 anos, nunca a enxerguei fragilizada. Aliás, a gente chegava lá para vê-la, não como uma visita, mas como que para dar a satisfação da semana, sem que ela nunca tivesse pedido. O tempo passou e eu quis saber mais sobre a bivó, porque a morte enterra o corpo, mas desenterra as curiosidades e as lembranças. Perguntas como: Quem era a amiga que posava elegantemente ao seu lado no retrato tirado em 1935, mais ou menos? Como ela tinha uma loja num tempo que mulher não trabalhava? Com quantos anos ela casou com o meu bisavô e porque ela casou com ele, se eles eram tão diferentes? Como ela tinha dinheiro e ousadia pra viajar sozinha, de férias? e como fazia para enfrentar todos os limites sociais impostos às mulheres... E as respostas vieram. A Véva era uma grande companheira numa época em que as mulheres mal podiam abrir as janelas, quanto mais os olhos ou a boca para serem amigas. Parceiras de ideais e diversão, numa amizade fiel e da vida toda, e quem sabe mais o que... Dona Maria Luiza casou tão nova, porque era assim naquele tempo. Com o casca grossa do meu bivô, porque assim era também, mas nunca deixou as coisas por isso mesmo. Era virginiana e resolvida. Mãe da vovó Concheta (que perdeu uma grande oportunidade de seguí-la em pensamento). Era uma mulher de fibra, que começou um negócio vendendo roupas para fora, de casa em casa, e fingia pro seu Padula fazer o que ele mandava. Foi ela, ela! não eles, quem teve o primeiro telefone do bairro, que administrava os filhos e o trabalho, que enfrentava o meu bisavô e suas ignorâncias com inteligência e porrada, quando era preciso - e de frente hein, nada de esperar o cara dormir. Tipo UFC mesmo. Uma mulher que ultrapassou os limites sociais porque tinha coragem e coração liberto. Que abriu seu próprio negócio na luta, na habilidade de gestão e de liderança (uma loja de aviamentos linda, linda). Que tirava férias e usufruia do dinheiro, gastando nos hotéis mais caros das cidades que conheceu, com os netos e quem a acompanhasse, porque ela ia. Que se amava primeiro e amava quem quisesse o seu amor. E quem não quisesse, pra ela, ó...
A minha bisavó foi uma mulher destemida. Uma italiana vaidosa e firme, que não ligava para as convenções. Talvez hoje ela dissesse, "belaroba esse dia", mas é por causa de pessoas como ela, que o dia vale as homenagens.

Bivó, eu acho que carrego um tico-tico de você. Mamãe ficou com boa parte, a Lu com outra, inclusive o seu nome, mas eu tenho uns tiques teus.

Que bom!

8 de março - Dia Internacional das Mulheres, como a bivó.



28/02/2013

de livre arbítrio, renúncias e amor

Leiga, sim. E que bom que seja dessa forma, porque todo mundo deseja descobrir algo que ninguém jamais poderá afirmar. Supor está às ordens, mas por favor que se tente, ao menos, respeitar o ouvido alheio.

Me deu vontade de escrever sobre a renúncia do Papa. E só hoje. E não porque foi sua última aparição pública, mas porque sim. Desse jeito, como resposta que se dá às crianças quando não temos argumentos ou quando educar não precisa de justificativas. E nesse desejo eu exponho impressões minhas e já me desculpo antecipadamente, pelo modo como as coloco.

Para mim é assim: O Papa Bento XVI será melhor sem as honras, aliás já é melhor sem as honras. E ele nem sabia disso quando todo pomposo, preconceituosamente intelectualizado e fashionista, vestiu o anel de São Pedro. Porque cá pra nós, a figura humana desse senhor é outra hoje, e ao invés do que tantos podem achar, ele ficou mais bonito, mais jovem e leve e, certamente, muito mais sábio agora.

O que está claro é que Jesus toma conta daquela cadeira. Qual é? a cadeira do seu melhor amigo você também não cuidaria? Por ali, por aquele luxo todo, cerimoniais e políticas, reina sem dúvida a misericórdia de Deus. E não há como manter-se sem ela no meio daquele colosso. O Papa Bento sabe bem disso agora, e muito diferente do dia 19 de abril de 2005, ele deixa tudo pra ganhar uma coisa apenas, a coerência de sua crença.

No meu modo de ver, a renúncia pouco importa, porque nunca acreditei que Deus pudesse julgar os nossos atos. Se fosse assim o livre arbítrio era uma balela, e eu acredito muito nele. Tanto que Jesus tinha tudo pra escolher outro caminho, mas decidiu, sozinho, abrir seu espírito a Deus e seguir seu destino. Antevendo quem Ele era sem de fato ter plena certeza (lembra do: "Pai, porque me abandonaste?" aos 45 do segundo tempo?)

