23/11/2020

2020, pandemia.

Sinto aqui dentro de mim que tudo é mesmo pelo amor. Não consigo entender como esse momento ainda não traz a tona para todos, todinhos que é só sobre isso. Entristece meu coração olhar nas ruas pessoas iguais a antes, como se mergulhar na ignorância dos fatos, estivesse acima de viver. Desmerecer a vida é muito diferente de não ter medo de morrer. As pessoas se escondem atrás da falta. Falta de que? De dinheiro? De suportar? Há possibilidade de tudo ser mais justo, até o dinheiro ser melhor dividido depois disso, contudo se o ponto de partida for apenas esse, vamos continuar exatamente no mesmo lugar. É urgente que esse desprendimento exista para que o equilíbrio aconteça. Enquanto um titubear, mesmo que seja por maldade ou ignorância, vamos estender essa dor. Qual é o seu propósito, o meu, o seu ponto de atenção e cuidado, pra onde olham seus olhos e sente o seu coração? Não é sobre técnica, não é sobre sabedoria. Não é sobre confinamento e nem sobre fome. É sobre perceber que não adianta espernear e que, simples, se a natureza decidir... Acabou. 

Sobre amar infinito

Nunca foi fácil sair com o Nadal de carro, com a energia a mil por cento, para os latidos e pulos de um banco pra outro sem parar só com um bom fone de ouvido, uma coleira potente à prova de salto à distância e uma máscara inventada antes da pandemia, para sobreviver à chuva de pelos longos e macios voando pra lá e pra cá. A vontade de latir pra fora, pra rua, de mostrar toda a felicidade de viver, pra mosca que tava voando, pra moto passando, pro porteiro cumprimentando, pro ônibus parado, qq coisa que ele pudesse fazer para interagir e sentir o mundo tava valendo. Eu sempre soube disso, sempre senti a vontade dele, mas como abrir o vidro? Não dava! porque o tamanho dessa euforia sempre foi proporcional à pureza de achar que o mundo era bondade igual e que talvez correr pela Raposo Tavares, tudo bem ué.... Ah, lembrei, teve um dia que vendo que tava tudo dominado, ele bateu a pata no botão e o vidro de trás zummmm, começou a descer. E o desespero de segurar na coleira com o carro andando a alegria de quem finalmente ia colocar a cara pra fora!



Esses dias a janela de trás do carro começou a baixar, eu mesma que baixei. Cansado e doentinho, os latidos foram controlados e a vontade de colocar a cara pra fora venceu. Sem desespero, sem atropelo, sem afobação. Eu baixei ela todinha, vidro totalmente aberto e ele calmo e quieto como a juventude não sabe e o tempo ensina. Contemplando, feliz. 
Todos os passeios de carro agora estavam assim. Carão pra fora, ah que gostoso, o vento no rosto que tirou da gente risadas tão ternas mais um pouco ainda ao seu lado. Aquele pelo todo voando e o vento nele e ele na janela enfim, felizão, juro que sorrindo, com aquele olhar que nos conduziu aqui em casa, 12 lindos e maravilhosos anos, indescritíveis de um amor além de qq prova.
Hoje 5h20 da manhã, com o sol nascendo e o dia bonito alaranjando, nos despedimos com um monte de recados para o céu - incluindo um oi à São Francisco num até breve abraçado, doído da partida, do luto, mas tão cheio de agradecimento e paz, tanta ternura, a marca dele. O nosso amado, querido e idolatrado Nadal, o Dudu, o nosso livro de conduta e bondade, que não precisava de uma linha escrita sequer pra ensinar tudo, se despediu por sua própria vontade, assim tipo dormindo de lado, sabe? bem como ele gostava de ficar. Um guardião que nos amou com seu coração gigante. 
Eu também sempre gostei disso, quem não gosta de colocar o rosto pra fora e sentir o vento? Dudu, será sempre pensando em você que nós seis- incluindo a Mel que vai ter que perder o medo, faremos isso quando a gente estiver passeando pela vida. Te amamos sempre e muitoooooo, não esquece! 💙

(@eliane Gonçalves, Dico. Nunca vamos conseguir agradecer o maior presente que vc nos deu)

Piscadinha

Nesse pisca pisca de sono bagunçado, eu entendo que aqui nós somos amontoados, que a lógica perde a léguas pro sentimento, que o que se quer mesmo, é ficar pertinho e não certinho. Tenho muito trabalho pela frente. Ainda bem que o amanhã já está escrito. Ainda bem.

Smack triplo

Escolhi ser a gorda do gordo - corta para a minha infância - cresci vendo meu pai chegar em casa e a primeira coisa que ele fazia era ir beijar a minha mãe, três selinhos rapidinhos assim, oi prê, smack, smack, smack. Rotina sagrada e bonita de ver. O dia podia ter sido exaustivo ou tranquilo, não tinha chabu, era da mamãe o primeiro beijo. Depois é que ia olhar em volta para vir beijar a gente também, nunca antes (o Flávio e a Lu estão aí pra dizer). Cresci vendo um amor que fez sentido pra mim e que desejei construir igual. Fui uma adolescente da pá virada, mas na hora que achei o César, aquele olho cor de mel taí, fez sentido pra mim. Eu sabia que queria estar com ele porque minha mente aquietava, eu ficava tranquila, sossegada e tinha certeza que iam ser meus os primeiros beijos dele - volta para o motivo do post - Acertei nesse sentir, claro que entre desacordos e grandes conversas, até hoje, 23 anos juntos, é a mão de almofada dele que deixa meu coração esquentar, são os olhos que eu quero ver quando eu to engastalhada com bobagens. São as poucas palavras que ele usa que iluminam clarão um breu só e é o seu jeito simples de ver a vida que me apoia na hora que o bicho pega. 


Só errei sobre os beijos.. filha de peixe a beijoqueira da casa sou eu. Quando ele chega o meu bico já tá pronto, saio logo correndo na frente das crianças pra garantir o selinho de chegada. 

Ué tudo bem, como ele continua um gato, eu perdoo.

Bee

zum zum... leva teu pólen abelha querida. listradinha pequena velocista. Fico te vendo chegar no infinito de uma flor à outra. Pétala. Belezas muitas da vida próspera, leve, que ergue o mundo e regenera. Tuas asas, o infinito. Voa por mim. Voa.

O oitavo signo

Vem chegando escorpião, sempre teimando em querer vir mandando recado mal criado pelos outros, como se eu fosse ainda menina pra aceitar essa provocação e essa brabeza toda. Hoje lido com essa inquietude que não mais em mim está porém sei bem reconhecer, ah entorno que sinto... e meu papo com o percurso já mais curto, de mais um ano a se cumprir, é para o espírito que no mistério desse signo tem um tanto. Todo o resto ainda diz que importa, mas to nem aí, acaba por ser só passagem.

25/05/2020

Pílulas

se divertiu hoje no almoço, e constatou o que já sabia. Valor não é dinheiro. Experiência não é trampolim para inconsequentes, e um bom papo sempre vale muito a pena.

guardadinho

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.