12/01/2025

Ilusão

Parecia sempre que tudo ia bem. E ia, mas os segundos insistiam para tirar esse sentido das pequenas coisas da frente e enfiar ali, naquele lugar minúsculo e tão sutil, um bocado de sensações e expectativas. Que palavra chata alguém insistiu em criar quando tratou de expectativas. Então tudo o que estava fluido começava a criar bolhas de ar sufocantes e o pensamento dominava a paz da mente. Era hora de encontrar qual seria o seu caminho. Todo mundo ao seu redor já parecia ter encontrado, mas seria verdade essas imagens abundantes? Será que é mesmo necessário, importante ou simplesmente bom partilhar o que é só seu, ou deveria ser? Porque vivemos de ver e ser vistos ? Até onde esses relacionamentos nos levam ou nos tiram do caminho? Quanto há de egoísmo no mau humor? e no bom? A profundidade deveria estar nessa troca rasa de emoções? Certamente não. Quanto mais o homem avança na necessidade de se mostrar ao outro, mais ele se esconde e esconde o outro de si mesmo que passa a viver vidas alheias. Aquilo que está escondido, os segredos, o silencio da mente esconde a grande sabedoria da vida. No final aprenderemos que não é preciso dizer nada para termos tudo.  

Integração

 Como pode ser tão difícil entender que somos a Terra e a Terra somos nós. Do pó viemos e ao pó voltaremos, é tão simples. E mesmo que ainda assim, seja esse saber uma venda em nossos olhos, impossível deixar de reconhecer que dependemos do chão para fincarmos o pé da sobrevivência e da evolução humana. Porque é do chão que iniciamos a escalada, daquilo que plantamos e colhemos, o que nos alimenta e nos faz saudáveis para sentirmos o todo, o absoluto. 


Aquele que está presente em todos os seres e ares, vistos e imaginados, reluzentes ou foscos e vividos em nossos arrepios e sonhos, nos momentos em que fechamos os olhos e permitimos que ali se instale a amizade e a bondade, que nos entregamos ao flutuar do tempo e permitimos espaço para a razão irracional de nossos espíritos. 

O que nos sustenta. 

A sustentabilidade do homem que está na terra e nos detalhes de cada pequena parte que se expande no cosmo, pelo amor, pela responsabilidade e pelo respeito que temos com ela e, portanto, conosco mesmo. Dentro das nossas mentes sãs que não degradam ou cegam, ao contrário cuidam e enxergam, mesmo sem ver.

Integração.

A sustentabilidade do mundo começa na sustentação do nosso apoio, dos nossos corpos no chão, dos nossos olhos nos olhos dos outros, no perceber todos os seres, o ecossistema, a biodiversidade, o alimento da boca que fortalece a alma, possibilitando viver um amanhã que talvez não será nosso, neste espaço aqui, mas sendo, a partir dele, todo o espaço universal ao nosso dispor. 

Sentindo e saboreando cada gota de orvalho que tempera o nosso prato da vida.

Simples. 

Sendo pó. Sendo Terra.

Sendo só o universo em nós. E nós nele.

Tudo igual no bananal

 Com essa minha mania de mudar, experimentar, conhecer, lá por 2000, 2001 eu acho, tive com meu irmão uma agência de turismo. Era diferente dos modelos tradicionais, trazia a minha vivência com marketing e era pioneira em roteiros personalizados, um negócio bem legal que um dia posso contar aqui. Mas não é por isso que estou escrevendo, comecei por aí porque a DRO (era o nome da agência) me mostrou o lado B de tudo o que a gente imagina que só tenha o A. Como a gente fazia roteiros para uma turma que estava atrás de experiências personalizadas, conhecemos os bastidores de muitos lugares, desde hotéis de luxo, restaurantes caríssimos, palcos de espetáculos famosos, salas vips de diversos estabelecimentos e muitos outros lugares que enquanto clientes ou sonhadores em ser clientes a gente imagina a perfeição e óbvio, não é. Esse negócio, mesmo não tendo evoluído como a gente queria, foi muito importante e bom para mim. Foi a partir dele que aprendi a não me deslumbrar com nada, a ver que realmente ninguém é melhor que ninguém, e a ter sensibilidade para olhar para dentro dos lugares através dos dois olhos que são iguais para todo mundo.

