Outro dia com uma máscara no rosto por conta do exame H1N1, eu olhava aqueles olhos e eles pareciam sorrir pra mim.
Resultado negativo, mesmo tendo estado no Chile e na Argentina, meu amor estava livre da tal epidemia. Ele tirou a máscara e estava sério, mas meu olhar permaneceu no seus olhos e mantinha-se o ar sorridente.
De um momento nada inspirador eu parei e lembrei:
É, o César tem sorriso no olhar.
Desde que o conheci, falo do seus olhos. Cor de mel, de mesma expressão de quando era criança. Olhos de quem enxerga longe, mas fala muito pouco sobre isso. Olhar ingênuo muitas vezes pra fatos nada amadores.
Olhar de cuidado enquanto pai. De amigo e de responsabilidade.
Olhar às vezes cansado, mas quem não os tem não é?
Hoje o César faz 49 anos. Vim olhando pra ele.
Viemos conversando no carro sobre os seus 48, uma retrospectiva. Ele foi firme, coerente, preciso nas lembranças. Apontou o melhor e o pior deste ano e o saldo, que apesar de apertado, foi positivo.
Então meu anjo, que venham os 49 e que se realize suas expectativa e desejos.
Sáude, longa.
Estabilidade.
Te amo, com olhar de paixão.
Cice.
Fruta como botão, pretinha, redonda. Alegria dos passarinhos da árvore da casa do Seu Lauro. Feito os olhos, os meus. Eu vejo conto e invento. Eu por aqui me apresento.
26/06/2009
18/06/2009
minha vida, minha tíbia
Acordo por esses dias e vem aquela dor doída e doida, porque ela vai passando e voltando dependendo de mim, de como passo também.
A base que me segura ou carrega, esqueceu-me. Me deixou e tá voltando, mas aos poucos, que é pra eu lembrar quem é que manda. Eu tô entendendo ainda, faltam centímetros pra isso, e aí nessa hora me levantarei de forma triunfal.
Foi Nicola quem disse. Eu eu sei que acredito.
E não vejo a hora.
A base que me segura ou carrega, esqueceu-me. Me deixou e tá voltando, mas aos poucos, que é pra eu lembrar quem é que manda. Eu tô entendendo ainda, faltam centímetros pra isso, e aí nessa hora me levantarei de forma triunfal.
Foi Nicola quem disse. Eu eu sei que acredito.
E não vejo a hora.
05/06/2009
pingos nos is, em 4 línguas
- CLOTILDE?
- Que,ee EEE!
- Veja menina, não grite não, estamos num atraso da peste.
- Ah é? e que é que cé.
- Que? É que cé? O que ce qué? Tá desmaiando?
- É francês, significa que é que eu tenho com isso?
- Se é francês eu sei lá, mas que deve de tá errado, isso tá. Porque ocê num sabe nem dizer o apelido da gente.
- Chega Zoê, num ve que tô nervosa? ai, queria meu painho aqui, ele não ia ficar no meu pé desse jeito nessa hora. Ô Deus amado vous levê meu pai antes dos dias.
- Vous levê? vixe maria, se apresse que eu tenho que levê você, e o carro não tá bom não.
- Diga agora pra ajudar, que tenho que empurrar essa jabiraca de vestido longo.
- Ué, tinha jeito? Porque ce num chamô o motorista da funerária, pelo menos o carro dele é novo.
- Diu Miu. Pra você que é ruim feito esse ferro velho aí de fora, to dizendo Meu Deus que nem os italiano.
- Eita Clotilde, vai logo. Nunca vi noivo que espera essas tramóias da fala não.
*************************************
- Nossa Zoê, nem tem lugar na porta da capela.
- E cê qué que eu faço o que.
- O que divia ter feito ontem, botasse os cone aqui.
- Não deixam eu tirar os cone da auto-escola, pra pegar esse carro já foi o ó.
- Tá chovendo, Jesus.
- Ó, cê tá com coisa mesmo. Sabe que eu não gosto que ninguém me chame de Jesus. Fico constrangido com Ele lá em cima. Maldita hora que mãe foi achá que podia ser santo igual ele, gosto de ser meio diabo...
- Não falei Jesus pro cê, falei Jesus pra Ele mesmo. Chamei Jesus, entende?
- Ah... e chamou com berro porque ele tá mandando chuva agora.
- Chuva? mas e o longo?
- Arrasta.
- Vou chegar na igreja descabelada.
- Num tem problema se é por isso.
