Prato feito moço...custa caro?
Aqui amigo, se tu achá coisa mais barata que isso, num come porque é lixo.
Tá então vai.Hunnnn como faço pra acertar?
Eita, mas é o único ser que se preocupa com isso. É ali ó.
Vou indo então.
Senta primeiro, come, e aí paga.
Vô então.
E sentou olhando de lado, meio que desconfiando que alguém ia perguntar o que ele não sabe responder.
Na vida foi isso, decidiu e veio. Chegou sem saber o que esperar e não tinha nada esperando por ele mesmo. Nada.
Num golpe de misericórdia, encontrou um homem que queria se livrar das coisas e entregou pra ele um cartão amarelo.
Pra comer dá isso aqui e aperta numa máquina 7070.
E se foi. Duas quadras depois tava no noticiário da noite pelo pulo que deu na frente do ônibus.
Mas ele nem desconfiou. Nada sabia, a não ser que tinha fome, e o tal 7070.
Toma aí amigo. Come.
Como moço. Tô numa fome só.
E comeu.
E sentia em cada colherada que dava até pra conseguir o que nem sabia o que era.
Foi lá na fila.
Vai pagar como?
Com isso aqui.
Tonhão, cadê a máquina?
Tem outra coisa não? A máquina tá lá longe.
Tenho não, só isso aqui.
eita...TonHÃO!!!
Foi de 7070. Saiu um papel e ele tava livre.
Foi fácil então, não ia ser dificil mais nada.
Pro outro tinha sido tudo dfícil até lá, mas pra ele tava fácil, porque comer que era mesmo o que ele queria lá no fundo, ele já sabia: 7070.
E assim foi, até o final do saldo.
Fruta como botão, pretinha, redonda. Alegria dos passarinhos da árvore da casa do Seu Lauro. Feito os olhos, os meus. Eu vejo conto e invento. Eu por aqui me apresento.
26/03/2009
09/03/2009
cacife
Eu desço do salto mesmo, desço sem dó, adoro. Tropeço se preciso. Já, quando eu vou virando a esquina, começa um sobe e desce que a sensação é a qualquer segundo gritar de prazer. Vem vindo, vem vindo... Aí, eu aperto o passo e começa o desequilíbrio. Ô porra de calçada torta que eu passo. Qual? Todas.
Então eu enfio a chave na porta e viro bem devagar. Aquilo faz dum jeito que tremo toda, como se tivesse uma platéia só no espio.
E dái pra frente, vem gente.
Não é de hoje e nem é segredo, sempre gostei e assumi uma fechadura. Gostoso botar os olhos lá e ver o que não pode, ou o que não deve, porque poder pode, vamos combinar, eu vejo! E vejo porque tem quem mostra.
A Dulce que me ensinou, e de pequena, ela procurava os vãos, e botava o olho lá, e enfiava o nariz pra sentir os cheiros também, e quantas vezes o copo nas paredes foi o bom companheiro junto do susto, quando de relance chegava alguém.
Agora a pergunta é, tá espiando? Tô. Quer fazer junto? mando assim mesmo, sem pudor, de bate pronto, goela abaixo. Então fico aqui de novo. De joelhos e desse lado, porque do outro não sei bem, fica sempre uma sombra pela frente. Mas isso é bom. Aparece e não aparece. Fica no quase.
Quer melhor que quase? Fica, fica, fica e não chega, até que eu queira.
Que nem, agora eu tô aqui, você bem que tá gostando de saber. Quer que eu conte exatamente o que rola lá não quer? eu conto porque quanto mais eu mostro o que não tá amostra, mais eu gosto e você também.
Olha, dá pra espiar, a visão tá nítida como lente de óculos pra míope. O cara tá concentrado, quieto até, mas tá arfando. Sei porque peguei o copo e tô de olho no peixe e ouvido no gato.
