Vou viver de escrever.
Textos, poemas, amizades, verdades e algumas boas mentiras.
Escrever pra ler, pra amassar. Quero viver assim, escrevendo e vendo a vida pelas linhas, ver que me vêem também da mesma maneira ou de formas imaginativas, interpretadas a cada modo, e eu ali exposta sem receio. Dedicada a ofertar frases, muitas, tristes, infantis, hilárias, quaisquer.
Vou viver de escrever.
Comer letras, encher-me de contos. Vou roer os dentes quando falta o dicionário, vou procurar sinônimos, antônimos, confissões.
Quero publicá-las, sentar na janela e abrir a caixa. Ter prazer. Ter tempo. Ter o futuro e o passado. Ser presente.
Vou viver, e escrever. Tá resolvido.
Fruta como botão, pretinha, redonda. Alegria dos passarinhos da árvore da casa do Seu Lauro. Feito os olhos, os meus. Eu vejo conto e invento. Eu por aqui me apresento.
29/03/2010
intensi viva mente
Mergulha, decola, derrama o leite. Corre conta o vento, grita, pula pra alcançar o último galho. Vira, arrasta, agarra nas pernas, chora o pranto e o desencanto, aumenta o som. Sai de saia, vira as costas, dá de ombros, ri até as lágrimas. Esbarra e empurra, puxa mais forte, gira e gira até a tontura, troca de roupa, cem vezes. Anda descalça, no asfalto quente. Mostra os dentes. Não deixa pra lá, volta pra ver, morre de sede, bate no peito, dá algum jeito. Entra de lado, rasteja, vira a mesa, a toalha arranca, abre as trancas, solta as tranças e vai. Vai andando, pra frente, não olha nem que chamem, segue. Se olha pára, e espalha tudo. Dança e balança em todos os ritmos, fecha os olhos no meio da rua, faz nudismo. Pede perdão, dá a mão. Fica na moita, açoita, mas dá tua palavra. Sempre, vigente, tua palavra solene e fica nela. Aí sim, estás pronta pra não entender, ou pra saber que não se entende se não se vive, intensamente.
18/03/2010
do singelices

EU E MEUS VELHINHOS (Ana Paula Marques)
Já disse aqui que gostava muito do sr Mindlin.
Hoje li sem querer uma homenagem feita para ele depois de sua morte. Adorei essa parte:
"Nunca se dedicou exclusivamente a nada, sendo exemplar em tudo o que fez. Seu caminho foi traçado pelo acaso e construído por ele mesmo, sempre impulsionado pelo mais poderoso de todos os elixires da juventude: a alegria."
E eu AMO!!!!!!!!!! AMO!!!!!!!!!! AMO!!!!!!!!!!!!!!!!
16/03/2010
equilibristas
Tirar daqui, cobrir ali, mexer do outro lado, puxar, esticar, cobrir um santo, descobrir outro. Dias assim, equilibrando fatos, gastos, pontos, encontros e desencontros. Chato isso, mas a verdade é que se vai aprendendo, e se vai. Dias sim, dias não, dias assim, de novo. Liga, pede, implora, atende. Volta, devolve, defende. Pergunta, responde, finge que saiu, finge que chegou, ri, chora, fazer o que. O que tem pra fazer? hoje, só hoje, sem pensar em depois. E incrivelmente chega a noite e outro dia começa com duas varetas numa mão e quinhentos pratos na outra. Mãos a obra, meu bom.
15/03/2010
Camila

A Camila nasceu dia 12, de peixes, carinha redonda e na paz.
A pequena Tomaz de Aquino dos Anjos, tem nome de santo e de graças, e veio até a gente pra fazer uma galera que andava meio quietinha cair na gargalhada. Alegria de nascimento, de bebezinho novo no pedaço, de cheiro do leite materno, de cara de pai abobalhado de tanto amor.
A gente tá feliz que só.
Camila minha doce pequena, venha com tudo pra esse mundão, ajude a gente a ser melhor, mais alegre e mais amoroso. Seja muito feliz nesta estrada, e corra por ela, sem medo, com prudência.
Me aguarde aí, na Páscoa vou te dar uma mordidinha bem na ponta do nariz.
11/03/2010
passando a rebentação
A gente percebe que as fases ruins vão passar quando sinais aparecem.
Hoje um gesto tão simples me fez reviver quem eu gosto de ser.
Há um ano e meio eu caí, quebrei a perna feio, fiquei mal. Pouca gente soube, até porque a minha tolerância a dor sempre foi grande, mas a verdade é que doía muito. A noite, dormir era uma luta, a perna latejava e eu sentia a placa de aço lá dentro conversando comigo, dizendo pensa, pensa na dor. De manhã, ela inchava e a dor era constante pelo dia todo, sem parar um minutinho. Juro que os incômodos das muletas, de descer escadas, do banho, do medo de escorregar, de escorregar mesmo com medo, e até de não poder pegar meus filhos no colo foi o de menos nessa história. A dor era a protagonista.
Ainda ela é, mas dói muito menos agora, só que ainda dói quando tento correr, andar rápido, usar meus saltos (mas eu uso) quando o tempo esfria, e sobretudo quando quero dançar. Não consigo mais dançar igual antes, um dos meus maiores prazeres, e essa constatação dói mais que a própria dor.
