Fruta como botão, pretinha, redonda. Alegria dos passarinhos da árvore da casa do Seu Lauro. Feito os olhos, os meus. Eu vejo conto e invento. Eu por aqui me apresento.
27/04/2013
se houver inverno
Pela fresta da janela ele entra meio que sem vergonha. Acorda a gente pela ilusão de que as cobertas quentinhas não estarão à sua altura. Um sábio, porque percebe muito bem o poder de sedução que cortam seus raios coloridos e confundem nossa visão. Ali, onde ele pousa, a gente senta buscando o aconchego que vem acompanhado de uma xícara de café. Seu calor nem é assim assim, mas o efeito que produz estar embascado com seus reflexos, acomoda os pensamentos que vão longe e se misturam em meio a bolas coloridas, lilases, brancas também, quando o piscar dos olhos se fecham. O sol de inverno, o solzinho, que assim como a vida, em meio ao gélido tormento que todos temos que passar um dia, vem acalorar um pouco o movimento que a terra faz. E desse jeitinho nos dá uma luz literal, uma cena boa, de que sempre haverá algum lugar mais quente. Sim, é sim, porque mesmo que os trópicos fiquem no mesmo ponto, teimosos nas suas estações, basta que a gente levante, que o movimento seja feito e que sigamos para outros cantos, ao encontro de novos calores e outras xícaras de café.
02/04/2013
emaranhado
"Haja hoje para tanto ontem", disse Ana Paula redizendo Leminski. Ana parecia querer expressar sua alegria por um feriado em família naquele dia de branco, e Leminski devia ter seu propósito que eu posso até imaginar, mas não ouso. Eu aproveito a frase tão rica pra dizer que, sempre tive dificuldade em desenroscar cordões de ouro, achar o começo do nó, parar para me concentrar nesse emaranhado. E é assim que ainda sinto, quando hoje, leio, acho, pesquiso e às vezes até não encontro algo. Tanta coisa ao meu bel prazer que nem sei por onde começo. Entro em livrarias e em livros, olho pelas bancas das lojas de atacado, das chiques, clico em sites, em blogs, em redes e dali sempre tem outro ponto, outro item e nele algum hífen que te leva para um caminho anterior, que puxa um antes e outro assim, antes do antes ainda, e tanto e tanto, que nem lembro mais o que realmente eu queria saber. Ao mesmo tempo que isso sufoca, intriga e abastece a mente e a alma de novidades atrás do que se, na verdade, são velhas conhecidas que demoramos 44 anos para entender. De poemas a imagens, de homens que marcaram uma época a mulheres frutas, de penicilinas a pornochanchadas, de que nada é tão novidade assim e nem tudo já tão sabido. De sins e nãos e talvez.
08/03/2013
Maria Luiza Capassi Padula
A bivó na minha infância, vivia sentada numa cadeira de balanço, com um sueter azul royal, cabelos brancos penteados de lado, portadora de cegueira pela idade e mãos trêmulas pelo parkinson. Mesmo sob essa figura, eu com meus 6 ou 7 anos, nunca a enxerguei fragilizada. Aliás, a gente chegava lá para vê-la, não como uma visita, mas como que para dar a satisfação da semana, sem que ela nunca tivesse pedido. O tempo passou e eu quis saber mais sobre a bivó, porque a morte enterra o corpo, mas desenterra as curiosidades e as lembranças. Perguntas como: Quem era a amiga que posava elegantemente ao seu lado no retrato tirado em 1935, mais ou menos? Como ela tinha uma loja num tempo que mulher não trabalhava? Com quantos anos ela casou com o meu bisavô e porque ela casou com ele, se eles eram tão diferentes? Como ela tinha dinheiro e ousadia pra viajar sozinha, de férias? e como fazia para enfrentar todos os limites sociais impostos às mulheres... E as respostas vieram. A Véva era uma grande companheira numa época em que as mulheres mal podiam abrir as janelas, quanto mais os olhos ou a boca para serem amigas. Parceiras de ideais e diversão, numa amizade fiel e da vida toda, e quem sabe mais o que... Dona Maria Luiza casou tão nova, porque era assim naquele tempo. Com o casca grossa do meu bivô, porque assim era também, mas nunca deixou as coisas por isso mesmo. Era virginiana e resolvida. Mãe da vovó Concheta (que perdeu uma grande oportunidade de seguí-la em pensamento). Era uma mulher de fibra, que começou um negócio vendendo roupas para fora, de casa em casa, e fingia pro seu Padula fazer o que ele mandava. Foi ela, ela! não eles, quem teve o primeiro telefone do bairro, que administrava os filhos e o trabalho, que enfrentava o meu bisavô e suas ignorâncias com inteligência e porrada, quando era preciso - e de frente hein, nada de esperar o cara dormir. Tipo UFC mesmo. Uma mulher que ultrapassou os limites sociais porque tinha coragem e coração liberto. Que abriu seu próprio negócio na luta, na habilidade de gestão e de liderança (uma loja de aviamentos linda, linda). Que tirava férias e usufruia do dinheiro, gastando nos hotéis mais caros das cidades que conheceu, com os netos e quem a acompanhasse, porque ela ia. Que se amava primeiro e amava quem quisesse o seu amor. E quem não quisesse, pra ela, ó...