Ouvi pessoas dizerem nesse período desde a renúncia, na verdade dizerem não, misturarem alhos com bugalhos, coisas do tipo: Ah, se o Papa renunciou porque o casamento não pode ser desfeito? Porque a igreja condena os gays, porque padre não pode casar? porque, porque? vira tudo motivo de panelaço...

Eu nunca me importei com isso, prova é que casei com um cara divorciado e to cheia de amigos gays.  Na minha vida sempre entendi Deus como sinônimo de amor, e assim vivo apegada a Ele, pedindo, agradecendo, rogando perdão, procurando sempre ficar em torno do amor.

Mas também não posso deixar de reconhecer que é preciso regras e orientadores pra nos ajudar no entendimento desse amor. Leis escritas com o dedo de Deus no sentido do amor verdadeiro e não dos modismos e badulaques.

Um casal deve manter-se em união. Deve. E aí entra a resignação, o perdão, a dor. Porque ninguém ressucita sem antes ter morrido, e as pessoas querem ressurgir do que ainda nem acabou de verdade, nem sabem porque tomam certas atitudes. Vivem por conta da intolerância e das tentações do diabo, que vem sim, oferecer o caminho mais curto. Banana pra você diabo. Sigo na pindaíba, mas não te entrego o meu amor de bandeja.

Aí voltam as pessoas, pré-julgando uma decisão através da crítica, mas sem qualquer atitude. Metendo a boca na igreja. Entendo que muitos prefiram as decisões rasas, descobrindo com surpresa que padres não são santos. Han, han, não são não... Eu trabalhei na igreja como secretária paroquial. Madona Mia, eu via cada padre do mal. Ninguém é santo, e esses padres que agem fora de suas promessas, agem fora do amor como qualquer outro cidadão que também faz uma promessa e não cumpre.

Mas como os bons são a maioria, ainda tá cheio de nego honrado pelo seus dons e pelo exercício deles. Os padres, como em qualquer outra profissão, que cuidam disso, vivem com respeito e , sim, têm um papel de liderança. Um exemplo em minha vida do que é respeitar suas escolhas, foi o Padre Fidelis.

Quando eu econtrei o Cesar e vi nele um amor que iria me transformar numa pessoa melhor, a gente decidiu casar. E eu, filha de dois carolas de igreja, cria de missa desde pequenininha, professora de catequese, fui lá dizer pra ele: Padre, e agora? E ele disse: Preste atenção no que vou te dizer, a união em casamento de duas almas é uma decisão solene. Lembre disso! Porém, o ritual é apenas o ritual. Tá certo... você é católica e a igreja católica não permite, em suas regras, que você case aqui, mas você sempre soube disso também, então não deveria ser motivo de agonia. Agora, se está segura da sua decisão digo, quem te falou que Deus é católico? Não acha que é substimar demais o Nosso Senhor? Deus estará com vocês se vocês estiverem Nele. Que seja sempre assim.

E eu casei bela e fregue, feliz num ritual um pouco diferente da minha religião e ainda com uma pá de padres do bem, convidados e presentes na cerimônia e depois na festa. Eu recebi a benção de Deus, eu sei. E é com esse compromisso que eu me deparo nos momentos de tensão, aqueles que a gente quer jogar o marido pela janela.

No domingo passado, na missa, aprendi um bocado de coisas que já sabia. Já tiveram essa sensação? Você já ouviu muito algo, mas em determinado momento aquilo vira aprendizado real. Você entende. A missa foi celebrada por um ministro, um rapaz casado, com família e merecedor do dom da palavra de Deus. Ele ali, ajudava a igreja que está carente de missionários, e fez uma celebração belíssima, iniciada pelo esclarecimento de que celebraríamos a Palavra, e não a Santa Missa.

Sua homilia falou do milagre da transfiguração de Jesus, presente no evangelho do dia, e eu entendi tudo (inclusive aí, a renúncia do Papa). Jesus muda sua aparência aos olhos de quem passa a acreditar no milagre. Translúcido. E pouco importa o que estiver ao redor. Basta isso, passar a acreditar, tá tudo ali.

Falou ainda para pensarmos na atitude de Jesus toda vez que precisava tomar uma decisão. Ele sempre subia a montanha, procurava o alto, o isolamento para rezar. Porque a oração é a resposta.

Eu olho para o Papa hoje e vejo uma transfiguração, e ela não tem nada a ver com doença do corpo, nem com 86 anos. Ela escancara uma mudança em alguém que dobrou os joelhos e humildemente saca fora dos pés os belos sapatos vermelhos, para gerar um alerta vermelho à igreja. Um alerta necessário.