Escuto agora a respiração que acelera, não, não a dele, a minha. Não dá pra ver ainda quem tá quase em cima. Não sei se é homem, mulher, padre, não dá pra ver. Péra, opa, vi agora e vem chumbo grosso. Cacete, isso é hora de cair esse copo? Aí, agora sim, e de novo. Esse cara é bom mesmo, já faz um tempo que ele tá aí e sempre armado, não deixa uma, uminha sequer sem pelo menos uma passada boa de mão, e enche, enche as duas gostoso, e leva pra caixa.
Han, depois o povo fala que eu, tão assim, não devia ficar perto disso. Espiar é tudo. Eu sei o que ninguém sabe. Eu daqui vejo mais do que os olhos lá de dentro. Nossa, eu adoro uma fechadura. Adoro ficar desse lado. Adoro enfiar a menina dos olhos bem dentro desse buraco. Quê? tá chocado? que é isso.. todo mundo gosta dessa história, e eu espio que só. Espio todo dia antes. Espio o proibido.
É proibido mas tem sempre um montão de gente fazendo, e a mesma hora inclusive, porque já espiei em um monte de lugar e de um monte de jeito. Num sei, de um tempo pra cá virou vício.
Então eu meto o olho mesmo, lá no fundo, e além de espiar eu aprendo tudo e repito depois.
Uhm que delícia. Bom também é esse vizinho que dá margem, e joga bem, e depois porque sabe que eu dou uma olhada, me convida depois.
Se eu vou? Vou, e você quer ir também porque eu já saquei. Então comece espiando.
Só sei que depois que mudei pra cá, faz duas semanas inteiras que não perco mais no jogo de poquer.
Então eu enfio a chave na porta e viro bem devagar. Aquilo faz dum jeito que tremo toda, como se tivesse uma platéia só no espio.
E dái pra frente, vem gente.
Não é de hoje e nem é segredo, sempre gostei e assumi uma fechadura. Gostoso botar os olhos lá e ver o que não pode, ou o que não deve, porque poder pode, vamos combinar, eu vejo! E vejo porque tem quem mostra.
A Dulce que me ensinou, e de pequena, ela procurava os vãos, e botava o olho lá, e enfiava o nariz pra sentir os cheiros também, e quantas vezes o copo nas paredes foi o bom companheiro junto do susto, quando de relance chegava alguém.
Agora a pergunta é, tá espiando? Tô. Quer fazer junto? mando assim mesmo, sem pudor, de bate pronto, goela abaixo. Então fico aqui de novo. De joelhos e desse lado, porque do outro não sei bem, fica sempre uma sombra pela frente. Mas isso é bom. Aparece e não aparece. Fica no quase.
Quer melhor que quase? Fica, fica, fica e não chega, até que eu queira.
Que nem, agora eu tô aqui, você bem que tá gostando de saber. Quer que eu conte exatamente o que rola lá não quer? eu conto porque quanto mais eu mostro o que não tá amostra, mais eu gosto e você também.
Olha, dá pra espiar, a visão tá nítida como lente de óculos pra míope. O cara tá concentrado, quieto até, mas tá arfando. Sei porque peguei o copo e tô de olho no peixe e ouvido no gato.
Escuto agora a respiração que acelera, não, não a dele, a minha. Não dá pra ver ainda quem tá quase em cima. Não sei se é homem, mulher, padre, não dá pra ver. Péra, opa, vi agora e vem chumbo grosso. Cacete, isso é hora de cair esse copo? Aí, agora sim, e de novo. Esse cara é bom mesmo, já faz um tempo que ele tá aí e sempre armado, não deixa uma, uminha sequer sem pelo menos uma passada boa de mão, e enche, enche as duas gostoso, e leva pra caixa.
