06/10/2011

Off


Um homem que marcou uma geração, mudou comportamentos. A partir do seu.
Uma vida iniciada de um jeito que muitos considerariam quase o fim, fez dele a necessidade de buscar novos começos.
Um cara duro, grosso, mas apaixonado e com fé.
Porque a fé é a crença em perseguição de algo melhor, e isso ele sempre quis.

Foi até onde deu, sem jogar a toalha. Quando despediu-se, fez direito, quase despercebidamente não fosse sua tamanha visibilidade, escondida ultimamente num corpo tão frágil, mas que não conseguiu destruir sua inteligência.

Tinha grandes defeitos e gigantescas qualidades, mas tinha um princípio que o fez chegar onde chegou e resolvia tudo isso.

Tinha amor. Antes, de tudo.

Mr. Jobs, rest in peace.

09/09/2011

Setembro

Setembro é um mês bom!
Bom no sentido de "do bem". Um mês com flores, não poderia ser diferente.

Eu sempre escrevo sobre setembro. Sempre falo que tudo melhora nele, que o ano se confirma, se ameniza, fica respeitoso e generoso.

Meus filhos nasceram em setembro num dia triste pro mês e pra humanidade. No dia 11 de setembro. Mas isso não mudou nem um pouco meu sentimento com esse momento do ano.

Lembro bem, dois anos antes deles nascerem, que fiquei congelada em frente a tela da TV da agência que eu trabalhava vendo um avião entrar na Torre 1, depois ver a outra em chamas e aquela imensidão vir abaixo. Eu tinha estado em NY e visitado as Torres Gêmeas. Não dava pra acreditar que, um dia, alguma coisa, abalaria aquela grandiosidade.

Dois anos depois, no mesmo dia, tava eu congelada de novo, mas por conta da maior das minhas alegrias. No dia 11 de setembro de 2003, chegaram faceiros meus trigêmeos, destinados a serem cidadãos do mundo e do bem. Tenho certeza disso.

Voltando ao presente, hoje - dia 09 é aniversário da Sofia, minha sobrinha que complementa a nossa alegria de viver nesse mês.

Acordei pensando em tudo isso e bem cedo neste 9 de festa, ouvi um sociólogo dizer que o 11 de setembro mudou a maior potência mundial, ruiu com uma série de propostas de liberdade que o ocidente propunha, mas que também trouxe um lado muito bom, o de democratizar o mundo. A necessidade de abrir as portas da igualdade de forças e sentidos. A concreta visão que ninguém é mais ou maior que ninguém.

Pra mim, fica claro que cada vez mais as potências precisam estar nas pessoas, no coração delas. Na formação dos homens de bem. Eu confio que sim.

De nossa parte, peço humildemente que no nosso micro cosmo da família, saibamos ensinar e educar essa galera pra isso. Tudo indica que teremos 4 almas boas pela frente, cuidando pra que a vida seja mais justa e digna para todos.

Parabéns hoje à Sofia pelos seus 3 anos, e no dia 11, o beijo vai aos meus queridos Beatriz, Pedro e Julia que erguerão seus 8 anos com muita amizade e amor.

Setembro, valeu!

23/08/2011

O sermão de domingo

Domingo a missa foi do padre Renato. 84 anos dedicados à palavra. Uma benção de padre, porque de homem ele deve ter lá suas cascas grossas. Mas a missa que ele reza é especialmente confortadora, esclarecedora e generosa. Domingo, padre Renato falou sobre Nossa Senhora, comemorando a festa da Assunção de Maria ao céu. Ele explicou tanta coisa que eu não sabia, e que me fez mais ainda ficar de joelhos por essa mulher forte na carne e humilde na alma. A gente fala rotineiramente sobre o sofrimento de Nossa Senhora, mas tenho pra mim que a maioria de nós não parou pra entender como foi isso. Vivemos o sofrimento da Mãe soberana como rezamos a Ave Maria, numa correnteza de frases até o "agora e na hora de nossa morte amém". Padre Renato contou que a vida de Maria foi muito doída, uma provação atrás da outra, a começar por ser a Escolhida. Imaginem-se, mulheres que me lêem, que vcs recebessem hoje a incumbência de carregar no ventre o filho de alguém, que só vc sabe e crê. Fazer seu companheiro acreditar nisso e todos os demais. Depois ter seu filho e conviver com o enfrentamento dele com o que não é justo. Imaginem hoje, seu filho de 13 anos, confrontando o líder do Senado Brasileiro - pra não irmos tão longe... Fora isso, Maria viveu todo o tempo em total solidão. José, que ela amava tanto, que era seu companheirão nessa parada, morreu cedo, largou-a por aqui com a dor da perda e à frente das responsabilidades de viver sua cruz e a cruz de Jesus. Esse por sinal, danado que era, foi peregrinar e levar a palavra, as atitudes, as razões de mudança por aí e deixou Maria à espera aflita de toda a mãe. Pense: nosso filho vai a uma festa e já não vemos a hora dele voltar ... Depois, ainda só, Maria acompanhou a olhos nus a dor de Jesus. Seu julgamento, sua crucifixação. Estava ela ali, sozinha, porque na hora H os apóstolos deram de se pirulitar com medo do mesmo destino. Mas Maria era mãe, trocaria de lugar com seu filho na maior alegria para aquela dor. Depois, oba! boa nova - Jesus ressucitou e aí Maria o viu subir aos céus. Despediu-se novamente de seu querido filho, como fazemos na morte, vendo ele sumir ali diante dos seus olhos sem saber o que viria dali em diante. Disse adeus ao seu filho, sei lá por que vez... Padre Renato disse que ninguém sabe, que não há registros históricos de quanto tempo ainda Maria permaneceu viva, sozinha, cumprindo seu tempo terreno depois da ressureição de Jesus. Ficou aqui saudosa, dolorida, só, como nós ficamos ao perdermos alguém muito querido.

