28/01/2015

como pode?

Em plena escuridão e nem é tão noite assim, mais uma vez a luz das velas cortam o romantismo, porque amor nenhum resiste a dia sim dia não. No filtro a sede, nem gota pinga. Cedo pra isso tudo. Tarde, se o ponto de vista for o quanto se cuida desta terra. No meio disso tudo, um feixe da luz tecnológica do celular caro, que não combina com o voltar às tochas, clareia a notícia: mais 3 torres de quinze andares lá no centro. Construtoras obcecadas que vendem 34m2 a quase dois milhões em baixo de assinatura de studio famoso devorando os espaços com gargalhadas grotescas e discursos fajutos. Pra quê, hein? Para quem? haverão sempre de ter os tolos sem gosto e pudor, mas para quê é a pergunta. Uma hora de nada vai adiantar os 34m2 mais caros do seu ego, porque nada vai sobrar. Nem em 200m2 ou 2.000m2. Não vai ter o que. No meio disso tudo, sem água, sem luz, a notícia é tão estúpida que dói o ouvido e a mente se preocupa com as maternidades cheias. Pobres deles. No meio disso tudo, há de vir um novo construtor de idéias mais originais do que serrar árvores e subir prédios. Gente ultrapassada. Gente passada. Gente destruindo gente, de passagem por meros metros quadrados que talvez não saibam que pra baixo da terra bastam 7 palmos.

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Gosto de boniteza, de arrumação, da moda dos anos 30. De margaridas e pérolas verdadeiras. Gosto da noite, de gente dando risada, do sabor colorido de um prato de feijoada. Gosto de sair e de mudar, gosto de família, de amigos e com eles estar. Gosto de dança e de criança, e gosto muito, muito do mar.