Bom abrir os laços vermelhos que abraçam a grande caixa do viver. Tirar a tampa e encontrar ali novas alegrias, trocas de impressões e sentimentos de gente do bem, de gente muito gente. De uns dias pra cá, a sorte me deu de presente uma amiga nova, de muitos anos, afirmando que o tempo decide-se por si só. Alguém que sempre me lembro de braços dados com sua mãe, caminhando simplesmente as duas, contemplativas da vida. Alguém que fechando os olhos posso ouvir aquela voz linda, leve, afinada pelos anjos, que muitas vezes me elevou o espírito em seu canto solo, meio solitário e meio do mundo, do qual tive o privilégio de conviver. Alguém que, com uma surpresa maior, talvez sem saber, tirou de dentro da caixa outro presente, tão oportuno, que compartilho agora recebendo no exato momento em que me procuro da forma como Rubem Alves divinamente soube registrar. Alguém que se chama Tereza. Alguém que se chama Maria. Alguém a quem agradeço por isso, e por todo seu carinho.
"O tempo e as jabuticabas
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.(...)
(...) Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão-somente andar ao lado do que é justo.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena." (Rubem Alves)
Fruta como botão, pretinha, redonda. Alegria dos passarinhos da árvore da casa do Seu Lauro. Feito os olhos, os meus. Eu vejo conto e invento. Eu por aqui me apresento.
31/01/2011
07/01/2011
em 2011
Exercitarei a gentileza. Vou criar um padrão de atitude em volta do bem.
Aproveito o motivo de uma grande notícia logo no começo desse ano que, parece, será bondoso.
O desafio é mostrar-se bem, pra todos, em frente de tudo, e fazer assim não só na mostra aparente, mas na amostra entregue em cada caminho que escolher.
Espero não derrubar os dominós da santa paz num esbarrãozinho de leve.
Vou contando se é verdade a tal da lei "ação e reação" vista assim, dessa maneira, do outro lado da força.
Aproveito o motivo de uma grande notícia logo no começo desse ano que, parece, será bondoso.
O desafio é mostrar-se bem, pra todos, em frente de tudo, e fazer assim não só na mostra aparente, mas na amostra entregue em cada caminho que escolher.
Espero não derrubar os dominós da santa paz num esbarrãozinho de leve.
Vou contando se é verdade a tal da lei "ação e reação" vista assim, dessa maneira, do outro lado da força.
31/12/2010
Caprino, menino e homem das decisões
Desde que nasceu decidiu ser forte. Capricorniano que era, cabeça dura do dia 30 de dezembro, e em registro 01 de janeiro pra ganhar 1 ano de liberdade militar, isso da cabeça mole de seu pai, ele sempre fora destemido. Irmão mais velho de 4, foi empurrado sempre para o trabalho e depois para os estudos, mas empurrado ele sabia tudo, e depois que amadureceu, sabia porque aprendia de verdade, mesmo quando dormia durante as aulas. Dançava. Dançava bem, dançava sempre. O figurado, nos bailes de madrugada e também no das moças sérias. Dançava nos casamentos, encantava, enamorava. Também cantava, vozerão, afinado e com ritmo arranhava as cordas que nunca lhe foram ensinadas. Sempre foi amigo, e sempre foi fiel a eles. Gostava de tê-los por perto. Trabalhava duro, cortava um dobrado, sempre correndo contra ou no favor da pobreza. Não tinha vergonha, colocava a mão na enchada e no cristal, limpava sapatos ou penicos, não tinha nojo nem medo, mas tinha um gênio dos diabos, autoritário e machista. Endurecia às cegas pra depois dar a vida, se preciso, em arrependimento. Mas mesmo assim era agregador, uma raridade, porque odiava mas amava também, e permitia que o ódio passasse,mas o amor não. Amava com a intensidade da verdade, dos amores entregues, sem perguntas. Um sábio, garantia na sua teimosia assustadora suas certezas e falava pouco, a não ser que estivesse numa reunião de amigos, onde sempre puxava as histórias mais hilariantes quando não eram vividas por quem ria delas. E eram sempre histórias verdadeiras, como nos filmes de Carlitos, que ele tanto adorava. A maior alegria embebida da tristeza profunda que não teve forças pra derrubar aqueles músculos fortes, e nem as gargalhadas dadas pelo canto da boca torta, consequência de um reflexo de ar que o atingiu quando criança.
