13/07/2013

dia do rock

Passei o dia hoje sabendo que era Dia do Rock, vendo os amigos e suas comemorações sem muita inspiração pra dizer o que sentia a respeito desse estilo musical. Aí, cheguei em casa com 5 crianças pilhadas e dois adolescentes à flor da pele, e minha memória foi trazendo lentamente uma fase da minha vida. Lembranças que se formaram, tão boas... algumas até consegui, num fechar de olhos, ver bem na minha frente exatamente como naquele tempo. A coleção de discos de vinil, por exemplo, que o Flávio tinha de tantos grupos de rock. Nomes que na época eu mal sabia pronunciar, como Black Sabbath, Pink Floyd e seu triângulo que me dava medo, Judas Priest que eu associava com o Judas de Jesus. As fitas cassete gravadas, escritas à mão do AC/DC com um raio no meio eu também vi. O Flávio desenhava bem e vivia desenhando caveiras e raios do AC/DC pelos cadernos, blusas e tudo mais. Eu tinha 10 anos. Vivi isso no meio daquela barulheira, aquelas roupas meio sujas, sério, que ele usava. Dos amigos cabeludos, do casaco preto longo e do crânio que parecia de osso mesmo, que ele deixava em cima da cômoda do quarto que dividimos por todo o tempo. Éra isso e o rockeiro lá de casa.
Junto dessas lembranças me veio um sentimento tão terno, tão bom, tão ingênuo, totalmente diferente do que o rock propõe, eu acho. Fraternal. E eu descobri que é isso que essa música carrega em mim, uma época onde o Flávio, que é meu irmão, e eu, estávamos sempre juntos apesar das diferenças de idade ou gostos. Num tempo onde ainda não tínhamos feito tantas coisas, certas e erradas das quais, talvez, nos arrependemos ou, bem provavelmente, viemos a celebrar. Numa fase onde a vida podia tudo, onde sonhávamos com o que iríamos ser, ter ou fazer. Onde devotamente a melhor música era aquela que nos fazia voar, pensar e subir - a nossa escada para o céu...

Flá, obrigada por me mostrar o rock e o seu amor. Te amo.



17/06/2013

consciência é valor, o resto é preço (que se paga aqui mesmo)

Semana passada foi marcada por um fato bem no dia dos namorados. Enquanto eu batia  perna em busca de duas sainhas para minhas meninas dançarem na festa junina da escola, em SP jovens batiam perna correndo da polícia porque reinvindicavam direitos. Só nesse parágrafo tem assunto à beça: escola, jovens, direito, consumo, polícia, crença... dá um livro. Mas no meio de tanta coisa que li, inclusive por conta do dia seguinte - 13 de junho, onde a manifestação ganhou grandes proporções -  quero aproveitar pra escrever também um pouco do que me atormenta. A verdade é que eu nas minhas andanças procurei os locais mais econômicos, duas filhas, roupa junina, inverno, eu queria gastar pouco, comprar em conta. Fui no centro de Cotia. Lotado. Nas lojas, as barraquinhas apontam "a partir de" (bem pequenininho) 9,90 (bem grandão), e mexendo no cesto só o que você encontra são peças de 29,90, 49,90 e tantos 0,90 enganosos que ficam suaves pela voz daqueles montes de Darksons e seus microfones. Saí de lá e fui para as grandes magazines, C&A, Renner, Marisa... e ó, de novo! produtos frágeis, de qualidade duvidosa, custando caro e se dizendo barato. E o povo cheio de sacolas. As filas dos caixas eram minhas cúmplices. Mulheres e homens cheios de pacotes de ilusão para iludidos.

Corta pros manifestantes de SP, brigando pelo estupim dos 20 centavos a mais no transporte público.

Claro que não é só isso que gerou tal comoção que se estende até hoje, num manifesto de formadores de opinião, pessoas com grana e todas as outras. Ouvi um dos caras que mais falaram nesse país representando a imprensa, errar grave quando criticou a classe média frente a essa indignação. Vi também a polícia ser xingada até, como se a forma como ela age fosse novidade para algum brasileiro. Nada público funciona no Brasil, a polícia seria diferente? como bem disse Dimenstein. Enfim, a minha percepção de tudo isso é que realmente estamos à deriva. As pessoas precisam sair às ruas sim, e o primeiro passo é mesmo ir sem saber porque e depois irem se aculturando do que estão fazendo. Quando eu fui para a Paulista no Diretas Já em 84, eu tinha 16 anos e depois como cara pintada no Collor com 24, eu já entendia mais, mas ainda não tinha a noção da intensidade daquilo, que tenho melhor hoje, mas fui e fiz alguma coisa. Talvez agora seja o mesmo com os jovens que estão gritando o movimento #vemprasruas. Eles, certamente, sabem menos do que saberão deles mesmos no futuro.

Mas o que tem a ver a primeira parte do texto com a segunda?