A minha bisavó foi uma mulher destemida. Uma italiana vaidosa e firme, que não ligava para as convenções. Talvez hoje ela dissesse, "belaroba esse dia", mas é por causa de pessoas como ela, que o dia vale as homenagens.
Bivó, eu acho que carrego um tico-tico de você. Mamãe ficou com boa parte, a Lu com outra, inclusive o seu nome, mas eu tenho uns tiques teus.
Que bom!
8 de março - Dia Internacional das Mulheres, como a bivó.
A minha bisavó foi uma mulher destemida. Uma italiana vaidosa e firme, que não ligava para as convenções. Talvez hoje ela dissesse, "belaroba esse dia", mas é por causa de pessoas como ela, que o dia vale as homenagens.
Bivó, eu acho que carrego um tico-tico de você. Mamãe ficou com boa parte, a Lu com outra, inclusive o seu nome, mas eu tenho uns tiques teus.
Que bom!
8 de março - Dia Internacional das Mulheres, como a bivó.
28/02/2013
de livre arbítrio, renúncias e amor
Leiga, sim. E que bom que seja dessa forma, porque todo mundo deseja descobrir algo que ninguém jamais poderá afirmar. Supor está às ordens, mas por favor que se tente, ao menos, respeitar o ouvido alheio.
Me deu vontade de escrever sobre a renúncia do Papa. E só hoje. E não porque foi sua última aparição pública, mas porque sim. Desse jeito, como resposta que se dá às crianças quando não temos argumentos ou quando educar não precisa de justificativas. E nesse desejo eu exponho impressões minhas e já me desculpo antecipadamente, pelo modo como as coloco.
Para mim é assim: O Papa Bento XVI será melhor sem as honras, aliás já é melhor sem as honras. E ele nem sabia disso quando todo pomposo, preconceituosamente intelectualizado e fashionista, vestiu o anel de São Pedro. Porque cá pra nós, a figura humana desse senhor é outra hoje, e ao invés do que tantos podem achar, ele ficou mais bonito, mais jovem e leve e, certamente, muito mais sábio agora.
O que está claro é que Jesus toma conta daquela cadeira. Qual é? a cadeira do seu melhor amigo você também não cuidaria? Por ali, por aquele luxo todo, cerimoniais e políticas, reina sem dúvida a misericórdia de Deus. E não há como manter-se sem ela no meio daquele colosso. O Papa Bento sabe bem disso agora, e muito diferente do dia 19 de abril de 2005, ele deixa tudo pra ganhar uma coisa apenas, a coerência de sua crença.
No meu modo de ver, a renúncia pouco importa, porque nunca acreditei que Deus pudesse julgar os nossos atos. Se fosse assim o livre arbítrio era uma balela, e eu acredito muito nele. Tanto que Jesus tinha tudo pra escolher outro caminho, mas decidiu, sozinho, abrir seu espírito a Deus e seguir seu destino. Antevendo quem Ele era sem de fato ter plena certeza (lembra do: "Pai, porque me abandonaste?" aos 45 do segundo tempo?)
Ouvi pessoas dizerem nesse período desde a renúncia, na verdade dizerem não, misturarem alhos com bugalhos, coisas do tipo: Ah, se o Papa renunciou porque o casamento não pode ser desfeito? Porque a igreja condena os gays, porque padre não pode casar? porque, porque? vira tudo motivo de panelaço...
