Ela adorava ficar girando. Girava, virava, rodava, rodava...
Ficava tonta e isso era gostoso.
Não podia ver uma argola, um arco, um anel redondinho.
Ela girava, porque o mundo era muito parado.
Virando e olhando para o alto. As nuvens correm mais assim.
A grama sobe, sabia?
Currupio, roda-roda - mas esquece o peixe é.
Girava de noite, rodava de dia.
Que alegria.
Um dia desses, sem querer, o tio Rolando levou ela no parque.
Lá onde colhia algodão, parque não havia. Nem sabia.
Ela foi olhando o pneu do carro que girava muito mais rápido do que o da carroça.
Já tinha valido a saída se fosse só isso, mas qual não foi sua surpresa na hora que a lente do óculos redondo do tio Rolando refletiu aquela roda gigante.
Ela gritou seu nome sem saber que era mesmo esse. Gritou porque nunca tinha visto uma roda tão gigante, não porque sabia qualquer coisa a respeito.
Pulou do carro pela janela quadrada.
Caiu na estrada de terra virando e virando, ralando a perna, batendo o joelho.
Poeira subia e ela olhava pra cima, igual o dia que virou tanto a Tereza que ela voou longe.
Rolando - não o tio, que berrava pra ela não se jogar e depois perdeu de vista a garota - ela foi e foi e ai, e dói e tum, e rola e rola... até os pés da gigante. Mesmo com sangue e cabelo engrunhado, vestido rasgado, ela olhou pro alto e emocionou quem estava na fila.
Subiu, tinha outro jeito de girar naquela roda. Era uma virada dentro da outra.
Assim que a roda foi pro alto ela começou a virar a sua caixinha, forte, forte, mais forte.
E lá no alto, com vento no rosto, girando pra cima, virando pra baixo, pra um lado, para o outro, descabelada e de qualquer jeito....
ela foi a pessoa mais feliz do mundo.
Fruta como botão, pretinha, redonda. Alegria dos passarinhos da árvore da casa do Seu Lauro. Feito os olhos, os meus. Eu vejo conto e invento. Eu por aqui me apresento.
10/02/2014
15/01/2014
santo dai-me
Gente que mete a mão na cumbuca do outro me causa náusea. Não consigo praticar o amor nesses casos. Queria entender qual é o prazer de usufruir de algo que não é seu, de não fazer nada para contribuir, de não repartir e pior, de achar isso tudo normal. Não consigo fazer entrar na minha cabeça de estopim curto, que além de aceitar tal situação, ainda precise fingir que não percebo. Não gosto de vítimas, nem no jogo de detetive aceito ser. Divido claramente o que é ajuda, o que é boa vontade do que é corpo mole, oportunismo e caráter posto a prova. Quer saber que lado joga a boa pinta de que falo? Tenho o segredo: Dê ou tire algo. Veja a reação, a ostentação, a ofensa gratuita, o apontar de dedos como se fosse obrigação, o subir no banco do engraxate com uma bravata. Nem precisa vasculhar, apenas passe os olhos no tal histórico de vida, seus empregos, suas escolhas, suas frases de 10 anos ou de agora. Se o que for diferente nem fizer curva, ficar de ângulo reto, aquele dos dedos em L, escape - a menos que tenha comido fritura e precise vomitar. Esse tipo não muda, nada faz ser melhor e nem pior. Eu pratico meditação nos andes e no inverno, cada vez que preciso conviver com isso, e não é lá muito raramente não. Santo, preciso de muitas latrinas abertas. Dai-me.