Han, depois o povo fala que eu, tão assim, não devia ficar perto disso. Espiar é tudo. Eu sei o que ninguém sabe. Eu daqui vejo mais do que os olhos lá de dentro. Nossa, eu adoro uma fechadura. Adoro ficar desse lado. Adoro enfiar a menina dos olhos bem dentro desse buraco. Quê? tá chocado? que é isso.. todo mundo gosta dessa história, e eu espio que só. Espio todo dia antes. Espio o proibido.
É proibido mas tem sempre um montão de gente fazendo, e a mesma hora inclusive, porque já espiei em um monte de lugar e de um monte de jeito. Num sei, de um tempo pra cá virou vício.
Então eu meto o olho mesmo, lá no fundo, e além de espiar eu aprendo tudo e repito depois.
Uhm que delícia. Bom também é esse vizinho que dá margem, e joga bem, e depois porque sabe que eu dou uma olhada, me convida depois.
Se eu vou? Vou, e você quer ir também porque eu já saquei. Então comece espiando.
Só sei que depois que mudei pra cá, faz duas semanas inteiras que não perco mais no jogo de poquer.
03/03/2009
o próximo
Sabe o batuque tímido das teclas? Aquele que a gente fica ouvindo o dia todo e aí num trisco, de vez em quando, pára e cruza olhares? Eu fico só de esguio por aqui e presto atenção porque não faço parte, tô só sem querer. Bateção sem fim de tanta coisa que nem precisava ser escrita. É porque dá mais coragem, prazer ou preguiça mesmo? Tic Tic Tic. De vez em quando outros barulhos incomodam esse, tipo cadeira que lembra a porta do castelo num nheque treque de doer, significa que o cara da contabilidade levantou. Vixe, se ele levantou é coisa, porque o nego fica só no tic tic o dia todo. Diz que sempre tem diferença naqueles números. Mas matemática não é exata? Bundão! a coitada da cadeira que o diga. De repente outro barulho intrometido, é parecido mas não é o mesmo, ah.. o toc toc do sapato da menina do almoxarifado. Muitas vezes já desejei que ela enfiasse as canetas azuis bem no centro, regulada duma figa, e vem com esse sapato chato que nem a cara que Deus lhe deu. Puta que pariu e eu aqui. Nossa, sempre tem isso, barulhão de matar, todo santo dia, nessa santa mesma hora, o santo cristo das procurações derruba o santo guarda lápis lotado de nada. Só tem lixo ali. Clipes enferrujados e abertos, lápis apontado dos dois lados que ficam sem ponta desde sempre, borracha que suja o papel, canetas, muitas, todas, sem uma puta duma tinta. Pra que guardar isso? e pra que deixar ali esse cão? bem perto do braço gordo que todo dia esbarra nos mesmos santos pontos. Mas eu tô quase indo já, é questão de dias, já falei isso antes, mas ainda tá na validade. Tic, Tic. Fico pensando que antes, com as máquinas pesadonas devia ser mais bacana isso tudo, o barulho era maior, mais animadão pá, pá, e muita coisa que eu enxergo talvez nem desse pra perceber. Porra devia ter tentado outro lugar. Tic, tic, toc toc, pá, pá, bando de barulho de merda, e eu aqui... ó lá, lá vem aquele papel que eu já conheço passando de mão em mão, quer ver? ele pára na última mesa, a do velhote de bigode fino, que tá assim porque ele não tira aquele dedão grosso de cima dele, pára ali e ali fica pra ajudar a acabar com o barulho que todo mundo gosta, porque o do bigode, é o chefe da gangue de xinfrins, fica num pega e solta, num amassa mas não lê, até a hora do relógio bater. E eu?
Eu aqui nessa fila do cacete, e ninguém pra vim me atender.
Eu aqui nessa fila do cacete, e ninguém pra vim me atender.