Mas fiz essa declaração aqui porque tá na hora do perdão.
Foi a partir dessa dor que tudo começou a me provocar, que outras dores eu tenho tido que enfrentar, que me fazem perguntar todos os dias coisas do tipo porque assim? porque ela? porque ele?, e depois mais cedo ou tarde do que eu gostaria, infalivelmente chegam as respostas.
Eu fiz escolhas na vida, ganhei amigos, perdi também. Fui fiel no trabalho, na carreira, nas histórias. Fui distraída, imatura, mas nunca fui cruel. Aprendi com meus pais que é melhor ser só a gente mesmo. Tá de bom tamanho querer apenas a vida que nos foi presenteada, e eu sou uma sortuda. Mas aprendi também que a dor não quer saber de sorte, dor vem pra te mostrar que é preciso sentir na pele, que quebras são necessárias, rupturas são preciso. É também uma fase da tua vida, então comece aceitando e agradecendo.
Eu tenho me perdoado, e perdoado quem não me perdoa. E eu gosto da palavra perdão. E eu tenho coragem de dizer isso. E as fases passam, as boas e as ruins, que demoram mais, mas ambas passam.
A minha fase ruim tá passando, muito já se foi, ufa!. Mesmo ainda com tapas na cara, com um bocado de tristeza. Mesmo com amigos me virando as costas, outros só assistindo de binóculo, mas sobretudo com na verdade os únicos, e melhores, tão poucos, bem perto.
Tati, mãe da pequena Maria Flor, Abreu - quero dizer que receber seu comentário hoje num post meu foi de uma importância que você nem desconfia. Ver que depois de tanto tempo, de tão longe, você entendeu cada letra do que eu quis dizer em duas linhas, é o meu sinal.
Então, hoje, que realmente acredito que menos é mais, por nós duas, e todo mundo que acredita, quero dizer que ganhei o dia, que tá tudo certo, e que esqueci a dor.
Hoje um gesto tão simples me fez reviver quem eu gosto de ser.
Há um ano e meio eu caí, quebrei a perna feio, fiquei mal. Pouca gente soube, até porque a minha tolerância a dor sempre foi grande, mas a verdade é que doía muito. A noite, dormir era uma luta, a perna latejava e eu sentia a placa de aço lá dentro conversando comigo, dizendo pensa, pensa na dor. De manhã, ela inchava e a dor era constante pelo dia todo, sem parar um minutinho. Juro que os incômodos das muletas, de descer escadas, do banho, do medo de escorregar, de escorregar mesmo com medo, e até de não poder pegar meus filhos no colo foi o de menos nessa história. A dor era a protagonista.
Ainda ela é, mas dói muito menos agora, só que ainda dói quando tento correr, andar rápido, usar meus saltos (mas eu uso) quando o tempo esfria, e sobretudo quando quero dançar. Não consigo mais dançar igual antes, um dos meus maiores prazeres, e essa constatação dói mais que a própria dor.
Mas fiz essa declaração aqui porque tá na hora do perdão.
Foi a partir dessa dor que tudo começou a me provocar, que outras dores eu tenho tido que enfrentar, que me fazem perguntar todos os dias coisas do tipo porque assim? porque ela? porque ele?, e depois mais cedo ou tarde do que eu gostaria, infalivelmente chegam as respostas.
Eu fiz escolhas na vida, ganhei amigos, perdi também. Fui fiel no trabalho, na carreira, nas histórias. Fui distraída, imatura, mas nunca fui cruel. Aprendi com meus pais que é melhor ser só a gente mesmo. Tá de bom tamanho querer apenas a vida que nos foi presenteada, e eu sou uma sortuda. Mas aprendi também que a dor não quer saber de sorte, dor vem pra te mostrar que é preciso sentir na pele, que quebras são necessárias, rupturas são preciso. É também uma fase da tua vida, então comece aceitando e agradecendo.
Eu tenho me perdoado, e perdoado quem não me perdoa. E eu gosto da palavra perdão. E eu tenho coragem de dizer isso. E as fases passam, as boas e as ruins, que demoram mais, mas ambas passam.
A minha fase ruim tá passando, muito já se foi, ufa!. Mesmo ainda com tapas na cara, com um bocado de tristeza. Mesmo com amigos me virando as costas, outros só assistindo de binóculo, mas sobretudo com na verdade os únicos, e melhores, tão poucos, bem perto.
Tati, mãe da pequena Maria Flor, Abreu - quero dizer que receber seu comentário hoje num post meu foi de uma importância que você nem desconfia. Ver que depois de tanto tempo, de tão longe, você entendeu cada letra do que eu quis dizer em duas linhas, é o meu sinal.
Então, hoje, que realmente acredito que menos é mais, por nós duas, e todo mundo que acredita, quero dizer que ganhei o dia, que tá tudo certo, e que esqueci a dor.
09/03/2010
menos é mais
Alegria boa, com gosto de novidade, surpresa, peraltice.
Prefiro assim e troco a figurinha difícil por dez iguais a essa, comum.
Prefiro assim e troco a figurinha difícil por dez iguais a essa, comum.
Assinar:
Postagens (Atom)
eu sou
- Cice Galoro
- Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.