29/10/2009

esconde-esconde

Pula bolinha, pequena, sapeca.
Bate ali e aqui que nem perereca.

Te vi, te achei no cantinho batendo baixinho no chão.

Peguei você.
Ops, escapa não.

E lá vai ela, correndo, rodando, voando esconder.
Igual no dia que caiu leite do copo, e eu dei um jeito pra ningúem ver.

Mas mamãe não perde nada, e eu desconfiada ganhei um paninho.
Limpei feliz aquilo que fiz.

Foi só aprender e um beijo ganhar.
Você também vai, se em mim confiar.

Vem cá bolinha, não fique com medo.
Te conto um segredo.

Vem cá no meu dedo.
Quero muito brincar com você.

26/10/2009

dupla interpretação

Quente e ardido igual molho de pimenta, sol no dia seguinte, sem bronzeador.
Ohar de rapina, de lado, de cima. Feito desconfiado, traquina, enrolado.
Não sei se gosto, desgosto ou descaso. Melhor assim.
Mas lá ou cá, frente ou verso, de costas nunca. A lâmina afiada corta doída e eu han, han.
Eu quero é mais!

24/10/2009

trava

Amar não me custa. Custa-me pedir o teu amor.
De implorar endureço, e imagino que pude esquecer-te. Aí saio às ruas feliz por cinco minutos, porque na esquina já procuro meu dilema. É te chamo de dilema quando não és meu grande amor, quando teimas em ser meu santuário.
Ajoelho em ti. Esmago nossos afetos, mas por mais ou menos cinco novos minutos, logo te quero esmagando meus lábios com força.
Não te entendo, mas posso entender que meu mal está mesmo em mim.

23/10/2009

imbecilidade

Caiu de cara e não aprendeu, esborrachou-se, ficou que nem ameixa pisada, mas adiantou? ahn, nadinha. Teima de novo na mesma levada. Sobe até o terceiro degrau, e no mesmo falcete escapa o pé e lá se vai tombo abaixo que hoje já tem até platéia. Coitado dizem uns, outros viram pra lá pra rir mais alto. O duro é a rima nessa escolha toda. Anta, anta, anta porque és e não levanta?

22/10/2009

gira mundo

Ela saía, e rodopiava a saia. Pra lá e pra cá. Feliz vendo a sombra pelas ruas, que num balanço faziam o vento acompanhá-las.Ia ela, a saia, a sombra e o vento. Junto deles as flores do cabelo solto, esvoaçante, corriam para o campo, teimavam em estarem sós. Só que ela insistia, e corria atrás das pétalas num baile onde ningúem deixava de dançar. Tchurururu. Delícia de dia, de passeio, de tudo.E a cada hora novidades nos campos e nos cantos, onde o vento soprava que dava arrepio.

19/10/2009

voou voou voou

E lá se foram, ganhar o céu. Ficou ali sozinho o ninhozinho, a casa, que agora ficou pequena pra tantos sonhos.

12/10/2009

no ninho

Entre as telhas da varanda e a viga que sustenta a cobertura, dia-a-dia a dona passarinha ia lá, voando, galhinho por galhinho. A gente vê um dia e depois esquece, e quando nota de novo, toma um susto. O ninho, feitinho que só. Redondo, cheinho. As crianças foram vendo essa construção maravilhadas com a sabedoria da passarinha cinza e amarela. Tem terra, gravetos, folhas, tudo entrelaçado, e o esforço amarra aquilo de um jeito que nem chuva nem vento dão cabo não.
Aí, dias passam e ela sentadinha por lá. Mamãe tem ovinho ali. A gente não pode ver porque ela fica brava, voa baixo. O Nadal fica maluco com isso, mas a gente ta cuidando pra ela não achar que ele é malvado, é que ele gosta de correr atrás dos passarinhos de casa, todos eles. A gente já explicou. E os dias foram passando e de repente lá estavam eles, tres passariquinhos. Tres mamãe, acredita? Igual a gente! E comem bastante também. O dia todo a passarinha amarela e o papai cinzento que apareceu na hora de dar o que comer, passam pra lá e pra cá, trazendo minhoca, folhinha, bichinhos. E mastigam e mastigam e depois dão nos biquinhos esticados e abertos a comida pra ficarem fortes. A gente come assim né mamãe?
E lá em casa, que tem macaquinho, pato, tartaruga, pica pau, perereca quando chove, calango verde, agora tem os três bicudos, quase prontos pra sair voando sozinhos. Mais uns dias e nossos hóspedes vão ganhar o mundo. E três deles. Bonitos que só, presentes de Deus pros nossos filhos que estão crescendo perto disso tudo.
To aqui de olho pela janela enquanto escrevo. Estão lá encolhidinhos, parece até que sabem que falo deles. Os seis. Os meus, e os da dona passarinha amarela.

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do sabor colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.