23/10/2009

imbecilidade

Caiu de cara e não aprendeu, esborrachou-se, ficou que nem ameixa pisada, mas adiantou? ahn, nadinha. Teima de novo na mesma levada. Sobe até o terceiro degrau, e no mesmo falcete escapa o pé e lá se vai tombo abaixo que hoje já tem até platéia. Coitado dizem uns, outros viram pra lá pra rir mais alto. O duro é a rima nessa escolha toda. Anta, anta, anta porque és e não levanta?

22/10/2009

gira mundo

Ela saía, e rodopiava a saia. Pra lá e pra cá. Feliz vendo a sombra pelas ruas, que num balanço faziam o vento acompanhá-las.Ia ela, a saia, a sombra e o vento. Junto deles as flores do cabelo solto, esvoaçante, corriam para o campo, teimavam em estarem sós. Só que ela insistia, e corria atrás das pétalas num baile onde ningúem deixava de dançar. Tchurururu. Delícia de dia, de passeio, de tudo.E a cada hora novidades nos campos e nos cantos, onde o vento soprava que dava arrepio.

19/10/2009

voou voou voou

E lá se foram, ganhar o céu. Ficou ali sozinho o ninhozinho, a casa, que agora ficou pequena pra tantos sonhos.

12/10/2009

no ninho

Entre as telhas da varanda e a viga que sustenta a cobertura, dia-a-dia a dona passarinha ia lá, voando, galhinho por galhinho. A gente vê um dia e depois esquece, e quando nota de novo, toma um susto. O ninho, feitinho que só. Redondo, cheinho. As crianças foram vendo essa construção maravilhadas com a sabedoria da passarinha cinza e amarela. Tem terra, gravetos, folhas, tudo entrelaçado, e o esforço amarra aquilo de um jeito que nem chuva nem vento dão cabo não.
Aí, dias passam e ela sentadinha por lá. Mamãe tem ovinho ali. A gente não pode ver porque ela fica brava, voa baixo. O Nadal fica maluco com isso, mas a gente ta cuidando pra ela não achar que ele é malvado, é que ele gosta de correr atrás dos passarinhos de casa, todos eles. A gente já explicou. E os dias foram passando e de repente lá estavam eles, tres passariquinhos. Tres mamãe, acredita? Igual a gente! E comem bastante também. O dia todo a passarinha amarela e o papai cinzento que apareceu na hora de dar o que comer, passam pra lá e pra cá, trazendo minhoca, folhinha, bichinhos. E mastigam e mastigam e depois dão nos biquinhos esticados e abertos a comida pra ficarem fortes. A gente come assim né mamãe?
E lá em casa, que tem macaquinho, pato, tartaruga, pica pau, perereca quando chove, calango verde, agora tem os três bicudos, quase prontos pra sair voando sozinhos. Mais uns dias e nossos hóspedes vão ganhar o mundo. E três deles. Bonitos que só, presentes de Deus pros nossos filhos que estão crescendo perto disso tudo.
To aqui de olho pela janela enquanto escrevo. Estão lá encolhidinhos, parece até que sabem que falo deles. Os seis. Os meus, e os da dona passarinha amarela.

18/09/2009

pula menina

Rola feito um caracol toda manhã, de um lado pra outro na cama que nem é tão grande assim, mas o suficiente pra segurar a vontade de levantar bem presinha. Depois começam os chamamentos, parecidos com lamúrias de almas Levanta... Levanta..., mas que o que, mais uma roladinha pra lá. Sobe o braço direito, estica a perna esquerda, vira mais um tico. Levanta os dois pés, mexe e remexe. Mas a sombra se aproxima, e quando ela vem, já vai logo escancarando a janela pra luz entrar. Gosta da luz, mas prefere as cobertas naquela hora. E toda manhã é assim. Rolo, rola, risos e por final um salto. Fazer o que?

09/09/2009

o segredo

A gente veio aqui pra ser gente.

Não foi pra ser rico, nem pobre. Não foi pra ser famoso, nem desconhecido.
Não foi pra ser amado, nem odiado.

A gente veio aqui pra ser gente.

Porque se quer ser rico ou pobre, e daí?
Famoso, solitário, amado, odiado, seja o que for

é preciso ser gente antes.

Senão não se é nada, se está apenas. E essa sensação de estar tudo e não ser nada, é que incomoda a alma.

Ser gente! esse ó o segredo.

02/09/2009

Cansada de tanta informação e de correr atrás de mais um monte, ela sentou na janela e resolveu não ouvir, pelo menos um mesmo tipo e naquele dia, mais nada. Desligou o rádio, a TV, os fios conectores que invadem a vida de pé no peito. O telefone, enterrou lá fora num lugar que nem o vibrar pudesse ser percebido. Micros, macros, tudo encerrado e foi-se ela ter com outras boas dicas e deixas.

Parou pra ser informada das notícias vindas da terra, do cheiro, da luz. Do som dos passarinhos, dos bichinhos. O choro das crianças, os risos. O barulho da corda, do grilo. A moda de viola, o sossego. A informação dela pra ela mesma, que fazia tempo que não ouvia, preocupada em tanta informação de outros.

Um alívio de paz, misturado com medo de não ser mais parte de algo. Mas de que?
Ela também riu naquela hora, e percebeu que grande tolice representar. Que a vida muda, passa, evolui, mas que você é assim, mesmo que queira ser diferente. E isso não tem nova resposta, porque no final das contas, mesmo com tanta cordilheira em volta, a neve da tua cabeça é a única que gela ou embeleza a sua alma.

guardadinho

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.