Com a DRO descobri que nada existe do jeito que a gente vê, porque a percepção das coisas tá dentro e não fora de nós. Não existe luxo nem lixo, o que existe são seus restos ou seus blocos de construir. Por aqui uma verdade só, na morte não se leva nada.

Espelho

 Tinha sempre em mim uma mágoa descabida. De tão boa era feita minha vida, porque será que tantos rasantes me entristecem, coisas que achavam minhas se iam para as mãos de quem não queria que fossem. Fugiam para tão perto. Era assim um quê ​de engraçado esse negócio de escapar de mim o que eu mesma tinha de tão bom. Era como se não deixasse que fosse meu, vontade de brincar com a felicidade para que ela ficasse triste. Um sal na boca o tempo todo, de alegria para voz rouca de engasgo na garganta.


Era sempre assim, mas não precisava ser.

Num dia diferente depois da missa, domingo igual os outros nascia a futura miss Brasil. Feinha, de cabelos compridos  e pretos sem ornar com aquela frase. Os olhos bem inchados prometiam que iam olhar bem o mundo mas não aquela hora, depois, como que prometendo sempre um daqui a pouco pela vida toda. Mas cheia de bênçãos, espera e alegria,​ lá estava ela, desfilando por tanto que seria viver. De escorpião como sina que era para ter uma desculpa nas horas amargas que, não parecia, mas chegariam um dia desses. E ali embrulhadinha na manta rosa, assinavam o testamento seja mulher, mulherzinha. Aquilo que o mundo espera de você.

Corria, corria, adorava aquele vento contra o cabelo que embaraçava os cachos. E mentia. Inventava. Mas mentia também e muito, porque queria ser um passo na frente, uma coisa que podia ser mas como tinha o tempo pra passar, preferia pular e contar uma história imaginada muito mais divertida do que esperar ela chegar. 
​E​
isso ia satisfazendo e fazendo fila de encantamento 
​e​
feito bloco de carnaval todo mundo bailava atrás. E era como um magnetismo crescente, de corpo bem feito, cheio de ginga nos pés e atenção nas histórias. Gostava delas, mesmo das verdadeiras. É isso ia se resumindo
​nu​
ma série de bem viver, que ia dando certo e abençoando os dias, mesmo sendo eles sempre rastejados ou a margem do que seria o desejo material. Tinha todas as bênçãos do céu
​,​
mas insistia em querer a terra, e quanto mais crescia o corpo a alma diminuía, como se fosse a frase da miss a única esperança que sobrava na lembrança de uma vida.

Triste seria assim.

Mas acreditava no Criador, quase que nascer
​a​
na missa
​,​
e por essa razão de domingo, ali ficava o fio de serenidade e verdade que sabia ter e aí lutava com seu erro pelo acerto que sempre lhe foi tão derramado. Vivia em tempos percebendo as ervas daninhas misturadas no bom jardim e se irritava que elas viessem sempre para azucrinar as escolhas difíceis que fazia numa mistura de certeza 
​e​
dúvida que ninguém entendia.

Não combinava.

Era para ser atriz, dançarina ou jornalista
​,​
mas acabara professora
​ e mesmo por amor​
 vivia por correr atrás da passarela e os dias levaram os seus aprendizes e os seus instrutores para longe, trazendo peneiras de ilusões, quase sempre totais mas 
​ainda​
faltando alguma coisa, que ela mesmo boicotava sem saber. E assim os dias foram indo.

