Não te enxergo fazendo parte daquela engrenagem. Aquele monte de roldanas velhas habituadas aos seus barulhos chatos, sem óleo. De peças acomodadas em seus pobres cantos. Te encontrei mais solto, peça avulsa, com toques de um composto de ferro, mas que desde sempre estava disposto a ser polido, tornar-se nobre, usando das origens apenas a força lá de trás, que hoje se foi.
Que boa notícia reconhecer que as decisões de escapar da prisão desse ferro-velho te fez parte ágil e conhecedora de tantas outras possibilidades. Rogo aos deuses que cada velharia hoje mantenha-se naquela toada batida, sem graça e rangedora. Lá, onde nem quero saber.
Fruta como botão, pretinha, redonda. Alegria dos passarinhos da árvore da casa do Seu Lauro. Feito os olhos, os meus. Eu vejo conto e invento. Eu por aqui me apresento.
08/02/2012
23/01/2012
Gens
Puxei do meu pai o benedeto gênio. O Cesar diz que é sinônimo de grosseria, alguns acham pura impaciência, outros resumem num jeito esquentado, meio bravo e eu digo que tudo isso é apenas uma maneira de me defender. Tanto papai como eu, só conseguimos nos defender se tivermos na ofensiva, porque no dia-a-dia somos dois bons babacas de tudo que é jeito. Ele, agora não sei, espero que tenha resolvido isso lá pelo céu, mas a verdade é que eu mantenho o jeito alegre e otimista, misturado com uma sisudez meio egoísta, bem patife para os amigos e cheio de respeitar os detalhes que todo mundo acha ridículo. Fico analisando meu jeito pra buscar melhorar, porque sei que tenho bastante oportunidade pra isso, mas no final, o que me desencadeia o turbilhão de grosseria (usando a palavra do Cesar que é a melhor no resumo) nada mais é do que perceber que há traição. Aqui, um momento de atenção, please: Traição pra mim é bem diferente do que pra maioria das pessoas no mundo. Polêmica: Eu sei que posso perdoar, por exemplo, uma pulada de muro dessas ridículas, levadas pelo momento, pelas biritas... mas sou capaz de farejar a léguas uma traição do olhar, que no meu entendimento é a verdadeira e talvez imperdoável. Também posso sentir e ouvir a traição das palavras mentirosas, construídas, ditas pra te embromar, ai que raiva disso. Escrevo assim pra tentar fazer com que, quem me lê, entenda do que estou falando, mas já achando que essa missão será difícil. Enfim, o que quero dizer é que trair pra mim é menor do que se pensa e muito maior do que se espera. Trair não significa, ou não se resume apenas, no sentido carnal, homem mulher, relacionamentos. Isso fere menos do que algo escondido de você, simples até. Para os curiosos de plantão, esse post não tem nada a ver com o Cesar ou com meu casamento. Em 16 anos juntos, nunca estivemos tão bem e nunca sequer me preocupei com isso. Coloco aqui minha indignação com quem se acha esperto, onipotente, e lida com a traição da maneira mais covarde do mundo, dando uma de santo. Eu viro ogro mesmo, nesses casos. E aí baixa o Seu Pedro, aquele da impaciência, da mão pesada, das palavras grossas. Só que nem tudo está perdido, o bom desse gênio compartilhado é que a gente sabe odiar sim, mas também consegue perdoar. O duro é o tamanho do estrago que fazemos entre um e outro. Minha teoria é, se recebeu mereceu, além do que, a mim também muitos devem desculpas e eu não morri por causa disso.
Nessas auto-análises concluo que ando super mais tolerante do que aos 18, fase que minha língua era lindamente afiada, mas também sofrendo de menos arrependimentos, quando sei que a bola é minha porque, independente de quem me viu comprando, eu tenho a nota, saca? Bem, então é isso. Recado dado e nada diferente do que deve ser, pelo menos por enquanto.
03/01/2012
Hoje é um novo dia de um novo tempo
Tem coisas que são clichês e sempre dão certo. O amor por exemplo. Quer mais?
Iniciar o ano mesmo sabendo que o tempo continua correndo como lá por julho, agosto, é sempre um real motivo pra tirar da caixa os bons clichês. Desejar amor, paz, saúde e prosperidade. 4 palavrinhas que estão em tudo que é mesa, que nem batata. Mas pegar essas 4 palavrinhas e comê-las mesmo, como a batata frita, detona um gosto especial.
Prosperidade é uma palavra tão bacana, a danada. É o desejo de melhorar de ir bem mais, de progredir. Das eleitas, a saúde é a mais importante e que a gente dá menos bola. Saúde. Eu te desejo saúde, significa que você espera que a pessoa usufrua de tudo com prazer, intensidade e oportunidade. Não é um excelente clichê?
Hoje é dia 03, a dois dias começamos um novo tempo, um tempo par, predestinado pelos pessimistas ao fim e aos otimistas ao início do que pode ser melhor.
Que sejamos clichês esse ano.
Resgatemos aquelas palavras comuns com seus significados na raiz e consigamos praticá-los.
Mais do que as 4 escolhidas outras tantas como sorte, coragem, perseverança, gratidão, sucesso, sabedoria e por aí vai.
Me despeço com uma também muito da clichê: Fé.
Feliz Ano Novo!