- Tá dizendo que tô feia?
- Não, que tu tá descabelada.
- Mas a Clarinda disse que tinha posto a coroa bem bonita. Sabia que o espelho ia fazer falta hoje.
- Quebrou?
- ahan
- 7 anos de azar.
- Aute com isso.
- Aute?
- Significa sai pra lá, em Inglês. E depois azar o teu também que nunca casou antes. Nem a Dé te quis.
- Eu que num quis ela.
- Té parece beibinho.
- Nunca bebi uma gota na presença dela.
- Vixe, beibinho é neném em inglês tu.
- Afe, vamo logo, desce.
- Ai, a poça
- Já foi
- Ai o buraco agora
- Já foi
- Ai o sinaleiro vai abrir
- É, já foi... mas e daí num tem carro, tá a cidade toda no casamento, menos ocê, e eu tambem.
- Então vamo Zoê.
- Tô indo, agora que tu corre?
*****************************
- O disco não vai tocar, tá sem energia.
- santo Padre!
- O padre tá aí...
- Não é isso, santo Padre é uma reclamação em espanhol, num sabe disso?.
- Sei olé, que meu pai que ensinô nóis de pequeno.
- Vamo assim mesmo.
- O povo veio.
- Claro, e a vaca que tá virando lá no espeto? O povo veio ver a vaca, não ocê.
- Dexa num ligo.
- Nem eu. Também tô numa fome só. Aquela bicha deve tá estalando.
- Stop agora. Ergue o queixo que Valtão tá batendo as foto.
- Ri pra Valtão que eu te capo.
- Cê acha Zoê!...
************************
- Então, se tiver alguém aqui que saiba de algun impedimento.
- Xiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.
- safado...
- Podem pegar as alianças.
- Saiu?
- Num sai.
- Falei pra tu tirar no banho.
- A culpa é tua, que fez eu usá isso faz um tempão.
- Eu os declaro marido e mulher.
- É mesmo?
****************************
- Zoê, cade ocê home de Deus?
- Tô aqui ué.
- Tá triste?
- Claro que não. Tô feliz demais.
- Vai se livrar de mim né?
- Que jeito?
- Ué! num sou mais aquela que chegou aqui avec iou.
- Parece que é a mesminha nessa falação esquisita que tu gosta.
- Sou não, agora sou mulher casada.
- E é.
- Casadíssima
- Num tem problema não. Tô acostumado contigo no meu pé.
- ê Zoê...tu é danado, mas eu te je teme. Tô feliz demais pondo os pingos nos is, marido no papel passado, mas desde o dia que decidimo mora junto ha 27 anos, né? eu te je teme.
- Teme mesmo, muié bonita! Teme, porque essa noite promete.
- ahahahahahahahahaha
- Que,ee EEE!
- Veja menina, não grite não, estamos num atraso da peste.
- Ah é? e que é que cé.
- Que? É que cé? O que ce qué? Tá desmaiando?
- É francês, significa que é que eu tenho com isso?
- Se é francês eu sei lá, mas que deve de tá errado, isso tá. Porque ocê num sabe nem dizer o apelido da gente.
- Chega Zoê, num ve que tô nervosa? ai, queria meu painho aqui, ele não ia ficar no meu pé desse jeito nessa hora. Ô Deus amado vous levê meu pai antes dos dias.
- Vous levê? vixe maria, se apresse que eu tenho que levê você, e o carro não tá bom não.
- Diga agora pra ajudar, que tenho que empurrar essa jabiraca de vestido longo.
- Ué, tinha jeito? Porque ce num chamô o motorista da funerária, pelo menos o carro dele é novo.
- Diu Miu. Pra você que é ruim feito esse ferro velho aí de fora, to dizendo Meu Deus que nem os italiano.
- Eita Clotilde, vai logo. Nunca vi noivo que espera essas tramóias da fala não.
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- Nossa Zoê, nem tem lugar na porta da capela.
- E cê qué que eu faço o que.
- O que divia ter feito ontem, botasse os cone aqui.
- Não deixam eu tirar os cone da auto-escola, pra pegar esse carro já foi o ó.
- Tá chovendo, Jesus.
- Ó, cê tá com coisa mesmo. Sabe que eu não gosto que ninguém me chame de Jesus. Fico constrangido com Ele lá em cima. Maldita hora que mãe foi achá que podia ser santo igual ele, gosto de ser meio diabo...
- Não falei Jesus pro cê, falei Jesus pra Ele mesmo. Chamei Jesus, entende?