Tinha profundidade em uma palavra, língua afiada. Forte e conclu
​s​iv
a
​.​
 
​V​
irava as páginas rápido
​,​
mas depois procurava linhas para ler de novo. Alguns bons livros valiam a pena, mas outros empacavam os capítulos e eram tampas que não combinavam com as panelas. A intensidade da sua pele se dava por crer, por ter fé. Por amar falar de Jesus e do amor espiritual. Mas tanta fé e não sabia perdoar. Era difícil de não querer 
​e muito fácil de​
ser querida, mas quando assim acontecia não queria, não queria mais nem ela 
​e​
nem ninguém.

Era do amor, da vida calma. Acreditava nas palavras que diziam fácil como tinha que ficar do lado da paz. Sentava no chão de terra e esperava, quietinha o que seria que amanhã acontecesse
​,​
e mesmo que nada acontecia, al
​i​
sonhava o mundo, ultrapassando as estrelas daquele céu cheinho delas que todo mundo queria mas só ela tinha. 

Um céu cheinho delas. 

E chorava uma nostalgia do que não sabia lembrar. Usava o que sentia como vestimenta, ora boa de amar ora ódio negro que doía. Não sabia começar 
​e​
nem terminar, mas vivia o meio tanto tanto
​,​
que deixava marcas e rastros e em nome do certo geralmente cometia erros e era dura consigo mesm
​a​ quando
 não acreditava em tantas bênçãos e milagres e transparências porque eram sempre testadas
​,​
e ela
​​
difícil de manter suas escolhas
​,​
sofria uns arrependimentos porque sa
​bi​
a que poderia ter suportado mais, suportava tão bem a dor. 

Como podia deixar assim as brigas pra trás? 

Mas do amor ela dava a mão e se agachava na chuva deixando a água bater nas costas largas que deixaram sonhos pra trás e 
​traziam​
uma preguiça por ali que era pecado.
​ Só que ​
gostava de rezar, precisava da reza e assim que começava a falar com Deus seu coração se acalma
​va​
e distraída pensava que tudo estaria resolvido.

Gostava de gente simples
​,​
mas da simplicidade duvidava
​.​
 
​T​
inha uma mania de olhar nos olhos bem lá dentro para ver se valia a pena ficar por ali, mas julgava o tempo todo e não queria mais esse julgamento porque a vida passara e já era mais pra 
​lá ​
do que pra cá para ainda ter esses apegos que não deviam existir nas pessoas de fé. E ela queria ter a fé, e doía, porque queria pagar as contas e ir nas lojas também e  porque deixava assim tanta facilidade pra trás, tão esperta e todo mundo sabia passar a perna porque faltavam as palavras que sabia tanto articular em horas erradas.

É que tem gente tão bonzinho, com olho bom que senta no canto da mesa e espera todo mundo pegar a comida mesmo quando tem muita fome, pra esses tudo. Sobre o que contar? Sobre vaidade? Sobre posse? Se perdoe. Se perdoe pelo menos à noite. Admita fracassos e limites mas também abrace a apalpe qualidades e boa sorte.escrevia tudo, via e procurava as palavras que saltavam do coração, de verdade elas falavam nas linhas, com língua e barulho de voz. Ponto final e exclamação dava pra ver, porque nascia o conto, mas não conseguia ir e ir e ir. Punha ali a emoção e ela dizia chega. Sem dono. E aí faltava assunto em tanta conversa. E voltava então pra ver os olhos e o sorriso de quem tinha alma no corpo e sabia tocar a vida como quem toca violão solo, mesmo se desafinasse e voz, porque não perdoava a si, mas perdoava quem desafinava com pureza. Fechava as portas mas antes de fechar os olhos abria todas porque queria todo mundo por perto.sonhava em saber tanta história e entender as cabeças das pessoas, mesmo as malvadas, mas só aquelas que permaneciam pela história, porque tinha impaciência com maldade pouca. Mas não sabia muita coisa, Lia pouco, não guardava nomes, mas a sorte de saber o certo era também um milagre que gostava dela. Os milagres gostavam dela, mesmo sendo flácida quando poderia ser mais rígida, ou pelo menos não ter tanta dor no pé. Doía porque acumulava necessidades de tempo pra lá e pra cá. Tava bom, aí se lotava de coisas pra segurarem a ida. Seria porque só tem calma quando se tem caos? Gosta de quem se entrega e beija a mão e grita no show e dança de braços abertos chacoalhando a cabeça mesmo se usa óculos. E daí?