No dia de sua morte porém, Maria recebeu a graça de Ascender ao céu, em corpo e alma. Padre Renato ficou dizendo pra gente imaginar a alegria que ela teve ao reencontrar Jesus e saber que finalmente não estaria só.

O aprendizado é que a fé nos mantém frente a todas as dificuldades, só ela nos mantém. E devemos reconhecer que a vida é um exílio e nosso papel é aceitar o sofrimento com luta.
Eu tirei pra mim a seguinte mensagem, precisa de algo? peça a Nossa Senhora com fé, Ela sabe sua aflição porque viveu esse sentimento. Ela vai sempre te amparar.

Linda, querida, Mãe de Deus e minha. Maria, Nossa Senhora. Te amo. Amém.

22/08/2011

dos mestres

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado


19/08/2011

Nesses tempos

Ando meio indignada, decepcionada, chateada com os tempos de hoje. As pessoas estão deixando a vida passar de qualquer jeito. Os pais têm desistido de educar os filhos. Ficam jogando essa tarefa pra escola, pra aula de equitação, de golf, de peteca, de línguas e filosofia para crianças de 3 anos, como se isso fosse mais importante pra eles ao longo da vida, do que apenas ficarem juntos, quietos, sem fazer aula de nada, mas com suas famílias e com amor...
Os profissionais não respeitam mais os seus juramentos, é um tanto faz tão catastrófico que nada mais importa, a não ser viver discutindo o indiscutível, o mais do mesmo, a punheta egocêntrica do eu entendo o mundo, e sei melhor do outro do que ele mesmo. A pergunta que faço é como se entende algo que nem se enxerga. Que os olhos nem desejam. Que o egoísmo nem permite? As pessoas passam umas em cima das outras nesses tempos, com seus narizes empinados, seus peitos inflados, seus sobrenomes de empresa ou seus cús nas mãos, por medo de perderem seus salários, ou poses. Achando-se poderosos no meio do lixo.
A lei é apenas pensar em si mesmo. É verdade que para amar o outro você deve primeiro saber amar-se, mas isso aí tem um porque, que atualmente ninguém sequer imagina. Você aprende a amar a si mesmo para conseguir entender e retribuir amor. Mas hoje o tal do eu é tão maior que o outro, ninguém tá nem aí com ninguém. Às vezes eu penso que deve ter sempre sido assim, eu acho... mas agora é tão naturalmente assim. Faltam respostas às perguntas, e então tá. Mesmo as mais singelas, como: tudo bem?- não há resposta e pronto. Displicência com a vida alheia, com o respeito ao próximo, mascarada de modernidade, novos tempos e heroísmo. De verdade ando bem cansada de aturar esses heróis. Chuto o saco deles, ou a boca, e mantenho a minha vida sem graça - de educar meus filhos, responder bom dia, dirigir-me ao outro com respeito e acreditar que as pessoas são mais importantes do que coisinhas ou coisonas. Prefiro! Falei e disse.

06/07/2011

O quereres

Querer alguma coisa é mesmo um poder. Mas querer de verdade, não apenas desejar. Porque quando se quer se transforma a água em vinho, o pouco em muito, o invisivel às claras e por aí vai. Eu agora quero duas coisas, simples mas que exigem certos recursos, e eu não tenho tais recursos pra tê-las. Mas como eu quero mesmo, não é papo, eu não tinha, agora já tenho. Em um segundo, o de piscar os olhos, meu cérebro criou um jeito. E, claro haverá alguns sacrifícios, mas o jeito está feito. Eu vou guardar os meus quereres aqui pra mim, andam por aí muitos hackers pra saber deles antes que eu os realize, mas aos amigos que me lêem, comecem a torcida. Lá vou eu, ou melhor, lá iremos nós!

guardadinho

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.