Eu nunca me importei com isso, prova é que casei com um cara divorciado e to cheia de amigos gays. Na minha vida sempre entendi Deus como sinônimo de amor, e assim vivo apegada a Ele, pedindo, agradecendo, rogando perdão, procurando sempre ficar em torno do amor.
Mas também não posso deixar de reconhecer que é preciso regras e orientadores pra nos ajudar no entendimento desse amor. Leis escritas com o dedo de Deus no sentido do amor verdadeiro e não dos modismos e badulaques.
Um casal deve manter-se em união. Deve. E aí entra a resignação, o perdão, a dor. Porque ninguém ressucita sem antes ter morrido, e as pessoas querem ressurgir do que ainda nem acabou de verdade, nem sabem porque tomam certas atitudes. Vivem por conta da intolerância e das tentações do diabo, que vem sim, oferecer o caminho mais curto. Banana pra você diabo. Sigo na pindaíba, mas não te entrego o meu amor de bandeja.
Aí voltam as pessoas, pré-julgando uma decisão através da crítica, mas sem qualquer atitude. Metendo a boca na igreja. Entendo que muitos prefiram as decisões rasas, descobrindo com surpresa que padres não são santos. Han, han, não são não... Eu trabalhei na igreja como secretária paroquial. Madona Mia, eu via cada padre do mal. Ninguém é santo, e esses padres que agem fora de suas promessas, agem fora do amor como qualquer outro cidadão que também faz uma promessa e não cumpre.
Mas como os bons são a maioria, ainda tá cheio de nego honrado pelo seus dons e pelo exercício deles. Os padres, como em qualquer outra profissão, que cuidam disso, vivem com respeito e , sim, têm um papel de liderança. Um exemplo em minha vida do que é respeitar suas escolhas, foi o Padre Fidelis.
Quando eu econtrei o Cesar e vi nele um amor que iria me transformar numa pessoa melhor, a gente decidiu casar. E eu, filha de dois carolas de igreja, cria de missa desde pequenininha, professora de catequese, fui lá dizer pra ele: Padre, e agora? E ele disse: Preste atenção no que vou te dizer, a união em casamento de duas almas é uma decisão solene. Lembre disso! Porém, o ritual é apenas o ritual. Tá certo... você é católica e a igreja católica não permite, em suas regras, que você case aqui, mas você sempre soube disso também, então não deveria ser motivo de agonia. Agora, se está segura da sua decisão digo, quem te falou que Deus é católico? Não acha que é substimar demais o Nosso Senhor? Deus estará com vocês se vocês estiverem Nele. Que seja sempre assim.
E eu casei bela e fregue, feliz num ritual um pouco diferente da minha religião e ainda com uma pá de padres do bem, convidados e presentes na cerimônia e depois na festa. Eu recebi a benção de Deus, eu sei. E é com esse compromisso que eu me deparo nos momentos de tensão, aqueles que a gente quer jogar o marido pela janela.
No domingo passado, na missa, aprendi um bocado de coisas que já sabia. Já tiveram essa sensação? Você já ouviu muito algo, mas em determinado momento aquilo vira aprendizado real. Você entende. A missa foi celebrada por um ministro, um rapaz casado, com família e merecedor do dom da palavra de Deus. Ele ali, ajudava a igreja que está carente de missionários, e fez uma celebração belíssima, iniciada pelo esclarecimento de que celebraríamos a Palavra, e não a Santa Missa.
Sua homilia falou do milagre da transfiguração de Jesus, presente no evangelho do dia, e eu entendi tudo (inclusive aí, a renúncia do Papa). Jesus muda sua aparência aos olhos de quem passa a acreditar no milagre. Translúcido. E pouco importa o que estiver ao redor. Basta isso, passar a acreditar, tá tudo ali.
Falou ainda para pensarmos na atitude de Jesus toda vez que precisava tomar uma decisão. Ele sempre subia a montanha, procurava o alto, o isolamento para rezar. Porque a oração é a resposta.
Eu olho para o Papa hoje e vejo uma transfiguração, e ela não tem nada a ver com doença do corpo, nem com 86 anos. Ela escancara uma mudança em alguém que dobrou os joelhos e humildemente saca fora dos pés os belos sapatos vermelhos, para gerar um alerta vermelho à igreja. Um alerta necessário.
