28/06/2011

megafones

Desde pequena não gosto de quem aumenta o volume das coisas. Não me refiro aqui ao som, tipo da boa música que tem horas que é bom ouvir alto (mesmo assim confesso que prefiro os decibéis certos). Me refiro ao som das coisas chatas que fazem barulho primeiro e razão depois. Ultimamente percebo uma fanfarrice em volta de vários assuntos. Gente querendo provar, berrar direitos iguais pra todos os lados. Uma falação sem rumo certo sobre protestos e caras e bocas. Tem marcha de tudo quanto é jeito, que acaba, não levam a lugar nenhum. As pessoas, sobretudo as que gostam da bandeira tremulando, não sabem que pra marchar bem é preciso regras e ordem, marcações e fim. Com isso, consegue-se alguma mudança, mobilização, sei lá, mas se não, fica um monte de tudo junto e misturado que não resolve nada, só atrapalha. Outro dia um amigo escreveu sobre esse assunto e perguntou se quem fica pondo a boca no trombone, teria coragem de por a cara à tapa. Eu digo sem titubear que não. Se fosse desse jeito o mundo seria novo e a gente teria muito mais pessoas iluminadas espalhadas por aí. A sorte é que mesmo assim, há os corajosos. Gente boa, que trabalha calada, no volume certo e que faz toda a diferença no meio de tanto blá, blá, blá. O que torna o bem maioria, não os bons, como quer dizer a prezada Coca-Cola usando isso pra vender refrigerante. Preconceito meu chapa, é velho, é jeca. Jesus já dizia o quanto isso é ridículo quando ficou ao lado de Maria Madalena, a prostituta e não tava nem aí com a profissão dos apóstolos, ou sua classe social (tinha nego lá que era rico e outros que não tinham nem um gato pra pegar pelo rabo) ou com a doença dos leprosos, as escolhas sexuais dos reis de Roma e por aí vai. Homossexualismo, racismo, pobreza, e outros tantos carregam preconceito na origem da palavra porque precisam ser caracterizados, mas e daí? Ficar discutindo isso é um saco, assim como é uma baboseira forçar o entendimento de todos pra um assunto específico. É o movimento da inquisição ao contrário: engulam os gays, os casamentos modernos, os pobres do morro, os assasinos, os japas, os negões, os alemães, pô, sei lá mais quem... Essa atitude seja nas ruas, na sua casa, na TV, nas passeatas, nos posts, nos cartazes não valem de nada se a marcha não for de um só. Se o indivíduo não tiver espontâneamente o seu entendimento e a sua escolha. Porque todo ser humano é coerente - depois que eu descobri isso, tudo ficou mais fácil. Inconscientemente todo mundo sabe o porque age e reage, mas a consciência reprime. Eu tenho pra mim, e procuro praticar, que dois movimentos deveriam de fato existir. Fortes, mobilizadores, bravos, guerreiros, com regras e rumo: O da Boa Educação, solene, efusiva, cultural, curiosa, esclarecedora, provocante, atrás da consciência. E o da Solidariedade, atrás do fim da violência, do desperdício, da banalidade, das ofensas, do desrespeito, do egoísmo. Se todo mundo, junto, pusesse volume aqui, aí sim, cada decisão particular seria respeitada e teríamos pessoas e escolhas mais puras. Porque as boas almas não precisam de megafones, como se direitos iguais não fossem um fato. Meu povo, é! Todo indivíduo tem o seu direito dentro do seu coração, da sua cabeça e da sua coragem de se enxergar e de se expressar. Não precisamos de gritos para essa verdade, ao contrário, é preciso silêncio pra conseguir se ouvir e se entender. E de uma única vez aceitarmos que o direito que recebemos quando nascemos não tem como ser de outro, não tem como ser tirado de você. Mesmo que sua história seja uma luta diária, de sobrevivência e vida. Meu desejo é menos barulho pra nós.

25/06/2011

em busca da felicidade.

