Fruta como botão, pretinha, redonda. Alegria dos passarinhos da árvore da casa do Seu Lauro. Feito os olhos, os meus. Eu vejo conto e invento. Eu por aqui me apresento.
24/04/2020
Metabavana
Pela generosidade, pela purificação, ao próximo, cada cantinho, tudinho abençoado, num tom só, sem ansiedade, sem pressa, lindo, no jeito do andar em respeito, na fila da hierarquia sem traumas, o sino de um toque só, o altar, velas a cor vermelha, água no ramo verde o tempo todo. Uma lindeza que hoje eu vi e vivi.
20/04/2020
Até breve
E eu hoje vejo assim: a despedida ensinou-me que ela aparece no começo e não no fim. Que despedimo-nos sempre, de coisas que gostamos, das pessoas que amamos. De diversas formas, de muitos jeitos. Uns doem (muito) outros não. Mas é mesmo assim. E dessa forma, aprendemos para sempre a começar. Ao lado do que virá, e junto de quem estará para sempre conosco, mesmo depois desse breve adeus. :)
27/01/2020
Japamala
É preciso repetir o amor. Sussurrar tantas vezes ele couber em
você. Fazer sair, ecoando, ecoando.
Livre.
A voar o vento das emoções.
09/01/2020
Cão de ló
Pisquei os olhos e é quinta-feira (quase sexta, já). O final desta semana de tanta correria e calor, trouxe tempestades de raio e trovão para lavar a alma. Eu olho o Nadal na chuva, ele ama! Ele corre pra lá e pra cá e late e fica feliz e se alegra porque esfria todo o quente do dia que ele passou. Eu vou lá olhar o que ele fica fazendo para encorajar a minha alma de amor feito a dele. Para esfriar o meu quente espontaneamente, sentindo, deixando a água cair por puro instinto e entrega nessa tamanha alegria que dá essa chuvarada. O Nadal é muito sabido. Já que chove cântaros, correr na chuva e alegrar-se, é a sua dica para todos nós. 😍
Terra do Sol nascente
Eu ficaria horas, dias, contando sobre o Japão. Agora, sentada aqui no portão de embarque, resumo o que espero, sinceramente, ter a capacidade de repetir como pessoa. O aprendizado que ganhei das três coisas que escolhi como as mais marcantes para mim desse lugar maravilhoso. 1 - O silêncio. Um silêncio que o som pode fazer. Leve, não sem pressa, mas calmo, focado. O silêncio do todo que parte da atenção de cada um consigo e com o coletivo. O silêncio de ouvir o vento e o pássaro nas avenidas habitadas de movimento. Silêncio. 2 - O respeito. O verdadeiro respeito traduzido em todas as atitudes. A beleza de vê-lo demonstrado nas pessoas para o seu país e do país para a sua gente. Respeito como disciplina escolar mais importante que física e química, respeito como princípio e não fim. Respeito. 3 - O tempo. O tempo de antes e do agora, das tradições mantidas na mais alta modernidade. O tempo misturado, contido um dentro do outro. Dos samurais às executivas, da vida que mantém sem enquadramento de espaço, as bases que constroem o hoje e sem esquecimentos displicentes, que asseguram o amanhã. O tempo sem tempo. Tempo.
Me despeço absolutamente agradecida por essa passagem. Agradecida e engrandecida, desejando que todos aqui sejam muito felizes, cada um que vive aqui.
Japão, até breve!
Até a volta! 🇯🇵❣️
(De dezembro /2018)
Que nem galinha
Debaixo das asas, papai e mamãe sempre assumiram que gostam mesmo é dos filhos debaixo de suas asas. Eu lembro da cara feia quando dizia vou dormir na casa de fulano, até na casa da madrinha eles gostavam médio, o papai beeem pior nisso. Mas esse jeito "vem todo mundo pra cá", nunca foi posse, foi cuidado e é tão bom saber disso. Fui criada solta, livre, na rua, incentivada a experimentar novidades, viajei, conheci muitos amigos, morei longe, mas sabendo que na minha casa sempre esteve todo o meu amor. Debaixo das asas. Hoje eu vejo que o que acontece é que mesmo diferente, a gente vai repetindo a vida, vai buscando na nossa história as referências, vai se segurando nelas, por isso é tão fundamental lembrar das noites simples, onde estavam todos dentro de casa e vinha primeiro a mamãe lá olhar na cara da gente na cama, como dizendo em silêncio - tudo meu aqui, que bom! E depois o papai indo ver se as janelas estavam fechadas e cobrir até o ombro meus irmãos e eu dizendo, apaga essa luz e dorme agora! lembranças tão boas, principalmente nestes tempos que a gente teima em se preocupar em ser recipientes de teorias. O que me ensinou o que sou, agora eu sei, foi o grude que a gente sempre foi, não o resto. Saber disso enche o meu coração. Que bom que é Natal para eu agradecer esse verdadeiro presente. Tá todo mundo aqui, debaixo das minhas asas, pai. A mamãe continua no meu pé. 😍
(De dezembro de 2018)
(De dezembro de 2018)
13/09/2019
Lavando a alma
Eu hoje joguei tanta coisa fora... Não, não é letra de música, talvez uma melodia que vira e mexe eu cante na minha vida. Mas hoje foi diferente, joguei o que nunca pensei me desfazer, joguei uma história fora. Muitas lembranças, papéis e documentos que um dia criei. Joguei com o peito apertado, mas com a certeza de que não eram mais meus. Passaram. Tanto que vivi, tantas pessoas que estiveram comigo. Hoje, foram. Olhei cada carta, cada cartão que recebi, tanta gente que me quis bem, ou não. Sonhos divididos num instante e caminhos trilhados diferentes num resto de dias. Fiquei pensando na vida e como ela é verdadeiramente feita de momentos. Tanta intensidade ontem para turvos escritos hoje. No meio de tudo algumas coisas ainda tinha vontade de guardar, as lembranças maiores. Outras olhava e me perguntava porque demoraram tanto. No fim sempre há o que fica, mesmo que não em papéis guardados, mas no gravar do coração. Todo o resto, será apenas memória.
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eu sou
- Cice Galoro
- Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.