08/12/2010

contraponto




Vive dentro de mim uma inquietude. Eu gosto dela. Ela me deixa viver todos os momentos, sentí-los. Conflitante, é só a partir desse desassossego que surge a calma, e que posso saber muitos silêncios de hoje. Superposição de duas melodias diferentes, o exato significado de contraponto, e também a música da minha vida.

29/11/2010

A missa de domingo

Eu cresci indo à missa com Seu Pedro e Dona Ivani. À missa do domingo, das músicas escolhidas na semana, das pessoas que repetem uma oração sem sabê-la. Eu cresci ouvindo meus pais dizerem que não faz mal essa repetição, porque ouvir o bem já basta, e uma hora vai ser muito válido. Cresci também ensinada a não julgar a igreja, que erra, ué! porque é feita de homens, e homens fraquejam. E os padres são homens, apesar de muita gente achar que eles são sei lá o que. Cresci orientada a ter uma doutrina e ser fiel a ela, e portanto com o direito de ver e apontar erros mas com o dever de entregar acertos, então. E por conta disso até hoje, a missa é parte da minha rotina. Eu vou lá porque quero ouvir o bem, e me encontrar com as pessoas que estão a fim da mesma coisa. Aqui perto de casa descobrimos a Igreja Nossa Senhora da Imaculada Conceição, uma capelinha pequena, com uma comunidade do mesmo tamanho tão dedicada que dá gosto. A missa é alegre, cantada, pra cima. Os padres que rezam ali (vários, já que estamos alocados numa comunidade maior) são todos bacanas. Uns mais tradicionais que outros, alguns muito cultos, e muitos dedicados aos entraves mais duros da vida, mas sem exceção, todos devotos a Deus em primeiro lugar, é... porque tem padre que se coloca antes de Deus, como muitos de nós também. Eu e minha família, que agora eu levo comigo como Seu Pedro e Dona Ivani faziam, vamos todos os domingos rezar na missa das 10h30. Meus filhotes comem o pãozinho que o padre benze e meu coração fica contente. Eu olho do lado e vejo meu marido de joelhos, e agradeço por ter ele comigo. Na maioria dos domingos ainda to lá com a minha mãe, a Dona Ivani, que arrasta com ela a boa missa, a sabedoria de tantos anos, a fé. No domingo eu me sinto visitando a casa de Nossa Senhora, aquela linda, e eu fico assim assim com ela, entregando meus filhos à sua proteção e carinho. Também agradeço, peço a beça, e compartilho de boas energias pra todos os meus parentes e amigos. No domingo eu aprendo história (porque pra se entender a religião é preciso conhecer os contextos históricos), eu admiro cada vez mais Jesus que foi um cara muito corajoso e bocudo, e eu entendo os porquês, os sofrimentos e me convenço de merecer o que a vida tem de bom. No domingo eu rezo. De joelhos. E volto pra casa com meus passarinhos em baixo das asas, protegidos e abençoados, prontos pra uma semana melhor.

19/11/2010

Não há como esquecer


Poderia ser só o título mesmo porque ele já diz tudo, mas a vida também se encarrega de dar sua mãozinha, quase que num misto de prazer e pena. E assim a cada dia, ou tempos em horas, minutos, algo faz com que a gente se lembre. Nem sempre é triste, nem sempre é melancólico, mas no final fica sim aquela sensação de escuro, que pode se acender. Essa semana, ontem na verdade, eu com uma gripe do alibabá, que nem sabia ha quanto tempo eu não tinha (orgulho de dizer: Cice há uma pá de tempo sem gripe...), me sentia sonsa, saudosa. Puta da cara, achando que podia não estar daquele jeito, podia ser mais forte e não adoecer. Raiva de ficar espirrando, com dor no corpo, raiva.
Lá entre o durmo ou não durmo, peguei a revista que somos 4a capa com Bruce Willis pra ler, uma publicação da Itália agora no Brasil e abri de sopetão, na página 24. Bem ali, um texto de Milly Lacombe chamado VIVA A TRISTEZA, que começa assim: "Estávamos em frente ao aparelho de TV da sala, em uma época na qual as casas tinham, quando muito, apenas um aparelho de TV, e foi a primeira vez que vi meu pai chorar." Li comendo as letras e sem entristecer, meio que sabendo por que abri aquela revista ali, e deixado vir a tona a velha e boa saudade. O texto destaca outras duas maravilhas: "Quando atravessávamos a rua, meu pai me pegava pela nuca e dizia: gatinho a gente segura assim - e eu nem me dava o trabalho de ver se algum carro estava vindo. Se ele me conduzia, então era seguro". E ainda "aos 10 anos tinha apenas uma certeza: por pior que fosse a situação, meu pai nunca deixaria que nada de ruim me acontecesse". Depois da leitura, fechei a revista, virei de lado e dormi.
Acordei hoje boa da gripe e feliz. Valeu seu Pedro, via Milly Lacombe.

16/11/2010

bikers





Andar de bicicleta é um desafio. Equilíbrio, vento contrário, adrenalina iniciando no sangue, pra correr e correr. E depois voltar pra casa, carregando a magrela mas sorrindo, porque a vida é assim mesmo.