Foi sempre assim, vivendo e decidindo, escolhendo e conseguindo, brigando e perdoando, unindo e ensinando. Decidiu a esposa e seu amor truculento e profundo por ela, o filho primogênito que levaria apenas o seu sobrenome, a filha mulher tão esperada depois de tantos homens na família toda, a raspa do tacho que veio esculpida em carrara, a sua fatcha. Decidiu ver seu pai falir em seus braços, sua mãe aos domingos aguardando com um presente guardado na caixa de sapatos. Decidiu perdoar seus irmãos a toda hora e a qualquer preço, e estar por perto deles que são a família, e família tem sempre que estar unida. Decidiu a viagem ao Ceará, o apartamento 21 pelo terraço de casa, a boa e farta mesa, sempre e pra todos. Decidiu a engenharia e ser o melhor nela. Decidiu lutar pelos filhos, ver a caçula tornar-se médica. Decidiu gostar dos genros, da nora, e orgulhar-se sem medida dos 7 netos, seus motivos de lágrimas fáceis depois de tanta dureza. Decidiu como sua última atitude, comprar a primeira bicicleta da última neta. Decidiu ver seu time campeão, seu país campeão, apesar de sentir-se um imigrante nele. Decidiu sua sorte, seus prazeres, a hora do fim. Foi-se antes dos 70, decidido que 69 era uma melhor lembrança, másculo que sempre fora, enaltecendo essa condição. Decidiu viver e não morrer em vida, e por isso morreu assim, vivendo, de repente, num susto, depois do trabalho, de conversar com os filhos, de passar horas lembrando sua cumplicidade de casal com sua esposa, agradecendo e despedindo-se de seus últimos amigos que fez lá na Penha. Forte como nasceu, intenso como viveu, em paz como queria. Deixou histórias, fotos e muita saudade. Seu coração deu a paradinha famosa de sua escola Padre Miguel, mas não voltou. Vida e morte num mesmo tom, afinadas por Paulinho da Viola, Luiz Vieira, Adoniran e Cartola. Uma bela melodia que será sempre murmurada por mim por todos os dias 30 de dezembro que ainda vierem por aí.
Pai, parabéns!
Foi sempre assim, vivendo e decidindo, escolhendo e conseguindo, brigando e perdoando, unindo e ensinando. Decidiu a esposa e seu amor truculento e profundo por ela, o filho primogênito que levaria apenas o seu sobrenome, a filha mulher tão esperada depois de tantos homens na família toda, a raspa do tacho que veio esculpida em carrara, a sua fatcha. Decidiu ver seu pai falir em seus braços, sua mãe aos domingos aguardando com um presente guardado na caixa de sapatos. Decidiu perdoar seus irmãos a toda hora e a qualquer preço, e estar por perto deles que são a família, e família tem sempre que estar unida. Decidiu a viagem ao Ceará, o apartamento 21 pelo terraço de casa, a boa e farta mesa, sempre e pra todos. Decidiu a engenharia e ser o melhor nela. Decidiu lutar pelos filhos, ver a caçula tornar-se médica. Decidiu gostar dos genros, da nora, e orgulhar-se sem medida dos 7 netos, seus motivos de lágrimas fáceis depois de tanta dureza. Decidiu como sua última atitude, comprar a primeira bicicleta da última neta. Decidiu ver seu time campeão, seu país campeão, apesar de sentir-se um imigrante nele. Decidiu sua sorte, seus prazeres, a hora do fim. Foi-se antes dos 70, decidido que 69 era uma melhor lembrança, másculo que sempre fora, enaltecendo essa condição. Decidiu viver e não morrer em vida, e por isso morreu assim, vivendo, de repente, num susto, depois do trabalho, de conversar com os filhos, de passar horas lembrando sua cumplicidade de casal com sua esposa, agradecendo e despedindo-se de seus últimos amigos que fez lá na Penha. Forte como nasceu, intenso como viveu, em paz como queria. Deixou histórias, fotos e muita saudade. Seu coração deu a paradinha famosa de sua escola Padre Miguel, mas não voltou. Vida e morte num mesmo tom, afinadas por Paulinho da Viola, Luiz Vieira, Adoniran e Cartola. Uma bela melodia que será sempre murmurada por mim por todos os dias 30 de dezembro que ainda vierem por aí.
Pai, parabéns!
23/12/2010
É!, não ou...
Faço mesmo diferente nesse final de ano. Sem listas, apenas um desejo, um foco.
Com uma saudade que me ensinou mesmo, não só na leitura ou palavras, que não há como mudar o final mas sempre como melhorar todos os inícios que você desejar, e é sempre tempo.
