07/07/2008

ária aos seus e aos meus

Tolos pobres de alma. Tanto e nada é o que têm. Uma impressão. Soltam-se numa agonia íntima ao saber que tudo podem, mas nada conseguem. Cada dia é uma imensa corrida para a solidão. Ficam sós. Livrai-os é o que deves pedir, porque o pior é que eles não percebem e apenas imaginam que são, ou que fazem, fazendo você perder tempo. E é sempre assim, o mesmo, o de sempre, o que não tem a menor diferença. Diferença apenas aos que acham junto. Ah, esses então, nem dó. Será que cabe soltar umas gargalhadas no meio de tantos?
Se sim, vá e gargalhe bem alto. AHAHAHAHAH. Se não, então assiste. Mesmo sabendo que acabará em tragédia, e que a gritaria e a correria fazem parte da cena, porque em tudo se aprende quando se senta num bom lugar. É daí, de onde estás que se vê fácil as coisas que saem no meio de tudo,e que não combinam com nada. A música alta? As interrupções não entendidas? só acrobacias pros coitados. Olhe pro lado e veja, o povo chora. Chora o que não entende. Talvez você não deveria ter vindo, mas já que ganhou a entrada, pergunte-se. Deuses do tempo, quanta tralha hei de varrer para um pouquinho de graça?

04/07/2008

bendito seja

A porta abriu. Sem nenhum problema aparente ela entrou, mas a dificuldade era grande. Aquelas sombras de plástico vinham pra cima dela. Todo o santo dia a mesma ladainha, dava pra ouvir cada amém, mesmo mudo, das mentes abatidas. A reza era a penúltima chance. O trajeto era pequeno, o do corredor e o do percurso, só que naquela situação era infinito. Um caos. Caos maior era o desejo dele, mas fazer o que? Enquanto ela empurrava tudo a sua frente ia pensando porque os sujeitos dividiam esse espaço com tanto conformismo. Até que não precisaria ser tão ruim, bastasse que olhos se cruzassem, quem sabe até um desejo mundano poderia correr solto naquele aperto, mas democraticamente os personagens preferiam aquilo mesmo. Sempre a mesma coisa. A ladainha. De repente, num dia qualquer alguém decidiu mudar, pelo menos misturar tudo. Sombras, fios, coisas, medos, umas alegrias escondidas. Chacoalhou a rotina e o amém saiu bem alto, aos gritos. Santo Deus um milagre. Notaram-se, viram-se e depois cairam na gargalhada. Depois daquela freada nunca mais a vida foi a mesma. Nem dentro, nem fora do onibus 407-C que seguia para a Zona Sul.

30/06/2008

Porque há o direito ao grito.
então eu grito.
Clarice Lispector

cara de quê?

De sorrisos a vida dela era lotada, mas as pessoas sorriam apenas pra constar a abertura de lábios. Que triste esse tipo de risada, a que nem soa. Ela sabia ao certo cada cor amarela que lhe aparecia na frente, e aos poucos foi desenvolvendo a maneira de não ligar pra isso. Então, vivia dizendo o que muitos não entendiam sobre o mais importante ser o humor, o bom humor. Que dureza conviver com as sobrancelhas fechadas e rugas formadas. Caras de bosta. E na maioria das vezes isso é o que servem todo dia. Mas mesmo assim, determinada aos bons ventos, ela insistia no verdadeiro riso e seguia, e o bom humor ia onde ela ia, enquanto as caras de sal continuavam ali, achando, fingindo, perdendo tempo. Coitadas.

25/06/2008

somos todos iguais

Hoje pela manhã de sobressalto li o quadrado em destaque do Estado de São Paulo que dizia MORRE RUTH CARDOSO. Nunca escondi minha admiração ao FHC, do qual admiro como político e ser humano. Hoje com essa notícia senti o breve futuro, acabou-se também o nosso ex-presidente. Depois de 55 anos juntos ele ficará muito só sem sua Ruth, a companheira que ele descreveu em sua biografia como par, pra tudo e por tudo. Imagino o que se passa hoje na sua cabeça lá na Sala São Paulo, o que se passará amanhã em seu apartamento em Higienópolis e o que será daqui pra frente. Sim, é Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente, o PSDbista que alguns detestam (eu não) o homem público, mas também simplesmente um marido que fica viúvo e só, sem sua grande companhia da vida. Aécio Neves disse aos repórteres hoje sobre o relacionamento dos dois: Se conversavam sem precisar de palavras.

Eu sinto que era de fato assim.

E lá se vai mais uma grande realizadora. RUTH CARDOSO, virginiana de 19 de setembro.
* 1930
t 2008.

22/06/2008

vaquejada




Na Festa Junina desse ano meus picutas dançaram mais bonitos do que nunca. Cavaleiros e damas, domadores dos bons, cavalgadas e muito laço. Virgem Mãe, derreter de orgulho foi pouco.

19/06/2008

cantoria

Enquanto corro canta o vento, e ouvir seu desembaraço embaraçando meu cabelo faz cócegas em minha alma. Aí eu canto junto.

guardadinho

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.