drama
Todo humor tem uma certa tragédia, ou melhor seria dizer que na tragédia há um pouco de humor. Meus ídolos, que ainda são os mesmos, e cada dia que assumo mais minha insignificância, crescem - todos eles, os velhos e os novos, carregaram fardos pesados, foram achocalhados em casa ou nas janelas do mundo. Deixaram suas vidas entre linhas, telas ou músicas e nós vasculhamos e olhamos e colocamos o dedo e viramos a página e ousamos dar opiniões, sem ao menos conhecer o capacho de suas portas de entrada e ainda assim nos sentimos íntimos. Invasão perdoada, concluo como a sofreguidão é rica. Como o desespero produz boa leva. Como o descaso casa o gênio. Eu descobri porquê. O dom é a única forma de expressão do oprimido. Se há opressão e dom, há um grande repertório pela frente, mas se só há opressão ou dom, não há quase nada. Talvez aqui um sinal do que poderia ser, ali um outro... Temer a dor é medíocre, não aceitá-la é norma e saber expressá-la, seja ironicamente ou fatalmente, é arte.
13/01/2014
nó cego
Como é, me diz...que alguém chega onde chegou e depois volta de ré. Vai descendo e caindo pra lá de onde esteve. Lembro uma vez de furar fila da balsa pra Ilha e lá na boca ter polícia. De esperta, voltei 10 casas, comecei o jogo de novo, perdi tempo e prazer na praia e fiquei com a lição. O que não entendo mesmo, é porque o cidadão não se encontra, recomeçar faz parte, todos somos, mas desconstruir é karma pesado de quem ainda não entendeu o sentido da estrada. É que é assim, tudo está na mente, é nela que se resolve. Nem lá nem cá, e por isso fica tão difícil. O maior inimigo dos passos em frente são os paradigmas que desenhamos em rascunho pela nossa vida e lá ficam, intitulados como obra de arte. Bosta. Arte é dobrar os joelhos, deixar de fazer pouco, olhar de lado e perceber que não tem a ver com dinheiro, amizades e desejos, tem a ver com a escolha que você fez num lugar que nem sabe onde é, mas é. Lá no fundo do inconsciente. Só que de tão misterioso, mistério não há. Porque é um despertar mais cedo propondo café no bule, uma casa limpa, varrida nos cantos, um sim por dia, sorrisos e muita força pra largar pra trás, mesmo e tanto, o reclamar, a auto piedade ou a pompa e circunstância, que são gêmeas (não a pompa e a circunstância, essa e a auto piedade) porque quem ronca muito esnobando, pode ver que chora igual do outro lado, chateando os vizinhos e vice e versa. Então eu rogo, imploro, peço: Maria intercede. Só tua mão pra desfazer tamanho nó cego.
18/12/2013
desejo (s) aos poucos para 2014
Fico todo final de ano desejando, emanando pra minha mente o que espero realizar. Tem dado certo. Olhando anos atrás, dificilmente algo viável eu não tenha realizado. Fica sempre de fora, ganhar na mega sena, comprar uma cobertura no Upper East Side com vista para o Central Park e fazer todas as viagens de primeira classe, mas tudo bem, não desisto. Agora esse ano, quero pedir diferente, aos poucos, conforme for sentindo as verdadeiras necessidades ou apenas singelas vontades. Começo com uma importantíssima.
Quero ser mais tolerante.
Não espero de mim mesma um doce de coco, mas verdadeiramente espero entender melhor o tempo do outro, mesmo que seja de uma morosidade 'ranca cabelos'. Não quero estragar minha cútis com a ira de limites alheios. Quero paz no meu coração quando falar com banco, telefonia, atendentes de qualquer espécie, ou ainda e mais, presidentes de empresas, donos de sobrenomes cheios de erres e esses, gentes, de fora ou mesmo de casa. Tolerância pra aguentar o ano da Copa, o ano das eleições, o ano de final 14.
Tenho pra mim que será um ano bem bom e desafiador. A contar desse meu primeiro desejo.
Quero ser mais tolerante.
Não espero de mim mesma um doce de coco, mas verdadeiramente espero entender melhor o tempo do outro, mesmo que seja de uma morosidade 'ranca cabelos'. Não quero estragar minha cútis com a ira de limites alheios. Quero paz no meu coração quando falar com banco, telefonia, atendentes de qualquer espécie, ou ainda e mais, presidentes de empresas, donos de sobrenomes cheios de erres e esses, gentes, de fora ou mesmo de casa. Tolerância pra aguentar o ano da Copa, o ano das eleições, o ano de final 14.
