28/07/14

a doce Manu

Manu nasceu doce,
com olhar de caramelo.
Um anjo na nossa vida,
de cabelinho amarelo.

Tão generosa veio para ser irmã,
companheira da moreninha.
Agora nessa casa temos:
a princesa e a rainha.

Tão bondosa, lábios rosa,
gosta mesmo de comer.
Troca tudo por um biscoito, 
põe os dentinhos a roer.

Por causa disso é gorduchinha.
Um cisco, já anda durinha.
Tá sempre tão alegre,
que sorrir o dia todo ela se atreve.

Lembra muito o vovô,
no jeito, no seu amor.
Encanta com sua calma.
Especial é a sua alma.

Fui presenteada com essa jóia.
À Deus rezo sem cessar,
Para que a sua vida tenha,
sempre o que ter e o que dar.

23 de julho de 2014, seu primeiro aniversário.
Um dia de celebrar!
Assim vai ser para sempre,
Manuela, vamos amar.










23/06/14

eu tu eles

Todo mundo vai ter na vida,

uma professora chata
uma dor de barriga;

uma doença que coça
um amigo na roça

uma desilusão de amor
um medo ou pavor;

Ninguém escapa das provas
nem de sujar a blusa nas amoras.

Limpar o quarto
Arrumar a cama
Esconder a caca
Pisar na lama

Eu você e ele também
todo mundo sempre têm

Um dia bom outro ruim
um amigo com pedra no rim

Por isso a vida é bela
não tem diferença entre eu você e ela

Quem se acha mais
É um bobão
E quem se vê menos
Nunca tem razão.


19/06/14

um sonho de presente

Me vi ali, no meio de dois seres literários sem entender quando ganhei tal recompensa. Entre olhares e palavras ditas como poesia, remexia a cadeira para conseguir um pequeno esbarrão que fosse, um sentir a pele pelos tecidos escolhidos sem preocupação ou combinação. Adélia Prado e Mario Quintana, um do lado outro do outro. Uma mesa cheia, eram outras personalidades e eu. Queria dizer algo, mas emudeci, o som entendeu qual era o meu lugar, ouvia para deixar claro a honra e o privilégio, falei pelos olhos que em algum momento verteram lágrimas e tiraram sorrisos acolhedores. Não fotografei, não pedi recordação, não me importei com o parecer dos outros no futuro, fiquei ali aproveitando o presente. Quintana falou que as pessoas confundem a vida com labirintos construídos por vaidade e depois reclamam. Adélia pediu a Deus que os pensamentos nunca sejam mais fortes que a entrega. E vi nos dois o respeito. Quando levantamos não pude fazer diferente, ajoelhei agradecida numa reverência verdadeira. Levantei e entendi que em algum momento voltaria a vê-los com meus escritos. Acordei feliz.

12/03/14

pensaste

Bem sabes que não sabemos bem um do outro.
Sabemos isso, mas aquilo quem sabe?
Disfarças e de que adianta. O tempo já explicou que  saber assim, só o pensamento tem e ele é calado. Só fala às vezes e pelos olhos que traem, inquietos piscam, lacrimejam, criam-se rugas.
E sabendo disso, porque isso se sabe - todos sabem, nem adianta achar que pode sarar esse tal de não se sabe. Só porque andamos de mãos dadas desde o tempo que sei de mim e sabes de você? Se sabíamos de lá, era porque o pensamento sequer sabia de nós e vão, deixava sermos um do outro. Mas seguimos e desprendidos de viver estamos até hoje sem saber porquê. Cada um sabendo de si, ou nem sabendo de nada por amor. Amor. Esse sim sabe de tudo. Porque não pensa.

19/02/14

volta e meia

Girar em volta de um mesmo ponto central deve ser muito chato. Espirais não sabem ir em frente, vão dois passos e voltam pro seu caramujo de linhas. 

10/02/14

roda. Viva

Ela adorava ficar girando. Girava, virava, rodava, rodava...
Ficava tonta e isso era gostoso.
Não podia ver uma argola, um arco, um anel redondinho.

Ela girava, porque o mundo era muito parado.
Virando e olhando para o alto. As nuvens correm mais assim.
A grama sobe, sabia?

Currupio, roda-roda - mas esquece o peixe é.
Girava de noite, rodava de dia.
Que alegria.

Um dia desses, sem querer, o tio Rolando levou ela no parque.
Lá onde colhia algodão, parque não havia. Nem sabia.
Ela foi olhando o pneu do carro que girava muito mais rápido do que o da carroça.

Já tinha valido a saída se fosse só isso, mas qual não foi sua surpresa na hora que a lente do óculos redondo do tio Rolando refletiu aquela roda gigante.

Ela gritou seu nome sem saber que era mesmo esse. Gritou porque nunca tinha visto uma roda tão gigante, não porque sabia qualquer coisa a respeito.

Pulou do carro pela janela quadrada.

Caiu na estrada de terra virando e virando, ralando a perna, batendo o joelho.
Poeira subia e ela olhava pra cima, igual o dia que virou tanto a Tereza que ela voou longe.

Rolando - não o tio, que berrava pra ela não se jogar e depois perdeu de vista a garota - ela foi e foi e ai, e dói e tum, e rola e rola... até os pés da gigante. Mesmo com sangue e cabelo engrunhado, vestido rasgado, ela olhou pro alto e emocionou quem estava na fila.

Subiu, tinha outro jeito de girar naquela roda. Era uma virada dentro da outra.

Assim que a roda foi pro alto ela começou a virar a sua caixinha, forte, forte, mais forte.

E lá no alto, com vento no rosto, girando pra cima, virando pra baixo, pra um lado, para o outro, descabelada e de qualquer jeito....

ela foi a pessoa mais feliz do mundo.  

15/01/14

santo dai-me

Gente que mete a mão na cumbuca do outro me causa náusea. Não consigo praticar o amor nesses casos. Queria entender qual é o prazer de usufruir de algo que não é seu, de não fazer nada para contribuir, de não repartir e pior, de achar isso tudo normal. Não consigo fazer entrar na minha cabeça de estopim curto, que além de aceitar tal situação, ainda precise fingir que não percebo. Não gosto de vítimas, nem no jogo de detetive aceito ser. Divido claramente o que é ajuda, o que é boa vontade do que é corpo mole, oportunismo e caráter posto a prova. Quer saber que lado joga a boa pinta de que falo? Tenho o segredo: Dê ou tire algo. Veja a reação, a ostentação, a ofensa gratuita, o apontar de dedos como se fosse obrigação, o subir no banco do engraxate com uma bravata. Nem precisa vasculhar, apenas passe os olhos no tal histórico de vida, seus empregos, suas escolhas, suas frases de 10 anos ou de agora. Se o que for diferente nem fizer curva, ficar de ângulo reto, aquele dos dedos em L, escape - a menos que tenha comido fritura e precise vomitar. Esse tipo não muda, nada faz ser melhor e nem pior. Eu pratico meditação nos andes e no inverno, cada vez que preciso conviver com isso, e não é lá muito raramente não. Santo, preciso de muitas latrinas abertas. Dai-me.

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do sabor colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.