Vivia de hans? Incrível era o poder de passar pelos assuntos, pelas pessoas e seguir sem retoques. Uma palavra dada, um choro chorado, um desespero que lá se ia em segundos.
Rebolava ou andava firme dependendo do dia. Nem horóscopo lia porque tanto fazia.
Nem tava aí. E o mundo tinha que estar.
Desentendia no fundo da vida porque não há prazo pra essa validade.
E foi perdendo.
Amigos, casos, senhores, poderes.
Perdendo achando que ganhava. Pelos minutos de esperteza uma vida toda.
Que pena.
Pena o cacete!
Fruta como botão, pretinha, redonda. Alegria dos passarinhos da árvore da casa do Seu Lauro. Feito os olhos, os meus. Eu vejo conto e invento. Eu por aqui me apresento.
20/05/2009
18/05/2009
pentecostes
O fogo do Espírito Santo. Espera e vê. Pede que ele atende.
Tem força.Tem tudo.
É simples.
Mas pede com fé, e sabe.
Certo é que muitas vezes Tal Luz chega antes, pra quem tem pai e tem mãe, certamente.
E esses que te amam sabem antes de ti.
Eu nem sei o quanto sou de Deus por conta deles.
Mais que eu mesma, muito mais, eles crêem.
Envergonho-me, mas cresço a cada palavra, a cada oração.
E peço a Luz que os fez tão sábios, e bons.
E vivos.
Sou forte hoje.
E humilde.Por conta disso.
É o que basta.
Amém
Tem força.Tem tudo.
É simples.
Mas pede com fé, e sabe.
Certo é que muitas vezes Tal Luz chega antes, pra quem tem pai e tem mãe, certamente.
E esses que te amam sabem antes de ti.
Eu nem sei o quanto sou de Deus por conta deles.
Mais que eu mesma, muito mais, eles crêem.
Envergonho-me, mas cresço a cada palavra, a cada oração.
E peço a Luz que os fez tão sábios, e bons.
E vivos.
Sou forte hoje.
E humilde.Por conta disso.
É o que basta.
Amém
14/05/2009
poeira
Era de cagar. Todo dia tinha ele que fingir não saber as intenções escondidas embaixo daquela plataforma de plástico pintado, que imitava o couro. Começava daí, da verdadeira altura que também era uma mentira. E ele, com o saco de jó que Deus lhe tinha dado, ia levando.
Que palhaçada essa mulher tinha feito? Até desconfiavam de coisa esquisita, macumba mesmo nas encruzilhadas, e tudo. Mas ele ia deixando sei não porque. Talvez de um certo modo precisava ser usado, ué, vai que tinha sido Calígula na encarnação de antes...
Ninguém se conformava porque era claro feito holofote na quadra, só que o medo, parecia, deixava o dedo do home longe do botão de desliga.
Só que eu, e a vizinhança também, fomos percebendo um olho meio de esguio, um bufar de canto de boca que ele vinha dando pra cada palavra a toa que ela soltava, e como eram muitas, o nego foi alargando, ficando igual urso saindo de hibernar.
Um dia foi a conta.
Cê pensa que ele fez estardalhaço? fez não. Levantou, sacudiu a poeira, e até hoje ela não deu a volta por cima.
Que palhaçada essa mulher tinha feito? Até desconfiavam de coisa esquisita, macumba mesmo nas encruzilhadas, e tudo. Mas ele ia deixando sei não porque. Talvez de um certo modo precisava ser usado, ué, vai que tinha sido Calígula na encarnação de antes...
Ninguém se conformava porque era claro feito holofote na quadra, só que o medo, parecia, deixava o dedo do home longe do botão de desliga.
Só que eu, e a vizinhança também, fomos percebendo um olho meio de esguio, um bufar de canto de boca que ele vinha dando pra cada palavra a toa que ela soltava, e como eram muitas, o nego foi alargando, ficando igual urso saindo de hibernar.
Um dia foi a conta.
Cê pensa que ele fez estardalhaço? fez não. Levantou, sacudiu a poeira, e até hoje ela não deu a volta por cima.
12/05/2009
bem mais que o tempo
Recebi um e-mail sobre a teoria de que nos dias de hoje o tempo é mais curto do que antigamente.
Interessante pensar nisso, já que tempo pode ser considerado uma ilusão. De qualquer forma, há sentido no desequilíbrio de como as coisas funcionam hoje e de como os seres humanos não funcionam mais. Está tudo descompassado e isso é fato.
Eu sempre me perguntei qual era a lógica do tempo, apesar do pragmatismo de um relógio. Veja, a gente sempre acha que as coisas poderiam ter acontecido num tempo maior ou menor. Se falamos de ficar com nosso amor: maior, de ganhar dinheiro: menor. E não muda o tempo, independente da nossa justiça.
Também nunca tive muito tempo e nem aptdão para esperar ele passar. Vivo correndo atrasada, mas não aguento a demora da entrega de móveis pronta entrega, por exemplo.
Só sei que esse meu descompasso não era nocivo, mas hoje há algo que faz isso parecer um turbilhão.
Portanto desse e-mail eu concordo com uma coisa, há de se ter equilíbrio entre os homens e a natureza. Há de se ter tempo pra esse novo tempo preciso. Não podemos mais permitir que a cada dois dias outro amigo tenha síndrome do pânico ou tenha deixado suas casas e famílias desfeitas.
