28/01/15

como pode?

Em plena escuridão e nem é tão noite assim, mais uma vez a luz das velas cortam o romantismo, porque amor nenhum resiste a dia sim dia não. No filtro a sede, nem gota pinga. Cedo pra isso tudo. Tarde, se o ponto de vista for o quanto se cuida desta terra. No meio disso tudo, um feixe da luz tecnológica do celular caro, que não combina com o voltar às tochas, clareia a notícia: mais 3 torres de quinze andares lá no centro. Construtoras obcecadas que vendem 34m2 a quase dois milhões em baixo de assinatura de studio famoso devorando os espaços com gargalhadas grotescas e discursos fajutos. Pra quê, hein? Para quem? haverão sempre de ter os tolos sem gosto e pudor, mas para quê é a pergunta. Uma hora de nada vai adiantar os 34m2 mais caros do seu ego, porque nada vai sobrar. Nem em 200m2 ou 2.000m2. Não vai ter o que. No meio disso tudo, sem água, sem luz, a notícia é tão estúpida que dói o ouvido e a mente se preocupa com as maternidades cheias. Pobres deles. No meio disso tudo, há de vir um novo construtor de idéias mais originais do que serrar árvores e subir prédios. Gente ultrapassada. Gente passada. Gente destruindo gente, de passagem por meros metros quadrados que talvez não saibam que pra baixo da terra bastam 7 palmos.

28/07/14

a doce Manu

Manu nasceu doce,
com olhar de caramelo.
Um anjo na nossa vida,
de cabelinho amarelo.

Tão generosa veio para ser irmã,
companheira da moreninha.
Agora nessa casa temos:
a princesa e a rainha.

Tão bondosa, lábios rosa,
gosta mesmo de comer.
Troca tudo por um biscoito, 
põe os dentinhos a roer.

Por causa disso é gorduchinha.
Um cisco, já anda durinha.
Tá sempre tão alegre,
que sorrir o dia todo ela se atreve.

Lembra muito o vovô,
no jeito, no seu amor.
Encanta com sua calma.
Especial é a sua alma.

Fui presenteada com essa jóia.
À Deus rezo sem cessar,
Para que a sua vida tenha,
sempre o que ter e o que dar.

23 de julho de 2014, seu primeiro aniversário.
Um dia de celebrar!
Assim vai ser para sempre,
Manuela, vamos amar.










23/06/14

eu tu eles

Todo mundo vai ter na vida,

uma professora chata
uma dor de barriga;

uma doença que coça
um amigo na roça

uma desilusão de amor
um medo ou pavor;

Ninguém escapa das provas
nem de sujar a blusa nas amoras.

Limpar o quarto
Arrumar a cama
Esconder a caca
Pisar na lama

Eu você e ele também
todo mundo sempre têm

Um dia bom outro ruim
um amigo com pedra no rim

Por isso a vida é bela
não tem diferença entre eu você e ela

Quem se acha mais
É um bobão
E quem se vê menos
Nunca tem razão.


19/06/14

um sonho de presente

Me vi ali, no meio de dois seres literários sem entender quando ganhei tal recompensa. Entre olhares e palavras ditas como poesia, remexia a cadeira para conseguir um pequeno esbarrão que fosse, um sentir a pele pelos tecidos escolhidos sem preocupação ou combinação. Adélia Prado e Mario Quintana, um do lado outro do outro. Uma mesa cheia, eram outras personalidades e eu. Queria dizer algo, mas emudeci, o som entendeu qual era o meu lugar, ouvia para deixar claro a honra e o privilégio, falei pelos olhos que em algum momento verteram lágrimas e tiraram sorrisos acolhedores. Não fotografei, não pedi recordação, não me importei com o parecer dos outros no futuro, fiquei ali aproveitando o presente. Quintana falou que as pessoas confundem a vida com labirintos construídos por vaidade e depois reclamam. Adélia pediu a Deus que os pensamentos nunca sejam mais fortes que a entrega. E vi nos dois o respeito. Quando levantamos não pude fazer diferente, ajoelhei agradecida numa reverência verdadeira. Levantei e entendi que em algum momento voltaria a vê-los com meus escritos. Acordei feliz.

12/03/14

pensaste

Bem sabes que não sabemos bem um do outro.
Sabemos isso, mas aquilo quem sabe?
Disfarças e de que adianta. O tempo já explicou que  saber assim, só o pensamento tem e ele é calado. Só fala às vezes e pelos olhos que traem, inquietos piscam, lacrimejam, criam-se rugas.
E sabendo disso, porque isso se sabe - todos sabem, nem adianta achar que pode sarar esse tal de não se sabe. Só porque andamos de mãos dadas desde o tempo que sei de mim e sabes de você? Se sabíamos de lá, era porque o pensamento sequer sabia de nós e vão, deixava sermos um do outro. Mas seguimos e desprendidos de viver estamos até hoje sem saber porquê. Cada um sabendo de si, ou nem sabendo de nada por amor. Amor. Esse sim sabe de tudo. Porque não pensa.

19/02/14

volta e meia

Girar em volta de um mesmo ponto central deve ser muito chato. Espirais não sabem ir em frente, vão dois passos e voltam pro seu caramujo de linhas. 

10/02/14

roda. Viva

Ela adorava ficar girando. Girava, virava, rodava, rodava...
Ficava tonta e isso era gostoso.
Não podia ver uma argola, um arco, um anel redondinho.

Ela girava, porque o mundo era muito parado.
Virando e olhando para o alto. As nuvens correm mais assim.
A grama sobe, sabia?

Currupio, roda-roda - mas esquece o peixe é.
Girava de noite, rodava de dia.
Que alegria.

Um dia desses, sem querer, o tio Rolando levou ela no parque.
Lá onde colhia algodão, parque não havia. Nem sabia.
Ela foi olhando o pneu do carro que girava muito mais rápido do que o da carroça.

Já tinha valido a saída se fosse só isso, mas qual não foi sua surpresa na hora que a lente do óculos redondo do tio Rolando refletiu aquela roda gigante.

Ela gritou seu nome sem saber que era mesmo esse. Gritou porque nunca tinha visto uma roda tão gigante, não porque sabia qualquer coisa a respeito.

Pulou do carro pela janela quadrada.

Caiu na estrada de terra virando e virando, ralando a perna, batendo o joelho.
Poeira subia e ela olhava pra cima, igual o dia que virou tanto a Tereza que ela voou longe.

Rolando - não o tio, que berrava pra ela não se jogar e depois perdeu de vista a garota - ela foi e foi e ai, e dói e tum, e rola e rola... até os pés da gigante. Mesmo com sangue e cabelo engrunhado, vestido rasgado, ela olhou pro alto e emocionou quem estava na fila.

Subiu, tinha outro jeito de girar naquela roda. Era uma virada dentro da outra.

Assim que a roda foi pro alto ela começou a virar a sua caixinha, forte, forte, mais forte.

E lá no alto, com vento no rosto, girando pra cima, virando pra baixo, pra um lado, para o outro, descabelada e de qualquer jeito....

ela foi a pessoa mais feliz do mundo.  

eu sou

Minha foto
Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do sabor colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.