E por final apenas um último detalhe: A igreja não são os bispos todos com a batina bem passada lá em Roma. Aquilo é um ritual, apenas um ritual e sempre será assim, mas a igreja verdadeira, meus caros, somos nós. E a decisão em atitude individual que tomamos ao seguí-la. Estamos seguros disso?
O alerta vindo pela renúncia, é para todo o mundo.
Me deu vontade de escrever sobre a renúncia do Papa. E só hoje. E não porque foi sua última aparição pública, mas porque sim. Desse jeito, como resposta que se dá às crianças quando não temos argumentos ou quando educar não precisa de justificativas. E nesse desejo eu exponho impressões minhas e já me desculpo antecipadamente, pelo modo como as coloco.
Para mim é assim: O Papa Bento XVI será melhor sem as honras, aliás já é melhor sem as honras. E ele nem sabia disso quando todo pomposo, preconceituosamente intelectualizado e fashionista, vestiu o anel de São Pedro. Porque cá pra nós, a figura humana desse senhor é outra hoje, e ao invés do que tantos podem achar, ele ficou mais bonito, mais jovem e leve e, certamente, muito mais sábio agora.
O que está claro é que Jesus toma conta daquela cadeira. Qual é? a cadeira do seu melhor amigo você também não cuidaria? Por ali, por aquele luxo todo, cerimoniais e políticas, reina sem dúvida a misericórdia de Deus. E não há como manter-se sem ela no meio daquele colosso. O Papa Bento sabe bem disso agora, e muito diferente do dia 19 de abril de 2005, ele deixa tudo pra ganhar uma coisa apenas, a coerência de sua crença.
No meu modo de ver, a renúncia pouco importa, porque nunca acreditei que Deus pudesse julgar os nossos atos. Se fosse assim o livre arbítrio era uma balela, e eu acredito muito nele. Tanto que Jesus tinha tudo pra escolher outro caminho, mas decidiu, sozinho, abrir seu espírito a Deus e seguir seu destino. Antevendo quem Ele era sem de fato ter plena certeza (lembra do: "Pai, porque me abandonaste?" aos 45 do segundo tempo?)
Ouvi pessoas dizerem nesse período desde a renúncia, na verdade dizerem não, misturarem alhos com bugalhos, coisas do tipo: Ah, se o Papa renunciou porque o casamento não pode ser desfeito? Porque a igreja condena os gays, porque padre não pode casar? porque, porque? vira tudo motivo de panelaço...
Eu nunca me importei com isso, prova é que casei com um cara divorciado e to cheia de amigos gays. Na minha vida sempre entendi Deus como sinônimo de amor, e assim vivo apegada a Ele, pedindo, agradecendo, rogando perdão, procurando sempre ficar em torno do amor.
Mas também não posso deixar de reconhecer que é preciso regras e orientadores pra nos ajudar no entendimento desse amor. Leis escritas com o dedo de Deus no sentido do amor verdadeiro e não dos modismos e badulaques.
Um casal deve manter-se em união. Deve. E aí entra a resignação, o perdão, a dor. Porque ninguém ressucita sem antes ter morrido, e as pessoas querem ressurgir do que ainda nem acabou de verdade, nem sabem porque tomam certas atitudes. Vivem por conta da intolerância e das tentações do diabo, que vem sim, oferecer o caminho mais curto. Banana pra você diabo. Sigo na pindaíba, mas não te entrego o meu amor de bandeja.
Aí voltam as pessoas, pré-julgando uma decisão através da crítica, mas sem qualquer atitude. Metendo a boca na igreja. Entendo que muitos prefiram as decisões rasas, descobrindo com surpresa que padres não são santos. Han, han, não são não... Eu trabalhei na igreja como secretária paroquial. Madona Mia, eu via cada padre do mal. Ninguém é santo, e esses padres que agem fora de suas promessas, agem fora do amor como qualquer outro cidadão que também faz uma promessa e não cumpre.
Mas como os bons são a maioria, ainda tá cheio de nego honrado pelo seus dons e pelo exercício deles. Os padres, como em qualquer outra profissão, que cuidam disso, vivem com respeito e , sim, têm um papel de liderança. Um exemplo em minha vida do que é respeitar suas escolhas, foi o Padre Fidelis.