Enquanto batia perna e ombros com aquele monte de gente consumindo produto ruim a preço de ouro (porque era dia dos namorados) eu percebi que a classe que precisa dos 20 centavos tá gastando esse dinheiro com compras, sem sequer perceber que sim é um direito, mas não, se o fizerem sem crítica. Veja, eu to ensaiando um mês para comprar uma bota da marca "Selo" que é bacana, tem qualidade (eu tenho uma outra há 7 anos, juro) porque custa 349,00. Mas me deparei com um monte de moçoilas levando botas da marca "Sola" - acabamento péssimo por 299,90 na loja da banca que tem o Darkson berrando. Sério, a tal da "Sola" não dura um inverno...  De verdade não é pelos 0,20 que temos que ir às ruas, mas pela consciência. Não podemos ser pedintes nem apenas ouvintes, temos que lutar pelo direito de sabermos o que fazer. Dinheiro aqui é o de menos, classe social idem. Ou acreditamos que somos iguais ou vamos continuar cuspindo fogo pra quem tem carro importado e do outro lado maldizendo quem anda de metrô. Eu quero ambos, cada um com a sua vez e valor.

Portanto: primeiro ESCOLA, reivindiquemos nas ruas o direito à educação, por favor! O direito a que todos tenham as mesmos oportunidades. Depois SAÚDE. Ninguém vive pra levantar um palito de sorvete sequer sem ela, quanto mais uma bandeira verde, amarela, azul e branca.

Fora quem nos quer mudos e cegos! Fora quem nos quer sem aulas, sem hospitais ou comprando produtos que valem metade do que custam. Fora!

Minhas filhas dançaram lindas com saias que eu comprei em uma loja de marca no shopping pelo preço das porcarias que eu vi por aí. Estavam lindas e souberam que foi uma boa compra porque irão usar em outras ocasiões também. Paguei 80, 00 em uma e 45, 00 na outra versus os 85,00 em cada vestidinho caipira horroroso que queriam me empurrar. Isso vai de exemplo quando elas tiverem que lutar pelos seus direitos - sejam eles quais forem.

A mudança parte de cada um de nós.

24/05/2013

ópus6

Tem gente que imita a gente.

Ô gente chata!

No fim do mundo,

sobram elas e as baratas.

20/05/2013

livrai-nos

É quando o que te estorvava, implicava assim a toda hora, cutucava o seu sossego, enrolava o seu caldo, se desmancha, some como sopro no ar, é que você sente mesmo o que é liberdade.

Aquele peso com papéis em baixo, que não serve pra nada, que se ganhou quando se perdeu como prêmio de consolação, que você finalmente manda embora, te alivia as costas, sapeca o ranço, desempaca a carroça.

Ô coisa boa, ô delícia de sensação. Tipo, a mosca caiu na sua sopa e para celebrar então, você vai traçar um bom bife de picanha.

06/05/2013

O "i" de Maria*

Ah, ainda bem que ela está por aqui, doando seu riso solto, que aprendeu a ser, meio que aos solavancos de tanta rigidez e egoísmo que sempre a cercaram. Ah, ainda bem que ela resistiu e sorriu mesmo assim, sem supor que tanto doía, e que aprendeu também alguma defesa para se assegurar de esperança, embora sem saber como iria se equilibrar na bicicleta da vida. Ah, ainda bem que ela é assim, tão dedicada, concentrada, resignada. Estudiosa e teimosa, fuçadora, persistente. Filha de quem é. Aquela que termina as tarefas, que não sabe o que é preguiça. Ah, ainda bem que ela foi mãe, e soube ser. E me fez ver o quanto é transparente o verbo amar. Ah, ainda bem que ela é minha, que quando eu grito seu querer, já está comigo há tempos. Que sabe de tudo, de olhar no guia de ruas até recorrer às duras penas da vida. Ah, que bom que ela toca, canta, tem música na alma. Que bom que é morena, que tem pele de índia, que força a caminhada nos pés que lhe avisam a hora de parar. Que sabe esperar, que supera, que ama o mar. Ah, que bom que eu sou dela, que bom que sempre fui. Que bom que eu me encosto no seu colo, e ganho carinho e posso contar tudo e ouvir tudo também. Que bom que ela é lutadora, é amiga da fé, é um anjo que lê para todos os ouvidos e que também cuida com seus olhos atentos. Que bom que tem raiva às vezes, gênio forte, olhar de fera. Ah, ainda bem que ela protege, convive, ora, pede, recebe. Que bom que é assim. Mãe e avó. Que bom o seu piano, o seu acordeon, a cor do seu batom que todas às vezes some da boca, e o seu cabelo curto, preto, que já foi mais, e já foi longo no corpo violão que encantou tantos, sobretudo um. Que bom que eu sei disso tudo. Que bom que a ouço todos os dias, e que bom que ela fala desse jeito, e escreve, e é culta, amiga, querida. Que bom que o "i" de Maria começa e termina seu nome. Ah, ainda bem que ela é minha. Ainda bem que ela é Mãe.

Ah, meu Deus, ainda bem!

*para Ivani, minha mãe. Com todo o meu amor.

03/05/2013

descarrego

Me deixe aquele que sopra em meus ouvidos, que não me encara ou cala. Que ao menos finja um disfarce, emudeça, entrelace. Me deixe o covarde, o fujão, aquele com alma perdida, encostado nas esquinas do pensamento, vago, atolado em pranto enlamaçado. Me deixe o médio, o tédio, o morno, o rosto de olheiras fundas, a cara de bunda. Prefiro que não me prefira, que ignore minha existência, que corra em círculos e caia por aí e eu nem veja. Me deixe o que deseja o meu não rir. Prefiro o só do que viver na obrigação de um senão, com tudo, em vão. Prefiro assumir, resumir. Que se esvai assim, o pobre de mim.

gangorra

Uns dias a gente tá assim, em outros meio assado, um dia feliz, outro chateado.

guardadinho

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.