Tinha uma misturada na vida. Terreiro, samba, castelo de rainha com vira da cama e bate cabeça com a hóstia sagrada e não perdia um dois de fevereiro porque queria ser ​preta pra provar que ama o que é diverso mesmo que de fora ​parece que não sabe lidar​, sabe e bem.
É bonito ver quem presta a atenção na conversa do outro quando ele fala. Gostava de quem chora quietinho também e que fica feliz só num pedacinho da vida, sem precisar sai
​r​
de si. 
E depois entender tudo. 

Ouvir e dizer, já sei. 
Já sei Senhor. Já sei. 

Reza

 A calma do tempo, era assim que ela rezava e nas suas orações pedia para que todo mundo pudesse sentir esse amor quieto e livre, sem pressa, só deixando o vento bater no rosto, procurando os cantinhos da​ casa, os esconderijos na alma. Tudo pra ver se dia desses, o pai ruim que era, juntava como aquelas outras pragas do inferno e amoleciam o coração, deixando esquecer de cutucar ela de noite, porque era a deixa de pegar a estrada e ir ver se o mar tinha mesmo espuma e se era salgada, porque assim pela foto da revista, sua única companheira, ela tinha certeza de que era doce. 

De muitos carnavais

 O carnaval vai indo... nos alegramos mais um ano. Muita gente foi foliar pra valer. Não eu, fiquei aqui de olho nas descobertas desta alegria, nas cores dos olhares, nas fantasias que são mais do que as que vestem os brincantes, elas que surgem corajosas nos pensamentos de quem vive um estado de liberdade, mesmo que em um segundo. Que elas perdurem, não murchem, não esperem o ano que vem para serem felizes. O carnaval é um estado de saída, de transição de um vc carregado de coisas para um novo vazio e otimista. As manifestações são bem vindas para que o nosso modo de agir por conta delas mude, se continuar igual depois, não era carnaval, era só uma ‘amostração” mesmo. Faça ser carnaval. 


O carnaval tá indo, e que bela festa esse ano. SP capital deu um show com tanta gente bonIta enchendo as ruas e avenidas sempre carregadas de gente só, individualistas dentro dos carros, nesses dias vieram lotadas de todo mundo junto, sem medo encostar um no outro, não é legal?. Salvador deixou a marca nos bastidores, o nascimento das gêmeas e o passar o bastão do expresso 2222 de pai para filha. O meu Recife sempre na tradição do frevo que ferve o centro, a praia, as ruas, aeroporto, shoppings, ladeiras, numa misturada só. E o Rio, ah o Rio, que é a terra do carnaval legítimo do Brasil, arrepiou com suas escolas fazendo do carnaval o carnaval mesmo, uma festa de manifestações do povo, daquilo que vc tá engasgado na goela. 

Descorporativo

 Ando ocupada comigo. Me olhando, meu cuidando, me respeitando. Dou like pra mim vira e mexe. Com isso, fiquei mais atenta ao outro. O que já sempre gostei de fazer, olhar dos lados, ver o que se passa, ganhou um quê diferente. Quando você vê o outro sabendo de si é bem bom, porque você pode dar dez passos pra frente ou dez pra trás, dependendo do que você sente. Outro dia recebi um convite para ir a SP em um seminário de assuntos que não me interessam mais, um bom tema e o convite mais ainda porque o valor da inscrição era bem salgado. Tinha que confirmar e tudo, aquelas coisas - afe, super disputadas. Mas eu não fui. Não quis. Deixei pra lá essa "super oportunidade". Já fiz tanto seminário nessa vida, só por deus... e vamos combinar, entrei no link e vi aquelas pessoas com umas caras de passado. Reciclar é bom e tal, mas acaba que ultimamente é o mesmo assunto sempre - uma ou outra novidade que eles chamam de inovação, e que não faz mais gosto pra mim. Amanhã eu não sei, mas no caso, pronto, preferi ficar aqui, ouvindo minha música, falando com as minhas plantas, na companhia dos assuntos que eu escolhi. Certificado de conclusão bacana eu me dei nessa. Curti!