Tenho pra mim que será um ano bem bom e desafiador. A contar desse meu primeiro desejo.
28/11/2013
reticências
Às vezes aqui, às vezes lá, eu tenho ameaçado as linhas. Coitadas, aguentando minhas histórias, minhas escritas. Tento acarinhá-las com boas verdades, mas nem sempre as tenho e aí ouço verdades alheias, assim eu penso, e me aproprio para adocicar os textos, ou salgá-los. Certeza que mentiras muitas também estão por aí. Mas a verdade da verdade é que tenho sorte, porque tenho repertório. Bons amigos, intensidade na vida, altos e baixos que criam romances, aventuras, terror e suspense que quase sempre terminam em comédia. Tenho ouvido muito, escreva um livro. Acho que começo a pensar no caso. Já plantei árvore e tive filhos. Queria mesmo era ter sido amiga da Nara Leão sem perder nada do que fui, fiz ou de onde vim. Até hoje.
20/10/2013
Extra, Extra!
Como hoje é domingo, uso meu espaço para uma crítica a um assunto desenhado para esse dia.
Há um bom tempo eu não lia mais jornal, aquele do papel - que deixava (ainda deixa) tinta nas mãos. Parei de ler um pouco por causa da tecnologia, já que consigo acessá-los do meu Ipad ou do computador a qualquer hora e exatamente o assunto que me atrai, mas muito porque tenho preferido as expressões de amigos ou pessoas que se colocam à sua maneira, sem pretensão de induzir alguma opinião. É, e ao meu ver isso acontece porque hoje a notícia não está mais instigante, ao contrário, está numa mesmice sem fim. Acontece que de duas semanas pra cá o ESTADÃO - de novo (no passado, quase que como o seu astrólogo Quiroga, eles já previam a derrocada) numa tentativa de livrar-se do afogamento, tem mandado jornais para o César gratuitamente. E aí, eu leio. E lendo eu vou assim, manchete absurda, economia eu pulo, jornal do carro e de imóveis o mais grossos cadernos nem abro; até o meu amado Caderno 2 de antes, hoje vem com sofridos espaços que são de fato interessantes. A notícia anda chata demais. Fiquei pensando o que fez mudar tanto o prazer que o papai tinha em se sentar aos domingos, muitas vezes com mais de um título de jornal e lê-los atenciosamente. Tirando o fato da tecnologia, até porque antigamente a TV competia, cheguei numa conclusão minha, mas óbvia: todo mundo conta a mesma coisa. Onde você for agora por exemplo, você lê sobre o movimento Procure Saber, e a polêmica das biografias não autorizadas. Gente, que porre isso. Primeiro, porque até um simpático jargão dos baianos caiu nesse "mundo cani" do como vamos fazer pra ganhar dinheiro, plantado por uns mercenários iludindo uma galera que foi bacana mas agora anda senil. Olha, juro, minha decepção com o Chico Buarque é de um tanto, que pra mim os olhos dele são castanhos. O resto passa, mas ele... De qualquer forma não estou escrevendo sobre isso, mas sobre a notícia. Será que os nossos gloriosos grupos de comunicação impressa não percebem que a salvação da lavoura está no passado? Em gerar a notícia e não apenas retransmití-la, e pior ainda querendo colocar uma "pitada original" deixando o feio ficar horrível? Porque não se noticia corajosamente as inúmeras Malalas antes que elas sejam indicadas ao Nobel da Paz, fazendo uma luta conjunta? Porque a imprensa, toda, ficou assim, medrosa, besta, e ouso aqui dizer, mentirosa!? Até eu, que sempre li jornal de ontem pensando que as notícias ruins se já passaram não podiam ser tão ruins assim, hoje leio sem nenhum ânimo ou receio o jornal de hoje, chato à beça. Então, meus caros e respeitosos jornais ESTADÃO, FOLHA, enfim... passem a encorajar-se novamente. Coloquem enviados especiais atrás do que mudar, do que fazer para o bem, das denúncias com atitude, para depois noticiar. Na transmissão de mensagens apenas, inspirem-se nos modelos de seus leitores, sejam honestos, não tenham rabo preso e voltem a fazer as impressoras orgulharem-se dos furos de reportagem nas madrugadas. As revistas nesse ponto ainda estão com uma bóia inflável nesse rio de lama, ao meu ver. E quanto a mim, de verdade, abro o jornal leio o Calvin, o Snoopy e fecho as folhas pra usá-las nas gaiolas, que não temos em casa.
