24/08/16

Dona encrenca

Envelhecer é uma encrenca. Mas engana-se você se pensou que falo de capacidade física, beleza, poucas oportunidades ou ter que por óculos e nunca achar onde eles estão. Também errou se pensou em associar o envelhecimento a algo ruim. Encrenca aqui está empregada no melhor sentido dela, mas que de certa forma te faz sofrer. Explico, a gente envelhece e se não temos nenhuma patologia psíquica, amadurecemos. E amadurecer é igual mesmo as frutas no pé, vamos curtindo ali, vendo sol e chuva chegar por mais dias, resistindo no galho, na fome dos passarinhos, na sorte de não sermos apanhados antes da hora para seguir pra tantos destinos (bem que umas acabam na barriguinha de alguma criança, mas muitas apodrecem na prateleira do hiper disso e daquilo, glup). Então, poder amadurecer é uma benção. Mas aí você amadurece e não tem como, você vai sabendo as coisas, vai sabendo antes. Bem antes. No meu caso vai sabendo menos coisas e mais gentes. Eu sempre gostei de saber gente. É um gosto meu. Eu sempre preferi atender os clientes, falar com eles, estar no balcão ao invés de atrás das mesas. Eu a-m-o montar equipes, turmas, times. Na escola eu sempre gostava de tirar o par ou ímpar, e nem para garantir não ser a última a ser escolhida - baixinha que sempre fui, mas provar que se vc for o último, foi por causa de uma estratégia de quem escolheu para deixar o time mais forte, saca? Só que quando vc tá no tempo do par ou ímpar, o saber gente está com pouca chuva, pouca trovoada, pouco vento no lombo. Muito diferente de quando você amadureceu. Saber gente quando envelhecemos é ver o que as pessoas querem abstrair e, pior é saber esse querer também. É assim ó, vc bate o olho e sabe, esse muda, esse não, esse nem que a vaca tussa, esse não tem o menor interesse em fazer diferente, esse tá nem aí, esse é um querido, esse se esforça tanto e ninguém percebe, esse é covarde, esse é maldoso, esse nem sabe quem é, esse é esperto pacas, esse tem medo e por isso diz que não, esse fica calado, essa vai falar agora, esse não sabe nem o que está falando. E por aí vai. É duro. E não é pretensão. Duro porque é como um baú de possibilidades que vc não pode e nem consegue manipular. E não é pretensão porque é espontâneo, surge lá do coração. Você só sabe e fica olhando como se fosse um filme que começa na última cena. Tô aprendendo agora assim, tudo aquilo que fico vendo, me interessa em quanto? em como? e porque? Igual o filme de novo. Aí, dependendo da resposta dou um fast forward e zuuum vou lá pra frente dessa gente, ou às vezes gosto tanto, que fico dando rewind. Aliás, onde tem gente que te dá vontade de dar rewind, principalmente depois que amadurecemos, escreve aí, é onde temos que fincar o pé. O resto é blockbuster com censura 10 anos.

09/06/16

um tempão

Como fazia tempo que não te via, nem te lembrava mas não te esquecia.
C de jabuticaba continua pretinho.
E eu tô aqui. Cê viu? passei hoje cedinho.

Amanhã tô de volta.

05/02/15

sobre decisões

Em meio às mudanças os olhos esbugalham, onde fica a segurança, essa danada, que a menina do olhar não encontra? procura, procura até que cansa e fecha no sono. Sei bem que os dias vão acertando esse aperto, sei e creio que serão novos tempos. Muito bons eu lhes digo, como a dança das cadeiras quando se vence. Vai-se afrouxando o nó que de marinheiro não tem nada, porque por essas águas estarão sempre os eternos amigos. Mas hoje (...), hoje é uma véspera.

28/01/15

como pode?