Papa Francisco, um milagre

 Olha, eu sou católica. Sou mesmo! vou à missa todos os domingos e quem me conhece sabe que eu acredito em Nossa Senhora, em São Pedro - aquele teimoso, e que essa foi a minha escolha. Por isso hoje é um dia especial pra quem é como eu. Isso não tem nada a ver com acertos e erros, ou com merecer ou desmerecer quem não é, mas a liderança que a igreja católica representa não pode ser ignorada. Minha fé se alegra nesse momento ao ver que nessa escolha muitos protocolos caíram, que o meu próprio preconceito, quando ouvi: é Argentino, foi por terra quando ele escolheu ser Francisco I e apareceu na janela com aqueles olhos do bem, e agora tantas piadas já estão permitidas porque o importante foi sentir um olhar mais humilde, uma vida mais progressista e uma autoridade que primeiro abaixou a cabeça para a multidão e pediu ajuda nessa missão. 

Lolô 14

 Lolo


Achei de bom jeito te escrever assim, desse jeito de hoje, no Insta, me enfiando no teu jeito de ser que é como a gente deve fazer pra se achegar no tempo de quem amamos. Caramba, 14 anos! Eu lembro de você sem te ver ainda, naquela barrigona da mamãe. Você sempre foi inspiração para as linhas e as descobertas dos presentes que não são apenas coisas, são sentimentos que a gente embrulha e torce para ressoarem. Envio pela mamãe hoje um jeito de você ir contando em imagens e textos, aventuras e amizades dessa fase maravilha. Tomara você goste.

Ontem, falando deste dia 02 de agosto, a Teca disse sobre os dois setenios que formam a idade em que você ingressa hoje e disse ainda como ela é um marco. Eu concordo, sabe? Lembro assim translucidamente esse tempo na minha vida, tantas primeiras coisas vivi entre o ontem da meninice com o tudo que seria eu dali em frente. 
Olha, você iniciou essa etapa com muita coragem, a partir da viagem à NY voo solo, não é pra quem quer, é para quem tem o aperto da coragem. É lindo isso. Sempre vi o leaozinho forte por baixo desse olhar delicado e dessas pernocas que não sentem frio. 

Te desejo meu anjo, todo o seu possível. Que seja sempre coberto pelo manto azul de Maria e cheio de amor.
Viva essa juventude linda. Viva você, Lolinha. 
Feliz aniversário!

Tia Cice.

Ver por dentro

 Achei meus óculos. Ah, sim.. o que você tem a ver com isso? Aparentemente nada, mas até pode ser uma boa história para dividir numa sexta 13... 


Na quarta-feira fui com o Pedro cortar o cabelo. Passei o tempo do corte trabalhando no celular e nem quase bati papo com meu querido amigo Thiago. De óculos no rosto escrevi vários e-mails. O dia tinha sido corrido e na volta de baixo de bastante chuva, vi pelo vidro do carro que a porta do registro da água aqui de casa estava aberta. O gordo não gosta que aquela portinha fique aberta e nem eu. Parei, coloquei metade do corpo pra fora, abaixei e fechei.

Depois do jantar, já depois de tantas coisas, fui ler um tico, mas cadê meus óculos? Sem ele nem pensar em ler nada! Nada.. procurei em tudo que é canto, eu, Neninha, Pedro, depois as meninas, olhamos por todos os lugares. Esqueci no salão... 