24/02/2009
região noroeste
Aqui em Araçatuba, cidade do César, faz tanto calor, mas tanto calor, que até o computador fica suando. É um sol de fritar miolos num céu tão azul que dói os olhos. Os olhos ainda ardem com o cloro da piscina, porque desse jeito só dentro da água o dia inteiro. Eu tô feliz aqui, apesar de derreter. Depois do incidente do Natal que me fez voltar a 200 Km pra São Paulo, agora vim e chegamos sem nenhum imprevisto. E aí, tudo igual. Os cunhados gritam no jogo de baralho, minha sogra que não vê a hora dos netos pequenos em trio chegarem pra espalhar pra eles um monte de brinquedos novos, meu sogro que enche a geladeira de tudo que a gente gosta, as brincadeiras que não acabam arrastadas nos erres caipiras, poRta, toRta... e um entra e sai na casa deles sem parar, que agora diferente das outras vezes, vêm pra ver ainda minha perna quebrada. É, Araçatuba é longe de São Paulo pra dedéu, uma viagem longa e cansativa, uma cidade que muitas vezes eu desejei que fosse pelo menos 300 Km mais perto de mim, mas hoje eu tô muito mais feliz de ter vindo, mais do que todas as vezes. É que quando eu cheguei percebi que sou querida por aqui demais. Tava todo mundo esperando muito esse momento, e em pleno carnaval a gente comemorou o Natal de 2008. Num brinde eu agradeci por estar nesta terra quente e comer castanha e nozes em pleno mês de fevereiro assistindo a Portela, e o melhor, cercada da família Sousa Lima. Que é bem minha também.
20/02/2009
alegria meu povo, alegria
Talvez pelo motivo do momento, acordei hoje uma alegria só. Puta, como gosto de estar feliz. Não tem jeito, nasci mais pra sorrir mesmo. Tava com saudade dessa sensação, de ficar leve, de me sentir eu.
Pra se ter uma idéiia fui lá na Emilia Borges e encarei a depilação, até na perna quebrada. Ficou ótimo.
Ah, tô assim, feliz da vida!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Pra se ter uma idéiia fui lá na Emilia Borges e encarei a depilação, até na perna quebrada. Ficou ótimo.
Ah, tô assim, feliz da vida!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
12/02/2009
demora mas vai
As vezes parece que ficamos esquecidos, que a rebimboca da parfuseta encrencou de vez e nem as ave marias darão jeito. Só que passa, com firmeza passa. Firme como prego na areia...
Vai, demora mas vai!
Vai, demora mas vai!
01/02/2009
milho pra bode
Barulho maldito.
Masca de boca aberta porque é fartura demais. Nojice misturada com raiva de tanto desperdício. Tá fácil assim, fácil demais e agora não tem jeito de ficar de outro jeito. O barulho da boca estalando irrita, entra nos tímpanos, ensurdece.
Ensurdece.
Inferno,tanto milho assim pra bode. Bode gosta de capim.
E aquele nhan, nhan vai dando náuseas, fúria. Nem o berro dos mais agudos abafa o estalido daquela boca, que come e baba o que nem sabe o que é.
Sai de mim bode de araque. Voltei do pasto e nem quero mais ver tua fuça. Vou te jogar feno agora, e do pior. Agora você engorda, porque é só capim que você conhece.
Sai de mim tempo perdido, sai de mim.
Masca de boca aberta porque é fartura demais. Nojice misturada com raiva de tanto desperdício. Tá fácil assim, fácil demais e agora não tem jeito de ficar de outro jeito. O barulho da boca estalando irrita, entra nos tímpanos, ensurdece.
Ensurdece.
Inferno,tanto milho assim pra bode. Bode gosta de capim.
E aquele nhan, nhan vai dando náuseas, fúria. Nem o berro dos mais agudos abafa o estalido daquela boca, que come e baba o que nem sabe o que é.
Sai de mim bode de araque. Voltei do pasto e nem quero mais ver tua fuça. Vou te jogar feno agora, e do pior. Agora você engorda, porque é só capim que você conhece.
Sai de mim tempo perdido, sai de mim.
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eu sou
- Cice Galoro
- Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.