E pelos dias eu sigo, me olhando em espelhos hora ainda como a menina que me acompanha, mas na maior parte do tempo como a mulher que me tornei. Tem coisas que mudam a gente, que nos obrigam lembrar que, mesmo quando tudo está bem, a tristeza serve pra te emocionar e fazer você seguir pelo caminho novo. O tempo vai te trazendo tristezas pra te ajudar nisso, na escolha certeira do lugar que você precisa estar pra encontrar alegria. Cheguei mesmo numa conclusão que, cada vez menos, questiono se é justa - junto da tristeza se escreve um caminho feliz. Entendo, agora, os mestres da escrita, tão solitários, agoniados em seus poemas, espremidos em suas rimas e textos. E que bela felicidade devem ter encontrado. Então, parei de discutir com a criança. Hoje aprendo com ela e deixo-a vir, mas faço também ela ir. Ir além dos meus simples desejos de canções de roda. Ando em par com um amadurecimento voluntário, que decidiu tomar posse do meu rosto pela saudade doída, pelas decepções de cá e lá, pelas sombras de minha alma adulta, e só assim consigo fazer construir o que de verdade tem me permitido enxergar alegrias. Choro o sofrimento do tempo, que sabe fazer-me feliz.

21/06/2011

Pai, começa o começo!

Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para o meu pai e pedia: - "pai, começa o começo!. O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para minhas pequenas mãos. Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim. Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele tinha feito.

Meu pai faleceu há muito tempo e há anos, muitos aliás, não sou mais criança. Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, "começar o começo" de tantas cascas duras que encontro pelo caminho. Hoje, minhas tangerinas são outras. Preciso descascar as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria na imensa arte de criar filhos realizados e felizes, ou então, o enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios.

Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis...

Lembro-me, então, que a segurança de ser atendido pelo meu pai quando lhe pedia para "começar o começo" era o que me dava a certeza que conseguiria chegar até o último pedacinho da casca e saborear a fruta. O carinho e a atenção que eu recebia do meu pai me levaram a pedir ajuda a Deus, meu Pai do Céu, que nunca morre e sempre está ao meu lado. Meu pai terreno me ensinou que Deus é eterno e que seu amor é garantia das nossas vitórias.

Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a Deus:

"Pai, começa o começo!".

Ele não só "começará o começo", mas resolverá toda a situação pra você.
Não sei que tipo de dificuldade eu e você estamos enfrentando ou encontraremos pela frente. Sei apenas que vou me garantir no amor eterno de Deus para pedir, sempre que for preciso: "Pai, começa o começo!"

(Autor desconhecido)

De um amigo do César, pra ele.

17/05/2011

querida Cecilia, obrigada!

Cântico I
de Cecília Meireles

Não queiras ter Pátria.
Não dividas a terra.
Não dividas o céu.
Não arranques pedaços ao mar.
Não queiras ter.
Nasce bem alto.
Que as coisas todas são tuas.
Que alcançará todos os horizontes.
Que o teu olhar, estando em toda parte
Te ponhas em tudo,
Como Deus.

06/05/2011

Dona Ivani, que é minha. Mãe.

Se te olho me vejo em imagem e também num pouco de jeito. Falo igual, penso diferente e minha esperança é conseguir chegar perto da tua sabedoria. Um dia, talvez...

Enche meu peito de alegria e segurança, saber que você tá do outro lado da rua, na hora que eu preciso, no portão da minha casa, no camarim da peça que é a minha vida.

Que me alerta, apoia como todo o sempre, e ainda aperta os meus pés sem que eu te peça, depois de um dia cheio (pra nós duas...)

Me encanta a tua curiosidade, a tua falta de preguiça, a tua cultura disciplinada, estudada e que corre pelos assuntos de forma tão humilde, buscando entendê-los a cada instante.

Acalma a minha alma ter o teu ouvido e a tua espera, as horas certas do teu relógio de tempo e passar pelo teu portal escancarado e lotado de experiências importantes, felizes e infelizes, e igualmente superadas pela próxima.

E gosto também das tuas bravezas, que terminam em bravura. Sei o quanto me fez bem sentí-las, mesmo quando mostraram-me, ou mostram-me o peso das palavras e da correção.

Eu vou aqui, minúscula do teu lado, pequeniníssima perto da tua fé em mim mesma, incrédula às vezes de tanta confiança. Mas vou, por isso, em frente. Num orgulho só, mirando teus olhos, atenta ao teu sorriso, que suportam as minhas decisões e guiam os meus passos.

Mã, eu te acho genial, sem confetes, sem rodeios.
Te agradeço por me dar o mundo ao teu lado.

O Dia das Mães é bacana pra mim por tua causa, Dona Ivani!

Com todo meu amor, obrigada!

05/05/2011

simples

A vida fica mais bacana quando você está cercado pela natureza.

28/04/2011

Eu concordo e gostaria de já saber como...