Não li, não joguei candy crush (eu jogo ainda) não deu, sem ver?! No dia seguinte uma voz no meu ouvido, olha no portão da sua casa.. claro! Mas quem será que tava dizendo? Sai pra ir pra Allma e achei que deveria parar no portão... parei, olhei, mas fiz assim assado, sabotando a parada. Não achei! Sofri sem enxergar de dia, liguei no salão 1789 vezes pedindo para eles encontrarem. e a voz lá, ​vê no portão da sua casa... mas eu já vi! Não tá voz, entendeu?  Outra noite sem ver.


Dia seguinte, hoje... olha no portão da sua casa. Eu ouvia perfeitamente. Sai descid​idona a olhar, apesar de já ter olhado... só que hoje desci do carro, fui por reparo, de perto, dar foco e fazer direito o que estavam me pedindo. Tcharam lá estava ele, soprado por Deus p​ara o meio dos bambus​, assim o carro do gordo não amassava o coitado. ​Incrível como teimamos com os fatos, é assim com tudo, óculos da alma que a gente sabe onde procurar, mas demora pra ter coragem de levantar, sair do carro e por reparo. 


 

Crespo

Sentir é crespo eu penso, porque não pode ser liso esse jeito de dar eco no peito. A cabeça manda num tudo, mas é o coração que decide o instante.

23/11/2020

As viradas

Todo mundo se aconchegando nos lugares escolhidos para virar o ano, renovando as expectativas e sonhos. Toda prova que o tempo não é cobrado em dias tá aí... o tempo é contado no amor, naquilo que queremos e fazemos na virada de 24 horas ou apenas 10 segundos. Por esperança renovada em todos os corações, por aqueles que estão ou ficam sós. Que neste milésimo de tempo cada um encha seu coração de outros. E nunca mais estejam sozinhos. Eu gosto de vésperas 😍

De 2017 para 2018

Todo ano, assim nesse finalzinho, eu analiso como foram a maioria dos meus dias neste percurso, aí defino se tive um ano bom ou ruim. Tenho aprendido a corrigir esse pensamento lembrando que tudo o que acontece é para o bem e sendo assim, porque é,  ainda posso ter gostado mais ou menos de certas coisas vividas. Olhando para 2017, afirmo sossegada que eu gostei muito mais dos meus dias do que menos. Eu ganhei muito neste ano ímpar. Aprendi um absurdo, certamente em 365 dias, o que em 17.885 (49 anos) eu ainda não soubesse. Fui presenteada com a amizade, fortalecendo aqueles amigos que já são muito meus, revendo e convivendo com outros, grata pelo tempo ter trazido eles de volta... grandes amigos  que estavam longe de mim. Também fiz amizades novas, algumas já existiam mas, vamos dizer assim, cravaram a bandeira do best friend forever agora, como diriam as crianças, meus "bffs" e outros queridos - de fato novos, mas sei que serão para sempre. Senti que meus filhos foram amados e respeitados por gente que eu gostei demais que tenham entrado na vida deles, assim como toda mãe quer sentir. Ultrapassei erros meus já conhecidos, aprendendo mais um pouquinho sobre que atraso seria repetí-los. Tive com o Cesar um ano de muita união, muita, meu amor esse gordo. Fomos um - de arrepiar o braço, com força e coragem, honrando e fazendo bonito o que juramos, na alegria e na tristeza, manja?  Vi boas decisões, acompanhei conquistas e alegrias que nem eram minhas, mas passaram a ser quando me alegraram também. Recebi, recebi, recebi. Muito generoso comigo esse universo, então quero agradecer: Universo seu lindo, obrigada! 


Agora aqui pensando eu já posso prever o futuro, que dom é esse de cartomante, astróloga, búzios, bola de cristal que eu tenho dentro de mim.. Olha, meus amigos.... 2018 será muito melhor. Será ótimo, será deslumbrante. Sim, eu vejo aqui no mapa astral, na borra do café, no tarô...  Eu posso afirmar como tudo vai ser porque sou eu que vou fazer o que eu quiser que ele seja. E será mesmo muito bom. Mesmo que a gente precise levantar as mangas e dar uns berros assim: Mais amor por favor!!!! Vai ser um ano espetacular. Para mim, para você, para nós todos, porque dentro da gente está o presente e aí o futuro fica fácil de saber. 

