18/05/2009

pentecostes

O fogo do Espírito Santo. Espera e vê. Pede que ele atende.
Tem força.Tem tudo.
É simples.

Mas pede com fé, e sabe.

Certo é que muitas vezes Tal Luz chega antes, pra quem tem pai e tem mãe, certamente.
E esses que te amam sabem antes de ti.

Eu nem sei o quanto sou de Deus por conta deles.
Mais que eu mesma, muito mais, eles crêem.

Envergonho-me, mas cresço a cada palavra, a cada oração.
E peço a Luz que os fez tão sábios, e bons.

E vivos.

Sou forte hoje.
E humilde.Por conta disso.
É o que basta.

Amém

14/05/2009

poeira

Era de cagar. Todo dia tinha ele que fingir não saber as intenções escondidas embaixo daquela plataforma de plástico pintado, que imitava o couro. Começava daí, da verdadeira altura que também era uma mentira. E ele, com o saco de jó que Deus lhe tinha dado, ia levando.

Que palhaçada essa mulher tinha feito? Até desconfiavam de coisa esquisita, macumba mesmo nas encruzilhadas, e tudo. Mas ele ia deixando sei não porque. Talvez de um certo modo precisava ser usado, ué, vai que tinha sido Calígula na encarnação de antes...

Ninguém se conformava porque era claro feito holofote na quadra, só que o medo, parecia, deixava o dedo do home longe do botão de desliga.

Só que eu, e a vizinhança também, fomos percebendo um olho meio de esguio, um bufar de canto de boca que ele vinha dando pra cada palavra a toa que ela soltava, e como eram muitas, o nego foi alargando, ficando igual urso saindo de hibernar.

Um dia foi a conta.

Cê pensa que ele fez estardalhaço? fez não. Levantou, sacudiu a poeira, e até hoje ela não deu a volta por cima.

12/05/2009

bem mais que o tempo

Recebi um e-mail sobre a teoria de que nos dias de hoje o tempo é mais curto do que antigamente.
Interessante pensar nisso, já que tempo pode ser considerado uma ilusão. De qualquer forma, há sentido no desequilíbrio de como as coisas funcionam hoje e de como os seres humanos não funcionam mais. Está tudo descompassado e isso é fato.

Eu sempre me perguntei qual era a lógica do tempo, apesar do pragmatismo de um relógio. Veja, a gente sempre acha que as coisas poderiam ter acontecido num tempo maior ou menor. Se falamos de ficar com nosso amor: maior, de ganhar dinheiro: menor. E não muda o tempo, independente da nossa justiça.

Também nunca tive muito tempo e nem aptdão para esperar ele passar. Vivo correndo atrasada, mas não aguento a demora da entrega de móveis pronta entrega, por exemplo.

Só sei que esse meu descompasso não era nocivo, mas hoje há algo que faz isso parecer um turbilhão.

Portanto desse e-mail eu concordo com uma coisa, há de se ter equilíbrio entre os homens e a natureza. Há de se ter tempo pra esse novo tempo preciso. Não podemos mais permitir que a cada dois dias outro amigo tenha síndrome do pânico ou tenha deixado suas casas e famílias desfeitas.

Hoje ninguém tem tempo pra analisar ou esperar passar a raiva, mas sobra tempo pra insegurança e impulsividade.

Não é o fato de ser cartesiano, apenas uma maneira de promover um ajuste, daqui, do meu pouco tempo livre pra pensar.

11/05/2009

desilusão

Declínio de crenças
Abrir de olhos
Areia finda na ampulheta

Não se trata de solidão nem tristeza
Mas de hoje
De estalido alto e sonoro

Valha-me Deus os porquês
Venha a mim

Enxergar-se e permitir-se pra amanhã
Assim, desilusão acaba pra início de uma nova caminhada

07/05/2009

do amor e da dor

É quando a gente se depara com a perna quebrada, com o tempo longo de recuperação, com as dores de nossos amores, com os horrores, os medos, é que tudo cria forma.

É aqui, nesse vale estreito que se enxerga o espaço entre o errado e o certo.

Se não fosse assim seria como?
Eu desejaria nem perguntar por isso, mas me vem a dúvida.

É do choro que o riso se cria, e eu e minha cria vamos nos sorrindo, nos permitindo porque assim se tira a obra. Obra divina que alcança os sustos, o óbvio escondido, as decisões.

É do amor e da dor o giro da roda, o andar em frente, o jogo do contente.

É do amor e da dor.
É sim.

04/05/2009

uma andorinha só não faz verão

Naquela praça ela esperava a hora das andorinhas. E elas vinham muitas, altas, voavam em partituras. Um canto. Ela de baixo olhava e sentia-se no espaço, única hora de lucidez. Arrepiava-se com o bater daquelas milhares de asas. Era um zigue-zague frenético, enlouquecedor. Vinham de vários cantos e juntavam-se frente a frente sem se bater. Enlouquecidamente virando, voltando, vindo, zuando. Uns 20 minutos todos os dias do verão. Num rasante elas desapareciam como areia descendo pelo funil. Areia escura e densa num funil estreito. E acabava. Tudo.

Naquela praça em que tantas vezes se escondia, hoje aparecia. Mas só pras andorinhas.

Pra ela, um fio de vida só recomeçaria no dia seguinte, e enquanto fosse verão.

Depois tudo se ia, e com tudo, sua capacidade de admirar e ver qualquer coisa, mesmo que fosse por 20 minutos apenas.

Ela amava as andorinhas, mas odiava a pena dos homens.

23/04/2009

cão sem dono

Esbarrando em todos aqueles ombros eu passei com pressa. Nem olhei quem é que vinha ou ia porque não me interessava ninguém. Corri tanto que o suor escorreu pelas minhas lágrimas. Eu chorava sem importar o que todos estavam pensando de mim. Sentei no canto e fiquei por um tempo, que nem sei qual. Só sei que mudavam as cores das camisas porque, como luzes da TV no escuro, eu sentia as cores pelos meus olhos baixos. Louca solidão em meio a tantos. Percebia vez ou outra reações de aproximação, e eu reagia também em mente, um não querer tamanho que fez com que eu permanecesse ali, estática, muda de mim mesma, amedrontada de gente. De repente levantei com dores pelo corpo todo. O medo que me deixara encolhida por horas, agora doía em cada pedaço, em cada junta de um corpo que eu nem mais reconhecia nos espelhos da estação. Uma confusão mental perguntava se era mesmo aquela menina que um dia usou nos cabelos fita vermelha, se era a mesma que chegou a rir diversas vezes acompanhada, que entrou em bailes e bailou feliz. Será que era mesmo? Onde que aquele eu me perdeu? Porque peguei o caminho que fizera esse momento? Que será que passou pra que agora, quase nem mais as lembranças, conseguissem nascer desse lodo. Uma saudade triste e enraivecida apontou bem na frente dos meus olhos cansados, e eu usei o pouco de forças que me restava pra expulsá-la dali, e permitir que o mesmo desconsolo fosse o meu companheiro. Incrivelmente era mais fácil assim. Sem resposta. Fugitiva. Pelos cantos, pela vida.

guardadinho

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.