Extraído do livro O Ócio Criativo, de Domenico de Masi

Domenico De Masi: O que você pode esperar do futuro, na vida, na carreira e no mundo ?

Para os próximos 20 anos, vislumbro dez tendências relacionadas ao trabalho e à vida. Por que dez? Porque precisamos de modelos. E que modelo melhor que Deus e seus dez mandamentos?

1. Longevidade: A Aids, o analfabetismo e boa parte dos tipos de câncer serão debelados. A inseminação artificial estará na ordem do dia. O dióxido de carbono na atmosfera será mínimo. Os cegos verão através de aparelhos. Transplantes de órgãos, naturais e artificiais, permitirão viver mais. Passaremos dos 100 anos, e com boa saúde.

2. Tecnologia: Um único chip será mais potente do que todos os computadores juntos do Vale do Silício de hoje, terá o mesmo tamanho que um neurônio e custará 1 centavo. Todo o trabalho intelectual repetitivo será executado por máquinas, como ocorreu com o trabalho manual neste século.

3. Trabalho e formação: Será cada vez mais difícil fazer uma distinção precisa entre trabalho, estudo e tempo livre. A educação, intensa e permanente, ocupará boa parte da vida. Os horários perderão importância. O que contará no trabalho serão os resultados, não o tempo para fazê-los. A remuneração será calculada de acordo com o valor agregado e as metas atingidas. Haverá, decerto, um novo pacto social para redistribuir a riqueza, o trabalho, o conhecimento e o poder. Uma guerra sem cartel será travada entre a criatividade e a burocracia. Ninguém vai fazer trabalho braçal por mais de cinco anos. Donas de casa e estudantes devem ser remunerados, assim como os desempregados. Trabalhos voluntários e obras sociais estarão por toda parte.

4. Onipresença: Estaremos em contato com qualquer um, em qualquer lugar, por celular e Internet. À distância, aprenderemos, trabalharemos, amaremos e nos divertiremos. Corremos o risco de nos tornarmos virtuais demais, por falta de contato direto com outras pessoas. O sedentarismo desse modo de vida pode nos tornar obesos. Mas a cirurgia plástica resolverá isso – modificaremos o corpo e a fisionomia a bel-prazer. Graças a novos remédios, controlaremos ou melhoraremos nossos sentimentos.

5. Tempo livre: A maior longevidade e o apoio da tecnologia aumentarão as horas de ócio. Ironicamente, o problema do próximo século será como ocupar o tempo livre de forma a evitar o tédio. Cresceremos intelectualmente? Tenderemos à criatividade ou à dispersão? Prevalecerá a violência ou a harmonia? São perguntas ainda sem resposta. O que se pode afirmar é que teremos de nos preparar para ocupar o tempo livre da mesma forma que nos preparamos hoje para trabalhar.

6. Androginia: As mulheres estarão no centro da sociedade. Valores considerados femininos (emotividade, subjetividade, flexibilidade) serão incorporados pelos homens. No estilo de vida, prevalecerá a androginia.

7. Estética: Como a perfeição técnica deve ser um requisito, o que vai fazer a diferença são as qualidades formais. Ou seja, forma vai ser tão ou mais importante que conteúdo. Daí as atividades estéticas virem a ser valorizadíssimas – assim como ocorre hoje com as científicas.

8. Ética: Numa sociedade voltada à prestação de serviços, a fidelidade do cliente será a maior vantagem competitiva. A ética de um profissional será seu mais alto patrimônio. Apenas os homens de caráter vencerão nesse mundo. Da mesma forma que a sociedade industrial é relativamente menos violenta do que foi a medieval, a sociedade pós-industrial será menos violenta do que a industrial.

9. Subjetividade: Mais do que hoje, o que diferenciará profissionalmente uma pessoa da outra serão seus gostos e seu comportamento. As pessoas devem fazer só as coisas pelas quais se apaixonem e só trabalharão em áreas que as motivem. A motivação será um fator muito competitivo.

10. Qualidade de vida: As pessoas não aceitarão trabalhos que as impeçam de viver bem. Uma vez que viver mais será fato consumado, a preocupação será como viver e não o quanto viver. Estarão em alta a disponibilidade de tempo, de espaço, de autonomia, de silêncio, de segurança e de convivência.

Fonte de consulta: www.ronaud.com/empreendedorismo/livro-o-ocio-criativo-domenico-de-masi/

guardadinho

eu sou

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Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.