E por final apenas um último detalhe: A igreja não são os bispos todos com a batina bem passada lá em Roma. Aquilo é um ritual, apenas um ritual e sempre será assim, mas a igreja verdadeira, meus caros, somos nós. E a decisão em atitude individual que tomamos ao seguí-la. Estamos seguros disso?

O alerta vindo pela renúncia, é para todo o mundo.

22/02/2013

Skyfall


4 dias de espera e 1 trilhão de protocolos de atendimento depois... 
Din don, nós viemos ver o problema da Sky. Certo. Então, o que acontece? Ce tá perguntando pra mim? não funciona é isso. Nada? Nada. Hummm a sra tem HD. Isso e o que aconteceu tava informado no meu chamado. Então, é que seu chamado era de outro colega, mas ele passou pra mim. E só passou o endereço, não passou o problema? É, não, um folgado viu, mas eu vou ver. - Minutos depois... Tem escada aí? Escada? vcs não tem escada? Não. Humpf (eu), Humpf (ele). Ó, tem que ser bem alta. Olhar da fúria do assassino (meu) - Escada depois... Então, queimou um aparelho que manda o sinal pras TVs. Ah puxa!!! então troca. Não tenho desse modelo, tem de outro que precisa passar um cabo. Resolve? Sim. Então põe o outro. Não tenho cabo aqui. Cara, esquece as Tvs dos quartos e resolve a da sala. É que eu não tenho o aparelho de HD aqui. Tá, então tipo o que você tem aí? baralho pra gente jogar truco? risos (dele). É, na verdade não vou poder ajudar muito. Certo, e eu faço o que? Ah, a sra liga na Sky e pede pra reagendar o técnico. Ah, tá... então tchau. Viu, antes posso usar o seu banheiro e tomar uma aguinha? se der pra por umas pedrinhas de gelo eu agradeço. Pô, claro! aqui em casa cliente é sempre bem atendido (e lá fui eu pegar a água). Xixi, água, um aperto de mão depois... e a TV necas. 

08/02/2013

carnaval

Eu adoro o carnaval. Gosto tanto! Deve ser porque eu sou negra, e sendo assim o carnaval é meu. Ah, eu sou bem negona mesmo!  Eu sambo muito bem, sempre sambei. No pé, miudinho, quadrado, gafieira. Meu sonho sempre foi tocar pandeiro e sair na avenida como a rainha da bateria. Eu já desfilei em escolas de samba, mais de uma vez, mas não como rainha da bateria... me sinto também parceira de Dorival Caymmi, pois assino em baixo que quem não gosta de samba bom sujeito não é. Nesses dias, assim, bem antes do carnaval, desde a minha infância, papai e eu já nos preparávamos para os desfiles. Ficávamos de madrugada vendo as escolas do Rio de Janeiro na televisão (mamãe ficava junto, mas ficava lendo). Dávamos nota, escolhíamos a preferida. A dele sempre era a Mocidade Independente de Padre Miguel, a bateria nota 10. Eu ia de Mangueira, Portela (que ele também gostava um bocado) e mais umas outras porque a maioria me arrepiava. Era um momento tão bom! O papai também sempre foi negão, aquele lindo. A gente se divertia. Depois a apuração... genial a apuração, uma brigaiada. (aqui mamãe participava assistindo porque ler era menos divertido)

Eu tenho 44 anos e já vivenciei muitos carnavais.  O de Salvador, do meu querido Recife e da bela Olinda, na minha São Paulo - o carnaval da chuva na avenida (em duas vezes) e mais uma - sem chuva na escola campeã daquele ano, de várias cidades do interior e do litoral e também de Minas. Já estive em Paraty, no Rio mesmo só no ensaio da Beija-Flor, mas a Sapucaí que me aguarde. Já me diverti muito em blocos de rua, fantasiada de onça, pulei em clubões e clubecos, joguei confete e serpentina a torto e a direito por aí e tantas outras alegrias, mas o melhor mesmo ainda é a lembrança das madrugadas em frente à TV, com pipoca, alegorias bem menos luxuosas do que as de hoje, piscadas de sono na alta madrugada e um espírito compartilhado de emoção por algo que se gosta mesmo, na pele. Que transbordava a minha alma e até hoje me completa e faz emocionar com os gritos do "esquenta" nas concentrações.

Vai ser assim esse ano. Eu, a TV, meus filhos que  levarão com eles esse gosto se depender de mim, o gordo, a mamãe e seus livros e o papai, claro!