28/10/2010

É duca - ção

Ando agoniada. Tenho medo de não saber educar meus filhos. É, porque educação significa tão mais do que escolher a escola, e gostar ou não dela. Educar tá cravado nos exemplos. Na chegada em casa, em cada horário. Nas justificativas muito dadas e pouco interessantes. Educar tá no jeito da gente andar, de agradecer o cara do posto, da padaria. Tá no telefone que vc atende e é o telemarketing do banco. Na atenção que vc tem com a rotina. Tá onde não se vê, ou se pensa que não se vê. Educar para o bem, hoje em dia, é quase dizer pro teu filho morra pobre, esmagado entre os que estão nem aí, exceto com uma puta sorte... mas é literalmente a única forma deles morrerem ricos de alma. O correto. Não tem outra porta. No meu caso, me agonio porque mãe pensa demais, e eu sou intuitiva nas reações. Será que passo minha intuição pra frente? Será que deixo maus exemplos quando grito, quando sou impaciente? Quando e que hora que eles são eles, e não são eu. E o contrário? Venho pensando nisso desde que ganhei minha trilogia, mas muito mais agora que eles estão com 7. O número diz muito. 7 anos formam um ciclo, entram novas considerações, respostas, dúvidas e certezas. Hoje a gente educa dentro de um aquário de deseducação. Entre superfícies. A gente nada em palavras e pessoas rasas e que se acham profundas, o que é pior do que antigamente que também existiam superficialidades, mas menos poder pra elas. Hoje não existe mais sinônimos rebuscados, as palavras perderam a força para os jargões. A informação, tão útil, lotou-se de pequenos trechos que você conclui ao bel prazer, porque é demasiada. Eu não quero retroceder, isso não, mas quero manter a educação solidária em casa, aquela que não é assistencialismo barato, que a gente faz porque quer e tem tempo, porque respeita as diferenças, porque é gentil. Porque se dirige a alguém mais velho como senhor, que espera a vez, que não fura a fila, que empresta o livro acreditando que o terá de volta. Quero ensinar que não se põe palavras na boca de ninguém, não se mente, não se vira às costas pra quem precisa, não se maltrata a natureza, não se aproveita de situações. Que o oportunismo é feio, mas a espera é virtuosa e que há recompensa pra quem prioriza o próximo, e o ajuda. Quero educar preservando o jeito, a personalidade, as críticas, questionamentos, curiosidades. Sabendo ler os olhos dos meus filhos, pra sempre me manter atenta a isso, que simplesmente dizem tudo. Mas pra isso tenho que continuar aprendendo. Que Deus me ajude nessa selva.

07/10/2010

legado

Não se deixa nada morno pra ninguém. Nenhuma história sem dor ou quebras são interessantes. Também não sobrevivem os roteiros da vida que só se baseiam nas conquistas materiais, no tal saí do nada e cheguei aqui, hãn... e? Isso é filme Blockbuster dirigido por um inexperiente. A vida tem que ter rasgos, estragos, quedas, loucuras, gargalhadas. Um figurino bem desenhado, batom vermelho, chapéu de panamá, meia de seda e fumaça de cigarro. Há de se pular muros com vestidos longos no meio da madrugada, rastejar-se por baixo de portões trancados, parar aeroportos, seguranças, indústrias inteiras para que faça sentido. Não se trata de exageros, nem de insanidades baratas, trata-se de entrega. Da sensação plena de uma alegria que na verdade dura segundos eternos, e que consegue explicar que o tempo realmente pouco importa.
Eu sou uma apaixonada, amante da queda livre, uma aventureira de carteirinha modesta com a loucura. Deixo que ela vá primeiro, pra que eu avalie se devo acompanhá-la. Gosto das obras de arte que carregam sentimentos por séculos, por continentes, mas que são misteriosas, introvertidas e secretas. Gosto da leitura que faz suspirar, chorar, derreter. Gosto das amigas que sofrem pelos contos da vida real. Vivo da horta que plantei em casa, do cárcere e das dúvidas por opção, e vivo do amor. Meu legado é a consciência, que deixo passear e achar seu lugar em meio a todo esse transe.

05/10/2010

sonhos

Sonhos são cenas inexplicáveis, umas adoráveis outras não.
Umas verdadeiras, outras censuradas.
Sonhos me fazem mais rir do que o contrário, me fazem escapar de armadilhas, me deixam intrigada.
Eu me vejo nos meus sonhos, não em todos mas em boa parte.
Sonho muito misturado, sonho sempre com alguns lugares, sei lá eu se existem. Tem um tão gostoso na praia, tenho vizinhos lá já, amigos. Fiz amigos de sonho, acreditam? é que vira e mexe eu sonho com esse lugar então já me garanti.
Sonho muito os sonhos dos meus amigos reais. Tiro eles de fria geralmente, e sempre me coloco nelas por eles, engraçado isso. Sonho de gargalhar, comédias extensas e roteirizadas. Adoro!
Ultimamente tenho sonhado aos trancos, quebrado, sem muita lembrança. Não gosto, porque geralmente tenho detalhes, cores, fitas, sedas pra contar pela manhã. Talvez a idade esteja avançando e os sonhos comecem a despencar como o corpo.
Pelo sim pelo não vou sonhar até onde der, loucuras, alegrias, suspenses, medos, explicações ou dúvidas.
Assim sonho eu.

guardadinho

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.