- Ah... e chamou com berro porque ele tá mandando chuva agora.
- Chuva? mas e o longo?
- Arrasta.
- Vou chegar na igreja descabelada.
- Num tem problema se é por isso.
- Tá dizendo que tô feia?
- Não, que tu tá descabelada.
- Mas a Clarinda disse que tinha posto a coroa bem bonita. Sabia que o espelho ia fazer falta hoje.
- Quebrou?
- ahan
- 7 anos de azar.
- Aute com isso.
- Aute?
- Significa sai pra lá, em Inglês. E depois azar o teu também que nunca casou antes. Nem a Dé te quis.
- Eu que num quis ela.
- Té parece beibinho.
- Nunca bebi uma gota na presença dela.
- Vixe, beibinho é neném em inglês tu.
- Afe, vamo logo, desce.
- Ai, a poça
- Já foi
- Ai o buraco agora
- Já foi
- Ai o sinaleiro vai abrir
- É, já foi... mas e daí num tem carro, tá a cidade toda no casamento, menos ocê, e eu tambem.
- Então vamo Zoê.
- Tô indo, agora que tu corre?
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- O disco não vai tocar, tá sem energia.
- santo Padre!
- O padre tá aí...
- Não é isso, santo Padre é uma reclamação em espanhol, num sabe disso?.
- Sei olé, que meu pai que ensinô nóis de pequeno.
- Vamo assim mesmo.
- O povo veio.
- Claro, e a vaca que tá virando lá no espeto? O povo veio ver a vaca, não ocê.
- Dexa num ligo.
- Nem eu. Também tô numa fome só. Aquela bicha deve tá estalando.
- Stop agora. Ergue o queixo que Valtão tá batendo as foto.
- Ri pra Valtão que eu te capo.
- Cê acha Zoê!...
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- Então, se tiver alguém aqui que saiba de algun impedimento.
- Xiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.
- safado...
- Podem pegar as alianças.
- Saiu?
- Num sai.
- Falei pra tu tirar no banho.
- A culpa é tua, que fez eu usá isso faz um tempão.
- Eu os declaro marido e mulher.
- É mesmo?
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- Zoê, cade ocê home de Deus?
- Tô aqui ué.
- Tá triste?
- Claro que não. Tô feliz demais.
- Vai se livrar de mim né?
- Que jeito?
- Ué! num sou mais aquela que chegou aqui avec iou.
- Parece que é a mesminha nessa falação esquisita que tu gosta.
- Sou não, agora sou mulher casada.
- E é.
- Casadíssima
- Num tem problema não. Tô acostumado contigo no meu pé.
- ê Zoê...tu é danado, mas eu te je teme. Tô feliz demais pondo os pingos nos is, marido no papel passado, mas desde o dia que decidimo mora junto ha 27 anos, né? eu te je teme.
- Teme mesmo, muié bonita! Teme, porque essa noite promete.
- ahahahahahahahahaha
28/05/2009
sonhos
Sonhar é como prever ou rever, sem garantias.
Vai uma mistura boa e às vezes de amedrontar, passeando pela nossa memória.
Algumas vezes é tão real que a gente passa o dia depois sem saber ao certo o que se dá e que tempo estamos.
Sonhos proibidos são uma delícia, porque são só seus e com quem você quiser, onde, como e quando. Aí, ao levantar vale até uma olhadinha no espelho porque a cara denuncia.
Tem sonhos comédias, surreais, doidos de pedra.
Cheiros podem ser sentidos. Frio, calor, sustos.
Hoje eu sonhei com tensão. Nem ruim nem bom. Por conta de problemas que nem são meus mas que eu absorvi.
Acordei com discurso pronto. Vai pra prática, assim garanto o meu lado. Ai, ai.
Vai uma mistura boa e às vezes de amedrontar, passeando pela nossa memória.
Algumas vezes é tão real que a gente passa o dia depois sem saber ao certo o que se dá e que tempo estamos.
Sonhos proibidos são uma delícia, porque são só seus e com quem você quiser, onde, como e quando. Aí, ao levantar vale até uma olhadinha no espelho porque a cara denuncia.
Tem sonhos comédias, surreais, doidos de pedra.
Cheiros podem ser sentidos. Frio, calor, sustos.
Hoje eu sonhei com tensão. Nem ruim nem bom. Por conta de problemas que nem são meus mas que eu absorvi.
Acordei com discurso pronto. Vai pra prática, assim garanto o meu lado. Ai, ai.