Há um bom tempo eu não lia mais jornal, aquele do papel - que deixava (ainda deixa) tinta nas mãos. Parei de ler um pouco por causa da tecnologia, já que consigo acessá-los do meu Ipad ou do computador a qualquer hora e exatamente o assunto que me atrai, mas muito porque tenho preferido as expressões de amigos ou pessoas que se colocam à sua maneira, sem pretensão de induzir alguma opinião. É, e ao meu ver isso acontece porque hoje a notícia não está mais instigante, ao contrário, está numa mesmice sem fim. Acontece que de duas semanas pra cá o ESTADÃO - de novo (no passado, quase que como o seu astrólogo Quiroga, eles já previam a derrocada) numa tentativa de livrar-se do afogamento, tem mandado jornais para o César gratuitamente. E aí, eu leio. E lendo eu vou assim, manchete absurda, economia eu pulo, jornal do carro e de imóveis o mais grossos cadernos nem abro; até o meu amado Caderno 2 de antes, hoje vem com sofridos espaços que são de fato interessantes. A notícia anda chata demais. Fiquei pensando o que fez mudar tanto o prazer que o papai tinha em se sentar aos domingos, muitas vezes com mais de um título de jornal e lê-los atenciosamente. Tirando o fato da tecnologia, até porque antigamente a TV competia, cheguei numa conclusão minha, mas óbvia: todo mundo conta a mesma coisa. Onde você for agora por exemplo, você lê sobre o movimento Procure Saber, e a polêmica das biografias não autorizadas. Gente, que porre isso. Primeiro, porque até um simpático jargão dos baianos caiu nesse "mundo cani" do como vamos fazer pra ganhar dinheiro, plantado por uns mercenários iludindo uma galera que foi bacana mas agora anda senil. Olha, juro, minha decepção com o Chico Buarque é de um tanto, que pra mim os olhos dele são castanhos. O resto passa, mas ele... De qualquer forma não estou escrevendo sobre isso, mas sobre a notícia. Será que os nossos gloriosos grupos de comunicação impressa não percebem que a salvação da lavoura está no passado? Em gerar a notícia e não apenas retransmití-la, e pior ainda querendo colocar uma "pitada original" deixando o feio ficar horrível? Porque não se noticia corajosamente as inúmeras Malalas antes que elas sejam indicadas ao Nobel da Paz, fazendo uma luta conjunta? Porque a imprensa, toda, ficou assim, medrosa, besta, e ouso aqui dizer, mentirosa!? Até eu, que sempre li jornal de ontem pensando que as notícias ruins se já passaram não podiam ser tão ruins assim, hoje leio sem nenhum ânimo ou receio o jornal de hoje, chato à beça. Então, meus caros e respeitosos jornais ESTADÃO, FOLHA, enfim... passem a encorajar-se novamente. Coloquem enviados especiais atrás do que mudar, do que fazer para o bem, das denúncias com atitude, para depois noticiar. Na transmissão de mensagens apenas, inspirem-se nos modelos de seus leitores, sejam honestos, não tenham rabo preso e voltem a fazer as impressoras orgulharem-se dos furos de reportagem nas madrugadas. As revistas nesse ponto ainda estão com uma bóia inflável nesse rio de lama, ao meu ver. E quanto a mim, de verdade, abro o jornal leio o Calvin, o Snoopy e fecho as folhas pra usá-las nas gaiolas, que não temos em casa.
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eu sou
- Cice Galoro
- Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.