29/12/2011
De tudo que é bom
E na mesma toada, mudando o eixo, indo pro lado do que é bom, bem, alegria, simpatia, boa fé, esperança, coragem e tantos outros atributos do lado branco do tabuleiro, hoje é uma véspera... né, pá?
azedume
Tenho um misto de raiva e dó de quem é azedo. Mais raiva do que dó, confesso. Não gosto de jeito nenhum de ficar olhando pra cara de quem não solta um risinho e fica com aqueles olhos muchos meio um pra lá outro pra cá, querendo expressar tristeza, mas que pra mim soam como ares de prisão de ventre.
Também detesto atribuir a isso, idade, compreensão, tudo que a vida lhe causou, essas baboseiras de quem prefere dar uma desculpa. Gente pra mim tem que ter sangue nas veias, pulso que ainda pulsa, expressão de tudo: ódio, amor, compaixão, alegria. Essas coisinhas que Deus quer de nós, sabe?
Pior ainda é querer pagar de bondade. Pra cima de moi? ah tá...
12/12/2011
Susto
E assim, de repente, de um minuto a outro, a vida dá uma virada. A saúde, no mais fofucho dos clichés, é mesmo a nossa maior dádiva. Porque sem ela, tudo vira relativo, dá mais ou menos pra fazer, derramam receios, dores, apreensões. E não adianta falar, mas é igual e seguido de outro bom cliché, que só se sabe um filho quando se tem. Nesta sexta-feira, dia 09 o Cesar acordou, em casa, ótimo e dormiu (modo de falar com aquela tamanha dor) mal à beça num hospital, numa véspera de cirurgia que ele sequer imaginaria que iria se submeter, tão pouco eu. Num segundinho o telefone toca e te pedem pra ir urgente a um hospital ver o que está acontecendo com o seu marido. Graças a Deus a história do Cesar termina bem, quer dizer, ainda temos alguns pontos em aberto, mas a verdade é que mais uma vez fomos agraciados por descobrirmos tudo a tempo.
Uma crise renal, gerada por uma dupla obstrução dos canais que levam a urina à bexiga, e um trisco pra perder as funções do rim e viver dependente de diálise. É, mole? Pois é, assim, sem mais nem menos. E sem sequer ter sentido durante 51 anos uma única cólica que pudesse explicar esse desfecho.
Enfim, a proposta é que nos cuidemos, que vigiemos nosso corpo, nossa mente, nossos organismos. Que respeitemos os limites, e sobretudo que deixemos uma permissão assinada na cabeceira da nossa cama, todos os dias cedinho: ser livre, leve e feliz. A vida é mesmo e muito, feita dos pequenos momentos. Oxalá, meu gordo tenha muitos deles ainda pela frente.
25/11/2011
Do entendimento
De repente, mesmo depois de 43 anos, de um jeito que não sei explicar como, a vida foi ficando simples. As angústias se dispersaram ou simplesmente passaram a desinteressar tanto.
Não que as crises ou problemas deixam de se apresentar, uma ou outra dúvida... mas agora, pelo menos, são sólidas e importantes.
Quero dizer com isso que as perguntas típicas, as banalidades e as futilidades começaram a buscar um espaço que não existe mais, e mesmo que queiram fincar o pé, elas desgrudam do meu pensamento.
Por exemplo, eu vejo ou ouço tantas coisas desnecessárias, que antes me pareciam fundamentais ou no mínimo estorvavam minha existência. Hoje me divertem, e melhor ainda, na maioria das vezes nem se quer me levam atenção. No trabalho muitas, na vida - mais ainda.
Importante agora pra mim é, profundamente, a minha família, a minha casa, a flor que eu vou comprar de sexta, a carona que eu posso dar para uma gravidinha de 8 meses que eu nunca tinha visto antes, a sacola reciclável cheia de frutas, a saída da escola, o que dá para ter, qual o sermão do domingo, as pessoas que tem os olhos do bem, a saúde.
Discutir forma, não mais. Conteúdo, se de fato, conter algo.
Perder tempo, não. Ganhá-lo sem fazer nada, aí sim.
Eu ando desse jeito nesse final de 2011, desbravando a tranquilidade. Espontâneamente. Que veio até mim, sem que eu percebesse buscá-la ha tanto tempo.
Entendendo que não precisamos entender nada, que apenas estarmos bem, é mesmo suficiente para sermos felizes.
Não que as crises ou problemas deixam de se apresentar, uma ou outra dúvida... mas agora, pelo menos, são sólidas e importantes.
Quero dizer com isso que as perguntas típicas, as banalidades e as futilidades começaram a buscar um espaço que não existe mais, e mesmo que queiram fincar o pé, elas desgrudam do meu pensamento.
Por exemplo, eu vejo ou ouço tantas coisas desnecessárias, que antes me pareciam fundamentais ou no mínimo estorvavam minha existência. Hoje me divertem, e melhor ainda, na maioria das vezes nem se quer me levam atenção. No trabalho muitas, na vida - mais ainda.
Importante agora pra mim é, profundamente, a minha família, a minha casa, a flor que eu vou comprar de sexta, a carona que eu posso dar para uma gravidinha de 8 meses que eu nunca tinha visto antes, a sacola reciclável cheia de frutas, a saída da escola, o que dá para ter, qual o sermão do domingo, as pessoas que tem os olhos do bem, a saúde.
Discutir forma, não mais. Conteúdo, se de fato, conter algo.
Perder tempo, não. Ganhá-lo sem fazer nada, aí sim.
Eu ando desse jeito nesse final de 2011, desbravando a tranquilidade. Espontâneamente. Que veio até mim, sem que eu percebesse buscá-la ha tanto tempo.
Entendendo que não precisamos entender nada, que apenas estarmos bem, é mesmo suficiente para sermos felizes.
Assinar:
Postagens (Atom)
eu sou
- Cice Galoro
- Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.