Bem 2018 querido, você ainda nem chegou mas já fica sabendo - da minha parte, tô dentro!  \0/

Familiar

Não tem nada nesse mundo, nada e nadica que tira lágrima e sorriso - perto assim um do outro, como a família da gente. De felicidade e de um pouco de tristeza, da saudade ou dos momentos de chegar. Com saúde ou às vezes precisando de um cuidadinho. A gente ri e chora por saber que nesse pedaço de vida, o que é nosso ninguém tasca. Tem amigo que é família e tem família que sei lá, tem também. Mas o bom é esse aconchego, esse é o melhor do mundo. Eu não sei o que é o tal sei lá, a minha família sempre foi a melhor emoção do meu viver e eu gosto de ver que não sou só eu. Eu adoro ler famílias e ver elas por todo o canto. Propício para um final de semana que chegou virado de alegria e para uma semana que, se Deus quiser, vai ser da mesma forma com todo mundo por perto.

2020, pandemia.

Sinto aqui dentro de mim que tudo é mesmo pelo amor. Não consigo entender como esse momento ainda não traz a tona para todos, todinhos que é só sobre isso. Entristece meu coração olhar nas ruas pessoas iguais a antes, como se mergulhar na ignorância dos fatos, estivesse acima de viver. Desmerecer a vida é muito diferente de não ter medo de morrer. As pessoas se escondem atrás da falta. Falta de que? De dinheiro? De suportar? Há possibilidade de tudo ser mais justo, até o dinheiro ser melhor dividido depois disso, contudo se o ponto de partida for apenas esse, vamos continuar exatamente no mesmo lugar. É urgente que esse desprendimento exista para que o equilíbrio aconteça. Enquanto um titubear, mesmo que seja por maldade ou ignorância, vamos estender essa dor. Qual é o seu propósito, o meu, o seu ponto de atenção e cuidado, pra onde olham seus olhos e sente o seu coração? Não é sobre técnica, não é sobre sabedoria. Não é sobre confinamento e nem sobre fome. É sobre perceber que não adianta espernear e que, simples, se a natureza decidir... Acabou. 

Sobre amar infinito

Nunca foi fácil sair com o Nadal de carro, com a energia a mil por cento, para os latidos e pulos de um banco pra outro sem parar só com um bom fone de ouvido, uma coleira potente à prova de salto à distância e uma máscara inventada antes da pandemia, para sobreviver à chuva de pelos longos e macios voando pra lá e pra cá. A vontade de latir pra fora, pra rua, de mostrar toda a felicidade de viver, pra mosca que tava voando, pra moto passando, pro porteiro cumprimentando, pro ônibus parado, qq coisa que ele pudesse fazer para interagir e sentir o mundo tava valendo. Eu sempre soube disso, sempre senti a vontade dele, mas como abrir o vidro? Não dava! porque o tamanho dessa euforia sempre foi proporcional à pureza de achar que o mundo era bondade igual e que talvez correr pela Raposo Tavares, tudo bem ué.... Ah, lembrei, teve um dia que vendo que tava tudo dominado, ele bateu a pata no botão e o vidro de trás zummmm, começou a descer. E o desespero de segurar na coleira com o carro andando a alegria de quem finalmente ia colocar a cara pra fora!