Em plena escuridão e nem é tão noite assim, mais uma vez a luz das velas cortam o romantismo, porque amor nenhum resiste a dia sim dia não. No filtro a sede, nem gota pinga. Cedo pra isso tudo. Tarde, se o ponto de vista for o quanto se cuida desta terra. No meio disso tudo, um feixe da luz tecnológica do celular caro, que não combina com o voltar às tochas, clareia a notícia: mais 3 torres de quinze andares lá no centro. Construtoras obcecadas que vendem 34m2 a quase dois milhões em baixo de assinatura de studio famoso devorando os espaços com gargalhadas grotescas e discursos fajutos. Pra quê, hein? Para quem? haverão sempre de ter os tolos sem gosto e pudor, mas para quê é a pergunta. Uma hora de nada vai adiantar os 34m2 mais caros do seu ego, porque nada vai sobrar. Nem em 200m2 ou 2.000m2. Não vai ter o que. No meio disso tudo, sem água, sem luz, a notícia é tão estúpida que dói o ouvido e a mente se preocupa com as maternidades cheias. Pobres deles. No meio disso tudo, há de vir um novo construtor de idéias mais originais do que serrar árvores e subir prédios. Gente ultrapassada. Gente passada. Gente destruindo gente, de passagem por meros metros quadrados que talvez não saibam que pra baixo da terra bastam 7 palmos.

28/07/14

a doce Manu

Manu nasceu doce,
com olhar de caramelo.
Um anjo na nossa vida,
de cabelinho amarelo.

Tão generosa veio para ser irmã,
companheira da moreninha.
Agora nessa casa temos:
a princesa e a rainha.

Tão bondosa, lábios rosa,
gosta mesmo de comer.
Troca tudo por um biscoito, 
põe os dentinhos a roer.

Por causa disso é gorduchinha.
Um cisco, já anda durinha.
Tá sempre tão alegre,
que sorrir o dia todo ela se atreve.

Lembra muito o vovô,
no jeito, no seu amor.
Encanta com sua calma.
Especial é a sua alma.

Fui presenteada com essa jóia.
À Deus rezo sem cessar,
Para que a sua vida tenha,
sempre o que ter e o que dar.

23 de julho de 2014, seu primeiro aniversário.
Um dia de celebrar!
Assim vai ser para sempre,
Manuela, vamos amar.










23/06/14

eu tu eles (inspirado na Ciranda da bailarina de Chico Buarque)

Todo mundo vai ter na vida,

uma professora chata
uma dor de barriga;

uma doença que coça
um amigo na roça

uma desilusão de amor
um medo ou pavor;

Ninguém escapa das provas
nem de sujar a blusa nas amoras.

Limpar o quarto
Arrumar a cama
Esconder a caca
Pisar na lama

Eu você e ele também
todo mundo sempre têm

Um dia bom outro ruim
um amigo com pedra no rim

Por isso a vida é bela
não tem diferença entre eu você e ela

Quem se acha mais
É um bobão
E quem se vê menos
Nunca tem razão.


19/06/14

um sonho de presente

Me vi ali, no meio de dois seres literários sem entender quando ganhei tal recompensa. Entre olhares e palavras ditas como poesia, remexia a cadeira para conseguir um pequeno esbarrão que fosse, um sentir a pele pelos tecidos escolhidos sem preocupação ou combinação. Adélia Prado e Mario Quintana, um do lado outro do outro. Uma mesa cheia, eram outras personalidades e eu. Queria dizer algo, mas emudeci, o som entendeu qual era o meu lugar, ouvia para deixar claro a honra e o privilégio, falei pelos olhos que em algum momento verteram lágrimas e tiraram sorrisos acolhedores. Não fotografei, não pedi recordação, não me importei com o parecer dos outros no futuro, fiquei ali aproveitando o presente. Quintana falou que as pessoas confundem a vida com labirintos construídos por vaidade e depois reclamam. Adélia pediu a Deus que os pensamentos nunca sejam mais fortes que a entrega. E vi nos dois o respeito. Quando levantamos não pude fazer diferente, ajoelhei agradecida numa reverência verdadeira. Levantei e entendi que em algum momento voltaria a vê-los com meus escritos. Acordei feliz.

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do sabor colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.