Quando eu econtrei o Cesar e vi nele um amor que iria me transformar numa pessoa melhor, a gente decidiu casar. E eu, filha de dois carolas de igreja, cria de missa desde pequenininha, professora de catequese, fui lá dizer pra ele: Padre, e agora? E ele disse: Preste atenção no que vou te dizer, a união em casamento de duas almas é uma decisão solene. Lembre disso! Porém, o ritual é apenas o ritual. Tá certo... você é católica e a igreja católica não permite, em suas regras, que você case aqui, mas você sempre soube disso também, então não deveria ser motivo de agonia. Agora, se está segura da sua decisão digo, quem te falou que Deus é católico? Não acha que é substimar demais o Nosso Senhor? Deus estará com vocês se vocês estiverem Nele. Que seja sempre assim.
E eu casei bela e fregue, feliz num ritual um pouco diferente da minha religião e ainda com uma pá de padres do bem, convidados e presentes na cerimônia e depois na festa. Eu recebi a benção de Deus, eu sei. E é com esse compromisso que eu me deparo nos momentos de tensão, aqueles que a gente quer jogar o marido pela janela.
No domingo passado, na missa, aprendi um bocado de coisas que já sabia. Já tiveram essa sensação? Você já ouviu muito algo, mas em determinado momento aquilo vira aprendizado real. Você entende. A missa foi celebrada por um ministro, um rapaz casado, com família e merecedor do dom da palavra de Deus. Ele ali, ajudava a igreja que está carente de missionários, e fez uma celebração belíssima, iniciada pelo esclarecimento de que celebraríamos a Palavra, e não a Santa Missa.
Sua homilia falou do milagre da transfiguração de Jesus, presente no evangelho do dia, e eu entendi tudo (inclusive aí, a renúncia do Papa). Jesus muda sua aparência aos olhos de quem passa a acreditar no milagre. Translúcido. E pouco importa o que estiver ao redor. Basta isso, passar a acreditar, tá tudo ali.
Falou ainda para pensarmos na atitude de Jesus toda vez que precisava tomar uma decisão. Ele sempre subia a montanha, procurava o alto, o isolamento para rezar. Porque a oração é a resposta.
Eu olho para o Papa hoje e vejo uma transfiguração, e ela não tem nada a ver com doença do corpo, nem com 86 anos. Ela escancara uma mudança em alguém que dobrou os joelhos e humildemente saca fora dos pés os belos sapatos vermelhos, para gerar um alerta vermelho à igreja. Um alerta necessário.
E por final apenas um último detalhe: A igreja não são os bispos todos com a batina bem passada lá em Roma. Aquilo é um ritual, apenas um ritual e sempre será assim, mas a igreja verdadeira, meus caros, somos nós. E a decisão em atitude individual que tomamos ao seguí-la. Estamos seguros disso?
O alerta vindo pela renúncia, é para todo o mundo.
22/02/2013
Skyfall
4 dias de espera e 1 trilhão de protocolos de atendimento depois...
Din don, nós viemos ver o problema da Sky. Certo. Então, o que acontece? Ce tá perguntando pra mim? não funciona é isso. Nada? Nada. Hummm a sra tem HD. Isso e o que aconteceu tava informado no meu chamado. Então, é que seu chamado era de outro colega, mas ele passou pra mim. E só passou o endereço, não passou o problema? É, não, um folgado viu, mas eu vou ver. - Minutos depois... Tem escada aí? Escada? vcs não tem escada? Não. Humpf (eu), Humpf (ele). Ó, tem que ser bem alta. Olhar da fúria do assassino (meu) - Escada depois... Então, queimou um aparelho que manda o sinal pras TVs. Ah puxa!!! então troca. Não tenho desse modelo, tem de outro que precisa passar um cabo. Resolve? Sim. Então põe o outro. Não tenho cabo aqui. Cara, esquece as Tvs dos quartos e resolve a da sala. É que eu não tenho o aparelho de HD aqui. Tá, então tipo o que você tem aí? baralho pra gente jogar truco? risos (dele). É, na verdade não vou poder ajudar muito. Certo, e eu faço o que? Ah, a sra liga na Sky e pede pra reagendar o técnico. Ah, tá... então tchau. Viu, antes posso usar o seu banheiro e tomar uma aguinha? se der pra por umas pedrinhas de gelo eu agradeço. Pô, claro! aqui em casa cliente é sempre bem atendido (e lá fui eu pegar a água). Xixi, água, um aperto de mão depois... e a TV necas.