Quanto riso, quanta alegria. No meio da multidão.
É carnaval minha gente!

http://www.youtube.com/watch?v=ZxbPr1S7vvA

27/01/2013

enough

De tão muito que se quer, pouco será apenas a solidão. Porque o pouco que se tem se não nunca suficiente, mesmo que seja muito, sempre será pouco. E mesmo pouco ou muito, será sempre só. Uma pequena parte que se transformará no grande desespero de ser tamanho nada.

18/01/2013

lei de smurf

A camiseta de aniversário de 40 anos do Gianecchini, confeccionada pela Cavalera que é uma marca irreverente, tinha o desenho do Smurf - aquele carinha azul, com a frase "Lei de Smurf". Vi essa camiseta e soube da história do aniversário do Giane, ano passado, num leilão beneficente em prol do GRAACC (Grupo de Apoio à Crianças e Adolescentes com Câncer), doação feita por ele. Mas lembrei disso tudo hoje, porque tem dia que de Smurf ou de Murphy, a danada da lei aparece mesmo, e aí, a tal suposição que se alguma coisa pode dar errado com certeza dará, vira verdade. Sei lá o que é, se falta reza brava ou sobra mandinga, se o povo olha tão bem que deixa mau esse olhado, ou se é só porque tinha que ser mesmo. Mas assim ou assado, é chato. É muito chato. Deixa a gente mesmo azul, com nariz largo e vontade que a única lei que exista seja a da avestruz. Ah, é... tem hora que enfiar a cabeça num buraco era tudo que a gente mais queria. Só que foi aí, quando a cabeçona teve mais é que ficar de fora, que eu gostei de ter lembrado tudo isso desse jeito (manja, no meio da encrenca, eu lembrando da camiseta do cara... surreal). Porque o Gianecchini, que eu nunca vi pessoalmente e mal admirava antes da doença que ele venceu, me ajudou a ver que raio de problema, de fato, são os pequenos desconfortos que a gente tem que enfrentar?  e a lembrar que mesmo nas piores situações o que mais importa nessa vida é lutar pra ficarmos bem. Bem de saúde e de espírito, porque de resto, tudo passa. Viu seu Murphy Smurfado! :/

15/01/2013

Polegar ao invés de Polegadas

Ouvi uma vez, "não meça o mundo pela sua própria régua". Frase muito feliz ao meu ver. Diz tudo.

É, porque a maioria das pessoas avalia atitudes pela sua própria maneira de agir, na maioria das vezes até prejulgando ou antevendo situações pela sua ética, ou falta dela.

Vejo muito no dia-a-dia pessoas esbravejando, ofendendo, desrespeitando. Começando pelo ataque sua própria defesa; prevendo no outro um traço de personalidade que na realidade é bem seu. Também me deparo, em incrível menor número, do contrário. Pessoas de bem, que não enxergam a desonestidade na palavra alheia, porque nem sabem o que isso, em verdade, significa.

Seja de um ou outro jeito, o equilíbrio deveria vir acompanhado da régua certa para determinadas medidas, mas infelizmente não é assim. Cada um atribui ao mundo a sua própria centimetragem de certo e errado, vício e talento, medo ou coragem, falação ou consciência. Perigo! Perigo!

Aos sábios então: Cuidado com a sua própria régua, ela pode medir o tamanho de tudo, bem diferente do que de fato seja a medida correta. Vale mais usar o polegar ao invés de polegadas, no mínimo ajudará a alcançarmos mais o tamanho da humanidade que queremos ter.


07/01/2013

índigo blue

Tudo com ela é assim. Forte, intenso, firme. Nada de mais ou menos, de morno. Ou é quente ou é frio. Um tico de gente que se expressa como gente grande. Que pensa o que ninguém pensou, ou pelo menos não soube dizer como ela diz. Bichinho de genio forte. Que decide a decisão do outro, convence, mas que carrega uma doçura da criança mesmo que é, predestinada a ser especial, questionadora, intuitiva e precoce. Um amor que não saiu de mim, mas que carrega sangue meu. 4 anos de euforia quando vivencia emoções, que chora em filme, que sabe sentir as mensagens. Hoje, mais uma das suas peças. Um dentinho se foi. Antes do tempo, bem antes, mas sem medo, sem erro, sem dor. Contrário, na mais plena alegria de estar à frente das coisas. Feliz com sua banguela ainda tão pequenininha, num espacico dividido entre a idade e as possibilidades. Eu sei que filha de quem é, tudo isso é talento, será dom canalizado para ajudar os outros na evolução. Uma querida revelação a minha Sofia. Minha sobrinha. Meu anjo. Meu tesouro sem dente. Siga sempre abençoada.
Com todo o meu amor, Tia Cice.

guardadinho

eu sou

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Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do sabor colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.