Fruta como botão, pretinha, redonda. Alegria dos passarinhos da árvore da casa do Seu Lauro. Feito os olhos, os meus. Eu vejo conto e invento. Eu por aqui me apresento.
13/09/2019
Lavando a alma
Eu hoje joguei tanta coisa fora... Não, não é letra de música, talvez uma melodia que vira e mexe eu cante na minha vida. Mas hoje foi diferente, joguei o que nunca pensei me desfazer, joguei uma história fora. Muitas lembranças, papéis e documentos que um dia criei. Joguei com o peito apertado, mas com a certeza de que não eram mais meus. Passaram. Tanto que vivi, tantas pessoas que estiveram comigo. Hoje, foram. Olhei cada carta, cada cartão que recebi, tanta gente que me quis bem, ou não. Sonhos divididos num instante e caminhos trilhados diferentes num resto de dias. Fiquei pensando na vida e como ela é verdadeiramente feita de momentos. Tanta intensidade ontem para turvos escritos hoje. No meio de tudo algumas coisas ainda tinha vontade de guardar, as lembranças maiores. Outras olhava e me perguntava porque demoraram tanto. No fim sempre há o que fica, mesmo que não em papéis guardados, mas no gravar do coração. Todo o resto, será apenas memória.
Ser =
Tão boa a vida que se repete. Para os aficionados por novidade, mudança, inovação, que desdém da rotina e das mesmas histórias, eu quero dizer que a melhor parte do viver é um igual, como quando, de novo, é preciso lacrar as portas dos armários, tirar os vasos altos da frente, explicar pacientemente o sim e o não, ensinar perigos, permitir a boa desordem. Quando nascem mais amores. Por aqui estamos num mar de outra vez, domingo passado não lembro quantas vezes a Duda abriu e fechou o armário da cozinha apontando as panelas, pegando as tampas, dizendo papá hummmm, indo de uma mesa à outra buscando o que não eram os brinquedos. Agora Manuela, às vésperas do seu primeiro aniversário, anda pela casa toda e quer misturar-se nas brincadeiras da irmã, que já começa a ter outros interesses, os mesmos que os meus tricos começam a deixar de ter. Lá do outro lado da nossa saudade, o Noah descobre que consegue rastejar que nem uma tartaruga pra alcançar o brinquedo mais distante, e assim tantos outros bebezinhos nascendo, crescendo, filhos de amigos, de conhecidos, fazendo o que já sabemos o tamanho do encantamento. Só assim, pelo mesmo eixo, é que mudanças são propostas. Vai na vida toda essa lição. Quer ser diferente? seja primeiro um igual, repita mil vezes o que é bacana pra você e, divirta-se. :)
O tempo dos 15
Puxei aqui na minha memória o tempo dos meus 15 anos. Eu lembro de ter tido uma festinha em casa, até mais simples do que as de sempre, tenho flashes das coisas acontecendo e me vem o presente dos meus pais.
Lembro da minha mãe meio segurando a vontade de fazer as vezes e do papai puxando um saquinho de veludo e me entregando na mão. Um solitário. Um brilhante lindo, um anel.
Era de um anel que as meninas de 15 na minha idade viviam. Tinha o baile também, eu mesma fui convidada para dançar em muitas festas de amigas minhas, fiz pelo menos uns 3 vestidos na Dona Elvira, a costureira (lembro tão bem de um azul de mangas bufantes transparentes), mas isso era pra quem sentava na gaita.
Em casa sempre foi na risca e o solitário que ganhei fez o papai e a mamãe suarem a camisa para pagar em vezes. Mas deu certo. Ele está ainda brilhante, brilhante como a minha juventude, que aos 15 já movimentava uma vida cheia de aventuras, alegrias e memórias que eu adoro ter.
Agora chegou a vez dos meus filhos. Caramba... os tricos fazem 15 anos!
A imagem da carinha da Beatriz, depois do Pedro e depois da Julia, vindo até mim pelas mãos do Dr. Jorge são nítidas. Eles nasceram cabeludos, roxinhos e chorões. E também ficaram quietinhos assim que chegaram perto de mim. A gente se olhou e entendeu tudo. Ficamos quietos, contemplando toda a vida que vinha pela frente, ali, segundinhos.. Cesar, eles e eu. Um de cada vez.
Caramba, 15 anos!
Cidadania
Hoje mais que sempre somos nação. Assim meio ingênuos, malandros, influenciados e influenciadores, a verdade é que o Cruzeiro do Sul escolheu nosso céu para guardar. A cruz em Cabrália foi logo o marco das misturas que seriamos. Que o bom futuro nos abençoe com sua generosidade sem guerras, sem tragédias anunciadas. E as veladas, escondidas e convenientes se afastem daqui. Que um a um, da beira dos rios ao píer no mar, saibamos nos olhar e nos querer bem. Líderes ou não. Bom voto pra gente. Pátria amada, Brasil.
Pedido à Maria
Peço hoje a Nossa Senhora que cuide da gente, dos adultos, neste dia 12 de outubro. Cuide da nossa vaidade e da mania que temos de achar que sabemos o que se passa dentro da cabeça e do coração das crianças. Que a Mãe que nunca desiste dos seus filhos, cuide muito de nós, pobres criaturas crescidas e sem raiz, nessa fase tão conturbada em que vivemos, esquecidos da inocência. Inocência que liberta porque é pura e respeita, que espera, que acredita em tudo, que carrega leve o que a gente vive pedindo com pesar: o bem, o amor, a paz no mundo, a igualdade. Coisas vivas e pulsante nos pequenos. Deles todinhas. E que a gente, em nome da sabedoria, teima em arrancar. Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, que nós tenhamos um dia feliz hoje, para que assim as nossas crianças tão lindas, todas, possam ter também este dia, mas principalmente todos os outros, de eterna felicidade. Amém.
Importanticos
As coisas importantes são bem pequenininhas. Dão para a vida da gente sentimentos e emoções como um risco de giz - que é pó, mas risca a lousa. Se tá grandão, amontoando, só parece, só estorva. Dá trela não. Volta os olhos no que tá passando despercebido, nos ciscos e é certo sentir que o que vale mesmo é a mente leve, feito plumas de travesseiros fofos, dos bão.
Justo
Não tem novo nem velho, bonito ou feio, pobre, rico, começando a melhorar, ainda na pior. Pode ser anônimo, famoso, no auge ou mesmo no fim. Não tem hoje nem amanhã, daqui a pouco tão pouco. A morte é assim. Só ela.
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eu sou
- Cice Galoro
- Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.