Hoje ninguém tem tempo pra analisar ou esperar passar a raiva, mas sobra tempo pra insegurança e impulsividade.
Não é o fato de ser cartesiano, apenas uma maneira de promover um ajuste, daqui, do meu pouco tempo livre pra pensar.
Interessante pensar nisso, já que tempo pode ser considerado uma ilusão. De qualquer forma, há sentido no desequilíbrio de como as coisas funcionam hoje e de como os seres humanos não funcionam mais. Está tudo descompassado e isso é fato.
Eu sempre me perguntei qual era a lógica do tempo, apesar do pragmatismo de um relógio. Veja, a gente sempre acha que as coisas poderiam ter acontecido num tempo maior ou menor. Se falamos de ficar com nosso amor: maior, de ganhar dinheiro: menor. E não muda o tempo, independente da nossa justiça.
Também nunca tive muito tempo e nem aptdão para esperar ele passar. Vivo correndo atrasada, mas não aguento a demora da entrega de móveis pronta entrega, por exemplo.
Só sei que esse meu descompasso não era nocivo, mas hoje há algo que faz isso parecer um turbilhão.
Portanto desse e-mail eu concordo com uma coisa, há de se ter equilíbrio entre os homens e a natureza. Há de se ter tempo pra esse novo tempo preciso. Não podemos mais permitir que a cada dois dias outro amigo tenha síndrome do pânico ou tenha deixado suas casas e famílias desfeitas.
Hoje ninguém tem tempo pra analisar ou esperar passar a raiva, mas sobra tempo pra insegurança e impulsividade.
Não é o fato de ser cartesiano, apenas uma maneira de promover um ajuste, daqui, do meu pouco tempo livre pra pensar.
11/05/2009
desilusão
Declínio de crenças
Abrir de olhos
Areia finda na ampulheta
Não se trata de solidão nem tristeza
Mas de hoje
De estalido alto e sonoro
Valha-me Deus os porquês
Venha a mim
Enxergar-se e permitir-se pra amanhã
Assim, desilusão acaba pra início de uma nova caminhada
Abrir de olhos
Areia finda na ampulheta
Não se trata de solidão nem tristeza
Mas de hoje
De estalido alto e sonoro
Valha-me Deus os porquês
Venha a mim
Enxergar-se e permitir-se pra amanhã
Assim, desilusão acaba pra início de uma nova caminhada
07/05/2009
do amor e da dor
É quando a gente se depara com a perna quebrada, com o tempo longo de recuperação, com as dores de nossos amores, com os horrores, os medos, é que tudo cria forma.
É aqui, nesse vale estreito que se enxerga o espaço entre o errado e o certo.
Se não fosse assim seria como?
Eu desejaria nem perguntar por isso, mas me vem a dúvida.
É do choro que o riso se cria, e eu e minha cria vamos nos sorrindo, nos permitindo porque assim se tira a obra. Obra divina que alcança os sustos, o óbvio escondido, as decisões.
É do amor e da dor o giro da roda, o andar em frente, o jogo do contente.
É do amor e da dor.
É sim.
É aqui, nesse vale estreito que se enxerga o espaço entre o errado e o certo.
Se não fosse assim seria como?
Eu desejaria nem perguntar por isso, mas me vem a dúvida.
É do choro que o riso se cria, e eu e minha cria vamos nos sorrindo, nos permitindo porque assim se tira a obra. Obra divina que alcança os sustos, o óbvio escondido, as decisões.
É do amor e da dor o giro da roda, o andar em frente, o jogo do contente.
É do amor e da dor.
É sim.
04/05/2009
uma andorinha só não faz verão
Naquela praça ela esperava a hora das andorinhas. E elas vinham muitas, altas, voavam em partituras. Um canto. Ela de baixo olhava e sentia-se no espaço, única hora de lucidez. Arrepiava-se com o bater daquelas milhares de asas. Era um zigue-zague frenético, enlouquecedor. Vinham de vários cantos e juntavam-se frente a frente sem se bater. Enlouquecidamente virando, voltando, vindo, zuando. Uns 20 minutos todos os dias do verão. Num rasante elas desapareciam como areia descendo pelo funil. Areia escura e densa num funil estreito. E acabava. Tudo.
Naquela praça em que tantas vezes se escondia, hoje aparecia. Mas só pras andorinhas.
Pra ela, um fio de vida só recomeçaria no dia seguinte, e enquanto fosse verão.
Depois tudo se ia, e com tudo, sua capacidade de admirar e ver qualquer coisa, mesmo que fosse por 20 minutos apenas.
Ela amava as andorinhas, mas odiava a pena dos homens.
Naquela praça em que tantas vezes se escondia, hoje aparecia. Mas só pras andorinhas.
Pra ela, um fio de vida só recomeçaria no dia seguinte, e enquanto fosse verão.
Depois tudo se ia, e com tudo, sua capacidade de admirar e ver qualquer coisa, mesmo que fosse por 20 minutos apenas.
Ela amava as andorinhas, mas odiava a pena dos homens.
Assinar:
Postagens (Atom)
eu sou
- Cice Galoro
- Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.