Com a união da família mais que a dos amigos. Mas com os amigos presentes, a melhor fase de todas.
Diferente também me reconheço pelos dias. Mais quieta, mas não menos feliz. Mais caseira, mas não menos dançarina. Mais calada, mas não menos desejosa.
Termino esse ano, que foi até o alto dos meus 42 anos o pior de toda a minha vida, incrivelmente bem.
Sem mágoas, com algumas tristezas profundas, mas sem mágoas.
Melhor preparada para o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, mais próxima da minha amiga Nossa Senhora e esperando sem pressa o que teremos pela frente, Ela e eu.
Tô em paz. Tô pronta. Tô cheia de gratidão.
Com uma saudade que me ensinou mesmo, não só na leitura ou palavras, que não há como mudar o final mas sempre como melhorar todos os inícios que você desejar, e é sempre tempo.
Com a união da família mais que a dos amigos. Mas com os amigos presentes, a melhor fase de todas.
Diferente também me reconheço pelos dias. Mais quieta, mas não menos feliz. Mais caseira, mas não menos dançarina. Mais calada, mas não menos desejosa.
Termino esse ano, que foi até o alto dos meus 42 anos o pior de toda a minha vida, incrivelmente bem.
Sem mágoas, com algumas tristezas profundas, mas sem mágoas.
Melhor preparada para o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, mais próxima da minha amiga Nossa Senhora e esperando sem pressa o que teremos pela frente, Ela e eu.
Tô em paz. Tô pronta. Tô cheia de gratidão.
08/12/2010
contraponto


Vive dentro de mim uma inquietude. Eu gosto dela. Ela me deixa viver todos os momentos, sentí-los. Conflitante, é só a partir desse desassossego que surge a calma, e que posso saber muitos silêncios de hoje. Superposição de duas melodias diferentes, o exato significado de contraponto, e também a música da minha vida.
29/11/2010
A missa de domingo
Eu cresci indo à missa com Seu Pedro e Dona Ivani. À missa do domingo, das músicas escolhidas na semana, das pessoas que repetem uma oração sem sabê-la. Eu cresci ouvindo meus pais dizerem que não faz mal essa repetição, porque ouvir o bem já basta, e uma hora vai ser muito válido. Cresci também ensinada a não julgar a igreja, que erra, ué! porque é feita de homens, e homens fraquejam. E os padres são homens, apesar de muita gente achar que eles são sei lá o que. Cresci orientada a ter uma doutrina e ser fiel a ela, e portanto com o direito de ver e apontar erros mas com o dever de entregar acertos, então. E por conta disso até hoje, a missa é parte da minha rotina. Eu vou lá porque quero ouvir o bem, e me encontrar com as pessoas que estão a fim da mesma coisa. Aqui perto de casa descobrimos a Igreja Nossa Senhora da Imaculada Conceição, uma capelinha pequena, com uma comunidade do mesmo tamanho tão dedicada que dá gosto. A missa é alegre, cantada, pra cima. Os padres que rezam ali (vários, já que estamos alocados numa comunidade maior) são todos bacanas. Uns mais tradicionais que outros, alguns muito cultos, e muitos dedicados aos entraves mais duros da vida, mas sem exceção, todos devotos a Deus em primeiro lugar, é... porque tem padre que se coloca antes de Deus, como muitos de nós também. Eu e minha família, que agora eu levo comigo como Seu Pedro e Dona Ivani faziam, vamos todos os domingos rezar na missa das 10h30. Meus filhotes comem o pãozinho que o padre benze e meu coração fica contente. Eu olho do lado e vejo meu marido de joelhos, e agradeço por ter ele comigo. Na maioria dos domingos ainda to lá com a minha mãe, a Dona Ivani, que arrasta com ela a boa missa, a sabedoria de tantos anos, a fé. No domingo eu me sinto visitando a casa de Nossa Senhora, aquela linda, e eu fico assim assim com ela, entregando meus filhos à sua proteção e carinho. Também agradeço, peço a beça, e compartilho de boas energias pra todos os meus parentes e amigos. No domingo eu aprendo história (porque pra se entender a religião é preciso conhecer os contextos históricos), eu admiro cada vez mais Jesus que foi um cara muito corajoso e bocudo, e eu entendo os porquês, os sofrimentos e me convenço de merecer o que a vida tem de bom. No domingo eu rezo. De joelhos. E volto pra casa com meus passarinhos em baixo das asas, protegidos e abençoados, prontos pra uma semana melhor.
Assinar:
Postagens (Atom)
eu sou
- Cice Galoro
- Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.