08/02/2013
carnaval
Eu adoro o carnaval. Gosto tanto! Deve ser porque eu sou negra, e sendo assim o carnaval é meu. Ah, eu sou bem negona mesmo! Eu sambo muito bem, sempre sambei. No pé, miudinho, quadrado, gafieira. Meu sonho sempre foi tocar pandeiro e sair na avenida como a rainha da bateria. Eu já desfilei em escolas de samba, mais de uma vez, mas não como rainha da bateria... me sinto também parceira de Dorival Caymmi, pois assino em baixo que quem não gosta de samba bom sujeito não é. Nesses dias, assim, bem antes do carnaval, desde a minha infância, papai e eu já nos preparávamos para os desfiles. Ficávamos de madrugada vendo as escolas do Rio de Janeiro na televisão (mamãe ficava junto, mas ficava lendo). Dávamos nota, escolhíamos a preferida. A dele sempre era a Mocidade Independente de Padre Miguel, a bateria nota 10. Eu ia de Mangueira, Portela (que ele também gostava um bocado) e mais umas outras porque a maioria me arrepiava. Era um momento tão bom! O papai também sempre foi negão, aquele lindo. A gente se divertia. Depois a apuração... genial a apuração, uma brigaiada. (aqui mamãe participava assistindo porque ler era menos divertido)
Eu tenho 44 anos e já vivenciei muitos carnavais. O de Salvador, do meu querido Recife e da bela Olinda, na minha São Paulo - o carnaval da chuva na avenida (em duas vezes) e mais uma - sem chuva na escola campeã daquele ano, de várias cidades do interior e do litoral e também de Minas. Já estive em Paraty, no Rio mesmo só no ensaio da Beija-Flor, mas a Sapucaí que me aguarde. Já me diverti muito em blocos de rua, fantasiada de onça, pulei em clubões e clubecos, joguei confete e serpentina a torto e a direito por aí e tantas outras alegrias, mas o melhor mesmo ainda é a lembrança das madrugadas em frente à TV, com pipoca, alegorias bem menos luxuosas do que as de hoje, piscadas de sono na alta madrugada e um espírito compartilhado de emoção por algo que se gosta mesmo, na pele. Que transbordava a minha alma e até hoje me completa e faz emocionar com os gritos do "esquenta" nas concentrações.
Vai ser assim esse ano. Eu, a TV, meus filhos que levarão com eles esse gosto se depender de mim, o gordo, a mamãe e seus livros e o papai, claro!
Quanto riso, quanta alegria. No meio da multidão.
É carnaval minha gente!
http://www.youtube.com/watch?v=ZxbPr1S7vvA
Eu tenho 44 anos e já vivenciei muitos carnavais. O de Salvador, do meu querido Recife e da bela Olinda, na minha São Paulo - o carnaval da chuva na avenida (em duas vezes) e mais uma - sem chuva na escola campeã daquele ano, de várias cidades do interior e do litoral e também de Minas. Já estive em Paraty, no Rio mesmo só no ensaio da Beija-Flor, mas a Sapucaí que me aguarde. Já me diverti muito em blocos de rua, fantasiada de onça, pulei em clubões e clubecos, joguei confete e serpentina a torto e a direito por aí e tantas outras alegrias, mas o melhor mesmo ainda é a lembrança das madrugadas em frente à TV, com pipoca, alegorias bem menos luxuosas do que as de hoje, piscadas de sono na alta madrugada e um espírito compartilhado de emoção por algo que se gosta mesmo, na pele. Que transbordava a minha alma e até hoje me completa e faz emocionar com os gritos do "esquenta" nas concentrações.
Vai ser assim esse ano. Eu, a TV, meus filhos que levarão com eles esse gosto se depender de mim, o gordo, a mamãe e seus livros e o papai, claro!
Quanto riso, quanta alegria. No meio da multidão.
É carnaval minha gente!
http://www.youtube.com/watch?v=ZxbPr1S7vvA
27/01/2013
enough
De tão muito que se quer, pouco será apenas a solidão. Porque o pouco que se tem se não nunca suficiente, mesmo que seja muito, sempre será pouco. E mesmo pouco ou muito, será sempre só. Uma pequena parte que se transformará no grande desespero de ser tamanho nada.
Assinar:
Postagens (Atom)
eu sou
- Cice Galoro
- Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.