Esses dias a janela de trás do carro começou a baixar, eu mesma que baixei. Cansado e doentinho, os latidos foram controlados e a vontade de colocar a cara pra fora venceu. Sem desespero, sem atropelo, sem afobação. Eu baixei ela todinha, vidro totalmente aberto e ele calmo e quieto como a juventude não sabe e o tempo ensina. Contemplando, feliz. 
Todos os passeios de carro agora estavam assim. Carão pra fora, ah que gostoso, o vento no rosto que tirou da gente risadas tão ternas mais um pouco ainda ao seu lado. Aquele pelo todo voando e o vento nele e ele na janela enfim, felizão, juro que sorrindo, com aquele olhar que nos conduziu aqui em casa, 12 lindos e maravilhosos anos, indescritíveis de um amor além de qq prova.
Hoje 5h20 da manhã, com o sol nascendo e o dia bonito alaranjando, nos despedimos com um monte de recados para o céu - incluindo um oi à São Francisco num até breve abraçado, doído da partida, do luto, mas tão cheio de agradecimento e paz, tanta ternura, a marca dele. O nosso amado, querido e idolatrado Nadal, o Dudu, o nosso livro de conduta e bondade, que não precisava de uma linha escrita sequer pra ensinar tudo, se despediu por sua própria vontade, assim tipo dormindo de lado, sabe? bem como ele gostava de ficar. Um guardião que nos amou com seu coração gigante. 
Eu também sempre gostei disso, quem não gosta de colocar o rosto pra fora e sentir o vento? Dudu, será sempre pensando em você que nós seis- incluindo a Mel que vai ter que perder o medo, faremos isso quando a gente estiver passeando pela vida. Te amamos sempre e muitoooooo, não esquece! 💙

(@eliane Gonçalves, Dico. Nunca vamos conseguir agradecer o maior presente que vc nos deu)

Piscadinha

Nesse pisca pisca de sono bagunçado, eu entendo que aqui nós somos amontoados, que a lógica perde a léguas pro sentimento, que o que se quer mesmo, é ficar pertinho e não certinho. Tenho muito trabalho pela frente. Ainda bem que o amanhã já está escrito. Ainda bem.

Smack triplo

Escolhi ser a gorda do gordo - corta para a minha infância - cresci vendo meu pai chegar em casa e a primeira coisa que ele fazia era ir beijar a minha mãe, três selinhos rapidinhos assim, oi prê, smack, smack, smack. Rotina sagrada e bonita de ver. O dia podia ter sido exaustivo ou tranquilo, não tinha chabu, era da mamãe o primeiro beijo. Depois é que ia olhar em volta para vir beijar a gente também, nunca antes (o Flávio e a Lu estão aí pra dizer). Cresci vendo um amor que fez sentido pra mim e que desejei construir igual. Fui uma adolescente da pá virada, mas na hora que achei o César, aquele olho cor de mel taí, fez sentido pra mim. Eu sabia que queria estar com ele porque minha mente aquietava, eu ficava tranquila, sossegada e tinha certeza que iam ser meus os primeiros beijos dele - volta para o motivo do post - Acertei nesse sentir, claro que entre desacordos e grandes conversas, até hoje, 23 anos juntos, é a mão de almofada dele que deixa meu coração esquentar, são os olhos que eu quero ver quando eu to engastalhada com bobagens. São as poucas palavras que ele usa que iluminam clarão um breu só e é o seu jeito simples de ver a vida que me apoia na hora que o bicho pega. 


Só errei sobre os beijos.. filha de peixe a beijoqueira da casa sou eu. Quando ele chega o meu bico já tá pronto, saio logo correndo na frente das crianças pra garantir o selinho de chegada. 

Ué tudo bem, como ele continua um gato, eu perdoo.

Bee

zum zum... leva teu pólen abelha querida. listradinha pequena velocista. Fico te vendo chegar no infinito de uma flor à outra. Pétala. Belezas muitas da vida próspera, leve, que ergue o mundo e regenera. Tuas asas, o infinito. Voa por mim. Voa.

O oitavo signo

Vem chegando escorpião, sempre teimando em querer vir mandando recado mal criado pelos outros, como se eu fosse ainda menina pra aceitar essa provocação e essa brabeza toda. Hoje lido com essa inquietude que não mais em mim está porém sei bem reconhecer, ah entorno que sinto... e meu papo com o percurso já mais curto, de mais um ano a se cumprir, é para o espírito que no mistério desse signo tem um tanto. Todo o resto ainda diz que importa, mas to nem aí, acaba por ser só passagem.


guardadinho

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.