27/05/2009
escolhas
Pra dar certo tem que se estar certo.
Deixar ontem e nem lembrar que amanhã é sexta.
Sair. Manter.
Continuar sem debater.
Por que se há debate, tem impasse.
E assim não vai. Fica e sai.
O certo é simples.
Sozinho.
Certinho.
Fácil.
Difícil, não tá certo ainda.
Tá enrolado, enroscado e a culpa é sua
Nua.
Nem dá pra esconder.
Não tem o que dizer.
Se estas certo, certo está.
E nada pode dar errado.
Deixar ontem e nem lembrar que amanhã é sexta.
Sair. Manter.
Continuar sem debater.
Por que se há debate, tem impasse.
E assim não vai. Fica e sai.
O certo é simples.
Sozinho.
Certinho.
Fácil.
Difícil, não tá certo ainda.
Tá enrolado, enroscado e a culpa é sua
Nua.
Nem dá pra esconder.
Não tem o que dizer.
Se estas certo, certo está.
E nada pode dar errado.
25/05/2009
latitude
E lá fomos nós. Passa terceira e quarta na pista expressa que andava melhor. Primeiro uma parada estratégica na escolinha. Caderninho de vivência e registros de um tempo bem pequenininho perto do tempo que já se passou na espera desse momento. Aí seguimos. De longe já se vê, alto imponente, cheirando novo. Pela rua de cima a entrada, um giro pra baixo, mais um e uma garagem grandona, sem pilastras pelo meio. Depósito com porta e tranca e um elevador bem chique. Lá no térreo a melhor vista, uma pequenucha balançando no parquinho. Feliz. De casa nova e espaço lá em baixo. Piscina de clube, salão de festas de dar inveja no Torres, academia pra CIA nenhuma botar defeito, e um nó na garganta de ver tudo ali, pronto, cheio de coqueirinhos novos e iluminados rodeados de flores coloridas. Aí a gente subiu, dois ou três andares e parou, parou só pra gente. Três tons de azul e uma escolha. O lugar da luminária e a porta de entrada. Lá fui eu de pé direito e descalço. Sabia que eu ia ver o que vi. Mais que a beleza de como tudo foi pensado e do bom gosto que ali virá, a luz. Clarinho, iluminado, ventilado, grandão. Gostoso como café na cozinha.
O melhor também foi a única cor por enquanto, e ela era rosa. Escolhida, esperada, faladeira e sorridente cor-de-rosa.
Eu saí de lá vendo a hora de voltar. Sentar nas belas cabeceiras de crochêt, emprestando uma blusa que vai estar guardadinha no seu devido lugar, vendo nossos cinco pequenos no teatro daquela casa. Linda.
Deus abençoe essa espera válida e certa. Vínculos inesquecíveis do que importa na vida. O lar.
Tinco e Nica, parabéns!
O melhor também foi a única cor por enquanto, e ela era rosa. Escolhida, esperada, faladeira e sorridente cor-de-rosa.
Eu saí de lá vendo a hora de voltar. Sentar nas belas cabeceiras de crochêt, emprestando uma blusa que vai estar guardadinha no seu devido lugar, vendo nossos cinco pequenos no teatro daquela casa. Linda.
Deus abençoe essa espera válida e certa. Vínculos inesquecíveis do que importa na vida. O lar.
Tinco e Nica, parabéns!
20/05/2009
desentendida
Vivia de hans? Incrível era o poder de passar pelos assuntos, pelas pessoas e seguir sem retoques. Uma palavra dada, um choro chorado, um desespero que lá se ia em segundos.
Rebolava ou andava firme dependendo do dia. Nem horóscopo lia porque tanto fazia.
Nem tava aí. E o mundo tinha que estar.
Desentendia no fundo da vida porque não há prazo pra essa validade.
E foi perdendo.
Amigos, casos, senhores, poderes.
Perdendo achando que ganhava. Pelos minutos de esperteza uma vida toda.
Que pena.
Pena o cacete!
Rebolava ou andava firme dependendo do dia. Nem horóscopo lia porque tanto fazia.
Nem tava aí. E o mundo tinha que estar.
Desentendia no fundo da vida porque não há prazo pra essa validade.
E foi perdendo.
Amigos, casos, senhores, poderes.
Perdendo achando que ganhava. Pelos minutos de esperteza uma vida toda.
Que pena.
Pena o cacete!
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eu sou
- Cice Galoro
- Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.