23/04/2009

cão sem dono

Esbarrando em todos aqueles ombros eu passei com pressa. Nem olhei quem é que vinha ou ia porque não me interessava ninguém. Corri tanto que o suor escorreu pelas minhas lágrimas. Eu chorava sem importar o que todos estavam pensando de mim. Sentei no canto e fiquei por um tempo, que nem sei qual. Só sei que mudavam as cores das camisas porque, como luzes da TV no escuro, eu sentia as cores pelos meus olhos baixos. Louca solidão em meio a tantos. Percebia vez ou outra reações de aproximação, e eu reagia também em mente, um não querer tamanho que fez com que eu permanecesse ali, estática, muda de mim mesma, amedrontada de gente. De repente levantei com dores pelo corpo todo. O medo que me deixara encolhida por horas, agora doía em cada pedaço, em cada junta de um corpo que eu nem mais reconhecia nos espelhos da estação. Uma confusão mental perguntava se era mesmo aquela menina que um dia usou nos cabelos fita vermelha, se era a mesma que chegou a rir diversas vezes acompanhada, que entrou em bailes e bailou feliz. Será que era mesmo? Onde que aquele eu me perdeu? Porque peguei o caminho que fizera esse momento? Que será que passou pra que agora, quase nem mais as lembranças, conseguissem nascer desse lodo. Uma saudade triste e enraivecida apontou bem na frente dos meus olhos cansados, e eu usei o pouco de forças que me restava pra expulsá-la dali, e permitir que o mesmo desconsolo fosse o meu companheiro. Incrivelmente era mais fácil assim. Sem resposta. Fugitiva. Pelos cantos, pela vida.

eu sou

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Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do sabor colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.